quinta-feira, 16 de julho de 2015
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Wand - Golem

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Gênero: Garage Rock, Noise Rock, Psychedelic Rock
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Uma miscelânea de gêneros como Garage Rock, Grunge, Noise, Punk e Psychedelic Rock convergindo em uma explosão surreal de guitarras barulhentas. Essa é uma ótima definição do que os californianos do Wand apresentam em seu segundo disco, o viciante Golem.

As influências citadas pela banda durante o processo de composição do disco (Melvins, Sleep e Electric Wizard) ficam bem claras nas faixas iniciais. O disco abre com o riff pesado e com ares de Black Sabbath de “Unexplored Map”, uma música relativamente curta. Em seguida a pesadíssima “Self Hypnosis in 3 Days” abusando de riffs simplistas e de um noise rock latente. “Self Hypnosis in 3 Days”  é definitivamente o maior destaque do disco.

Todo o peso presente nas faixas anteriores é interrompido pela onírica “Melted Rope”, fortalecendo os argumentos daqueles que comparam o Wand a um ‘Tame Impala mais pesado’. Apesar da indiscutível qualidade da música, essa parece meio deslocada no contexto do albúm.

Importante ainda destacar a quase pop “Cave in”. Uma música que, localizada no meio do disco, é uma espécie de meio termo entre os extremos apresentados neste disco.

Após as barulhentas “Floating Head” e “Planet Golem” o disco encerra com “The Drift”, uma faixa quase toda feita com sintetizadores, reafirmando a diversidade de estilos que perpassam ao longo de Golem.


Tracklist:
1. The Unexplored Map
2. Self Hypnosis In 3 Days
3. Reaper Invert
4. Melted Rope
5. Cave In
6. Flesh Tour
7. Floating Head
8. Planet Golem
9. The Drift

Ouça: Spotify


quinta-feira, 9 de julho de 2015
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Man Without Country - Maximum Entropy

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Gênero: Electo, Shoegaze
País: Inglaterra
Ano: 2015

Comentário: Letras sombrias mescladas com uma explosão de sintetizadores que poderiam, perfeitamente, ser a trilha sonora de uma festa em seu auge. Esta é a definição perfeita do som produzido pelo duo inglês Man Without Country.

Maximum Entropy é o segundo disco lançado por eles. O sucessor do ótimo Foe, de 2012, traz novamente o shoegaze com fortes elementos eletrônicos que ditou o primeiro trabalho da banda. Todavia, neste trabalho o duo se concentrou em músicas menos arrastadas e mais dançantes. O que fica claro logo na faixa de abertura “Claymation”.

Assim que “Entropy” passa de sua intro e explode em um synthpop relaxante, é fácil perceber que as músicas consistem em uma série de camadas de sons que mesclam vários elementos de gêneros que podem parecer conflitantes, mas que a dupla conseguiu encaixar em uma sintonia perfeita. Resultando em uma sonoridade ao mesmo tempo suave e explosiva. Melancólica e dançante. Fórmula essa repetida em faixas como “Oil Spill” e “Dead Sea”.

Em determinados momentos o disco alcança momentos de uma notável profundidade esmagadora que beira o desespero, como na linda “Loveless Mariage” e “Incubation”. Em outros, surpreende com canções pop como “Laws Of Motion” e “Sweet Harmony”, faixa que encerra o disco. Essa miscelânea de níveis e camadas diferentes é o que torna Maximum Entropy um grande disco.

Tracklist:
1. Claymation
2. Entropy
3. Laws Of Motion
4. Oil Spill
5. Loveless Mariage
6. Deadsea
7. Catfish
8. Romanek
9. Virga
10. Incubation
11. Deliver Us From Evil
12. Sweet Harmony

Ouça: Spotify


quarta-feira, 8 de julho de 2015
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Esteban - Saca La Muerte de Tu Vida

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Gênero
: Pop Rock / Rock Platino
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário:O Tavares sempre afirmou que o que fazia em seu novo projeto era um “rock platino”, algo com muito violão, acordeom, piano e aquela melancolia tanto vocal como nos temas das canções. Em Saca La Muerte de Tu Vida, temos essa combinação magistralmente bem apresentada desde a concepção do álbum até a apresentação do mesmo.

Saca La Muerte de Tu Vida parece captar muito bem a essência gaúcha nostálgica/melancólica do Tavares. Já em “Janeiro”, música que inicia em um ótimo duo de piano e voz, podemos ver todo o resumo do gênero que ele se dispôs a fazer com o Esteban impregnado na letra e melodia. Aliás, é uma das mais belas poesias do álbum: “Teria paz se não tivesse sangue / Se o coração não conseguisse trabalhar / Esqueceria tudo do começo / E viveria toda a vida sem pensar / Não tomaria tantos comprimidos / Apagaria o que me dessem pra fumar”, só esse trecho já evidencia um narrador modelo por detrás da persona do cantor – a música tem o tom de intimidade que o álbum procura, além de ter forte presença de elementos do platino, um acordeom em uma brincadeira de evidenciar/esconder por detrás da bateria e do piano – é realmente a melhor faixa para apresentar o projeto a desconhecidos e já causa arrebatamento os que acompanham o trabalho do cara.

Pra Ser” coloca o álbum um pouco mais pra cima, embora as letras introspectivas e de arrependimento continuem bem presentes na faixa. Aqui o som do acordeom é um espetáculo a parte, está muito bem inserido por detrás da polifonia sonora dos elementos platinos que o Tavares faz questão de mesclar muito bem, obrigado. E no finzinho a bateria é realmente um fator importante na sonoridade.

Cigarros e Capitais” tem uma musicalidade muito peculiar dentro da estética sonora do álbum. Uma bateria mais ritmada, lembrando muito “Pianinho”, de seu álbum anterior, embora aqui a condução seja do acordeom e bateria. Na quinta faixa, “Tango”, temos uma das melhores surpresas do álbum. Eu particularmente gosto muito da latinidade que escorre nas criações do Tavares, até mesmo na promoção do Saca La Muerte  em seu instagram havia um quê de mistério latino por detrás das imagens que ele postava – fora uma divulgação bacana, com uma estética forte, tanto quanto o álbum. E o coral de “Tango” é uma das coisas mais belas feitas por ele, um primor.

Martes” é outra das músicas marcantes do álbum – um vocal em espanhol, a sonoridade platina fazendo-se presente desde o primeiro segundo. De longe é uma das minhas favoritas do álbum, funciona muito bem se ouvida logo depois de “Janeiro”, formam um duo excelente, coeso, inserido dentro da estética que o Tavares busca. Embora possamos aqui tecer críticas às repetições que metade do álbum apresenta ele é coerente por se manter em seu estilo, e bem, temos sim variações. Temos um pouco do tango infiltrado nas canções, do pop rock de fácil aceitação – embora em menor quantidade nesse aqui se compararmos com o “Adios Esteban!” -  flutuando por entre as faixas, uma ótima música instrumental funcionando como uma linda pausa do vocal do Tavares retomado logo em seguida em mais uma das faixas bem pessoais, a temática latina principalmente Uruguaia e Argentina entre as criações, um pouco de experimentalismos com algumas distorções e batidas eletrônicas em “O Que Não Vem”, etc.

Me Sinto Humano” tem um pouco do rockabilly  na essência de sua introdução e batida, embora possa ser só reminiscência da minha cabeça que associa o Tavares a um ícone tatuado latino americano de cigarro pendente, topete e jaqueta de couro, logo, um rockabilly com tango e acordeom – o que nem é tão improvável assim.

Considero o Tavares um dos compositores e intérpretes mais dignos de uns tempos para cá, lógico que todo o estigma criado em torno da Fresno, banda que o lançara a nível nacional, faz com que se criem indevidos muros de preconceitos com a música que o cara cria. Não considero a Fresno nem a pior ou a melhor banda do mundo, mas respeito à história da banda e o que eles foram capazes de criar – e é só repararmos o repertório, sonoridade e conceito criado por Tavares em seus álbuns que vemos que existem muitas coisas infundadas nessa chateação de ter de odiar tudo de cara. Saca La Muerte de Tu Vida se apresenta, para mim, como um dos mais coerentes registros nacionais desse ano: um punhado de morte em sua melhor concepção dentro de vidas (e álbuns) um tanto vazios.





Tracklist:
01. Janeiro
02. Pra ser
03. Chacarera da Saudade
04. Cigarros e Capitais
05. Tango Novo (Nada Impede a Onda de Passar)
06. As Terças Podem Se Inverter
07. Martes
08. O Que Não Vem
09. Me sinto humano
10. Se
11. Carta aos desinteressados
12. Maria
13. Chacarera 2 (Feat. Pirisca Grecco)


Ouça: Spotify

sexta-feira, 3 de julho de 2015
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Bosse-De-Nage - All Fours

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Gênero: Post-Black Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Num estilo que desfruta de uma boa popularidade decorrente do impacto causado por algumas bandas nos últimos anos, é normal que cada vez mais surjam novas bandas tentando a sorte através dessa sonoridade. Isso geralmente resulta numa grande quantidade de bandas tentando criar uma sonoridade que esteja do nível das principais bandas do estilo mas acabam se perdendo demais nos clichês, na falta de criatividade ou nas limitações de recursos. Óbvio que isso não é uma exclusividade do Post-Black Metal, mas as ocorrências que se enquadram no que disse acabam por ser mais frequentes do que antes.

O Bosse-De-Nage poderia ser mais uma dessas bandas, mas felizmente, não é isso que ocorre em All Fours, quarto álbum de estúdio da banda lançado no dia 14 de Abril. Apontado por muitos como o melhor álbum da banda, All Fours apresenta argumentos suficientes para a validação dessa ideia. A banda consegue mostrar que possui conhecimento na hora de criar música, os membros não fazem música por acaso, seguem um contexto bem elaborado e versátil dentro de tudo aquilo que a banda leva como influência. Além de não se prender dentro apenas do Post-Black Metal, a banda conseguiu casar muito bem suas influências dentro do contexto de sua sonoridade, que em certos momentos ficam bastante em evidência em evidência. Essa adição de elementos do Post-/Hardcore foi uma ótima ideia para o resultado final do som feito pela banda.

A primeira coisa que me vem à mente quando penso em All Fours é o instrumental arrasador feito pelo Bosse-De-Nage. As composições são profundas e marcantes, a produção do álbum permite que todos os instrumentos sejam notados ao longo das oito faixas. A bateria no álbum é de tirar o fôlego! Constantemente segue um ritmo intenso e mesmo quando a percussão se torna algo mais contido, é apenas um prelúdio da pancadaria que está por vir. Os riffs estão ótimos, trazendo uma variação interessante de timbres que acompanham o clima que a música apresenta, sendo muito bem acompanhado pelo baixo. Os vocais de Bryan Manning ganharam meus mais sinceros elogios logo em At Night, faixa que abre o disco. Sujo, agressivo, agonizante, calmo, melancólico e o que mais você notar no vocal ao decorrer do álbum, Bryan mostra ter uma versatilidade do mesmo nível apresentado na parte instrumental.

Num álbum como esse eu fico meio em cima do muro na hora de apontar as faixas que mais chamaram a minha atenção, acaba que de certa maneira cada uma tem algo "único" e que me agrada bastante. The Insdustry of Distance tem como característica principal a velocidade tanto do instrumental quanto do vocal, mesmo com algumas "paradas" onde a bateria administra o ritmo, a faixa é de tirar o fôlego. Washerwoman é a minha favorita, a faixa se inicia com um ritmo bem cadenciado por dedilhados feitos levemente na guitarra, vocal limpo e falado e um clima daqueles mais deprê. Essa parte inicial da faixa me lembra algo do segundo álbum do Apati. Após 4 minutos nesse clima, ocorre uma verdadeira explosão instrumental. Um ritmo pesado e direto muito bem acompanhados pelos berros agoniantes de Bryan, criando um clima que te toca no fundo da alma (ao menos comigo rs). Não poderia de citar a To Fall Down, que possui uma construção bem interessante e apresenta um ótimo balanço entre o peso inserido ao decorrer da faixa.

All Fours agrada pela forma em que as faixas são construídas, dos ritmos propostos ao que é apresentado pelo instrumental e vocal. Recomendação certa para quem gosta do estilo e quer escutar um álbum mais variado mas que não caia dentro de algo mais complexo, a sonoridade é até bem easy listening para aqueles que já tem uma bagagem nesse tipo de sonoridade. Não sei dizer ao certo o que esse álbum representará para mim futuramente, mas no momento atual, é uma das coisas mais viciantes que ouvi em 2015.




Tracklist:

01. At Night
02. The Industry of Distance
03. –
04. A Subtle Change
05. Washerwoman
06. In a Yard Somewhere
07. To Fall Down
08. The Most Modern Staircase

Ouça: Spotify

quarta-feira, 3 de junho de 2015
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Öxxö Xööx - Nämïdäë

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Gênero: Avant-Garde / Doom / Gothic / Symphonic Metal
País: França
Ano: 2015

Comentário: Öxxö Xööx é uma forte candidata ao título de banda mais peculiar que já resenhei em meu período como membro do Ignes Elevanium. Inicialmente, tenho que ressaltar que gosto de peculiaridades, de encontrar bandas que fujam um pouco do óbvio e que não coloquem limites aos termos de criação musical. O Öxxö Xööx se enquadra ´perfeitamente nessa breve descrição e vai até um pouco mais além dela. O fato é que a banda lançou recentemente seu segundo álbum de estúdio, intitulado Nämïdäë.

Para entender melhor a diversidade por trás da banda, o seu idealizador é Laurent Lunoir, que já demonstrou no Igorrr seu jeito pouco convencional de criar música. O nome da banda é uma representação em binário do número 69, assim como na linguagem criada pela banda. Sim, a banda criou uma linguagem ficcional para criar sua música, apesar de usar inglês em algumas partes.

Eu ainda não escutei com maior tranquilidade e atenção ao álbum de estréia da banda, o que me impossibilita de criar um comparativo entre os mesmos. Focando somente em Nämïdäë, tenho que dizer que não é algo fácil de se digerir, a banda possui uma grande complexidade musical e não se prende à um simples contexto para criar sua música. Dos elementos mais presentes em sua música como o Doom e Gothic, à passagens sinfônicas, momentos operísticos e outros vindos do metal extremo, a música do Öxxö Xööx se torna difícil de se descrever precisamente. Os vocais são bem encaixados e apresentam uma diversidade impressionante, tanto o vocal masculino quanto o feminino, que ajudam a criar essa atmosfera encantadora contida no álbum.

A sonoridade da banda não é algo forçado para chamar atenção, a banda segue sua própria fórmula de fazer música. Äbÿm, faixa utilizada na divulgação do álbum, traz toda uma orquestração impressionante, uma percussão impactante e de ritmo imprevisível, além de um dueto alucinante entre os vocalistas. Dälëït tem uma atmosfera densa e hipnotizante, faz um uso marcante de órgão e cravo, além de apresentar alguns ótimos riffs em seu decorrer, além de uma ótima variação rítmica do instrumental.

Diante da grande diversidade apresentada pelo Öxxö Xööx em Nämïdäë, o álbum se torna uma grande viagem dentro do universo particular da banda. A sonoridade impressiona de maneira que me faltam palavras para descrever, mas ressalto a grande importância dos vocalistas no resultado final da música criada pela banda, conduzem de maneira incrível o álbum e apresentam uma qualidade indiscutível.

Nämïdäë conta com uma ótima produção e foi lançado pela Blood Music no dia 26 de Maio. Definitivamente um álbum que merece ser ouvido entre tantos lançamentos em 2015, não só pela diversidade musical e ideias peculiares que envolvem a banda, mas pela grande jornada e experiência que o álbum proporciona ao ouvinte. Não é o tipo de música mais fácil de se ouvir, mas algo diferente e bem construído, com uma qualidade difícil de se encontrar e que vale cada trema utilizada nessa resenha.





Tracklist:

01 - Därkäë
02 - LMDLM
03 - Ländäë
04 - Dä Ï Lün
05 - Lör
06 - Lücï
07 - Äbÿm
08 - Dälëïth
09 - Ü

Download: Bandcamp

Ouça em: Spotify

sábado, 30 de maio de 2015
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Ufomammut - Ecate

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Gênero: Stoner / Sludge / Doom Metal
País: Itália
Ano: 2015

Comentário: Toda vez em que os italianos do Ufomammut anunciam um novo álbum de estúdio, sou tomado pela expectativa em relação ao que está por vir. Ecate é o oitavo álbum de estúdio da banda (não levando em conta a colaboração com o Lento) e chega como um dos grandes lançamentos de 2015.

A imagem deixada pela banda no duplo ORO lançado em 2012 foi positiva e extasiante, o Ufomammut consegue seguir uma estética padrão com modificações básicas, mas que revigoram a sonoridade da banda. Em Ecate não foi diferente, o trio italiano traz um álbum com um repertório de dar inveja em muitas bandas por aí.

A sonoridade da banda é uma daquelas que não se encontra facilmente, por mais que venha sendo explorada por muitos, o Ufomammut o faz com maestria. Se em ORO a banda conseguiu criar uma atmosfera densa e que envolvia o ouvinte ao longo do álbum, em Ecate ela se mostra ainda mais poderosa e completa. Instrumental pesado, uso sábio dos sintetizadores, passagens psicodélicas e com um ar espacial, tudo isso está presente em Ecate. A sensação caótica e esmagadora proporcionada pelas partes mais pesadas no instrumental, se mostram ainda mais eficientes neste álbum.

Se o tom de misticismo que acompanha a banda lhe agrada, o álbum traz todo um conceito em torno da deusa grega Hécate, trazendo composições sólidas e que conseguem contrastar perfeitamente com a sonoridade da banda. O álbum facilmente vai conquistar os apreciadores do estilo logo de cara, a faixa de abertura Somnium traz a assinatura do que é o Ufomammut. Riffs pesados, baixo desconcertante e absurdamente nítido, todos sintetizadores possíveis criando aquele clima bruto repleto de psicodelia, uma bateria precisa tanto nos momentos mais intensos quanto nas partes mais cadenciadas e os vocais distorcidos e dispersos em meio ao instrumental, Somnium chega a ser sufocante em seus momentos derradeiros. 

As 6 faixas que compõe o álbum são de grande qualidade e chega a ser até injusto apontar apenas uma favorita. A curta Pluoton é mais objetiva, 3 minutos de uma sonoridade pesada e impactante. Chaosecret e Temple jogam mais com alterações de ritmos, passagens mais psicodélicas e ainda nos  brindam com riffs impiedosos, além do ótimo trabalho de vocalizações apresentados. Revelation é um interlúdio de 4 minutos, um instrumental carregando uma vibe espacial bem sombria. Daemons é a de maior intensidade, a banda apresenta um instrumental bem enérgico conduzido por alguns dos melhores e mais pesados riffs do álbum, que se encerra com uma passagem ambient num tom assombroso e escuro.

Ecate é mais um ponto alto entre os álbuns do Ufomammut, uma banda que não cai em oscilações e nem perde a pegada ao decorrer dos anos. O álbum lançado no dia 31 de Março pela Neurot Recordings, é um registro caótico e bem estruturado, com a banda apresentado todas as facetas que lhe tornaram popular entre os apreciadores do estilo.




Tracklist:

01. Somnium
02. Plouton
03. Chaosecret
04. Temple
05. Revelation
06. Daemon

Ouça em: Spotify ou Rdio


sexta-feira, 22 de maio de 2015
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Caïna - Setter of Unseen Snares

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Gênero: Post-Black Metal
País: Inglaterra
Ano: 2015

Comentário: Caïna é uma one man band formada pelo multi instrumentista  Andrew Curtis-Brignelli. Com 10 anos de carreira e uma vasta quantidade de material lançado, o Caïna possui um sonoridade que inicialmente era exclusiva do Raw Black Metal, mas que se modificou com o passar dos anos e adotou novas características de diferentes influências.

Setter of Unseen Snares é o sexto álbum de estúdio da banda, que tem o costume de apresentar material novo com certa frequência. Em bandas com essa característica, a maior dúvida é se ela é capaz de manter um certo nível de qualidade de um trabalho para o outro e não ficar em uma oscilação contínua. Mas a análise da extensa discografia do Caïna fica para uma próxima oportunidade, por hora irei me contentar em falar sobre o bom Setter of Unseen Snares.

Assim que dou play na primeira faixa do álbum, me deparo com uma grande surpresa, a banda teve a ótima ideia de inserir um sample do detetive Rust Cohle, personagem de True Detective (recomendo a série caso ainda não conheça). Citarei o comentário na íntegra para que a ideia contida nele seja interpretada perfeitamente:

"Acho que a consciência humana foi um erro trágico na evolução. Nos tornamos muito autoconscientes. A natureza criou um aspecto seu separado de si. Não deveríamos existir pela lei natural. Somos coisas que operam sob a ilusão de ter um eu-próprio , essa acreção de experiência sensorial, e fomos programados para pensar que somos alguém quando, na verdade, todos são ninguém. A coisa mais honrável para nossa espécie é negar nossa programação. Parar de se reproduzir. Caminhar de mãos dadas até a extinção, uma última meia-noite, irmãos e irmãs deixando tudo para trás."

A ideia do fim da raça humana expressa no comentário de Rust, se encaixa no conceito adotado pelo Caïna, que construiu um álbum conceitual contando os últimos dias da humanidade antes de sua extinção. A diferença entre as ideias, é que a ideia da extinção da humanidade no álbum do Caïna, ocorre através da colisão de um meteoro com a terra. De qualquer forma, adorei a banda ter utilizado esse sample, interessante no mínimo.

A história triste e apocalíptica, ganha vida com o instrumental sombrio feito pelo Caïna. A banda não mediu esforços para criar um clima propício à situação apresentada no álbum. Os vocais expressam uma profunda agonia e desespero, trazendo uma variação entre vocal harsh e limpo. ambos eficientes e sob medida. O instrumental não segue um ritmo padrão ao decorrer das faixas, as alternações ocorrem de maneira bem encaixada, trazendo passagens mais rápidas e pesadas totalmente sufocantes, e passagens mais cadenciadas, introspectivas e soturnas. 

O álbum contém 5 faixas e pouco mais de 32 minutos de duração, o que é a minha única reclamação em relação à ele. O destaque do álbum é a faixa Orphan, um petardo de 15 minutos em que o Caïna utiliza um vasto repertório, passando de momentos turbulentos para outros de pura melancolia.

Setter of  Unseen Snares foi lançado em 20 de Janeiro, pela Broken Limbs Recordings e é uma das gratas surpresas que tive em 2015 até o momento. O álbum tem um produção agradável e possui um instrumental pesado e sombrio, capaz de criar uma atmosfera bem envolvente ao decorrer das 5 faixas.




Tracklist:

01. Introduction
02. I Am the Flail of the Lord
03. Setter of Unseen Snares
04. Vowbound
05. Applicant/Supplicant
06. Orphan

Ouça em: Bandcamp


sábado, 16 de maio de 2015
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Monolord - Vænir

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Gênero: Stoner / Doom Metal
País: Suécia
Ano: 2015

Comentário: O Monolord é uma daquelas bandas que surgem de repente entre os lançamentos que você resolve conferir e acabam te surpreendendo. O trio sueco lançou no ano passado Empress Rising, seu álbum de estréia que trazia uma sonoridade bem familiar e bem tocada, definitivamente um daqueles álbuns que são prazerosos de se ouvir.

Era de se imaginar que a banda ficasse um período se dedicando exclusivamente à turnê de divulgação do álbum, promovendo o nome da banda e alcançando mais ouvintes para sua música. Mas felizmente não foi isso o que aconteceu, logo no ano seguinte de sua estréia, o trio sueco lançou no último dia 28 seu segundo álbum de estúdio, Vænir.

Vænir carrega uma sonoridade similar à do seu antecessor Empress Rising, mas já mostrando uma certa evolução em diversos sentidos. As composições do álbum são mais fortes e marcantes, conseguem criar um certo impacto no ouvinte logo na primeira vez que se escuta o álbum. A banda continua trabalhando bem entre as utilizações do Doom e Stoner em sua sonoridade, além de trazer um ótimo tom de psicodelismo ao decorrer do álbum.

Os riffs estão num peso ideal e agradável, as distorções no vocal combinaram muito bem com o clima criado pelo instrumental, o baixo está mais nítido e grave em Vænir, além da bateria precisa e potente mantendo o nível. A produção do álbum está melhor do que em Empress Rising, fazendo que a jornada sonora através das 6 faixas que compõem o álbum seja bem satisfatória.

O Monolord carrega traços de nomes mais conhecidos do estilo, mas não soa uma cópia forçada de alguma delas. O álbum é bem coeso e traz faixas bem estruturadas e poderosas. Logo na abertura do álbum com Cursing the One, o Monolord distribui riffs e mais riffs através de um instrumental arrastado e bem sombrio, com grande destaque para o vocal cheio de distorção, que cria uma sensação de profundidade bem interessante. A estética apresentada na faixa de abertura predomina no decorrer do álbum, com destaque para as faixas Nuclear Death e a faixa título. A única exceção do álbum, se dá pela faixa Cosmic Silence, que segue uma proposta e clima similares às das faixas Solitude e Planet Caravan, ambas do Black Sabbath.

Vænir reforça o potencial do Monolord nesse curto período de tempo, mostrando que a banda tem condições de manter um nível de qualidade  e fazer uma sonoridade familiar e bem agradável. Lançado pela Riding Easy Records, Vænir não pode ficar de fora das playlists dos apreciadores do Stoner/Doom atual.




Tracklist:

1. Cursing the One
2. We Will Burn
3. Nuclear Death
4. Died a Million Times
5. The Cosmic Silence
6. Vænir

Ouça em: Spotify

 
segunda-feira, 11 de maio de 2015
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Raketkanon - Rktkn#2

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Gênero: Experimental / Sludge / Post-Hardcore
País: Bélgica
Ano: 2015

Comentário: O Raketkanon é uma daquelas bandas que você provavelmente nunca ouviu falar e dificilmente a conheceria em circunstâncias normais, não há muito sobre a banda circulando pela internet nos principais sites que divulgam lançamentos. O quarteto belga produz uma sonoridade pouco convencional e de difícil assimilação, fugindo de muitos aspectos que poderiam agradar um público maior.

Mas apesar de todas as adversidades relacionadas à banda e sua sonoridade, resolvi conferir RKTKN#2, o segundo álbum de estúdio da banda lançado no dia 6 de Março pela KKK Records. O álbum se inicia com o single Florent, uma faixa conduzida por um ritmo bem agradável e uma sonoridade bem cativante. O timbre da guitarra é bem suave, ao contrário do vocal que se lança aos berros ao decorrer dos 3 minutos da faixa. Já na faixa seguinte Niko Van Der Eeken, a bateria simples e lenta se une ao bom incremento de synths no início da faixa. Em sua evolução, o instrumental se torna mais amplo, utilizando riffs mais pesados do que os apresentados na faixa anterior.

Após as duas primeiras faixas do álbum, fica bem clara a ideia do Raketkanon no que se diz respeito à fazer música. A banda não segue uma estética bem definida, as faixas sofrem diversas variações de ritmos, que se alternam entre aqueles mais cativantes e outros mais cadenciados. E é numa dessas faixas mais cadenciadas que a banda conseguiu fazer uma faixa mais bem estruturada que a maioria das outras. Mathilde é uma faixa calma e bem conduzida através de leveza instrumental e o tom ameno do vocal. O desenvolvimento da faixa traz um instrumental mais agitado, com uma guitarra introduzindo riffs mais marcantes e o vocal num tom de agonia. A épica Hanz talvez seja o maior destaque do álbum. A faixa traz um clima sombrio e psicodélico, conduzido por um instrumental mais arrastado e com o vocal se dispersando em meio ao instrumental, levando o ouvinte ao climax máximo da música feita pelo Raketkanon.

RKTKN#2 não é um álbum que vai agradar à muitos, a maneira como o Raketkanon desenvolveu as faixas é peculiar, trazendo ritmos aleatórios e timbres de guitarra simples. porém, cativantes. Acredito que aqueles que gostam de se aventurar em sonoridades e bandas mais experimentais, encontrarão na música feita pelo Raketkanon algo de interessante ao longo dos 40 minutos do álbum.



Tracklist:

01. Florent
02. Nico Van Der Eeken
03. Suzanne
04. Mathilde
05. Elisa
06. Ibrahim
07. Harald
08. Hanz

Ouça em: Spotify 


quarta-feira, 29 de abril de 2015
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Engenheiros do Hawaii: a fase clássica e o seu legado

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Com carreira iniciada há 30 anos os gaúchos dos Engenheiros do Hawaii são um dos maiores patrimônios do rock brasileiro safra anos 80.

Desde o seu primeiro disco, Longe demais das capitais (1986), o power trio formado por Humberto Gessinger, Augusto Licks e Carlos Maltz  construiu um sólido repertório que até hoje segue na predileção do extenso séquito de fãs de ontem e de hoje.

De maneira geral, o grande trunfo da banda reside na persona de Gessinger que constrói letras simples, com grande apelo político ou de caráter pessoal, que ao serem casadas a melodias pegajosas, calcadas nas escolas do pop, rock e da MPB, geram identificação e aproximação por parte do público.
 
Em sua formação clássica o grupo produziu seis discos de estúdio. Além do já citado Longe demais das capitais, na sequência vieram A revolta dos Dândis (1987), Ouça o que eu digo: não ouça ninguém (1988), O papa é pop (1990), Várias Variáveis (1991) e Gessinger, Licks & Maltz (1992), discos que conquistaram poucos adeptos por parte da crítica, mas uma grande parcela de ouvintes.

Após seis anos de produção e turnês ininterruptas a banda terminou de forma abrupta devido a conflitos internos. Resolvida à pendência, Gessinger seguiria três anos mais tarde com uma nova formação, mas que não repetiria o brilho e o sucesso de outrora.

Anos mais tarde, o legado deixado pelos Engenheiros do Hawaii, principalmente desta fase, ganharia um tributo à altura. Idealizado pelo produtor Anderson Fonseca, o álbum intitulado Espelho Retrovisor traz bandas da nova geração revisitando grandes clássicos do trio.

Desta feita, analisar a trajetória do saudoso grupo gaúcho fase clássica se faz necessária.


 
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