terça-feira, 18 de agosto de 2015
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Ana Cañas - Tô na vida

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Gênero: Rock
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: Muitos creditam ou se surpreendem com a "nova" fase roqueira de Ana Cañas impressa em Tô na vida, seu mais novo disco, mas o mesmo não traz tantas novidades em si.

Com produção de Lúcio Maia (Nação Zumbi), mixagem de Mario Caldato Jr. (Beastie Boys) e colaborações de peso por parte de Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Dadi, Canãs fica à vontade para perfilar o que melhor sabe fazer: canções sobre o amor e dor.

Assinando grande parte do repertório, a cantora versa de maneira simples e pegajosa sobre a plenitude amorosa encontrada como em "Existe" (canção com belo solo de Maia), na cadenciada "O som do osso", em "Indivísvel" (música marcada por riffs marcantes e secos em ode a Joan Jett), na predominante acústica e lasciva  "Bandido", na suja "Madrugada quer você" (parceria estridente com Arnaldo Antunes e Lúcio Maia). Nesta seara destaca-se também o hino feminista "Mulher" ("Nenhuma em mil, ninguém e todas / Alguém te pariu, linda e louca"), que funciona como uma co-irmã de "Todas as mulheres do mundo" (canção de sua ídola Rita Lee)

Em contrapartida, baladas como o primeiro single "Tô na vida" (soul conduzido pela guitarra marota e sexy de Lúcio e pelo teclado vintage de Jeneci), "Amor e Dor" ("Não sei que eu sou/mas sei que vou por aí) e a beatleniana "Pra machucar" ("Por que é que a gente diz as coisas quase sem pensar?") revelam a outra porção do amor, expondo as fragilidades de quem se arrisca de coração aberto e sofre entre erros e acertos em busca a realização.

Num balanço final, para quem conhece a sua carreira de fato sabe muito bem que a postura rock n' roll já era alardeada, seja no palco ou com os apontamentos presentes em canções dos álbuns Hein? Volta. Mas a falta de novidade não descredita a qualidade alcançada neste trabalho. A coragem em se desnudar ante ao público segue como grande trunfo desta garota prodígio da música brasileira.

             
[Site]

Tracklist:

01. Existe
02. Tô na Vida
03. Hoje Nunca Mais
04. O Som do Osso
05. Indivisível
06. Coisa Deus
07. Bandido
08. Feita de Fim
09. Um Dois um Só
10. Amor e Dor
11. Mulher
12. Pra Machucar
13. Madrugada quer Você
14. O Amor Venceu (Faixa bônus)


Ouça: Deezer

domingo, 16 de agosto de 2015
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Bulldozing Bastard - Under the Ram

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Gênero: Black / Speed Metal
País: Alemanha
Ano: 2015

Comentário: O Bulldozing Bastard é um duo alemão criado em 2012 por Irön Kommander e Genözider, que aposta numa fórmula bastante conhecida e utilizada para criar sua sonoridade. Under the Ram é o segundo álbum de estúdio do duo e traz um conteúdo bem agradável para aqueles que gostam de um som mais direto, veloz e que resgata a essência de bandas clássicas, principalmente dos anos 80.

A banda que se auto intitula como Bastard Metal, tem uma sonoridade nos moldes de bandas como Midnight e Gehennah, trazendo toda aquela influência de nomes como Motörhead, Venom e dos italianos do Bulldozer. Dito isso, é óbvio que Under the Ram não soará nada inovador para aqueles que conhecem as bandas citadas, mas a maneira que o duo conduziu o álbum consegue um resultado bem eficiente e agradável.

Desde a abertura com Queen of the Night, o Bulldozing Bastard entrega ao ouvinte uma série de riffs saudosistas, solos empolgantes, vocais sujos e com os tradicionais refrões em coro, uma levada d-beat e linhas de baixo bem marcantes. Essas características se mantém como os pilares da sonoridade da banda, que ao longo dos 31 minutos de duração do álbum, não deixa o ritmo cair com suas faixas enérgicas e velozes. Alleys of the Underground é a minha favorita em Under the Ram, traz um timbre de guitarra mais  marcante e linhas de baixo mais notáveis, sem citar os ótimos solos ao decorrer da faixa. Once the Dust has Settled encerra o álbum da melhor maneira possível, trazendo um refrão contagiante e um instrumental mais trabalhado, com um riff principal absolutamente matador.

Under the Ram foi lançado no dia 13 de Maio pela High Roller Records (que possui um catálogo bem interessante). O álbum consegue manter as características apresentadas pela banda em seu debut lançado em 2012, além de mostrar que o amadurecimento da banda está resultando em faixas mais sólidas e bem tocadas. Parecido com muita coisa que você já ouviu antes, mas que continua surtindo o mesmo efeito de sempre, Under the Ram leva o saudosismo ao ouvinte de uma maneira simples e eficaz.



Tracklist:

01. Queen of the Night
02. Tornado
03. Mayhem Without Mercy
04. Full Speed Ahead
05. Brassknuckle Deathstrike
06. Under the Ram
07. Alleys of the Underground
08. Let the Bastard Roar
09. Black Metal Slut
10. Once the Dust Has Settled

Ouça em: Rdio ou Spotify


sexta-feira, 7 de agosto de 2015
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Pyramids - A Nothern Meadow

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Gênero: Experimental / Ambient / Black Metal / Shoegaze
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Em seu álbum de estréia os americanos do Pyramids mostraram uma sonoridade bem experimental, contando com o vasto repertório de influências e sonoridades exploradas. O álbum teve uma recepção favorável e com boas críticas, mostrando uma banda que tinha potencial a ser explorado. O álbum de estréia foi lançado em 2008, seguido por diversas colaborações do Pyramids com nomes como Nadja, Mammifer e Horseback, além de ter faixas remixados por bandas como Ulver e Lustmord.

Analisando tudo isso, pode se dizer que  o Pyramids teve anos de grandes experiências e que permitiram a banda uma bagagem maior para o lançamento de seu segundo álbum de estúdio. A Nothern Meadow foi lançado no dia 17 de Março pela Profunde Lore Records, contando com as participações de Vindsval (Blut Aus Nord) e Colin Marston (Gorguts, Krallice).

Se comparado ao debut, uma característica que evoluiu em A Nothern Meadow é que o desenvolver das faixas flui mais naturalmente, sem aquela sensação de estarem dispersas ou perdidas. Para uma banda que faz uma experimentação com elementos do Industrial, Dark Ambient, Shoegaze, Post-Rock, Drone e Black Metal, a sonoridade soa precisa e bem estruturada. Normalmente em algum momento do álbum, um desses estilos é mais utilizado que os outros, mas a combinação em si foi muito bem feita.

A atmosfera do álbum é pesada, trazendo passagens mais sufocantes em que o instrumental é mais denso. Ainda há momentos em que a música do Pyramids ganha um tom mais simples e com um clima mais agradável. Alguns riffs  no álbum lembram bastante alguns utilizados pelo Blut Aus Nord na trilogia 777, assim como a programação da bateria (que foi feita por Vindsval). Os vocais trazem um tom mais pacífico e calmo na maior parte do álbum, diferenciando-se do instrumental, mas em algumas partes é utilizado um vocal ríspido que combina muito bem com as o tom do instrumental.

Pode-se dizer que a sonoridade apresentada pelo Pyramids é algo complexo e com um clima bem introspectivo, o que pode não agradar aqueles que não estão habituados com esse tipo de proposta. Em A Nothern Meadow, o Pyramids traz um álbum sombrio, depressivo e instigante, Música torta e estranha, mas que agrada a quem procura mais na música do que apenas uma ideia óbvia e fácil de digerir, A Nothern Meadow conduz o ouvinte à uma experiência no lado mais sombrio da mente ao longo de 50 minutos. Destaque para a faixa I Am Sorry, Goodbye.



Tracklist:

01. In Perfect Stillness, I’ve Only Found Sorrow
02. The Earth Melts Into Red Gashes Like The Mouths Of Whales
03. The Substance Of Grief Is Not Imaginary
04. Indigo Birds
05. I Have Four Sons, All Named For Men We Lost To War
06. I Am So Sorry, Goodbye
07. My Father, Tall As Goliath
08. Consilience

Ouça em: Spotify


quinta-feira, 6 de agosto de 2015
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Drenge - Undertow

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Gênero: Alternative Rock, Garage Rock, Grunge
País: Inglaterra
Ano: 2015

Comentário: Quando o Drenge surgiu, vindo de uma pequena cidade no norte da Inglaterra, com seu primeiro disco era difícil não se render ao então duo formado pelos irmãos Eion e Rory Loveless.

O disco homônimo saiu em meados de 2013 e era uma explosão de riffs pesados e refrões grudentos, a exemplo do carro-chefe, “Bloodsport”. Um disco pesado e recheado de uma frustração que só quem mora, ou já morou, em uma cidade pequena, é capaz de compreender.

O Drenge cresceu, viu o mundo, excursionou com grandes nomes, tocou em grandes festivais e agora conta com mais um membro. A forma que essas mudanças afetaram os irmãos Loveless fica bem clara em Undertow, segundo disco da banda.

Embora faixas como “We Can Do What We Want” (primeiro single do álbum) e “Favorite Son” ainda resgatem o espírito adolescente do primeiro disco, Undertow soa mais maduro, adulto e elaborado.

O maior trunfo do disco certamente reside no fato deste ficar cada vez mais denso, sombrio e pesado a cada música. É fácil perceber a atmosfera do disco se transformando, o que torna de Undertow uma metáfora para a passagem da fúria adolescente (We Can Do What We Want) para as nuances complexas da vida adulta (Standing In The Cold; Have You Forgotten My Name?).

Destaque para a faixa “The Woods”, o melhor trabalho da banda até então.

Tracklist:
1 . Introduction
2. Running Wild
3. Never Awake
4. We Can Do What We Want
5. Favourite Son
6. The Snake
7. Side By Side
8. The Woods
9. Undertow
10. Standing In The Cold
11. Have You Forgotten My Name?

Ouça: Spotify


quinta-feira, 16 de julho de 2015
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Wand - Golem

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Gênero: Garage Rock, Noise Rock, Psychedelic Rock
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Uma miscelânea de gêneros como Garage Rock, Grunge, Noise, Punk e Psychedelic Rock convergindo em uma explosão surreal de guitarras barulhentas. Essa é uma ótima definição do que os californianos do Wand apresentam em seu segundo disco, o viciante Golem.

As influências citadas pela banda durante o processo de composição do disco (Melvins, Sleep e Electric Wizard) ficam bem claras nas faixas iniciais. O disco abre com o riff pesado e com ares de Black Sabbath de “Unexplored Map”, uma música relativamente curta. Em seguida a pesadíssima “Self Hypnosis in 3 Days” abusando de riffs simplistas e de um noise rock latente. “Self Hypnosis in 3 Days”  é definitivamente o maior destaque do disco.

Todo o peso presente nas faixas anteriores é interrompido pela onírica “Melted Rope”, fortalecendo os argumentos daqueles que comparam o Wand a um ‘Tame Impala mais pesado’. Apesar da indiscutível qualidade da música, essa parece meio deslocada no contexto do albúm.

Importante ainda destacar a quase pop “Cave in”. Uma música que, localizada no meio do disco, é uma espécie de meio termo entre os extremos apresentados neste disco.

Após as barulhentas “Floating Head” e “Planet Golem” o disco encerra com “The Drift”, uma faixa quase toda feita com sintetizadores, reafirmando a diversidade de estilos que perpassam ao longo de Golem.


Tracklist:
1. The Unexplored Map
2. Self Hypnosis In 3 Days
3. Reaper Invert
4. Melted Rope
5. Cave In
6. Flesh Tour
7. Floating Head
8. Planet Golem
9. The Drift

Ouça: Spotify


quinta-feira, 9 de julho de 2015
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Man Without Country - Maximum Entropy

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Gênero: Electo, Shoegaze
País: Inglaterra
Ano: 2015

Comentário: Letras sombrias mescladas com uma explosão de sintetizadores que poderiam, perfeitamente, ser a trilha sonora de uma festa em seu auge. Esta é a definição perfeita do som produzido pelo duo inglês Man Without Country.

Maximum Entropy é o segundo disco lançado por eles. O sucessor do ótimo Foe, de 2012, traz novamente o shoegaze com fortes elementos eletrônicos que ditou o primeiro trabalho da banda. Todavia, neste trabalho o duo se concentrou em músicas menos arrastadas e mais dançantes. O que fica claro logo na faixa de abertura “Claymation”.

Assim que “Entropy” passa de sua intro e explode em um synthpop relaxante, é fácil perceber que as músicas consistem em uma série de camadas de sons que mesclam vários elementos de gêneros que podem parecer conflitantes, mas que a dupla conseguiu encaixar em uma sintonia perfeita. Resultando em uma sonoridade ao mesmo tempo suave e explosiva. Melancólica e dançante. Fórmula essa repetida em faixas como “Oil Spill” e “Dead Sea”.

Em determinados momentos o disco alcança momentos de uma notável profundidade esmagadora que beira o desespero, como na linda “Loveless Mariage” e “Incubation”. Em outros, surpreende com canções pop como “Laws Of Motion” e “Sweet Harmony”, faixa que encerra o disco. Essa miscelânea de níveis e camadas diferentes é o que torna Maximum Entropy um grande disco.

Tracklist:
1. Claymation
2. Entropy
3. Laws Of Motion
4. Oil Spill
5. Loveless Mariage
6. Deadsea
7. Catfish
8. Romanek
9. Virga
10. Incubation
11. Deliver Us From Evil
12. Sweet Harmony

Ouça: Spotify


quarta-feira, 8 de julho de 2015
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Esteban - Saca La Muerte de Tu Vida

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Gênero
: Pop Rock / Rock Platino
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário:O Tavares sempre afirmou que o que fazia em seu novo projeto era um “rock platino”, algo com muito violão, acordeom, piano e aquela melancolia tanto vocal como nos temas das canções. Em Saca La Muerte de Tu Vida, temos essa combinação magistralmente bem apresentada desde a concepção do álbum até a apresentação do mesmo.

Saca La Muerte de Tu Vida parece captar muito bem a essência gaúcha nostálgica/melancólica do Tavares. Já em “Janeiro”, música que inicia em um ótimo duo de piano e voz, podemos ver todo o resumo do gênero que ele se dispôs a fazer com o Esteban impregnado na letra e melodia. Aliás, é uma das mais belas poesias do álbum: “Teria paz se não tivesse sangue / Se o coração não conseguisse trabalhar / Esqueceria tudo do começo / E viveria toda a vida sem pensar / Não tomaria tantos comprimidos / Apagaria o que me dessem pra fumar”, só esse trecho já evidencia um narrador modelo por detrás da persona do cantor – a música tem o tom de intimidade que o álbum procura, além de ter forte presença de elementos do platino, um acordeom em uma brincadeira de evidenciar/esconder por detrás da bateria e do piano – é realmente a melhor faixa para apresentar o projeto a desconhecidos e já causa arrebatamento os que acompanham o trabalho do cara.

Pra Ser” coloca o álbum um pouco mais pra cima, embora as letras introspectivas e de arrependimento continuem bem presentes na faixa. Aqui o som do acordeom é um espetáculo a parte, está muito bem inserido por detrás da polifonia sonora dos elementos platinos que o Tavares faz questão de mesclar muito bem, obrigado. E no finzinho a bateria é realmente um fator importante na sonoridade.

Cigarros e Capitais” tem uma musicalidade muito peculiar dentro da estética sonora do álbum. Uma bateria mais ritmada, lembrando muito “Pianinho”, de seu álbum anterior, embora aqui a condução seja do acordeom e bateria. Na quinta faixa, “Tango”, temos uma das melhores surpresas do álbum. Eu particularmente gosto muito da latinidade que escorre nas criações do Tavares, até mesmo na promoção do Saca La Muerte  em seu instagram havia um quê de mistério latino por detrás das imagens que ele postava – fora uma divulgação bacana, com uma estética forte, tanto quanto o álbum. E o coral de “Tango” é uma das coisas mais belas feitas por ele, um primor.

Martes” é outra das músicas marcantes do álbum – um vocal em espanhol, a sonoridade platina fazendo-se presente desde o primeiro segundo. De longe é uma das minhas favoritas do álbum, funciona muito bem se ouvida logo depois de “Janeiro”, formam um duo excelente, coeso, inserido dentro da estética que o Tavares busca. Embora possamos aqui tecer críticas às repetições que metade do álbum apresenta ele é coerente por se manter em seu estilo, e bem, temos sim variações. Temos um pouco do tango infiltrado nas canções, do pop rock de fácil aceitação – embora em menor quantidade nesse aqui se compararmos com o “Adios Esteban!” -  flutuando por entre as faixas, uma ótima música instrumental funcionando como uma linda pausa do vocal do Tavares retomado logo em seguida em mais uma das faixas bem pessoais, a temática latina principalmente Uruguaia e Argentina entre as criações, um pouco de experimentalismos com algumas distorções e batidas eletrônicas em “O Que Não Vem”, etc.

Me Sinto Humano” tem um pouco do rockabilly  na essência de sua introdução e batida, embora possa ser só reminiscência da minha cabeça que associa o Tavares a um ícone tatuado latino americano de cigarro pendente, topete e jaqueta de couro, logo, um rockabilly com tango e acordeom – o que nem é tão improvável assim.

Considero o Tavares um dos compositores e intérpretes mais dignos de uns tempos para cá, lógico que todo o estigma criado em torno da Fresno, banda que o lançara a nível nacional, faz com que se criem indevidos muros de preconceitos com a música que o cara cria. Não considero a Fresno nem a pior ou a melhor banda do mundo, mas respeito à história da banda e o que eles foram capazes de criar – e é só repararmos o repertório, sonoridade e conceito criado por Tavares em seus álbuns que vemos que existem muitas coisas infundadas nessa chateação de ter de odiar tudo de cara. Saca La Muerte de Tu Vida se apresenta, para mim, como um dos mais coerentes registros nacionais desse ano: um punhado de morte em sua melhor concepção dentro de vidas (e álbuns) um tanto vazios.





Tracklist:
01. Janeiro
02. Pra ser
03. Chacarera da Saudade
04. Cigarros e Capitais
05. Tango Novo (Nada Impede a Onda de Passar)
06. As Terças Podem Se Inverter
07. Martes
08. O Que Não Vem
09. Me sinto humano
10. Se
11. Carta aos desinteressados
12. Maria
13. Chacarera 2 (Feat. Pirisca Grecco)


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sexta-feira, 3 de julho de 2015
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Bosse-De-Nage - All Fours

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Gênero: Post-Black Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Num estilo que desfruta de uma boa popularidade decorrente do impacto causado por algumas bandas nos últimos anos, é normal que cada vez mais surjam novas bandas tentando a sorte através dessa sonoridade. Isso geralmente resulta numa grande quantidade de bandas tentando criar uma sonoridade que esteja do nível das principais bandas do estilo mas acabam se perdendo demais nos clichês, na falta de criatividade ou nas limitações de recursos. Óbvio que isso não é uma exclusividade do Post-Black Metal, mas as ocorrências que se enquadram no que disse acabam por ser mais frequentes do que antes.

O Bosse-De-Nage poderia ser mais uma dessas bandas, mas felizmente, não é isso que ocorre em All Fours, quarto álbum de estúdio da banda lançado no dia 14 de Abril. Apontado por muitos como o melhor álbum da banda, All Fours apresenta argumentos suficientes para a validação dessa ideia. A banda consegue mostrar que possui conhecimento na hora de criar música, os membros não fazem música por acaso, seguem um contexto bem elaborado e versátil dentro de tudo aquilo que a banda leva como influência. Além de não se prender dentro apenas do Post-Black Metal, a banda conseguiu casar muito bem suas influências dentro do contexto de sua sonoridade, que em certos momentos ficam bastante em evidência em evidência. Essa adição de elementos do Post-/Hardcore foi uma ótima ideia para o resultado final do som feito pela banda.

A primeira coisa que me vem à mente quando penso em All Fours é o instrumental arrasador feito pelo Bosse-De-Nage. As composições são profundas e marcantes, a produção do álbum permite que todos os instrumentos sejam notados ao longo das oito faixas. A bateria no álbum é de tirar o fôlego! Constantemente segue um ritmo intenso e mesmo quando a percussão se torna algo mais contido, é apenas um prelúdio da pancadaria que está por vir. Os riffs estão ótimos, trazendo uma variação interessante de timbres que acompanham o clima que a música apresenta, sendo muito bem acompanhado pelo baixo. Os vocais de Bryan Manning ganharam meus mais sinceros elogios logo em At Night, faixa que abre o disco. Sujo, agressivo, agonizante, calmo, melancólico e o que mais você notar no vocal ao decorrer do álbum, Bryan mostra ter uma versatilidade do mesmo nível apresentado na parte instrumental.

Num álbum como esse eu fico meio em cima do muro na hora de apontar as faixas que mais chamaram a minha atenção, acaba que de certa maneira cada uma tem algo "único" e que me agrada bastante. The Insdustry of Distance tem como característica principal a velocidade tanto do instrumental quanto do vocal, mesmo com algumas "paradas" onde a bateria administra o ritmo, a faixa é de tirar o fôlego. Washerwoman é a minha favorita, a faixa se inicia com um ritmo bem cadenciado por dedilhados feitos levemente na guitarra, vocal limpo e falado e um clima daqueles mais deprê. Essa parte inicial da faixa me lembra algo do segundo álbum do Apati. Após 4 minutos nesse clima, ocorre uma verdadeira explosão instrumental. Um ritmo pesado e direto muito bem acompanhados pelos berros agoniantes de Bryan, criando um clima que te toca no fundo da alma (ao menos comigo rs). Não poderia de citar a To Fall Down, que possui uma construção bem interessante e apresenta um ótimo balanço entre o peso inserido ao decorrer da faixa.

All Fours agrada pela forma em que as faixas são construídas, dos ritmos propostos ao que é apresentado pelo instrumental e vocal. Recomendação certa para quem gosta do estilo e quer escutar um álbum mais variado mas que não caia dentro de algo mais complexo, a sonoridade é até bem easy listening para aqueles que já tem uma bagagem nesse tipo de sonoridade. Não sei dizer ao certo o que esse álbum representará para mim futuramente, mas no momento atual, é uma das coisas mais viciantes que ouvi em 2015.




Tracklist:

01. At Night
02. The Industry of Distance
03. –
04. A Subtle Change
05. Washerwoman
06. In a Yard Somewhere
07. To Fall Down
08. The Most Modern Staircase

Ouça: Spotify

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Overload Music Fest 2015

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Após a edição de 2014 que trouxe para o Brasil bandas como Alcest, God Is An Astronaut e Fates Warning, o Overload retorna em 2015 maior e com mais bandas em seu lineup.

É interessante ressaltar a importância do festival realizado pela Overload, que traz para o Brasil bandas que normalmente sequer imaginariamos ver por aqui, passando por várias vertentes diferentes do rock e metal. 

Bandas que fizeram parte da história do Pignes desde o início como Anathema, Paradise Lost, Novembers Doom e Antimatter integram o lineup desse ano, que ainda conta com a maravilhosa banda japonesa de post-rock Mono, a experimentalidade do Reign of Kindo e o rock progressivo do Riverside pra nenhum fã de Porcupine Tree botar defeito.

Simplesmente imperdivel.

quarta-feira, 3 de junho de 2015
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Öxxö Xööx - Nämïdäë

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Gênero: Avant-Garde / Doom / Gothic / Symphonic Metal
País: França
Ano: 2015

Comentário: Öxxö Xööx é uma forte candidata ao título de banda mais peculiar que já resenhei em meu período como membro do Ignes Elevanium. Inicialmente, tenho que ressaltar que gosto de peculiaridades, de encontrar bandas que fujam um pouco do óbvio e que não coloquem limites aos termos de criação musical. O Öxxö Xööx se enquadra ´perfeitamente nessa breve descrição e vai até um pouco mais além dela. O fato é que a banda lançou recentemente seu segundo álbum de estúdio, intitulado Nämïdäë.

Para entender melhor a diversidade por trás da banda, o seu idealizador é Laurent Lunoir, que já demonstrou no Igorrr seu jeito pouco convencional de criar música. O nome da banda é uma representação em binário do número 69, assim como na linguagem criada pela banda. Sim, a banda criou uma linguagem ficcional para criar sua música, apesar de usar inglês em algumas partes.

Eu ainda não escutei com maior tranquilidade e atenção ao álbum de estréia da banda, o que me impossibilita de criar um comparativo entre os mesmos. Focando somente em Nämïdäë, tenho que dizer que não é algo fácil de se digerir, a banda possui uma grande complexidade musical e não se prende à um simples contexto para criar sua música. Dos elementos mais presentes em sua música como o Doom e Gothic, à passagens sinfônicas, momentos operísticos e outros vindos do metal extremo, a música do Öxxö Xööx se torna difícil de se descrever precisamente. Os vocais são bem encaixados e apresentam uma diversidade impressionante, tanto o vocal masculino quanto o feminino, que ajudam a criar essa atmosfera encantadora contida no álbum.

A sonoridade da banda não é algo forçado para chamar atenção, a banda segue sua própria fórmula de fazer música. Äbÿm, faixa utilizada na divulgação do álbum, traz toda uma orquestração impressionante, uma percussão impactante e de ritmo imprevisível, além de um dueto alucinante entre os vocalistas. Dälëït tem uma atmosfera densa e hipnotizante, faz um uso marcante de órgão e cravo, além de apresentar alguns ótimos riffs em seu decorrer, além de uma ótima variação rítmica do instrumental.

Diante da grande diversidade apresentada pelo Öxxö Xööx em Nämïdäë, o álbum se torna uma grande viagem dentro do universo particular da banda. A sonoridade impressiona de maneira que me faltam palavras para descrever, mas ressalto a grande importância dos vocalistas no resultado final da música criada pela banda, conduzem de maneira incrível o álbum e apresentam uma qualidade indiscutível.

Nämïdäë conta com uma ótima produção e foi lançado pela Blood Music no dia 26 de Maio. Definitivamente um álbum que merece ser ouvido entre tantos lançamentos em 2015, não só pela diversidade musical e ideias peculiares que envolvem a banda, mas pela grande jornada e experiência que o álbum proporciona ao ouvinte. Não é o tipo de música mais fácil de se ouvir, mas algo diferente e bem construído, com uma qualidade difícil de se encontrar e que vale cada trema utilizada nessa resenha.





Tracklist:

01 - Därkäë
02 - LMDLM
03 - Ländäë
04 - Dä Ï Lün
05 - Lör
06 - Lücï
07 - Äbÿm
08 - Dälëïth
09 - Ü

Download: Bandcamp

Ouça em: Spotify

 
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