segunda-feira, 22 de setembro de 2014
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The Tiger Lillies – Shockheaded Peter: A Junk Opera

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Gênero: Dark Cabaret
País: Inglaterra
Ano: 1998

Comentário: The Tiger Lillies é uma banda de Londres que possui uma sonoridade muito peculiar, isso pelas misturas e influencias que suas musicas levam. A sonoridade de cada canção traz junto uma atmosfera que facilmente te lembra um circo, normal ou de horrores, musica cigana e cabaret, tudo isso influencia para que a banda seja, também, uma das mais teatrais que eu conheço. Cada musica remete á um conto diferente de Heinrich Hoffmann’s, e o jeito do vocalista de conta-las enriquece mais a musica, trazendo, muitas vezes, pitadas de ópera.

“The Story Of Cruel Frederick” é a segunda musica do disco e a primeira a chamar atenção, nela o grupo já mostra sua habilidade ao contar historias e ao invés de usar o convencional, que seria usar sons para simular os sons nas historias, eles fazem diferente, mantendo a melodia e utilizando dos vocais para simular o que se está passando na historia.

“The Dreadful story About Harriet And The Matches” possui uma das melhores letras do disco, a triste historia da menina que brincou com fósforos, o violino acompanha as frases do vocalista, dando um tom animado e melancólico ao mesmo tempo. Já “Bully Boys” surge com uma melodia animada já com uma atmosfera mais cabaret.

“Augustus And The Soup” possui uma melancolia inigualável e é nela que encontramos, de um jeito mais presente, as pitadas de ópera que o disco traz.

O disco ainda possui incríveis musicas como “Fidgety Phil”, “Johnny Head-In-Air” que possui uma bela sonoridade cigana, e encerra com “Shockheaded Peter”. Ouvir um disco acaba sendo uma dupla recompensa, pois além de conhecer as historias de Heinrich, você ainda as ouve sendo interpretadas de maneira brilhante por um dos melhores grupos teatrais da atualidade.

Tracklist:
1. The Struwwelpeter Overture
2. Cruel Frederick
3. The dreadful story about Harriet and the matches
4. Bully Boys
5. The Story of the man that went out shooting
6. Snip Snip
7. Augustus
8. Fidgety Phil
9. Johnny Head-In-Air
10. Flying Robert
11. Shockheaded Peter

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terça-feira, 16 de setembro de 2014
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Kongh - Sole Creation

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Gênero: Progressive Sludge / Doom Metal
País: Suécia
Ano: 2013

Comentário: Me recordo com facilidade da primeira vez em que me deparei com esse álbum e de como me surpreendi com ele. De início confesso que antes de ouvi-lo, pensei que se tratava de apenas mais uma banda genérica do estilo, trazendo todos os detalhes e características que estão presentes em bandas com essa mescla de sonoridades.

Mas eu me surpreendi agradavelmente quando resolvi conferir a primeira faixa do álbum, o Kongh não era apenas mais uma banda qualquer e sua sonoridade era algo que não se restringia apenas à esfera do Sludge/Doom. Daí fui procurar informações sobre a banda e vi que possui um tempo até considerável de carreira (está completando 10 anos em 2014). Os membros não são nomes conhecidos, tirando o fato de que o baixista e vocalista da banda, David Johansson, já tocou em algumas performances ao vivo do Cult of Luna

Mas enfim, falando um pouco sobre o Sole Creation, já havia citado que a sonoridade da banda é um pouco mais ampla do que lhe é atribuída por alguns. Os suecos sabem pegar a base do Sludge/Doom e combinar com alguns elementos vindos do Progressivo e do Post-Metal. Logo de cara nos deparamos com a agressiva e intensa faixa título, um petardo de 10 minutos que não economiza nos riffs. O interessante é ver a evolução da faixa, que alterna em momentos mais distintos e variando entre o harsh vocal e o limpo.

Se "Sole Creation" tinha como principal tom a agressividade, a faixa seguinte "Tamed Brute" tem um tom de calmaria. Mas não se engane com isso, pois a banda se desprende dessa característica em certos momentos. Riffs arrastados cedem espaço à um instrumental mais elaborado e com arranjos mais interessantes, com o vocal limpo tendo maior destaque nessa faixa. "The Portals" mantém a pegada da faixa título, trazendo de volta a agressividade dominada por alguns dos riffs mais sujos e pesados do álbum. 

O álbum se encerra com "Skymning", faixa mais singular e easy listening do álbum. Dona de um psicodelismo incrível, a faixa se desenvolve entre riffs pesados e vocais melancólicos. O tom mais ameno que predomina em boa parte da faixa é deixado de lado no final, quando a banda encerra o álbum da maneira em que o começou: com peso e agressividade.


Sole Creation despertou meu interesse pela banda e acredito que o de muitos. Se comparado aos outros dois álbuns de estúdio lançados, a sonoridade desenvolvida é de assimilação mais fácil e mostra uma banda transitando dentro dos estilos que se propôs a tocar, experimentado e fazendo um dos álbuns que mais me agradaram em 2013.





Tracklist:

01 - Sole Creation
02 - Tamed Brute
03 - The Portals
04 - Skymning

Download: Mediafire 


segunda-feira, 15 de setembro de 2014
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Ryan Adams - Ryan Adams

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Gênero: Alternative country
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: Prolífico: esta é a palavra que melhor define Ryan Adams como artista. Desde a década de 90, período em que comandava o Whiskeyton (banda representativa da cena alternative country ao de Wilco e Jayhawks) Adams já produzia largamente canções que associava a estética country com a crueza do punk. Após 3 álbuns de estúdio (Faithless street, Stranger Almanac e o clássico póstumo Pneumonia), o cantor americano partiu para uma extensa e elogiada carreira solo.

Lançando basicamente um disco por ano, Ryan conquistou um contingente admirável de fãs mundo afora, Elton John, Mick Jagger, Joan Baez (que regravou "In my time of need" do próprio) e Emmylou Harris são alguns dos mais célebres, que se derreteram ante ao caráter passional de suas canções calcadas na estética folk, com doses de country e a visceralidade do rock de garagem. Se com os dois primeiros rebentos,  Heartbreaker (2000) e Gold  (2001), que de forma surpreedente ganhou disco de ouro nos EUA pela vendagem de 500 mil cópias, a popularidade e rasgados elogios bateram-lhe a porta (gerando inclusive indicações ao Grammy 2002 nas categorias melhor álbum de rock, melhor performance masculina nas categorias rock e country, todas relacionadas ao álbum de 2001). Na sequência Demolition (2002), Rock n roll (2003) e Love is hell (2004) mantiveram a qualidade em alta, mas sem atingir o burburinho merecido.

O famoso embate com a sua gravadora Lost Highway é desta época. Devido a rejeição do repertório de Love is hell, tido como altamente "depressivo", o cantor criou em tom de resposta, de forma quase solitária e a curto prazo o cru e enérgico Rock n roll.  Mesmo com o lançamento posterior do álbum de 2004 acontecendo, isto não mascarou a insatisfação quanto a postura dos executivos do selo ante ao seu trabalho. Anos mais tarde Adams teria seu trabalho novamente denegrido, no caso as canções presentes posteriormente em III\IV (2008), e isto fez com que criasse em 2004 a Pax Americana (PAX-AM), gravadora responsável, inicialmente, pelo vasto lançamento de material demo, mas que desde 2008 gere o seu trabalho como um todo.               

Buscando a reinvenção, na sequência Ryan contratou os serviços dos The cardinals, músicos que seriam sua banda de apoio no frutífero período no qual 7 discos, entre álbuns e EPs, seriam produzidos  num curto espaço de tempo. Desta fase destacam-se Cold Roses (2005), Cardinology (2008) e o EP Follow the lights, que contém a inusitada cover de "Down in a Hole" do Alice in Chains.   

Paralela a sua carreira, ao longo dos anos Adams ainda encontrou tempo para desenvolver outras atividades tais como produzir outros artistas (Willie Nelson, Jenny Lewis e Fall Out Boy) e colaborar com outras tantas produções (Beth Orton, Weezer, Norah Jones, Cowboy Junkies, Counting Crows).

Ryan, como se não bastasse, também mostrou seu lado escritor publicando dois livros em 2009 (Infinity Blues e Hello Sunshine).

Tantos trabalho em tão pouco tempo podem até assustar os habituados a lançamentos artísticos espaçados, entretanto sua carreira solo estava em estado de hibernação desde 2011, época em que o ótimo Ashes and fire chegou as lojas

Neste entremeio, Adams foi diagnosticado com síndrome de Méniere, doença ligada a degeneração da audição e do equilíbrio. Devido a mesma, o cantor precisou de dois anos para recuperação plena. Porém, o mais longo hiato de sua carreira foi findado com o lançamento de Ryan Adams, o álbum..

Produzido pelo próprio com apoio de Mike Viola, Ryan Adams celebra o retorno do cantor ao seu habitat natural, composto por canções extremamente pessoais.

Contando com uma exímia e experiente banda de apoio composta por Benmont Tench (tecladista do The Heartbreakers, banda de apoio de Tom Petty), Jeremy Stacey (baterista da fase Ashes & Fire e parceiro de Noel Gallagher), Tal Wilkenfeld (baixista de Jeff Beck) o álbum inicia com "Gimme something good", primeiro single, cujos versos sobre inadaptação e esperança são casados à riffs de guitarra cortantes, estridentes e com a marcante presença dos teclados de Tench.

O sentimento de insegurança e solidão permeia a pegajosa "Am I safe", faixa que conta com discreta participação de Mandy Moore (atriz, cantora e esposa do próprio) nos vocais de apoio. Johnny Depp também surge nos créditos como colaborador, adicionando guitarras na cadenciada "Kim" e na marcial "Feels like fire", faixa na qual também participa como backing vocal .

As homenagens e emulações aos seus heróis musicais novamente dão o tom como na apaixonada "Stay with me", puro Tom Petty, e "I just might" que ecoa Bruce Springsteen em sua fase inicial de carreira.

A predominantemente acústica "My wrecking ball" é uma tocante canção em ode a necessária autodestruição pessoal, quando a renovação é a última saída. Diretamente, pode se associar aqui aos infindáveis problemas com drogas que o cantor enfrentou mas que, aparentemente, findaram. O tema reabilitação, peça chave deste trabalho, surge novamente em "Tired of giving up", canção em que Adams revela estar cansado de desistir ante as dificuldades que a vida oferece. A faixa de encerramento,"Let go", traz em si o clima de redenção e paz ligados à aquele que buscou arduamente por tais princípios e, finalmente, os alcançou.        

De fato, Ryan Adams, o disco, não representa nenhum tipo de novidade aos já habituados a seu universo musical , mas os fãs de boa música não tem do que reclama: afinal o caráter confessional e largamente biográfico faz deste disco um autêntico respirar, em tempos nos quais o artificialismo artístico predomina mundo afora.
            
(Site)

Tracklist:

1."Gimme Something Good"
2."Kim"  
3."Trouble"  
4."Am I Safe"  
5."My Wrecking Ball"
6."Stay with Me"  
7."Shadows"  
8."Feels Like Fire"  
9."I Just Might"  
10."Tired of Giving Up"
11."Let Go"  

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Bölzer - Discografia

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Gênero: Black / Death Metal
País: Suíça

Comentário: Formada em 2008 na cidade de Zurique, a banda Bölzer vem ganhando uma atenção merecida por uma parte do público underground, além de alguns veículos de comunicação especializados em metal extremo. Tal atenção deve-se ao fato de que a banda vem reafirmando sua capacidade a cada material lançado, apresentando uma sonoridade bem interessante.

A banda consiste num duo formado por Okoi Thierry Jones (guitarra e vocal) e Fabian Wyrsch (bateria). Dois nomes desconhecidos do grande público mas que executam um belo trabalho à frente do Bölzer e não possuem um passado musical abrangente. Fabian tem seu nome ligado apenas ao Bölzer, enquanto Okoi tocou em bandas de curta duração da esfera Black/Death, além de duas em que faz parte paralelamente ao Bölzer.

O primeiro material lançado pelo banda foi a demo Roman Acupuncture em 2012. A demo composta por 3 faixas que totalizam cerca de 14 minutos, trazia uma banda promissora. A sonoridade altamente agressiva e esmagadora apresentada logo nos instantes iniciais da faixa título, é o suficiente para o ouvinte se empolgar. A bateria rápida e precisa, é o pilar da sonoridade que tem como destaque a série de riffs obscuros e dissonantes, encontrando na alternância vocal de Okoi a combinação ideal.

Em maio de 2013 o Bölzer lançou o EP intitulado Aura, que foi responsável pelo aumento no alcance de público da banda. Mantendo a pegada da demo, o duo demonstra um aprimoramento de suas ideias musicais, conseguindo criar uma sonoridade que chega a soar hipnótica. O riff principal de "Entranced By The Wolfshook" é um dos mais sensacionais que já ouvi, além de possuir uma parte mais cadenciada bem sombria e agradável. Ainda destaco a "The Great Unifier", faixa épica com duração de 10 minutos, na qual a atmosfera criada pela banda chega a ser sufocante e o vocal de Okoi soa bizarro (isso é um elogio) em algumas partes.

O EP Soma foi lançado em Agosto desse ano, vindo reafirmar que a qualidade apresentada pela banda, principalmente no trabalho anterior, era possível de ser repetida. Já na faixa de abertura "Steppes", aquela vibe cósmica e agressiva se faz presente. A outra faixa do EP é a "Labyrinthian Graves", despejando uma série de riffs insanos e mantendo o tom dissonante que ficou característico na sonoridade da banda, e contando com uma performance espetacular na bateria por Fabian.

O Bölzer é uma banda que consegue despertar a atenção do ouvinte com sua sonoridade intensa e agressiva, uma prova recente disso foi a apresentação da banda no Maryland Deathfest (clique aqui para conferir). Apesar da curta discografia até o momento atual, é uma daquelas bandas para se acompanhar atentamente, aguardando por futuras novidades e que mantenham a qualidade daquilo que já foi lançado.


domingo, 14 de setembro de 2014
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Death From Above 1979 - The Physical World

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Gênero: Dance Punk, Stoner Rock, Noise Rock
País: Canadá
Ano: 2014

Comentário: No longínquo ano de 2004 o Dance Punk com tons de Stoner Rock do Death From Above 1979 confundia pessoas por aí. Com músicas que ao mesmo tempo podiam encher pistas de dança e criar grandes rodas de mosh, o duo canadense fez seu nome sair do underground e conquistar fãs devotos e críticas positivas mundo afora. A banda formada por um baixista e um baterista ganhou remixes de Justice e Josh Homme, teve música sampleada pelo Cristal Castles e uma singela homenagem dos brasileiros do CSS.

Após o lançamento de apenas um disco a banda se separou. Agora, 10 anos após o lançamento do até então único disco, o incrível You’re A Woman, I’m A Machine, o Death From Above 1979 retorna com um disco tão pesado e dançante quanto seu predecessor, vencendo o ceticismo de muitos, inclusive o meu.

The Physical World é um deleite para os fãs da Death From Above 1979. Produzido por Dave Sardy, que já trabalhou com Oasis, LCD Soundsystem e Nine Inch Nails, o disco, já na música de abertura, “Cheap Talk”, mostra que a banda não perdeu o ritmo e o baixo distorcido em conjunto com os sintetizadores tímidos empolgam qualquer um. Acompanhada de “Right On Frankstein” e a super dançante “Virgins”, o ouvinte já está convencido da qualidade do disco logo em sua sequência inicial. Aos que ainda tinham dúvidas, cabe às ótimas “Nothin’ Left” e “Government Trash” saná-las. Fechando com a faixa título, a monstruosa "The Physical World", fica a vontade de ouvir de novo e de novo este que é um dos melhores discos do gênero lançados este ano.

E que venham os próximos 10 anos!

Tracklist:
1. Cheap Talk
2. Right On, Frankenstein!
3. Virgins
4. Always On
5. Crystal Ball
6. White Is Red
7. Trainwreck 1979
8. Nothin' Left
9. Government Trash
10. Gemini
11. The Physical World

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014
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#Porco na cena 44: Porão do Rock - Brasília (30/08)

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Chegando à sua 17ª edição, o festival brasiliense Porão do Rock segue, ano após ano, cada vez mais relevante. Amparado por um grande público, cerca de 55 mil pessoas divididos entre os dois dias, a produção do evento trouxe para o estacionamento do estádio Mané Garrincha uma infra-estrutura gigantesca e um line up de peso contendo o supra sumo do rock nacional, em suas mais variadas vertentes, agregada à algumas atrações internacionais.

Line up dos dois dias. Material de divulgação 
Intercalado por 3 palcos, os shows aconteceram de maneira pontual e primaram pela mistura atrações de peso e bandas regionais, oriundas de várias seletivas realizadas pré-festival. O Ignes Elevanium esteve lá e conta como foi o primeiro dia de apresentações:


segunda-feira, 1 de setembro de 2014
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Thantifaxath - Sacred White Noise

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Gênero: Experimental / Atmospheric / Black Metal
País: Canadá
Ano: 2014

Comentário: O Thantifaxath surge como uma das grandes surpresas do ano no cenário do Black Metal, a banda canadense possui a característica de manter em segredo a identidade de seus membros, não creditando nada em nome de alguém em seu trabalho, além de se apresentarem ao vivo cobertos por um robe, similar aos usados pelos membros do Sunn O))).

Em contrapartida aos seus conterrâneos canadenses da cena de Quebec, o Thantifaxath executa uma sonoridade mais ousada e bem interessante, revitalizando e acrescentando muito ao estilo. Guitarras dissonantes e estridentes, acompanhadas de um instrumental agressivo, pesado e em certos momentos acompanhados de um psicodelismo bem sombrio.

Na primeira audição do álbum, a sonoridade em alguns momentos me lembrou a feita pelo Deathspell Omega no Paracletus, trazendo uma produção mais limpa e uma atmosfera mais sufocante. A sonoridade do álbum consiste em um instrumental pesado, experimental, e com um tom bizarro. A instrumental "Eternally Falling" traz uma sonoridade mais cadenciada, acompanhada de um violino bem sombrio, que se encaixaria como trilha dos filmes de terror mais insanos que você já assistiu. "Where I End and the Hemlock Begins" apresenta uma evolução incrível, partindo de um início arrasador conduzido por um vocal insano e repleto de ódio, a faixa vai de encontro à uma parte mais amena e com uma levada bem prog.

O momento de maior brilho do álbum talvez seja a faixa de encerramento, intitulada "Lost in Static Between Worlds". Após um início atmosférico caracterizado por um violino com tom bem depressivo e acompanhado do som de uma ventania ao fundo, a beleza contida na faixa ganha enfoque com a entrada de um instrumental cadenciado, liderado por uma guitarra bem dissonante e hipnotizante. A faixa evolui trazendo consigo um instrumental pesado, apresentado ótimos momentos com foco na distorção e uma sensação de profundidade incrível.

Sacred White Noise é um álbum sólido e uma estréia satisfatória. O Thantifaxath emerge como uma promessa e uma banda para se acompanhar com atenção, pois, dispõe de grande potencial e criatividade. Um dos álbuns mais caóticos e belos como há muito tempo eu não ouvia, e que certamente vai agradar aos apreciadores de sonoridades mais adversas dentro do Black Metal.


Tracklist:

01. The Bright White Nothing At The End Of The Tunnel
02. Where I End And The Hemlock Begins
03. Gasping In Darkness
04. Eternally Falling
05. Panic Becomes Despair
06. Lost In Static Between Worlds

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Skogen - I Döden

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Gênero: Atmospheric / Folk / Black Metal
País: Suécia
Ano: 2014

Comentário: Após um curto período em que fiquei desaparecido, cá estou eu, novamente trazendo um álbum lançado em 2014 e que me agradou bastante. Para aqueles não familiarizados com o nome Skogen, trata-se de uma banda formada atualmente Joakim Svensson, Mathias Nilsson e Linus Larsson. Joakim é conhecido por seu trabalho à frente do Entrails, banda na qual Mathias já participou também. Já Linus, tocou em bandas de pouca repercussão na esfera do Black e Death sueco, e mantém paralelamente ao Skogen, dois projetos ao lado de Joakim.

Skogen foi criado no ano de 2009 e lançou 4 álbuns de estúdio, sendo I Döden o último deles. A banda faz uma certa evolução de um álbum para o outro, sempre tentando manter suas principais características. Em I Döden a banda se mostra inspirada e criativa, sabendo criar um instrumental bem envolvente e apreciável. 

A banda continuou com a característica de deixar os nomes das músicas e as letras em sueco, abrindo uma exceção para a última faixa do álbum, intitulada "Sleep". A sonoridade feita pela banda não é nem um pouco inovadora, por mais que você nunca tenha escutado algo do Skogen, é fácil de assimilar sua sonoridade com outras bandas, uma vez que possui diversos elementos bem conhecidos para os fãs de bandas como FenDrudkhWodensthrone e bandas da cena Cascadian Metal.

Ok, o som da banda não ganha em originalidade, mas é bem produzido, elaborado e agradável. A atmosfera feita pela banda é bem tocante e envolvente. Tal característica tem como ponto principal os teclados, que possuem grande destaque em meio ao instrumental feito pela banda. As passagens acústicas no decorrer das faixas é bem interessante, dá uma quebra no ritmo e um certo charme ao som. Um exemplo disso é na faixa "När himlen svartnar", que contém uma parte acústica muito bela e cede espaço para um instrumental bem pesado. A alternância entre o instrumental mais pesado e o mais ameno também é uma constante no som da banda, assim como a alternância entre o tipo de vocal feito. Em "Sleep" a banda apresenta um instrumental mais melancólico e acompanhado de praticamente apenas vocais limpos, esses, que tem bastante presença nas demais faixas da banda.

I Döden no geral é um bom álbum e bem interessante para aqueles que apreciam o estilo e bandas que possuem uma sonoridade parecida, as quais citei anteriormente. Se por um lado o álbum perde no quesito originalidade, por outro, é garantia de um Black Metal atmosférico bem tocado, com ótimas inserções de elementos do folk, resultando numa sonoridade bem agradável.




Tracklist:
01. Vargher
02. I Döden
03. När Himlen Svartnar
04. Solarvore
05. Livets Ruin
06. Griftenatt
07. Midvintergraven
08. Svartskogen
09. Sleep

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domingo, 24 de agosto de 2014
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Juçara Marçal e Kiko Dinucci - Padê

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Gênero: MPB / Macumba
País: Brasil
Ano: 2008

Comentário:  Ultimamente, aqui no blog, tenho tentado postar algo que vá de encontro com músicas mais tradicionais, de raiz, que tenham uma ligação com uma certa resistência dentro de determinada cultura. Pois bem, creio que dentro dessa minha visão, “Padê”, se insere como um registro nacional que vai de encontro a esse pensamento.

“Padê”, álbum da Juçara Marçal e do Kiko Dinucci, ambos integrantes do Metá Metá, tem seu significado em uma comida ou oferenda oferecida nos rituais de candomblé para os exus e pombogiras, ou seja, desde o seu título o álbum se oferece como um registro espiritual nas bases das religiões africanas em solo brasileiro – sendo a umbanda uma religião desenvolvida aqui no Brasil e surgida até muito próxima de um local onde eu estudara.


Não sei se preciso me fiar a apresentar faixa por faixa do álbum, mas creio que uma visão geral também funcione. O álbum tem suas raízes no candomblé, logo, no samba de raiz, bem marcado, desses feitos ainda no tempo da escravidão. Nota-se nas letras e nas batidas toda uma preocupação em trazer esse contexto, de fato. Com a maioria de suas faixas sendo originais, o álbum percorre um caminho muito bem elaborado, flertando com o samba e tradições negras advindos de diversas regiões do Brasil, logicamente com o fundo lindamente explorado da macumba brasileira, e sim, para mim macumba é um gênero musical que o Brasil deveria aprender a respeitar deveras, já que dele desdobra-se um solo gigantesco para o cenário musical contemporâneo, até.


Falando um pouco das faixas, vemos diferenças nas sonoridades, nuances, ritmos mais agressivos uma ora, como o presente em “Engasga Gato / Casa Barata” e outrora sonoridades bem mais ritmadas, como a segunda faixa do álbum “São Jorge”, com um tambor tipicamente de macumba – aliás esses tambores são recorrentes no álbum inteiro e “Machado de Xangô”, música em referência ao Senhor das Pedreiras, Deus da Justiça. Aliás, podemos ver no álbum também, uma espécie de referência a uma Cosmologia tão bela e tão rica, que eu pelo menos, não consigo não me espantar com os mitos e ritos advindos da África.


Aliás, como já dito, também vemos no álbum inúmeras referências ao sincretismo religioso umbandista, na própria faixa em reverência a Xangô vimos claramente essa tendência religiosa criada no tempo da escravidão e que perdura até hoje. A interseção do catolicismo com a umbanda é algo que perpassa gerações e ensinada até hoje na religião. No caso aqui, Xangô é São João Batista. (aliás os minutos finais dessa faixa são incríveis, ela vai de uma batida ritmada a um tambor pesado e rápido, ritmado e catártico, incrível, incrível e incrível!)


Bem, com tudo já exposto só quero deixar registrado a linda e suave voz da Juçara, que nos momentos em que precisa cresce e se sobressai. Outra questão para ser anunciada aqui, as cordas, quando aparecem em primeiro plano como em “Batuque para Ney”, se fazem muito boas, perfeitamente unidas a estética do álbum. Pois bem, pois bem, não tenho muito mais do que discorrer sobre esse incrível registro, só que por toda essa energia e vitalidade que o álbum carrega, só por isso, já deveria ser ouvido, sem entrar em méritos culturais aqui, o álbum pelo álbum, até quem não se interessa pela estética/sonoridade da macumba deveria tentar apreciar “Padê”, é uma verdadeira ode ao Brasil, de fato.




Tracklist:
01. Padê
02. São Jorge
03. Machado de Xangô
04. Atotô
05. Jatobá
06. Cabocla Jurema
07. Mar de Lágrimas
08. Engasga Gato / Casa Barata
09. Samba Estranho
10. Velha Morena
11. Imitação
12. Batuque Para Ney
13. Bate Baú / Corujá Batuqueira
14. Roda De Samba

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quinta-feira, 21 de agosto de 2014
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Michael Christmas - Is This Art?

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Gênero: East Coast Hip Hop
País: EUA
Ano: 2014

Comentário: Como ervas daninhas, desde que Tyler, the Creator e sua horda tomaram a internet de assalto com um Hip Hop descontraído, com letras extremamente variadas, muitas vezes de gostos duvidoso, se tornaram cada vez mais frequentes as aparições de novos rimadores, esfregando a alternatividade na cara do ~internauta~ em busca da fama repentina por meio da grande rede. Obviamente, o que abunda costuma pecar no quesito qualidade. Em se tratando de arte, pouco ou quase nada se aproveita desse novo nicho que pipocou em profusão. Com atenção, no entanto, é possível tirar alguns diamantes desse lamaçal, que possivelmente serão lapidados e nos renderão bons momentos junto aos headphones.
Um deles é Michael Christmas, um garoto de apenas dezenove anos e muitos quilogramas, oriundo de Boston e que retrata fielmente a geração pós-moderna: inundado de informação e opções de recebimento de cultura, as referências pop vêm à cabeça quase que simultaneamente com relação a, praticamente, qualquer assunto possível. Na medida certa, o rapper insere essas referências em suas rimas em sua mixtape de estreia, Is This Art?, temperando-as com emoções e, certamente, com muita diversão. É extremamente nítido o quanto o artista está aproveitando ao máximo o seu momento, traduzindo a sua satisfação em química junto ao microfone.
Um bom exemplo de sua habilidade na transformação de referências do mundo pop em rimas convincentes é a faixa Michael Cera, em que perpassa por vários trabalhos do autor, especialmente quanto a Arrested Development, fazendo citações de personagens e contextos que certamente arrancarão risos de fãs da série. Vale ressaltar, ainda, que a mixtape tem a participação de gente com certo renome no mundo do Hip Hop, como Alex Wiley, que já fez parcerias com os já citados membros do OFWGKTA, além de Mr. MFN Exquire, que, apesar de ser um rapper bem mediano, e um letrista absolutamente fraco, já possui alguma fama, o que traz ainda mais holofotes ao trabalho de estreia de Christmas.
A pergunta-título não é difícil de responder. Tendo em vista que arte é qualquer coisa que você assim identifique, já que trata substancialmente de gostos pessoais - ou seja, algo muito subjetivo - certamente estamos diante de um trabalho artístico, cujo precursor pode ser bem moldado por produções arrojadas para se firmar como um grande nome do Hip Hop. Com esse disco, por exemplo, já conseguiu cravar sua alcunha na lista de artistas a serem observados com atenção.



Tracklist:

  1. Y'all Trippin' (Prod. by James Rogers)
  2. Broke and Young (Prod. by Teddy Roxpin)
  3. Michael Cera (Prod. by Goodwin)
  4. Dr. Christmas, M.D. (Prod. by Cloud9 and James Maka)
  5. What's Happening (Prod. by James Rogers)
  6. Duck Duck Goose ft. Rome Fortune (Prod. by Swelly)
  7. Taco Truck (Prod. by Goodwin)
  8. House Cleaning Music (Prod. by Thelonious Martin)
  9. Daily (Prod. by Goodwin)
  10. Drunk (Prod. by Goodwin)
  11. Still ft. Mr. MFN eXquire (Prod. by Victor Radz)
  12. Leonard Washington (Prod. by Thelonious Martin)
  13. Overweight Drake (Prod. by 36ty5)
  14. The World (Prod. by North Villah)
  15. Step Brothers ft. Alex Wiley (Prod. by A-Rayz)
  16. [BONUS] Vinnie Johnson (Prod. by Childish Major)

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