Comentário: Muitas resenhas dos trabalhos de Jason Crumer começam assim: "Sempre gostei da proposta da música Noise, mas nunca consegui encontrar um disco que eu conseguisse digerir, até ouvir Jason Crumer". No entanto, alerto aos mais desavisados, que o estilo de Jason continua sendo profundamente minimalista e quase totalmente livre de qualquer estrutura musical, sendo assim, portanto, um artista cujos trabalhos devem ser escutados por ouvidos definitivamente dispostos a ouvir música experimental, como todo artista de Noise. Mas Jason Crumer é, de fato, um artista de Noise diferenciado e incrivelmente melódico, se deixada de lado qualquer esperança de se ouvir algo familiar por aqui.
Apesar de se encaixar definitivamente na cena Noise e levar costumeiramente o rótulo de 'Harsh' Noise, Crumer tem uma sonoridade que em todos os álbuns oscila entre um minimalismo próximo de ser melódico e paredes sonoras extremamente pesadas típicas do Noise e Harsh Noise, mas que no entanto nos emergem lentamente por entre trechos ambient totalmente hipnóticos, fazendo com que nada soe chocante, por mais rasgado e intenso que nos seja apresentado. E é essa oscilação que faz dos trabalhos do cara tão 'acessíveis' e sofisticados. Let There Be Crumer é o mais recente lançamento de Jason, e, embora eu não tenha ouvido tudo, dentre os discos que ouvi é o que mais gostei, sendo que eu me apaixonei por tudo que escutei desde a primeira audição.
Os trechos mais leves e ambientados são comparáveis ao de artistas como Lustmord, que soam ao mesmo tempo melódicos, minimalistas e extremamente sombrios. Mas a faceta industrial da sonoridade surge em todos os cantos discretamente, em sons metálicos e estridentes que vão se encaminhando para paredes sonoras de várias camadas e se transformando de vários modos até obter uma estrutura vagamente musical ainda que constituída de sons completamente concretos. Os trechos mais intensos e pesados de Noise não são, como já descrito, nada jogados subitamente em nós, mas ao mesmo tempo são intensos o suficiente pra serem impactantes. A forma com que Jason manipula os elementos do Noise é extremamente clínica e precisa, de forma que absolutamente nada parece forçado, num estilo naturalmente composto de colagens justapostas.
Em resumo, é um disco pra quem gosta de música experimental a esse nível e quem quer conhecer música experimental na sua forma mais sofisticada.
Parte Um: Infantile Supremacy (By the Time I get to Durham)
01) I. Lovelock, NM
02) A. Self Pity Fuck
03) II. Truckee, CA
04) A, All Friends and Old Flames
Parte Dois: Male Heroine of Passive Suffering (Marginal Stomp)
05) III. Chicago, IL
06) A. Days Inn (Revenge)
07) B. Knights Inn (Revenge)
Parte Três: Subterranean Forces Blind Grinding (Climax)
08) IV. Sault Ste. Marie, MI
09) V. Let there be Crumer
10) VI. Ending
Imagem meramente chamativa. Em caso de convulsão, consulte um médico.
Agora, Inês já é morta. Ou não.
Cá estamos nós aqui novamente para reavivar posts antes mortos, no entanto, que ainda antes conquistaram coraçõezinhos Ignes à fora.
Esta atrasidíssima sexta edição (como sempre) traz consigo um grande leque de estilos, tais como o Reggae do ex integrante da Bob Marley & The Wailers, Peter Tosh e da união daqueles parentes distantes de Nas & Damian -- falando em Hip-Hop, por quê não um Lord Quas? e um MF Doom? Juntos.
Lembremos também da mistura entre Shoegaze e Black Metal do Alcest e tantos outros bons álbuns aqui indicados.
Sem mais delongas e repetiçõesções, segue mais um tapa buraco lista de re-ups.
Gênero: Power / Doom Metal País: Suécia Anos de Atividade: 1992 - 1997
Comentário: Lembro-me quando era mais jovem e vi um poster, igual a esse do ínicio do post, na casa de um amigo, e perguntei do que se tratava, e ele me respondeu: "Uma banda ai que você não vai gostar". Gravei o nome e algum tempo depois arrumei a discografia, que estava esquecida em um dos meus DVDs de mp3, e acabei resgatando-a, e a cada audição vejo o quanto meu amigo estava enganado.
Memento Mori se trata de uma banda de doom tradicional, formada na suécia pelo "carinha que cantava no Candlemass" e pelo "Guitarrista do Mercyfull Fate". É isso que ouço as vezes, e esses dois "carinhas" são nada mais, nada menos que Messiah Marcolin, que na MINHA opinião é a voz do Candlemass, e Mike Wead, um dos guitarristas de metal mais competentes. Marty Marteen no contra-baixo, Mikkey Argento na guitarra e Snowy Shaw na bateria completavam o time original. Marteen, Wead e Argento permaneceram por toda a meteórica carreira da banda, com passagens de Johan Billerhag (1995-1996) e Tom Björn (1997) na bateria, Kristian Andrén (1996) nos vocais, além da adição de um tecladista, Miguel Robaina, a partir do segundo disco.
Com 4 full-lenght lançados, o conjunto prima por uma obra linear com a proposta exposta já no primeiro disco, sem alterar a alma e os elementos que fizera sucesso outrora nas bandas anteriores dos músicos. O destaque de todo grupo não tem como ser outro, as guitarras tiram riffs "Sabbathticos" e "Mercyfull Fateanos" a dar com pau, estando além desses rótulos que usei como sátira. Carregado, pesado, denso, melódico, inteligente e versátil, podem resumir o papel dos guitarristas. Junte tudo isso a um contra-baixo competente; uma bateria precisa, carregada, que usa de recursos no momento correto, sem exageros e um vocal choroso e único, e pronto, temos a receita do sucesso. Imagine se Messiah Marcolin cantasse no Mercyfull Fate, ou Mike Wead fosse gravar e compor com Candlemass. Bem, os caras imaginaram, em um olhar muito superficial e a um grosseiro e ignorante ponto de vista, é mais ou menos isso que acontece.
Gênero: Stoner rock / Rock Psicodélico País: Alemanha Ano: 2013
Comentário: Quem ouve desavisado o novo disco da banda Kadavar pode achar que se trata de algum disco perdido do início dos anos 70. No fundo, ele não estaria errado. Os caras fazem um som diretamente influenciado pelo hard rock e o psicodelismo daquela época. Black Sabbath logo vem a mente. Uma audição mais atenta, porém pode logo perceber que não se deve exagerar tanto. Existe uma forte adequação ao que chamamos hoje de stoner e alguns lugares comuns do rock "pesado" atual são perceptíveis.
É uma espécie de Kyuss fundido com Black Sabbath com uma produção bem limpa, sem muito peso direto nas guitarras. É interessante o suficiente para garantir que não seja apenas uma cópia de outros. Soa bem como revival.
A guitarra sola bem, não muito distorcida. O baixo e o batera vão com sede ao pote. O som parece uma máquina de engrenagem a todo vapor. É uma tijolada. Eu, particularmente, gosto bastante. Acho os caras talentosos e bem preparados no som deles. Não revitalizam um gênero do passado mas dão um belo exemplo. Só que é ai que está o problema. Esse disco tem razão de existir? Seria ele bom? Fico pensando nisso bastante.
Por um lado, os caras são talentosos. Provavelmente estão fazendo música que gostam. O gênero, apesar de antigo, tem muitos amantes. Eles não são completamente viuvos, tendo, como eu disse, influências de coisas novas, mas relativamente discretas.
Por outro, música e arte, na minha opinião, tem de ter uma correlação com o momento histórico delas. Não digo que todo mundo precisa ser de vanguarda e inovador, mas pelo menos é necessário dialogar com os problemas e ânsias sonoras da sua geração. Não dá pra fingir que nada está acontecendo a sua volta. Quem tinha que fazer o som que eles estão fazendo hoje, uns podem dizer, já fez.
No fim, não sei ao certo que lado é o correto. Acho que não posso dar tanto crédito ao disco quando existem muitas bandas tentando quebrar convenções ou entender melhor novos sons. Eles já estão trabalhando em cima de uma receita de bolo bem estabelecida. Não tem muito erro. Mas será que isso faz deles menos capazes ou importantes do que o pessoal mais em termos com a sua própria época?
1. Come Back Life - 5:02
2. Doomsday Machine - 4:47
3. Eye of the Storm - 6:04
4. Black Snake - 4:24
5. Dust - 4:12
6. Fire - 5:18
7. Liquid Dream - 4:12
8. Rhythm for Endless Minds - 4:16
9. Abra Kadabra - 3:02
10. The Man I Shot - 7:04
Gênero: Punk Blues / Alternative Rock / Garage Rock País: Austrália Ano: 2013
Comentário: Fim de expediente. Chega cansado do trabalho, mas mesmo assim tem que estudar religiosamente trancado em seu quarto, pra evoluir na vida. Basta de estudar por hoje, hora de dar uma lida em algumas resenhas gringas de lançamentos. Tem sido um bom ano pra música. Parceria do Aesop Rock com Kimya Dawson? Sounds great... vamos procurar na locadora do Paulo Coelho. "The Drones"... Nunca ouvi falar... já ouvi um discaço de Drone esse ano, o The Haxan Cloak. A resenha até que tá dando moral. Bom, vou baixar.
As semanas passam. As jornadas das 8h às 17h consomem os dias como as nuvens de gafanhotos que assolaram o Egito naquelas épocas longínquas. Arranja uns serviços extraordinários além da jornada habitual pra ganhar uma grana a mais. Pequenos prazeres, como deitar e ouvir um disco novo, analisando-o, no headphone passam a ser cada vez mais raros. Chega de estudar por hoje... Nossa, há quanto tempo que eu não entro no TheNeedleDrop. Vamos ver o que Mr. Fantano tem ouvido... Loved List, geralmente gosto dos discos que ele gosta... "The Drones"? Já ouvi falar dessa banda... Pqp, já baixei, preciso ouvir. To com um pouco de sono, mas acho que vale a pena, faz tanto tempo que não paro pra ouvir nada... um Dark Ambient antes de uma noite de bom sono não pode fazer mal.
Primeira faixa. I See Seaweed, igual ao título. Peraí, isso não tem nada de Drone... isso aí é um Indie Rock meio gritado, meio lamentado. Pausa. Pesquisa sobre o artista. Banda australiana que já tinha três álbuns antes deste, com um público fiel relativamente volumoso. Se sente ignorante. Logo ele que se vangloria por conhecer praticamente tudo no que diz respeito a música. Volta pro registro. Despausa.
Começa a ouvir sem pretensão, afinal já não era o que pensava inicialmente. A letra conta uma história. Bacana, gosta disso numa música. Uma história um tanto quanto sombria, aliás. Melhor ainda. O que era uma audição despretensiosa vai semeando um interesse crescente a cada termo incomum utilizado na música, em contraponto a um mundo de composições fracas, como tem sido atualmente. "Caralho, que letra é essa?!" - e a surpresa se instala. Acaba a primeira faixa. Um pequeno baque. How to See Through Fog é a seguinte. Parece um pouco mais tradicional, digamos. Mais calma, com certeza, sem a interpretação quase teatral que o vocalista brilhantemente outorgou à primeira faixa. Verifica se é tão longa quanto à outra... não, só quatro minutos. Ainda assim uma boa faixa. A expectativa aumentou um pouco. They'll Kill You. Título forte, tanto quanto a faixa em si. A intensidade está de volta. Novamente: que letra. Que experiência. Uma atmosfera sombria envolvendo um contexto emotivo. Já não consegue mais se desprender do disco. Uma situação quase física. Quando perpassa as demais faixas, ao final de Why Write a Letter That You'll Never Send?, talvez a melhor do disco, já não tem mais sono. Já deseja ouvir o álbum inteiro novamente. Tem a sensação de que o álbum será injustiçado nas lista de melhores do ano lá em dezembro.
Os dias passam. O álbum agora o acompanha em seu dia a dia. Ouve pelo menos cinco de suas faixas durante o expediente, todo dia, quando dá uma folga. Passa a acompanhá-lo nas corridas diárias, hábito que passou a cultivar. Decide que vai escrever sobre o disco. Está mentalmente esgotado, e parte da culpa é do próprio disco, que exige muito de ouvidos já desacostumados com conteúdo que seja ao mesmo tempo psicodélico, sombrio e emotivo. Abre o rascunho da postagem, começa um parágrafo convencional umas duas, três vezes. Não consegue, desiste. Tenta fazer algo diferente. Deve ser a inspiração da originalidade do trabalho. Obrigado, The Drones.
Gênero: Forró País: Estados Unidos/Brasil Ano: De 2002 até os dias atuais.
Comentário: Forró In The Dark é um ótimo projeto criado por quatro amigos, que une forró com elementos do rock com uma pitada de um som meio jazz. Apesar de ter um som brasileiro, a banda foi criada nos Estados Unidos, onde se apresenta toda noite em uma casa de shows chamada “Nublu”. O objetivo seria levar a energia do forró para fora de seu país de origem e, além de criar um som meio experimentalista unindo distintos tipos de musica, mostrar para as pessoas de fora esse som do nordeste do Brasil.
Claramente o forró hoje em dia está, de certa forma, banalizado, com grupos que envergonham os grandes mestres que sustentaram esse estilo no começo. Mas quanto a isso não precisam se preocupar, o Forró In The Dark não segue exemplos desses grupos atuais e seguem no mais puro estilo do forró baião brasileiro.
A banda é uma verdadeira mistura de instrumentos, temos guitarra, que é um instrumento pouco comum no forró e sax e flauta para acompanhar a animada percussão, essa mistura causa uma atmosfera boa na musica e enriquece o disco.
O primeiro disco, chamado “Bonfire os São João”, possui ótimas musicas instrumental, como por exemplo, “índios Do Norte” que possui um sopro bem trabalhado que realça o clima de forró da musica. Ainda temos a participação de David Byrne cantando “Asa Branca” em inglês de um jeito impecável. O único pecado do disco talvez, seja a musica “Paraíba”, cantada por Miho Hatori, que deu, com seu sotaque japonês, um som meio estranho para a musica. Erros a parte o disco é recompensado por ótimas musicas cantadas em português, como a musica “Que Que Tu Fez”, que possui um incrível toque de viola e uma letra indispensável. Já “Oilelé La” apresenta os integrantes da banda de forma divertida, mostrando já um ritmo mais dançante com clima de festa.
Já o Segundo disco chamado “Light A Candle” já começa em tom animado com a musica “Bandinha” que remete claramente ao são João. Assim como no primeiro disco, no segundo o sopro faz mais um belo trabalho, como pode ser ouvido na musica “Saudades de Manezinho Araújo”, “Anão De Jardim” e também em “Perro Loco” na qual o sax é quem toma o lugar acompanhado o vocal espanhol. Em Nonsencial eles usam pitadas de elementos do reggae que de certa forma condiz com a letra. No primeiro disco é possível ouvir uma versão crua e instrumental de “Lampião chegou”, já nesse segundo disco a musica esta completamente e belamente trabalhada, Assim como “Caipirinha” que fala sobre a amada bebida brasileira.
Forró In The Dark é um grupo que merece ser apreciado e reconhecido até mesmo por aqueles que não gostam de forró.
Gênero: Death Metal País: Estados Unidos Anos de Atividade: De 1988-1997, 2003 até os dias atuais
Comentário: Vos trago aqui nesse humilde espaço, uma das bandas que moldaram meu gosto por death metal, e creio que tenha influenciado nos gostos e nos trabalhos de muita gente. No longínquo ano de 1984, cinco jovens da Flórida formaram um conjunto chamado Executioner, mas em 1986 descobriram que em Boston tinha uma banda com o mesmo nome, e então mudaram para Xecutioner, mantendo a mesma fonética, mas dando um jeito diferente na grafia. Em 1988 assinaram contrato com a Roadrunner e mudaram definitivamente para Obituary, e assim alcançaram o ápice na carreira e ficaram conhecidos como são hoje.
Um dos grandes feitos desse grupo foi manter a maioria dos integrantes durante a carreira, o que foi fundamental para manter a essência intacta. O grupo de jovens que contava com Donald Tardy (bateria), Trevor Peres (guitarra), Daniel Tucker (contra-baixo), John Tardy (vocais) e Allen West (guitarra em 3 passagens) tiveram apenas mudanças de baixistas e guitarristas, mantendo os irmãos Tardy além de Peres por toda a carreira. O inicio do conjunto foi tocando covers de Celtic Frost e Venom, mas foi quando ouviram Possessed que decidiram o que realmente queriam fazer, e apartir dai, criaram um jeito novo de fazer death metal, inovando nos vocais, parecendo mais brutal e contundente do que já fora visto outrora.
Prazer, gente interessante e descolada que são os leitores do (p)Ignes, sou o Daniel. Tenho 18 anos e vos escrevo do Rio de Janeiro. Sou calouro de comunicação e pretendo fazer jornalismo. Já estou me
preparando emocionalmente para encarar a labuta mal remunerada.
Como todos aqui, gosto bastante de música. Quando era pequeno ouvia basicamente o que meus pais punham em casa e ou no carro. Meu pai, em especial, gosta bastante de música. Apesar disso não era uma criança muito musical. Não levo jeito nem pra tocar flauta doce. Com o tempo, porém, fui gostando mais e mais de música. Ouvi bastante rock clássico na minha adolescência, principalmente por influência do meu pai. Ainda gosto bastante de muitas daquelas bandas, então ele foi bem sucedido. Além disso, comecei aos poucos a me interessar em outros gêneros. Veio o hip-hop, o punk, o folk, o jazz e todo sorte de bizarrice por aí.
Nesse meio tempo fiz alguns amigos que compartilham do amor por música. Não necessariamente pelas mesmas bandas, mas isso pouco importa. Alguns anos mais pra frente resolvemos fazer um blog. Ele está por aí até hoje e foi por lá que comecei a escrever resenhas de música com alguma, muito pequena, seriedade. Foi também por esse tempo que conheci o Ignes. Um ou dois anos pra frente e cá estou, escrevendo pra um dos blogs que eu mais curto. Vai entender.
Segue o link do meu Rate your music, pro caso de alguém se interessar.
Se vocês querem saber, seguem algumas das minhas bandas favoritas: Pavement, Defiance ohio, Nana Grizol, The Clash, Nas, Kanye West, dEUS, Black Flag, Descendents, Dag Nasty, Pixies, Titus Andronicus, The Who, AC/DC e Streetlight Manifesto.
Comentário: O mundo dos mashups ainda é, infelizmente, meio desconhecido
entre os ouvintes de música, até mesmo nos grupos mais dedicados. Eu,
particularmente, também conheço pouco; um Grey álbum aqui, 365 mashups ali.
Ainda assim tenho um favorito: Wu Tang Vs The Beatles: Enter the magical
mistery chamber.
Juntando, como é de se perceber, Beatles e Wu Tang Clan, o
DJ Tom Caruana estava fazendo, a princípio, algo que praticamente todos que
fazem mashup já fizeram: O fab four com hip-hop. Mas essa mixtape tem algumas
peculiaridades que, no fim, se somam pra fazer um som novo e grandioso.
O trabalho é completo, ou seja, é um álbum inteiro. Batendo
em quase 1 hora e 20 de duração, o disco aborda samples de basicamente toda a
carreira dos Beatles – que formam a parte instrumental – além de raps a capela
de diversos trabalhos do Wu Tang. Passando de singles obscuros da carreira dos
Beatles e por vários dos grandes trabalhos paralelos dos membros do Wu Tang, o
disco me parece ter um foco: Adicionar a sonoridade dos Beatles às músicas
clássicas do Wu-Tang e não exatamente somar os dois em doses iguais.
Justamente por terem praticamente todos os samples vocais,
as músicas do coletivo rapper tem uma vantagem de identificação. Isso, tendo
também em vista a escolha de muitos dos samples de Beatles, acaba puxando a
sardinha pro lado do hip-hop. O que não quer dizer que a sonoridade pop dos
anos 60 não seja marcante. As músicas ganham uma roupagem completamente nova,
fazendo com que soem incrivelmente como um parto bizarro das duas épocas
opostas da música. É estranhamente normal ouvir a levada da guitarra de
Harrison ou do baixo de Paul com as rimas de GZA ou Method Man.
A seleção de faixas é muito boa. Alguns clássicos de ambos
os lados são abordados, como Crimology, C.R.E.A.M e Get Back. Outras faixas me
surpreenderam, Clientele Kidd e Run. Um detalhe, que creio ser prova do esmero
posto nessa mixtape, são os próprios samples de entrevistas com os Beatles e
fãs, postos antes de muitas faixas. Eles, além de documentação da beatlemania,
servem como uma espécie de substituto aos samples de filmes antigos de kung-fu
tão marcantes no começo das músicas dos Wu-Tang.
No geral, recomendo esse disco não só pra quem gosta de
Beatles e Wu-Tang e mashups em geral, mas também pra quem está querendo começar
no hip-hop. Somar as rimas a bases mais conhecidas e fáceis de digerir
tranquiliza muito a compreensão do que compõe o hip-hop. Essas convenções
permitem pensar não duas coisas ao mesmo tempo – batida e rima – mas somente a
parte falada. Depois é só um pulo para começar a curtir o gênero, que eu
particularmente pretendo postar muito ainda.
Bem galeris, nasci em 1996 e desde então me chamo Gabriel Victor, sou um cidadão de bem que tem compromisso com sua pátria e a ama mais que tudo (ou não). Depois de rodar o Brasil e estudar em 14 escolas, permaneço, em São Paulo, tentando, quem sabe, completar 20 escolas.
Meu primeiro contato com musica foi ouvindo os sertanejos de rodeio que meu pai colocava em casa, e o primeiro contato com os rocks da vida foi ouvindo um disco maroto do Ric Ocasek, dai veio Gun's, e os chili peppers, e depois de ficar um bom tempo nesse tal de rock ai, toquei o foda-se e comecei a ouvir outras coisas, e conhecer outras coisas que mudaram meu modo de ouvir musica e minha concepção sobre ela.
Já meu primeiro contato com essa coisa liiiiiinda que é escrever, veio ano passado quando eu fiz um texto pra escola, e aconteceu comigo o mesmo que rolou com Deus ao criar a terra: "E Deus criou o sol e viu que era bom", eu fiz um texto e vi que era bão demais e assim comecei a escrever, criei uma página no feicibuqui chamada 365 discos em 365 dias(claramente que esse post é so pra divulgar a pagina) e mandei um email para este liiiiiindo blog, onde fui, felizmente, aceito.
Sobre gostos musicais: eu curto desde Rock até samba, de Punk até musica clássica, de sertanejão das antiga até blues.
>> Layout novo, ainda com incompatibilidades. Blog melhor visualizado em resolução de 1280 x 1024, mas pretendemos tornar este funcional em TODAS as resoluções.
>> Encontrou algum post off? Avise no chat e logo reupamos.
>>Se sentiu ofendido ou discorda do uso de qualquer material de sua propriedade neste blog? Nos avise pelo email pignes@pignes.com e então providenciaremos a deleção do conteúdo imediatamente.
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