quarta-feira, 20 de agosto de 2014
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YOB - Clearing the Path to Ascend

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Gênero: Sludge / Doom Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: A cada ano que passa, acredito que um fato seja constante na vida daqueles que acompanham algum cenário musical ou banda, que é justamente a expectativa e ansiedade em torno de algum futuro lançamento. Tal fato ocorreu comigo diversas vezes esse ano, tendo em vista a quantidade de bandas interessantes que apresentaram material novo em 2014 e também a necessidade de compartilhar isso com vocês. A última banda que me proporcionou esse momento foi o YOB.

Com uma reputação já consolidada no cenário a que pertence, os americanos do YOB retornam com seu novo álbum de estúdio. Clearing the Path to Ascend marcou o o retorno da banda com material inédito após um período de 3 anos e a mudança de gravadora feita pela banda, que agora pertence ao selo da Neurot Recordings (administrada por membros do Neurosis).

Clearing the Path to Ascend apresenta o YOB fazendo o que sabe de melhor e mais uma vez trazendo um ótimo estoque de riffs e faixas inspiradas. A faixa de abertura é "In Our Blood", com um instrumental bem arrastado e pesado, conduzido pela ótima alternância no vocal de Mike Scheidt. A música transmite uma sensação sombria bem notável em sua segunda metade. "Nothing to Win" é a faixa mais dinâmica do álbum. Seu instrumental é mais acelerado em relação às demais faixas, mesmo que ainda um pouco distante das faixas mais agressivas já feitas pela banda. O instrumental mais acelerado é acompanhado dos berros soltados por Scheidt, e o baterista Travis Foster se destaca bastante no ritmo contínuo e agressivo apresentado pela bateria.

As duas últimas faixas trazem consigo uma sensação bem sombria e melancólica, duas características que já eram perceptíveis no início do álbum mas que atuam como plano principal nessas faixas. "Unmask The Spectre" apresenta um instrumental muito bem elaborado, com o contraste entre as partes lideradas por riffs pesados e as partes onde o instrumental possui uma ritmo ameno e estático, com Scheidt cantando de maneira bem angustiante. A faixa evolui e alterna bastante o ritmo, mas sempre mantendo a qualidade e a sensação melancólica. "Marrow" é uma daquelas faixas que te conquistam logo na primeira vez em que se escuta o álbum. Ela apresenta uma carga emocional bem tocante que vai aumentando com o decorrer da faixa. Os ótimos arranjos feitos pela banda e o instrumental bem agradável são dois pontos de destaque na faixa. Os backing vocals que acompanham Scheidt em certos momentos são excelentes. Tudo isso executado diante de um clima bem sombrio e envolvente.

Em Clearing the Path to Ascend o YOB apresenta um álbum com uma sensação bem sombria e que fica melhor a cada audição feita, apresentando uma produção que manteve a mesma qualidade dos registros anteriores. A banda soube manter sua essência e aprimorar características já utilizadas em trabalhos anteriores, elevando para outro patamar e o resultado é bem satisfatório. 




Tracklist:

01 - In Our Blood
02 - Nothing to Win
03 - Unmask the Spectre
04 - Marrow

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quarta-feira, 13 de agosto de 2014
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Damon Albarn - Everyday robots

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Gênero: Folk / Eletronic / Trip - hop
País: Inglaterra
Ano: 2014

Comentário: Primeiramente, é estranho pensar que somente agora em 2014 Damon Albarn lançaria seu primeiro disco solo. Com carreira musical iniciada na década de 90, a mente pensante (e por muitas vezes brilhante) por trás de inúmeros projetos de sucesso como o Gorillaz, a The good, the bad & the queen somado aos anos de dedicação ao Blur, entre idas e voltas, iniciativas que disputaram a sua atenção e o "privaram" desta aguardada guinada. Porém, a espera valeu à pena.

Produzido primordialmente pelo próprio cantor em parceria com Richard Russel (dono da gravadora XL) Everyday robots é uma das mais belas reflexões ao mundo contemporâneo promovida nos últimos tempos. Promovendo a discussão entre opostos, a tecnologia sonora é utilizada como suporte para que o britânico aborde em tom lúgubre a atual natureza humana.

Utilizando dos mais diferenciados recursos tais como samples, bateria eletrônica, sintetizadores e instrumentos acústicos, o disco vai de encontro a sonoridades calcadas no folk, na eletrônica e o trip-hop. A faixa título, cartão de visita deste trabalho e primeiro single, traz em si todo o conceito promovido pelo álbum ao observar a robotização da vida humana, em tempos onde as redes sociais nos torna mais frios. A incomunicabilidade de relações foscas é o tema da delicada "Hostiles". A belíssima "Lonely press play" é o hino de 2014 para os solitários de plantão. A ensolarada "Mr. Tembo" quebra o gelo em canção sobre a vida de um bebê elefante. O famoso conto de Oscar Wilde, "O gigante egoísta", permeia o mais belo tratado deste ano na faixa de mesmo nome que ainda com a participação de Natasha Khan, do Bat for Lashes. Brian Eno empresta o seu talento a longa e enigmática "You & me". "The photographs", crítica condizente aos "zumbis" que vagueiam mundo afora, sem perceber a beleza que nos cerca. Por fim, em "Heavy seas of love" temos novamente Brian Eno atuando junto ao coral The Leytonstone City Mission em prol de um petardo delicioso, enebriado da atmosfera gospel e com mensagem esperançosa, mesmo que à meia luz, sobre o amor.      

"Esta é a minha gravação mais pessoal", assim afirmou Albarn em entrevista ao NME. E este é o grande trunfo deste trabalho. Em tempos de vazio existencial, onde cada vez mais o distanciamento humano é promovido por aqueles que adotam a tecnologia como forma de vida, e não como suporte para o que realmente importa,  Everyday robots é um sopro de vitalidade direcionado a aqueles que preferem viver, tal como acredito, em harmonia presencial aos seus pares. Sim, nós somos a resistência.      

   [site oficial / i tunes]

Tracklist:

1."Everyday Robots"  
2."Hostiles"  
3."Lonely Press Play"  
4."Mr Tembo" (featuring. The Leytonstone City Mission Choir)
5."Parakeet"  
6."The Selfish Giant" (featuring. Natasha Khan)
7."You and Me" (featuring. Brian Eno)
8."Hollow Ponds"  
9."Seven High"  
10."Photographs (You Are Taking Now)"  
11."The History of a Cheating Heart"  
12."Heavy Seas of Love" (featuring. Brian Eno & The Leytonstone City Mission Choir)

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014
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#Porco na cena 43: Pato Fu ao vivo no SESC Palladium, BH

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Foto: Gabriel Pinheiro

Tempos atrás Nick Cave, no seu livro The secret life of the love song, definiu divinamente o que seria saudade: "uma falta inexplicável, uma nostalgia indescritível e enigmática da alma". Como somente um grande artista poderia ponderar, Cave traz em suas palavras a definição precisa deste nobre sentimento ante a ausência do que nos é essencial aos sentidos. E talvez grande parte público mineiro presente no SESC Palladium, espaço cultural recentemente revitalizado, estivesse enebriado desta nobre nostalgia ao se deparar novamente com uma das preciosidades da nossa terra: a banda Pato Fu.

De fato, a lapso temporal é sentido desde o distante 2007, período em que Daqui pro futuro (derradeiro álbum de estúdio com canções inéditas) deu o ar da graça. Após breve turnê, neste mesmo ano Fernanda Takai debutou de forma solo (via Onde brilhem os olhos seus, disco em homenagem à Nara Leão) e o esperado sucesso de público e crítica se concretizou resultando na mudança de interesses na carreiras dos membros fundadores do Pato Fu. John Ulhoa enveredou seu lado produtor atuando ao lado de artistas como Zélia Duncan, Érika Machado, Arnaldo Baptista e a própria Takai. Ricardo Koctus, por sua vez, também se lançou de maneira solo produzindo dois discos. Em 2011 a banda mineira voltou aos holofotes com o ousado projeto Música de brinquedo onde clássicos do cancioneiro popular mundial ganharam versões tocadas com instrumentos infantis. A bem sucedida turnê deste álbum segue até hoje e isso também contribuiu com o fato o clássico repertório dos discos anteriores fosse deixado de lado, entristecendo fãs de outrora. Mas esta sina está prestes à acabar. Prova disso, foi a apresentação realizada no domingo dia 10 em BH.

Foto: Gabriel Pinheiro
Celebrando os 3 anos das dependências do SESC, a apresentação foi um desbunde. Utilizando de largo apelo visual, crédito para o trabalho do iluminador Adriano Vale, a banda começou à 220 volts com a acelerada "Eu", do disco Ruído Rosa, que foi cantada à plenos pulmões pela sedenta platéia. O formato greatest hits foi escolhido para a noite cujo setlist primou por sucessos de quase todos os discos, salvo o debute Rotomusic de liquidificapum. Após a enérgica abertura, vieram a trinca de hits "Perdendo os dentes"(de Isopor), "Tudo vai ficar bem" (Daqui pro futuro) e "Anormal" (Toda cura para todo mal) que mantiveram em alta a receptividade. Para os que ansiavam por lados B "2 malucos" (Ruído Rosa), "Imperfeito" (Isopor), "Agridoce" (Toda cura para todo mal) e a hilária "Capetão" (Tem mais acabou) foram algumas das pérolas resgatas da vasta seara de grandes canções. O show também foi a oportunidade de colocar à prova o talento de Glauco Resende, baterista também do Tianastácia, o mais novo membro do grupo, substituindo à Xande Tamietti, que optou em dar prosseguimento em seus trabalhos até então paralelos. Em perfeita sintonia, Glauco trouxe novas vibrações à banda, resultando em novos arranjos para várias canções, à destacar "Depois" (Isopor) que ganhou em extensão e em groove. Para o bis, "Simplicidade" (Toda cura para todo mal), única canção cantada por John Ulhoa na noite, "O filho predileto de Rajneesh" (Isopor) e "Sobre o tempo" (Gol de quem?) encerram os trabalhos de forma memorável, satisfazendo em sua plenitude aos fãs famigerados, mesmo ainda não arriscando o novo repertório do já finalizado disco com lançamento previsto para outubro deste ano.

Por fim, agora é atenção a agenda da banda, pois se faz valer assistir as raras apresentações agendadas pelo Brasil, já que a prioridade é a nova turnê de Takai, que divulga por agora o seu mais novo rebento solo, Na medida do impossível, até o fim do ano

Esperasse para 2015, a volta em definitivo, uma turnê extensa e com o mesmo gás desta banda sensacional que segue por anos à fio prestando bons serviços à música brasileira.

Foto: Gabriel Pinheiro
Setlist:

Eu
Perdendo os dentes
Tudo vai ficar bem
Anormal
Ando meio desligado (Mutantes)
2 malucos
Agridoce
Depois
Eu sei (Legião Urbana)
Imperfeito
Canção para você viver mais
Amendoim
Antes que seja tarde
Made in japan
Capetão
Uh uh uh, lá lá lá, ié ié!

Bis

Simplicidade
Filho predileto de Rajneesh
Sobre o tempo                        
sábado, 9 de agosto de 2014
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Brown Bird - Fits Of Reason

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Gênero: Folk / Indie Rock / Gypsy Music
País: EUA
Ano: 2013

Comentário: Se pudesse eu resumir o "Fits Of Reason" álbum de MorganEve Swain e Dave Lamb, que na época formavam o Brown Bird teria que recorrer a teorias de filosofia da linguagem advindas de Wittgenstein, mas ficarei mesmo com o adjetivo idiossincrático, resume bem esse trabalho.

Esse álbum, ao que tudo indica, é o último sopro do trabalho de Dave Lamb, morto por conta de uma leucemia no dia cinco de abril desse ano, morte bastante lamentável, já que assim que ouvi o trabalho do Lamb em "Fits Of Reason" e li um pouco do que o cara fazia passei a admirar consideravelmente o Brown Bird.

Sem longos rodeios, vamos ao álbum: como já disse idiossincrático ao extremo. A banda apresenta as cordas bem marcadas da Morgan em várias canções, vale citar aqui a introdução de "Barren Lakes". Aliás ao lado de Lamb no Brown Bird, Morgan, cujo principal instrumento é o violino, expandiu-se para tocar violoncelo, contrabaixo, viola e baixo elétrico. Tudo isso para seguir o propósito da banda - explorar e extrapolar limites de gêneros musicais. Por conta disso que se vê tantas referências na sonoridade do álbum: ritmo advindo do Médio Oriente, Psych-rock dos anos 60 e 70, pós-metal, música cigana, música latina  e por esse trilho segue. Por conta dessas referências todas é difícil ver associação do duo com o típico folk americano, mas a presença estadunidense está lá sim, mas escondida por detrás de cordas e tambores do oriente médio e da música cigana, pode ser citada aqui "Bow for Blade", que me parece, de fato, com um bom folk americano - e esse cantado pela Morgan.

Algo que marca bastante o grupo é a forma que eles aparentam ser mais do que um duo, isso porque o Lamb além de cantar também toca percussão com os pés - o que é uma grande vantagem e ganho na sonoridade complexa e misturada da banda, além de que o vocal dele é muito bem encaixado em todos os ritmos que os dão subsídio; a voz dele molda-se sem esforço a cada um desses gêneros que apresentam.

Ultimamente é um dos álbuns que eu tenho ouvido bastante e sem me cansar porque a cada novo play você não sabe o que o espera, as referências são inúmeras - tal qual a capa do álbum. Pois bem, no encaixe da razão, o pássaro marrom soube como manter suas asas bem fortes para voar por todo um universo musical e apresentar, coerentemente, um álbum inovador, marcante e intrigante. Vida longa a idiossincrasia wittgensteiniana em forma de música!



Tracklist:
01. Seven Hells
02. Nine Eyes
03. Bow For Blade
04. Barren Lakes
05. The Messenger
06. Iblis
07. Wayward Daughter
08. Hitchens
09. Abednego
10. Threads Of Measure
11. Caves

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Night Sins - To London or the Lake

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Gênero: Pós-Punk
País: EUA
Ano: 2014

Comentário: Direto de Philadelphia, Night Sins veio para ajudar a desenterrar o pos-punk pós oitentista. Com influencias fortíssimas de Bauhaus e suas contemporâneas, a sensação de estar escutando uma banda pos punk dos anos de ouro do gênero é inevitável. Os caras são bem clichê, mas de certa forma, originais.

A Ariel já escreveu sobrea banda e o primeiro disco deles. Foi uma resenha muito boa que pode ser lida aqui. O primeiro álbum é um pouco mais pesado, denso e sombrio, uma obra que precisa ser conhecida. Das bandas modernas de pos punk, Night Sins com certeza se destaca como uma das melhores.

O segundo disco segue um pouco mais rápido e leve, apesar de bem envolvente e dançante. Os baixos marcantes, claro, guitarras mais presentes do que no primeiro álbum e o sintetizador continua como uma parte importantíssima para a composição da identidade sonora da banda.

Para mim, as duas músicas mais marcantes no disco são “To London or The Lake” e “Evangeline”. O álbum em si é excelente, mas essas duas canções se tornaram minhas favoritas, em minha opinião são assinaturas para o álbum. São bem dançantes e, principalmente “To London or The Lake” fica bem marcada na cabeça.

A última faixa, “Neon Light Intoxicants”, lembra bastante o primeiro disco. Talvez um pouco mais dançante, ou não. É a faixa mais longa do disco, mas mesmo assim, quando ela passa bem rapidinho te faz pensar como o disco foi curto. O CD tem apenas 27 minutos, e eu achei bom o suficiente para dizer que escutá-lo uma só vez é impossível.
                                                             
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Tracklist:
01. Air Dance – 03:16
02. To London or the Lake – 03:28
03. Evangeline – 03:33
04. Rain – 02:15
01. Bound 'Round the World – 03:49
02. Heaven in the Snow – 03:21
03. Dear Marquis – 02:58
04. Neon Light Intoxicants – 04:41

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sexta-feira, 8 de agosto de 2014
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Esplendor Geométrico - Comisario de La Luz / Blanco de Fuerza

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Gênero
: Industrial
País: Espanha
Ano: 1985

Comentário: Esplendor Geométrico é uma banda espanhola formada em 1980, em Madrid. O grupo retira seu nome de uma obra de Filippo Tommaso Marinetti, considerado fundador do Futurismo, um movimento surgido na Itália no início do século XX que exaltava a modernidade de forma profética: a agitação das metrópoles, a violência urbana, a juventude precoce, os avanços tecnológicos, e tudo isso estava nas pinturas, esculturas e todas as outras formas artísticas que o futurismo abrangiu em seu auge. Pensar que todas essas características tão próprias do nosso tempo eram completamente alienígenas para a mentalidade do final do século XIX e início do século XX, mas, ainda assim, estavam presentes no Futurismo italiano, é no mínimo estarrecedor. Não por acaso, no entanto, o futurismo, otimista como aparentava, definhou quando começou a Primeira Guerra Mundial, em 1914.

Esplendor Geométrico, a banda, surge justamente em 1980, uma década onde brincar com a antimusicalidade ganhou nome: Industrial.  E antimusicalidade era tão vanguardista quanto pintar quadros de uma realidade décadas à frente, ao menos quase 35 anos atrás. Comisario de La Luz / Blanco de Fuerza é o segundo full-lenght do grupo, e o primeiro lançado pelo seu selo próprio,  Esplendor Geométrico Discos.

O álbum é cru e visceral, mas cadenciado de forma magistral. Usando sonoridades industriais e metálicas, Esplendor Geométrico consegue criar paisagens sonoras destrutivas e incrivelmente concretas, com estruturas construídas de forma a envolver e prender. Faixas como Comisario de Luz IV são exemplos de um uso genial da manipulação de sons concretos, analógicos e crus em uma época onde praticamente tudo que era feito nessa área eram experimentos baseados na tentativa e erro de se aproximar de alguma coisa vagamente musical (ou o mais longe disso possível). A abstração aqui é completa. Mesmo que o peso do som seja monstruoso, seu uso cadenciado abre espaço para um vazio psicológico onde nossos pensamentos complementam a sonoridade.

O maior trunfo do disco, pra mim, é a percussão, formada essencialmente de uma seleção cuidadosa de sons concretos. E assustadoramente moderna, precisa e pesada. Impossível escutar sem sentir-se envolvido e preparado para toda e qualquer barulhada bizarra que apareça subitamente no caminho. E isso é incrível. O último lançamento da banda foi em 2011, mas este disco aqui permanece e permanecerá inalteradamente clássico.


Tracklist:

1 - Comisario De La Luz I 4:57
2 - Comisario De La Luz II 5:18
3 - Comisario De La Luz III 4:30
4 - Comisario De La Luz IV 4:59
5 - Blanco De Fuerza I 9:12
6 - Blanco De Fuerza II 3:37
7 - Blanco De Fuerza III 4:48
8 - Blanco De Fuerza IV 4:21
Bonus Tracks da versão em CD, lançada em 2011:
9 - Noising In The Rain I 5:52
10 - Noising In The Rain II 5:04
11 - Noising In The Rain III 4:12
12 - Noising In The Rain IV 3:05


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135 Mb, 320 Kbps: MEGA
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
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Sangre de Muerdago - Deixademe Morrer no Bosque

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Gênero: Folk Galego
País: Espanha [Galícia] / Alemanha
Ano: 2013

Comentário: Sangre de Muerdago é uma banda submergida na cultura folk pagã da região da Galícia. Eles trazem mensagens de paz e harmonia com a vida e a natureza de historias de contos de fadas e um viver onde o homem era mais natural, mais animal e menos maquinizado ou preso ao sistema da civilização. O grupo é bem “orgânico” evitando edições e coisas muito caprichosas, eles tentam ser bem “crus” durante as produções, inclusive já gravaram em ambientes abertos como bosques e margens de rios.

Esse é o segundo lançamento próprio da banda. Deixademe Morrer no Bosque, que significa, “Deixa-me Morrer no Bosque” (TÁ-DÁ :p) tem 13 faixas com o tempo médio de 7 minutos cada, totalizando uma hora e poucos minutos de música. O CD inteiro é uma viagem bem leve e gostosa. As melodias te convidam para entrar na narração profunda das letras fantasiosas escritas em galego, o que da ainda mais magia à música dessa banda.

O álbum já começa situando o ouvinte em um clima ritualístico de paz e profundidade muito confortável. As músicas têm melodias fáceis de acompanhar com instrumentos acústicos como violão, violino, cello e etc. As letras sobre espiritualidade, amor e harmonia são acompanhadas pela melancolia galega nos instrumentais e vocais serenos. De alguma forma o ouvinte se sente transportado para um passado onde a natureza, a vida sem o luxo da modernidade, reina em volta do homem que pode se sentir livre e com o coração leve. Algumas vezes os sons do ambiente dão a impressão de que é na verdade a natureza quem conduz todos os sons criando a música que ouvimos.

Uma das músicas que mais chama a atenção durante o disco é “Haunted Glow”, ela é em inglês, uma das únicas no disco em um idioma alternativo ao galego. Ela tem peso e profundidade muito fortes e presentes. Ela com certeza faz qualquer um se apaixonar pela obra.

Outra faixa importantíssima no disco é a “Longo Camiño de Desaprendizaxe”. Ela mostra a paixão da banda pelo sentimento de estar envolto e entregue a natureza, de experiência a vida ao natural no extremo. De se entregar às belezas do mundo e ao espírito do homem antigo. Tem um instrumental maravilhoso e simples.

Todas as faixas têm algo muito especial. Eu me encantei pela banda muito rápido pelo ideal que eles trazem. Ouvir esse CD é uma viagem esplêndida que vale a pena. É ótimo para escutar sozinho, em momentos de relaxamento e reflexão. Só posso agradecer a minha amiga e companheira aqui no blog, Ariel, por ter me apresentado essa banda divina.


Tracklist:
1. Deixademe Morrer no Bosque (Intro) – 05:21
2. Longo Camiño de Desaprendizaxe – 06:03
3. Soterrados baixo as Pedras – 05:20
4. Longas Noites de Coiva Incansable – 03:22
5. O Nome do Vento – 04:30
6. Haunted Glow – 04:58
7. Mencer – 02:53
8. Botadas dos Bosques – 05:03
9. Desterro – 02:41
10. The Paths of Mannaz – 07:29
11. Na Procura das Fadas – 02:47
12. Lume – 07:09
13. Abrindo Sendeiros a Traves das Silvas (Outro) – 03:54
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terça-feira, 29 de julho de 2014
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Lana Del Rey - Ultraviolence (deluxe edition)

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Gênero: Blues / Dream pop
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: Primeiramente confesso: quando em 2012 Born to die, segundo disco da americana Lana Del Rey, pegou o mundo de assalto não me rendi aos seus predicados. Por mais que insistisse, após várias audições o incômodo e a impressão de estar ouvindo a mesma música por várias vezes subsequentes prevaleceu, resultando por fim num disco insosso, salvo pelos singles "Video Games" e "Blue Jeans", cuja produção extremamente polida máscara a fraqueza do longo repertório composto por 12 faixas (15 na edição deluxe). Passados 2 anos Lana ainda segue no topo, mas parece que agora a cantora encontrou seu caminho como pode ser admirado em Ultraviolence, seu mais novo rebento.

Escudada pela produção de Dan Auerbach (The Black Keys), a cantora finalmente encontrou a sonoridade adequada para a tristeza latente de seus versos. Se em Born to die a atmosfera hip hop soava estranha ao universo criado onde odes à amores partidos, a ganância e pecados originais diversos davam o tom, agora encontra na raízes dos blues e do dream pop a verve necessária.

Conduzida pela estridente e crua guitarra de Auerbach, espetáculo à parte no álbum, a faixa "Cruel World", cartão de visita de Ultraviolence, deixa a cantora à vontade para colocar a sua bela voz em canção sobre o fim de um relacionamento tempestuoso. A fantasmagórica faixa título, em ode clássico ao filme de Stanley Kubrick, promove encontro da dramaticidade de uma relação calcada na violência e sobre o amor desenfreado com direito a citação ao Hole (no verso "He hit me and it felt like a kiss"). "Shades of cool" mantém o clima lúgubre numa balada orquestrada e com solo de guitarra memorável. "Brooklyn Baby", jovial e pegajosa canção inspirada no finado Lou Reed (com quem Lana planejava trabalhar futuramente), narra as desventuras amorosas de uma moradora do distrito mais populoso do estado de Nova Iorque. A hipnótica "West coast", primeiro single deste trabalho, surpreende pelas mudanças de andamento, a sensualidade transparente nos vocais e poderia facilmente figurar numa das enigmáticas trilhas dos filmes de David Lynch. A largamente autobiográfica "Sad girl" versa sobre uma garota triste e má que se comporta de forma promíscua em prol do sucesso repentino, tema este também presente em "Fuck my way up to the top". "Pretty when you cry", faixa composta e produzida em parceria com Blake Stranathan, prima pelo aspecto angustiante de uma relação fadada ao fracasso. Para o fim, a icônica cover de “The other woman”, composta por Jesse Mae Robinson (hit maker dos anos 60) e eternizada pela diva Nina Simone, encerra de forma belíssima o trabalho. A edição brasileira tem ainda outras três faixas bônus no qual se destacam a sombria “Guns and roses” e o contraponto ensolarado chamado “Florida Kilos”, faixa que mais se aproxima da temática do disco anterior.      

E de certo foi graças a exímia colaboração de Auerbach, que iria inicialmente participar minimamente do processo, mas devido a larga sintonia artística conduziu grande parte do trabalho, que Lana encontrou seu verdadeiro potencial ainda não revelados em sua totalidade nos dois discos anteriores.

Se o futuro seguirá promissor talvez seja cedo para avaliar, mas em meio a esta seara sôfrega criada, o sentimento de alegria (tal como num filme de cunho dramático onde torcemos para que no final tudo termine bem) é impossível de ser contido ao final de Ultraviolence, um dos discos à serem ouvidos em 2014.                          

Tracklist:

01 - Cruel World
02 - Ultraviolence
03 - Shades of Cool
04 - Brooklyn Baby
05 - West Coast
06 - Sad Girl
07 - Pretty When You Cry
08 - Money Power Glory
09 - Fucked My Way Up To the Top
10 - Old Money
11 - The Other Woman
12 - West Coast (Radio Mix)
13 - Black Beauty
14 - Guns And Roses
15 - Florida Kilos

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sexta-feira, 25 de julho de 2014
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Alice Caymmi – Alice Caymmi

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Gênero: MPB / Experimental
País: Brasil
Ano: 2012

Comentário: Já começo essa resenha dizendo que talvez, só talvez, eu não me sinta totalmente preparado para escrever sobre esse álbum. Alice Caymmi, de vinte e dois anos quando lançou esse seu debut que recebe o mesmo nome que carrega. E bem, eu só consigo pensar se esse nome fora uma benção ou um agouro na carreira da Alice – e confesso, ainda não sei.

Alice mergulha também no mar. Logo na primeira faixa “Água Marinha”, vemos que a influência do grande tema inspirador de seu avô, Dorival, se faz presente. Talvez seja uma boa herança de família ou um fardo que ela tenha de carregar. Mas Alice não se deixa naufragar em uma maré herdada – ela vai além e recebe do trabalho deveras experimental da Björk a verdadeira fonte de seu trabalho e em “Água Marinha” percebemos flertes com essa sonoridade: vocais serenos e batidas eletrônicas bastante oscilantes. Não se pode dizer que a carioca não faz para merecer o título de uma cantora, de fato, ela não pretende se colocar como uma espécia de continuadora dos trabalhos de sua família, por mais que acabe sendo, mas não vejo essa intencionalidade em seu álbum.

O álbum transcorre em um caminho próprio, enquanto as faixas complementam-se mutuamente mostram-se também um trajeto próprio e em si mesmas. Consta uma versão de "Sargaço Mar", de seu avô, versão essa bastante autoral e com um clima de melancolia contida, de mar pós-ressaca; interpretação bastante própria, assim como a décima e última faixa do álbum, "Ulravel", originalmente presente no álbum Homogenic, da já citada Björk. O “experimental” presente na classificação desse álbum explicarei agora: ouvindo mais de uma vez as faixas do álbum, como a já citada “Água Marinha” e “Revés”, para ainda permanecermos na primeira metade do álbum parecem-me distantes dessa safra da nova MPB, mesmo que diversos sites especializados, blogs e etc queiram colocá-la entre Karina Buhr e Tulipa Ruiz não vejo tal associação direta (embora eu não posse me dizer assíduo ouvinte de ambas) vejo em Alice um grau de melancolia e pessoalidade em várias sequências da sua estreia

A voz andrógina de Alice para alguns pode até ser outro obstáculo a ser transposto nesse navegar, mas para mim pareceram águas de duro acesso, mas acessíveis, de imediato há estranhamento e até certa dureza, mas aos poucos há o desvelamento da delicadeza, do belo em seus vocais e olha, quando essa revelação é feita o álbum se torna um registro que mescla docilidade, virilidade, brutalidade e sensibilidade e "Rompante" resume muito bem isso e que aliás, também pode ser usada para exemplificar a segunda metade do álbum, excetuando "Tudo Que For Leve", que deságua na mesma onda que a primeira metade do homônimo álbum.

Pois bem, o debut da Alice é tão revelador quanto misterioso, parece-me que ela trabalha em um chiaroscuro tal qual presente em telas barrocas: revela-se de um lado para esconder-se em outro, um jogo muito bom e instigante, um belo registro de uma voz diversificada e inovadora: um mergulhar extasiado em águas que só revelam o que não se espera ver.

[Site / Facebook]


Tracklist:
01. Água Marinha
02. Arco Da Aliança
03. Mater Continua
04. Revés
05. Sangue, Água E Sal
06. Rompante
07. Vento Forte
08. Sargaço Mar
09. Tudo Que For Leve
10. Unravel

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quinta-feira, 24 de julho de 2014
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Artificial Brain - Labyrinth Constellation

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Gênero: Technical Death Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: De cara confesso que entre os lançamentos no ano de 2014, aqueles voltados para a esfera do Death Metal foram os que menos acompanhei. Nem irei partir com aquele vago discurso de que o estilo é repetitivo ou que as bandas atuais apenas copiam as mais antigas e coisa do tipo. Com o tempo tive minhas boas surpresas relacionadas ao Death Metal, primeiro o Morbus Chron, que lançou um dos álbuns que mais me agradaram esse ano (clique aqui para conferir) e na época me trouxe uma nova expectativa em torno dos lançamentos do estilo.

E no mês passado me deparei com uma banda que até então era uma total desconhecida para mim, o Artificial Brain. Vi ótimos comentários a respeito do seu álbum de estréia e resolvi conferir. A banda oriunda da cidade de New Stream do estado de Nova Iorque, contém em sua formação membros desconhecidos, com exceção do Dan Gargiulo, o qual já era um nome familiar pra mim devido ao Revocation

Causar um impacto positivo em seu álbum de estréia não é tarefa fácil, mas confesso que com o Labyrinth Constellation, a banda Artificial Brain conseguiu tal façanha. Logo irei avisando que não é uma banda que trouxe uma sonoridade inovadora, todos os elementos que compõem sua sonoridade são bem familiares para aqueles que acompanham o estilo. Desde sua sonoridade que traz alguma lembrança de bandas como Gorguts e Demilich, até sua temática Sci-Fi que já foi elaborada com grande excelência pelo clássico Nocturnus, entre outras bandas. Tudo isso somado à alguns bons elementos vindos do Black Metal, dando o toque final na sonoridade feita pela banda.

A sonoridade pesada da banda é um prato cheio prato os fãs do estilo. Keith Abrami realizou uma performance impecável na bateria, uma vez que a sonoridade da banda sofre mudanças bruscas no ritmo, Abrami tem um destaque muito positivo no álbum. O baixista Samuel Smith também mostrou certo talento apesar do baixo não soar tão nítido em meio as guitarras dissonantes da banda, que ficaram sob responsabilidade Dan Gargiulo e Jon Locastro. Gargiulo como Locastro mostram versatilidade, combinando passagens mais melódicas, outras de peso incrível e as partes mais dissonantes, que são uns dos pontos altos do álbum. A performance do vocalista Will é bem sólida, impondo aquele bom e velho gutural além de partes mais ríspidas, combinou bem com a sonoridade criada pela banda. 

Com faixas apresentando aspectos similares, não há grande mudança no decorrer do álbum .Os destaques do álbum ficam por conta de: "Absorbing Black Ignition", faixa na qual o peso do instrumental cede espaço para ótimas passagens mais melódicas em algumas partes, com guitarras bem dissonantes; e "Hormone's Echo", uma faixa que mescla perfeitamente um clima sombrio com um instrumental bem dinâmico e intenso.




Tracklist:

01. Brain Transplant
02. Absorbing Black Ignition
03. Wired Opposites
04. Worm Harvester
05. Frozen Planets
06. Orbital Gait
07. Bastard Planet
08. Labyrinth Constellation
09. Hormone's Echo
10. Moon Funeral

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