quinta-feira, 9 de abril de 2015
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Os mutantes - Os mutantes

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Gênero: Psicodélico, experimental
País: Brasil
Ano: 1968

Comentário:
Os mutantes é, sem duvida, não só um dos discos mais importantes do tropicalismo, como também é um dos melhores. Ele traduz de uma forma espetacular o que o tropicalismo representou na  musica. Toda a influencia que esse movimento estava recebendo, as novidades que o Brasil estava ganhando, e que alguns repudiavam, o experimentalismo, a critica a sociedade, tudo isso está nele.

O disco se inicia com a musica “Panis Et Circenses”, e começa com uma letra que faz critica as pessoas “caretas” e acomodadas que estão tão ocupadas em morrer. “A Minha Menina” é uma das musicas que eu mais gosto nesse disco, o modo como ela começa, com aqueles acordes de violão, e depois um riff sujo e distorcido de guitarra que serve como antítese aos  acordes que abriram a música, tudo isso sendo acompanhados por uma incrível percussão. E, pode ser só comigo, mas essa musica tem uma sonoridade envolvente por causa desse ritmo e dessa letra.

“Adeus Maria Fulo” puxa mais para o experimentalismo, quanto “Senhor F” apresenta um alivio cômico no disco por causa de sua letra, além de possuir uma sonoridade bem semelhante aos Beatles.

A parte mais psicodélica fica a cargo de “Batmacumba”, que vem caracterizada com sons distorcidos e uma percussão animada lembrando um ritmo de capoeira.

Não tem como dizer não para esse disco, além de ser importante para o Brasil, é uma aula pra quem reclama da musica brasileira.

Tracklist:
1 Panis Et Circenses
2. A Minha Menina
3. O Relógio
4. Adeus Maria Fulo
5. Baby
6. Senhor F
7. Bat Macumba
8. Le Premier Bonheur Du Jour
9. Trem Fantasma
10. Tempo No Tempo

Ouças em: Spotify
quarta-feira, 8 de abril de 2015
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Porco na cena #52 - Lollapalooza Brasil 2015

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Em 2015 Lollapalooza chegou a sua quarta edição no Brasil e segunda no Autódromo de Interlagos. O line up desta vez foi o mais diversificado, pois apostou em DJs (Calvin Harris e Skrillex) que foram içados ao hall de co-headliners, um artista pop de peso (Pharrel Willians), bandas consagradas (Smashing Pumpkins), artistas renomados (Robert Plant), um astro do rock em seu melhor momento (Jack White) e muitas bandas indies brasileiras (Boogarins, O terno, Far From Alaska, Baleia) que ganharam no Lolla uma boa oportunidade de exibição. 

Mas como um bom festival não é feito só de música, mais uma vez, a organização errou em diversos quesitos. À começar pelo preço exorbitante de tudo relacionado à alimentação internamente. Uma água por exemplo saia à 2 mangos (R$ 5,00) e uma cerveja cerveja à 4 mangos (R$10,00). Para entender melhor o funcionamento o festival adotou uma moeda interna que custava R$ 2,50 correspondente a cada mango.  Tal iniciativa pode até ter sido uma ideia engenhosa, mas que de fato foi uma tentativa de tentar mascarar os preços abusivos. 

Como se não bastasse logo no primeiro dia do evento o sistema das máquinas de cartão de credito saiu do ar, fazendo com que várias pessoas tivessem que esperar um bom tempo para comprar suas moedas de troca. Já no segundo a cerveja chegou à acabar em alguns bares por volta das 20:00. 

A distribuição da grade de horários de apresentação também carecia de um melhor arranjo, pois ótimas apresentações de bandas como Interpol, Molotov e Kasabian acabaram sendo curtas, em horários ruins ou com pouco público. Já bandas medíocres como Alt-J, Young The Giant e The Kooks obtinham melhores horários e shows com duração de mesmo quilate.    

Positivamente, a ala de serviços foi aumentada tanto no Chef Stage quanto aos vários Food trucks instalados próximos ao palco Skol que ofereciam uma diversidade considerável de comida, mesmo que também à preços salgados. A disposição dos palcos e banheiros seguiu quase a mesma logística da edição anterior com exceção do palco Ônix cuja distância fora encurtada.

No total 136 mil pessoas circularam durante os dois dias evento. O Ignes Elevanium esteve lá representado a classe dos entusiastas por shows que preferem ir ao campo de batalha ao invés de ficar sentado assistindo pela TV e conta como foram algumas das apresentações.

terça-feira, 7 de abril de 2015
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Leviathan - Scar Sighted

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Gênero: Ambient Black Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Não é difícil compreender o motivo do Leviathan desfrutar de uma grande popularidade, a extensa discografia da banda conta com vários trabalhos de qualidade e que se sobressaem em relação à vários nomes do estilo. Apesar disso, a imagem deixada pelo Leviathan no até então último álbum de estúdio True Traitor, True Whore, não fazia jus ao que a banda já havia apresentado anteriormente, por mais que o álbum contasse com bons momentos ao longo de suas 8 faixas.

Cerca de 4 anos se passaram desde então, marcados pela ausência de lançamentos da banda que costumava a lançar algo com certa frequência. Nesse período a banda apenas participou de um split com o Krieg, contribuindo com uma faixa. Wrest nesse período participou do último álbum do Twilight, lançado ano passado.

Em 2015 finalmente Wrest retorna com as atividades do Leviathan, Scar Sighted foi lançado pelo ótimo selo da Profunde Lore Records no último dia 3 de março. Wrest oferece aos ouvintes uma viagem dentro de sua forma paranoica, perturbadora e insana de se fazer música, apresentando uma qualidade e inspiração que faltaram nos últimos mateiras lançados pelo Leviathan.

A primeira coisa em Scar Sighted que me chamou a atenção, foi a produção impecável que o álbum possui. Billy Anderson, que já produziu álbuns de bandas como Acid King, Agalloch, Neurosis e High on Fire, colocou todo seu talento à disposição do Leviathan.

Outra coisa que me chamou a atenção em Scar Sighted, foi o vasto repertório apresentado. Nada que chega se soar isolado ou perdido dentro do álbum, Wrest sabe como pegar as suas ideias vindas das mais diversas fontes de influências e encaixar tudo de forma precisa. Talvez isso seja algo que faltou no lançamento anterior feito pela banda. Além daquele Black Metal caótico e agressivo que serve de base para o som da banda, Wrest foi capaz de introduzir uma camada Ambient bem densa, além de flertar com elementos do Death e Doom Metal ao decorrer do álbum.

Aquela atmosfera sombria e sufocante característica dos melhores trabalhos da banda está de volta e em grande forma. Dawn Vibration é o primeira grande momento do álbum na minha opinião, uma faixa direta e agressiva que dispõe de uma série de ótimos riffs, com Wrest utilizando diversos tipos de vocalização, algo marcante na música da banda. Wicked Fields of Calm apresenta uma atmosfera sombria, gélida e perturbadora, com um instrumental repleto de guitarras estridentes num timbre que se sobressei ao instrumental. Tudo na faixa brilha de alguma forma, desde a percussão mais administrada aos teclados bem inseridos ao longo do refrão. A faixa título é na minha opinião, a melhor faixa do álbum. Ao longo de 10 minutos, Wrest consegue transmitir toda a sensação de dor, fúria e caos que a ideia central do álbum propõe. A estrutura da faixa me lembra algo de uma das melhores épocas do Xasthur, A depressão contínua propostq pela banda nesta faixa, não desaparece nem na parte final onde o instrumental retorna aos moldes de agressividade e intensidade apresentados ao decorrer do álbum.

Scar Sighted foi bem além das minhas expectativas, por mais que eu esperasse por um Leviathan retornando com um trabalho de qualidade, não imaginei que Wrest conseguiria revigorar e revitalizar a banda dessa maneira. O álbum tem tudo para figurar entre os melhores álbuns de 2015.



Tracklist:

01. –
02. The Smoke Of Their Torment
03. Dawn Vibration
04. Gardens Of Corprolite
05. Wicked Fields Of Calm
06. Within Thrall
07. A Veil Is Lifted
08. Scar Sighted
09. All Tongues Toward
10. Aphōnos

Ouça em: Spotify


quarta-feira, 1 de abril de 2015
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Porco na cena #51 - St. Vicent / Robert Plant em BH

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Realizado em solo brasileiro desde 2012, o festival Lollapaloza tem como principal fator trazer em seu line up uma gama de artistas dos mais variados gêneros. Paralelas as gigantescas edições do evento que ocorrem em São Paulo no mês de março, a cidade do Rio de Janeiro era até então a única a receber parte das grandes apresentações. 

Porém, com a mudança no mercado de shows outras praças se tornaram parte da rota de shows internacionais. Desta feita, as tradicionais Lolla parties (agora Lollapalooza edition), chegaram à cidades como Brasília e Belo Horizonte.

Entre os dias 25 a 27 deste mês a capital mineira recebeu no Chevrolet Hall apresentações de Bastille, Foster The People, Skrillex, Major Lazer, Dillon Francis, St. Vicent e Robert Plant. As duas últimas ocorreram na última quinta-feira e foram históricas. O Ignes Elevanium esteve lá e conta como foi.

quarta-feira, 25 de março de 2015
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Imperial Triumphant - Abyssal Gods

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Gênero: Experimental / Black / Death Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: O Imperial Triumphant é uma banda americana relativamente nova e ainda sem muita expressão no cenário. Apesar de ainda não ter alcançado uma popularidade mais expressiva, a banda surpreende em seu segundo álbum de estúdio intitulado Abyssal Gods.

Assim como já estamos acostumados, a banda é mais uma daquelas que possui um grande leque de inspirações e influências, tentando moldar uma sonoridade diferenciada dos padrões convencionais. Em Abyssal Gods, afirmaria que a banda caminha a passos largos para isso.

Utilizando uma boa mescla entre Black Metal e um Death Metal cavernoso (e técnico em diversos momentos), a banda criou dentro das suas experimentações com tais estilos, um álbum bastante pesado, sombrio e atordoante. A sonoridade da banda é repleta de riffs que não seguem obrigatoriamente um padrão ou lógica em algumas partes, além outros mais desenvolvidos e bem inseridos, alternando entre timbres mais estridentes e dissonantes. A bateria é impactante e veloz na maior parte do álbum, exceto nos momentos em que a banda impõem um ritmo mais arrastado ou numa levada mais estática e sombria. O baixo é notável em alguns momentos no meio do caos sonoro feito pela banda, e apresenta momentos bem técnicos e hábeis. O vocal é bem distribuído pelas faixas, apresentando características parecidas de bandas como Deathspell Omega e Ævangelist (principalmente no último álbum).

No geral, Abyssal Gods pode ser considerado um álbum confuso e até difícil de ser ouvido por aqueles que não estão acostumados com o estilo ou que não gostam de sonoridades que fujam do convencional. Apesar disso o álbum tem suas qualidades e uma boa produção, sendo quase um must listen para fãs do gênero. De destaque temos a faixa de abertura From Palaces of the Hive, que alterna entre intensidade e peso, para uma levada mais calma que se inicia com um dos melhores timbres de guitarra que ouvi em 2015. Krokodil é outro destaque por ser a faixa mais longa e onde o experimentalismo da banda é melhor explorado, conduzindo o ouvinte à 8 minutos de pura insanidade e caos.

O álbum foi lançado no dia 10 de Março pelo selo da Aural Music / Code 666.





Tracklist:

01 - From Palaces of the Hive
02 - Abyssal Gods
03 - Dead Heaven
04 - Celestial War Rape
05 - Opposing Holiness
06 - Krokodil
07 - Twins
08 - Vatican Lust
09 - Black Psychedelia
10 - Metropolis


Ouça: Spotify


segunda-feira, 23 de março de 2015
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Drops de bacon #13 - Cinco discos nacionais lançados em 2015

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Após longo hiato a seção drops de bacon está de volta! 

Destacamos neste retorno cinco discos nacionais da ala indepedente. Todos altamente recomendáveis e que foram lançados em 2015. 

“Curvas, Lados, Linhas Tortas, Sujas e Discretas”, Leonardo Marques (La Femme qui Roule)

Em sua segunda incursão solo, o mineiro Leonardo Marques (da banda Transmissor) segue apostando no formato indie folk. Salva a participação de Pedro Hamdam (baterista), “Curvas, Lados, Linhas Tortas, Sujas e Discretas” foi gravado de maneira solitária, em estúdio próprio (o Ilha do corvo), com Marques executando todos os instrumentos (piano, violão, banjo, guitarra, baixo, mellotron, optigan, chamberlin, casiotone, tonebank, guitarra barítona e percussão). Tal como em seu belo disco de estreia, “Dia e Noite No Mesmo Céu”, o multi-instrumentista segue apostando na continuidade natural de seu trabalho onde delicadas melodias servem como apoio adequado a sua frágil voz e a versos em ode a tristeza. Destacam-se neste novo trabalho, composto por nove faixas, a recriação intimista para “Um girassol da cor de seu cabelo”, do Clube da esquina (grupo já homenageado por sua banda oficial), a abertura com “Se o chão dá um nó”, a faixa título (composição coletiva com os comparsas do Transmissor), a levemente acelerada e cadenciada "Meus pés no chão" mais a singela "Brilhant blue", única faixa em inglês. Indicado para fãs do finado Elliot Smith. 

Ouça aqui

“Yours truly”, Invisível (La Femme qui Roule)


Segundo lançamento do selo belga-brasileiro neste ano, “Yours truly” é o disco de estreia dos belo-horizontinos do Invisível. Com apenas quatro meses de existência, o trio formado por André Travassos, do Câmera, Bernardo Zanetti e Lucca Noacco já debuta em disco cuja aposta musical vai de encontro folk americano tradicional, como sonoridade híbrida entre a velha guarda (Bob Dylan, Neil Young) e a contemporânea (Fleet Foxes, Bon Iver). Produzido de maneira minimalista por Leonardo Marques e a própria banda, o álbum é conduzido essencialmente por violões e banjos, fator este que garante o caráter de unidade sonora ao álbum. O estado de paz espiritual e a leveza são a chave para embalar canções sobre amizades sinceras (na curta "Friendly fire") e amores correspondidos ("Your love is a long road"). Os arranjos minuciosos também são destaque como em "Quiet unquietness" e "The Lightness Of Being", canções entrecortadas por belos arranjos ao trompete, a gaita presente na já citada "Friendly fire" e as harmonias vocais que permeiam todo o álbum. "Yours truly" representa um novo frescor sonoro na seara nacional em contraponto a tantas brasilidades por aí (sem nenhum demérito aqui).     

Ouça aqui.

"Carnaval dos bichos", Madame Rrose Sélavy (independente)


Chegando ao seu oitavo álbum de estúdio, o sexteto Madame Rrose Sélavy (nome em homenagem ao alter-ego do artista Marcel Duchamp) segue a sua sina de unir concepções distintas indo da bossa-nova a crueza do punk, perpassando pela música eletrônica com pitadas de jazz. Liderado pela dupla Rodrigo Lacerda Jr. e Tuca Lima, responsável por todas as composições, "Carnaval dos bichos" mais do que uma alusão abrasileirada a clássica obra literária de George Orwell, representa em verso e prosa a estética do faça você mesmo. Gravado de modo artesanal pela própria banda e lançado de forma independente no inicio do ano, a obra é dominada por melodias simples, vocais em dueto (conduzidos por Lacerda e Ana Moravi) e canções curtas (todas na casa dos três minutos) que servem de pano de fundo para letras em referência direta a  poesia marginal e a vanguarda paulista. A desconcertante "Frio na espinha", a irônica "Merda pela grama" e a pegajosa "Amor de plástico" são exemplos desta seara. O single "Atriz na high society", a balada "Ela foi pra Marte" e a acelerada "Coberta com açúcar" também se destacam neste ousado disco que traça um olhar divertido e multifacetado da contemporaneidade.  

Ouça aqui.

"Trovões a me atingir", Jair Naves (independente)



Cada vez mais distante dos tempos verborrágicos de liderança do grupo Ludovic, Jair Naves vai de encontro a serenidade em Trovôes a me atingir. Composto por nove faixas, o segundo e curto álbum solo prima pela linearidade musical. Por mais que suas letras ainda permanceçam em sua zona de conforto (em sua maioria em ode a tristeza quotidiana), o caráter solar sonoro predomina. As pungentes "Resvala" e "Em concreto"; a cadenciada "Incêndios", o dueto com Barbara Eugênia em "B." dueto com Barbara Eugênia mais a bucólica e a esperançosa "Prece atendida" são alguns exemplos deste novo direcionamento. De maneira tocante, Naves segue (tal como na sua estreia solo voce se sente numa cela escura planejando a sua fuga cavando o chao com as proprias unhas) utilizando a sua potente voz para falar sobre as agruras da vida de coração aberto. Um dos discos do ano desde já.

Ouça e baixe aqui.            

"Um chopp e um sundae", Rafael Castro (independente)



Em seu 11º disco Rafel Castro segue entretendo o público, num álbum que prima pela mistura de bases eletrônicas, guitarras sacanas e letras dominadas pelo humor. No disco Um chopp e um sundae Castro divide o repertório entre desconstuções magníficas de hits de outrem ("Aquela" do Raimundo, e "Víbora" da Tulipa Ruiz) e canções autorais. Nesta ala a abertura com "Ciúme" (cuja melodia é puro "Kids" do MGMT), a elétrica "Caetano Veloso" (canção como cara de hino pró-cena independente musical) e a dançante "Bicho Solto" se destacam. Despretensioso e direto, Rafael cria ao longo de 40 minutos um disco divertido, pop e sem restrições.

Baixe aqui.          

Os textos sobre os três primeiros discos (Leonardo Marques. Invisível e Madame Rrose Sélavy) foram publicados originalmente no Scream & Yell.
terça-feira, 17 de março de 2015
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Céu - Ao vivo

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Gênero: Jazz / Reggae/ Dub / Hip hop / Afrobeat
País: Brasil
Ano: 2014


ComentárioFruto da cena nova cena paulistana Céu é um dos seus melhores exemplares. Atenta a diversidade sonora, a cantora vem desde 2005 apostando numa sonoridade híbrida da música negra, transitando livremente entre jazz, reggae, dub, hip hop e o afrobeat. Disco a disco, a cantora vem conquistando um maior número de adeptos.

Sua carreira fora iniciada há 10 anos com Céu, disco que já lhe rendeu certa atenção do público graças aos hits “Lenda” e “Malemolência” que figuraram em trilhas de novelas da Rede Globo. Na sequência foi a vez Vagarosa, álbum lançado em 2009, trabalho que figurou na lista de melhores do ano de várias publicações. O mais recente Caravana Sereia Bloom, de 2012, também percorreu os mesmos caminhos, obtendo reconhecimento ambos os lados, graças ao grande amadurecimento de suas características habituais.

Dona de uma voz inconfundível, lenta e sensual, Céu faz de suas composições (geralmente criadas em parceira com Gui Amabis, Lucas Santanna, entre outros) um retrato fidedigno de sua pessoalidade, transbordando paixão e beleza a cada verso.  

Aproveitando o sucesso conquistado ao longo dos últimos anos e a repercussão positiva da sua recente turnê (que percorreu o Brasil e também o exterior) acabou por resultar no seu primeiro registro ao vivo.

Gravado ano passado no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, Céu ao vivo marca seu primeiro registro sob a batuta da Som Livre. A apresentação, que teve direção musical da própria cantora, contou também o apoio da Zeppelin Filmes e do coletivo The Wolfpack, que ficaram responsáveis pelo apelo visual.

O setlist da apresentação opta, acertadamente, pelo formato o melhor de... , pois percorre toda a carreira da cantora. Em sua maioria as faixas ganharam texturas muito próximas aos registros oficiais de estúdio, mas não deixa de ter suas surpresas. A faixa “Cangote” é exemplo desta seara, pois ganhou novos ares, tornando-a ainda mais dançante graças a melodias em ode ao carimbó, ritmo tradicional paraense.

Na ala das covers, outra característica recorrente a sua carreira, surge a agradável releitura de “Mil e uma noites de amor”, hit oitentista de Pepeu Gomes, trilha da novela “Roque Santeiro” que faz par ao hino “Concrete Jungle” de Bob Marley, cantor recentemente homenageado pela cantora na turnê Catch a fire, época em que tocava do maior ícone do reggae na íntegra.

Escudada por exímios músicos, a banda de apoio formada por Dustan Gallas (guitarrista e tecladista), DJ Marco, Lucas Martins (baixista) e Bruno Buarque (baterista) deixa a cantora à vontade, em entrega absoluta ao devoto público, composto por quatrocentas pessoas, que participa do espetáculo cantando cada um dos versos em uníssono durante toda apresentação.

Em síntese, Céu ao vivo, agrada, pois serve tanto para converter iniciados a sua música como também vale a apreciação dos já habituados. Passada a primeira década de bons serviços prestados Céu segue como uma das cantoras mais relevantes da música popular brasileira.       


(Site)


Tracklist:

1. Falta De Ar
2. Amor De Antigos
3. Contravento
4. Retrovisor
5. Grains De Beauté
6. Mil E Uma Noites De Amor
7. Cangote
8. Baile De Ilusão
9. Streets Bloom 10.
10 Contados
11. Malemolência Música Incidental: Mora Na Filosofia
12. Lenda
13. Concrete Jungle
14. Chegar Em Mim
15. Rainha


Ouça em: Deezer

domingo, 8 de março de 2015
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Lebanon Hanover - Besides The Abyss

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Gênero: Coldwave / Post-Punk / Minimal
País: UK
Ano: 2015

Comentário: Uma das coisas que sempre me abalou em Lebanon Hanover é delicadeza decadente e poética da arte sonora e, curiosamente, também visual da banda. Reconheço que prezo muito pela estética e me deparar com os filtros, lugares, cores e synths de Lebanon Hanover chega a doer de tanta paixão! Sobretudo, porque nunca uma banda conseguiu personificar ou materializar sensações da sonoridade de suas músicas de forma tão harmoniosa como LH. As capas dos discos falam por si próprias (e isso desde o primeiro disco lançado The World is Getting Colder, o qual postei aqui).

Com uma sonoridade mais disforme nos quesitos sintetizadores e riffs psicodélicos estendidos, Besides The Abyss parece ser o disco mais introspectivo já lançado por Lebanon Hanover. Retornei para Tomb For Two e sua Gallowdance (postados aqui), como também voltei ao (ultra)romantismo de Why Not Just Be Solo com suas Northern Lights e a crueza belíssima (ainda em primeiro lugar de meu pedestal lebaniano) de The World is Getting Colder e seu “Die World”. De fato, Besides The Abyss tem sim um caráter mais intimista, seja pela composição sonora, pela proposta do disco ou as letras das músicas.

A estrutura musical de Lebanon Hanover é a mesma: o vocal cru, grave e gélido de Larissa (que ainda canta em alemão) com o vocal emotivo de William, junto aos supracitados synths disformes, linhas de baixo duras e riffs canalhas psicodelicamente estendidos em uma composição minimalista e trevosa – daquela velha tentativa de revival goth 80’s que a banda carrega. Besides The Abyss soa ser uma noite mais escura e fria às criaturinhas cheias de clichês que vagam solitárias e de preto por aí. Como uma vez disse, Lebanon Hanover é coisa finíssima!

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Tracklist:
01. Hollow Sky
02. The Crater
03. Fall Industrial Wall
04. The Chamber
05. The Well
06. The Moor
07. Broken Characters
08. Chimerical
09. Dark Hill
10. Spirals

Download: Bandcamp

quarta-feira, 4 de março de 2015
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Suicidal Romance - Rêves & Souvenirs

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Gênero: EBM / Industrial
País: Estônia
Ano: 2015

Comentário: Preciso dizer que ao me deparar com este disco o qual posto cá, meu coração imediatamente transbordou de amor. O mix de sutileza e devastação de Rêves & Souvenirs pode conquistar tanto os corações sentimentais quanto os mais brutos e gélidos. Isto porque ele é resultado do melhor de três discos (“Love Beyond Reach”, “Shattered Heart Reflections” e “Memories Behind Closed Curtains”) lançados ao longo da carreira turbulenta de Suicidal Romance; a qual foi formada em 2006 e traz Viktoria Seimar (voz principal), Dmitry Ivanov (compositor e segunda voz) e Maarja Korstnik nos sintetizadores.

Para mim, Rêves & Souvenirs é um excelente disco para se conhecer o trabalho de Suicidal Romance, pois traz as principais características do grupo: infantis vocais femininos em contraponto a vocais rasgados masculinos (em uma espécie de “a bela e a fera” vocal) sobre uma batida rápida e voraz (alguma coisa Techno / Música de Boate / Afins). Apesar de conter músicas com levadas dançantes, Rêves & Souvenirs possui uma sutileza que muito me lembra o Futurepop.

Lembra-me até mesmo Blutengel – nos seus momentos mais alucinantes –  em algumas passagens. Em outros momentos, em uma batida lamuriosa e estendida, lembra-me um pouco o tipo de “dramatização sonora” que Otto Dix utiliza. E as influências reveladas pela banda vão além, passando por Frozen Plasma e In Strict Confidence. Algo que apenas reforçar o caráter doce / bruto de Rêves & Souvenirs.

Destaque para faixa 4, "Whisper Goodbye".

Site Oficial / Facebook / Last.fm

Tracklist:
01. Make Me Blind
02. Hold Me
03. Lose Your Fears
04. Whisper Goodbye
05. Build Me A Heart
06. Call Me
07. Ecstatic
08. Not Alone
09. Touch
10. Remember Me
11. White Snow
12. Dreamers
13. Remember Me (Emphasis Cover)
14. Not Alone (Blutengel Remix)
15. Touch (ES23 Remix)

terça-feira, 3 de março de 2015
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Los Hermanos - 4

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Gênero: Alternative rock / MPB / Samba
País: Brasil
Ano: 2005

Comentário: Transição. Essa é a palavra que define o que 4, último álbum dos cariocas dos Los Hermanos, trabalho que celebra dez anos de seu lançamento em 2015. Controverso para época, o disco não agradou de imediato grande parte do público.

Aguardado por muitos, o sucessor de Ventura, disco solar e enérgico e de relativo sucesso, decepcionou fãs de longa data que se dividiram entre amar ou estranhar o novo rebento. A crítica, por sua vez, polarizou opiniões entre rasgar elogios ou não entender o porquê mais um recondicionamento sonoro. Mas afinal por quê tamanha disparidade?

De fato, para aqueles que acompanharam e devotaram a evolução sonora promovida em Bloco do eu sozinho, 4 representa mais uma guinada musical, a maturidade da maturidade, mas com certo estramento inicial, pois é perceptível a mudança gradual nas composições da dupla Camelo e Amarante, responsáveis por todo o repertório da banda.

Os acordes iniciais de "Dois barcos", canção de Marcelo Camelo, já denunciam que algo diferente estava por vir. As letras existenciais e melancólicas, marca inerente ao trabalho da banda, ainda estavam ali, mas o tom lúgubre e arrastado da canção causaram espanto nos já convertidos admiradores e avaliadores, que não esperavam uma imersão em melodias frias, conduzidas em sua maioria pelo piano de Bruno Medina e por arranjos orquestrados. Características como estas dominam grande parte do disco como percebe-se em "Fez-se mar", "Sapato novo" e "É de lágrima". 

Se Camelo opta por seguir novos caminhos, muito próximos a MPB clássica, Amarante responde, em menor parte, de maneira distinta apostando no que se poderia chamar de "velho Los Hermanos". O hit "O vento" (faixa esta que foi abertura de Malhação), a pungente "Condicional" e "Paquetá", com toda a sua latinidade, são conduzidas por guitarras que muito lembram o que a banda produziu nos primórdios.  

Passado todo este tempo, hoje é possível visualizar com clareza que 4 é um reflexo direto do que a dupla de compositores principais iria produzir de maneira solo anos mais tarde. Camelo seguiu a atmosfera mpbística experimental (como é perceptível nos discos Nós e Toque Dela). Já Amarante apostou em novas parcerias e formou a Little Joy, banda mezzo brasileira mezzo norte-americana, cuja sonoridade jovial alcançou relativo  sucesso. Ironicamente, tempos depois as sonoridades se inverteriam como é visível no disco de estréia da Banda do Mar (projeto de Camelo) e Cavalo (voo solitário de Amarante)  

Querendo ou não, 4 seguirá como o mais contrastante álbum da curta e meteórica carreira. Porém a sua influência e ousadia ainda reverbera na cena musical brasileira. Se algum disco brasileiro pode merecer título de marco zero do que hoje se conhece como "indie-sambinha" este disco tem grande culpa no cartório.

O que o futuro reserva à banda ainda é uma incógnita. Como não há perspectiva de um novo disco, por hora os fãs de longa terão que se contentar com a turnê caça-níquel que em outubro varrerá o solo brasileiro à preços exorbitantes.          

Tracklist:

01. Dois barcos
02. Primeiro andar
03. Fez-se mar
04. Paquetá
05. Os passáros
06. Morena
07. O vento
08. Horizonte distante
09. Condicional
10. Sapato novo
11. Pois é
12. É de lágrima

Ouça: Spotify

 
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