sexta-feira, 22 de maio de 2015
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Caïna - Setter of Unseen Snares

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Gênero: Post-Black Metal
País: Inglaterra
Ano: 2015

Comentário: Caïna é uma one man band formada pelo multi instrumentista  Andrew Curtis-Brignelli. Com 10 anos de carreira e uma vasta quantidade de material lançado, o Caïna possui um sonoridade que inicialmente era exclusiva do Raw Black Metal, mas que se modificou com o passar dos anos e adotou novas características de diferentes influências.

Setter of Unseen Snares é o sexto álbum de estúdio da banda, que tem o costume de apresentar material novo com certa frequência. Em bandas com essa característica, a maior dúvida é se ela é capaz de manter um certo nível de qualidade de um trabalho para o outro e não ficar em uma oscilação contínua. Mas a análise da extensa discografia do Caïna fica para uma próxima oportunidade, por hora irei me contentar em falar sobre o bom Setter of Unseen Snares.

Assim que dou play na primeira faixa do álbum, me deparo com uma grande surpresa, a banda teve a ótima ideia de inserir um sample do detetive Rust Cohle, personagem de True Detective (recomendo a série caso ainda não conheça). Citarei o comentário na íntegra para que a ideia contida nele seja interpretada perfeitamente:

"Acho que a consciência humana foi um erro trágico na evolução. Nos tornamos muito autoconscientes. A natureza criou um aspecto seu separado de si. Não deveríamos existir pela lei natural. Somos coisas que operam sob a ilusão de ter um eu-próprio , essa acreção de experiência sensorial, e fomos programados para pensar que somos alguém quando, na verdade, todos são ninguém. A coisa mais honrável para nossa espécie é negar nossa programação. Parar de se reproduzir. Caminhar de mãos dadas até a extinção, uma última meia-noite, irmãos e irmãs deixando tudo para trás."

A ideia do fim da raça humana expressa no comentário de Rust, se encaixa no conceito adotado pelo Caïna, que construiu um álbum conceitual contando os últimos dias da humanidade antes de sua extinção. A diferença entre as ideias, é que a ideia da extinção da humanidade no álbum do Caïna, ocorre através da colisão de um meteoro com a terra. De qualquer forma, adorei a banda ter utilizado esse sample, interessante no mínimo.

A história triste e apocalíptica, ganha vida com o instrumental sombrio feito pelo Caïna. A banda não mediu esforços para criar um clima propício à situação apresentada no álbum. Os vocais expressam uma profunda agonia e desespero, trazendo uma variação entre vocal harsh e limpo. ambos eficientes e sob medida. O instrumental não segue um ritmo padrão ao decorrer das faixas, as alternações ocorrem de maneira bem encaixada, trazendo passagens mais rápidas e pesadas totalmente sufocantes, e passagens mais cadenciadas, introspectivas e soturnas. 

O álbum contém 5 faixas e pouco mais de 32 minutos de duração, o que é a minha única reclamação em relação à ele. O destaque do álbum é a faixa Orphan, um petardo de 15 minutos em que o Caïna utiliza um vasto repertório, passando de momentos turbulentos para outros de pura melancolia.

Setter of  Unseen Snares foi lançado em 20 de Janeiro, pela Broken Limbs Recordings e é uma das gratas surpresas que tive em 2015 até o momento. O álbum tem um produção agradável e possui um instrumental pesado e sombrio, capaz de criar uma atmosfera bem envolvente ao decorrer das 5 faixas.




Tracklist:

01. Introduction
02. I Am the Flail of the Lord
03. Setter of Unseen Snares
04. Vowbound
05. Applicant/Supplicant
06. Orphan

Ouça em: Bandcamp


sábado, 16 de maio de 2015
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Monolord - Vænir

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Gênero: Stoner / Doom Metal
País: Suécia
Ano: 2015

Comentário: O Monolord é uma daquelas bandas que surgem de repente entre os lançamentos que você resolve conferir e acabam te surpreendendo. O trio sueco lançou no ano passado Empress Rising, seu álbum de estréia que trazia uma sonoridade bem familiar e bem tocada, definitivamente um daqueles álbuns que são prazerosos de se ouvir.

Era de se imaginar que a banda ficasse um período se dedicando exclusivamente à turnê de divulgação do álbum, promovendo o nome da banda e alcançando mais ouvintes para sua música. Mas felizmente não foi isso o que aconteceu, logo no ano seguinte de sua estréia, o trio sueco lançou no último dia 28 seu segundo álbum de estúdio, Vænir.

Vænir carrega uma sonoridade similar à do seu antecessor Empress Rising, mas já mostrando uma certa evolução em diversos sentidos. As composições do álbum são mais fortes e marcantes, conseguem criar um certo impacto no ouvinte logo na primeira vez que se escuta o álbum. A banda continua trabalhando bem entre as utilizações do Doom e Stoner em sua sonoridade, além de trazer um ótimo tom de psicodelismo ao decorrer do álbum.

Os riffs estão num peso ideal e agradável, as distorções no vocal combinaram muito bem com o clima criado pelo instrumental, o baixo está mais nítido e grave em Vænir, além da bateria precisa e potente mantendo o nível. A produção do álbum está melhor do que em Empress Rising, fazendo que a jornada sonora através das 6 faixas que compõem o álbum seja bem satisfatória.

O Monolord carrega traços de nomes mais conhecidos do estilo, mas não soa uma cópia forçada de alguma delas. O álbum é bem coeso e traz faixas bem estruturadas e poderosas. Logo na abertura do álbum com Cursing the One, o Monolord distribui riffs e mais riffs através de um instrumental arrastado e bem sombrio, com grande destaque para o vocal cheio de distorção, que cria uma sensação de profundidade bem interessante. A estética apresentada na faixa de abertura predomina no decorrer do álbum, com destaque para as faixas Nuclear Death e a faixa título. A única exceção do álbum, se dá pela faixa Cosmic Silence, que segue uma proposta e clima similares às das faixas Solitude e Planet Caravan, ambas do Black Sabbath.

Vænir reforça o potencial do Monolord nesse curto período de tempo, mostrando que a banda tem condições de manter um nível de qualidade  e fazer uma sonoridade familiar e bem agradável. Lançado pela Riding Easy Records, Vænir não pode ficar de fora das playlists dos apreciadores do Stoner/Doom atual.




Tracklist:

1. Cursing the One
2. We Will Burn
3. Nuclear Death
4. Died a Million Times
5. The Cosmic Silence
6. Vænir

Ouça em: Spotify

 
segunda-feira, 11 de maio de 2015
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Raketkanon - Rktkn#2

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Gênero: Experimental / Sludge / Post-Hardcore
País: Bélgica
Ano: 2015

Comentário: O Raketkanon é uma daquelas bandas que você provavelmente nunca ouviu falar e dificilmente a conheceria em circunstâncias normais, não há muito sobre a banda circulando pela internet nos principais sites que divulgam lançamentos. O quarteto belga produz uma sonoridade pouco convencional e de difícil assimilação, fugindo de muitos aspectos que poderiam agradar um público maior.

Mas apesar de todas as adversidades relacionadas à banda e sua sonoridade, resolvi conferir RKTKN#2, o segundo álbum de estúdio da banda lançado no dia 6 de Março pela KKK Records. O álbum se inicia com o single Florent, uma faixa conduzida por um ritmo bem agradável e uma sonoridade bem cativante. O timbre da guitarra é bem suave, ao contrário do vocal que se lança aos berros ao decorrer dos 3 minutos da faixa. Já na faixa seguinte Niko Van Der Eeken, a bateria simples e lenta se une ao bom incremento de synths no início da faixa. Em sua evolução, o instrumental se torna mais amplo, utilizando riffs mais pesados do que os apresentados na faixa anterior.

Após as duas primeiras faixas do álbum, fica bem clara a ideia do Raketkanon no que se diz respeito à fazer música. A banda não segue uma estética bem definida, as faixas sofrem diversas variações de ritmos, que se alternam entre aqueles mais cativantes e outros mais cadenciados. E é numa dessas faixas mais cadenciadas que a banda conseguiu fazer uma faixa mais bem estruturada que a maioria das outras. Mathilde é uma faixa calma e bem conduzida através de leveza instrumental e o tom ameno do vocal. O desenvolvimento da faixa traz um instrumental mais agitado, com uma guitarra introduzindo riffs mais marcantes e o vocal num tom de agonia. A épica Hanz talvez seja o maior destaque do álbum. A faixa traz um clima sombrio e psicodélico, conduzido por um instrumental mais arrastado e com o vocal se dispersando em meio ao instrumental, levando o ouvinte ao climax máximo da música feita pelo Raketkanon.

RKTKN#2 não é um álbum que vai agradar à muitos, a maneira como o Raketkanon desenvolveu as faixas é peculiar, trazendo ritmos aleatórios e timbres de guitarra simples. porém, cativantes. Acredito que aqueles que gostam de se aventurar em sonoridades e bandas mais experimentais, encontrarão na música feita pelo Raketkanon algo de interessante ao longo dos 40 minutos do álbum.



Tracklist:

01. Florent
02. Nico Van Der Eeken
03. Suzanne
04. Mathilde
05. Elisa
06. Ibrahim
07. Harald
08. Hanz

Ouça em: Spotify 


quarta-feira, 29 de abril de 2015
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Engenheiros do Hawaii: a fase clássica e o seu legado

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Com carreira iniciada há 30 anos os gaúchos dos Engenheiros do Hawaii são um dos maiores patrimônios do rock brasileiro safra anos 80.

Desde o seu primeiro disco, Longe demais das capitais (1986), o power trio formado por Humberto Gessinger, Augusto Licks e Carlos Maltz  construiu um sólido repertório que até hoje segue na predileção do extenso séquito de fãs de ontem e de hoje.

De maneira geral, o grande trunfo da banda reside na persona de Gessinger que constrói letras simples, com grande apelo político ou de caráter pessoal, que ao serem casadas a melodias pegajosas, calcadas nas escolas do pop, rock e da MPB, geram identificação e aproximação por parte do público.
 
Em sua formação clássica o grupo produziu seis discos de estúdio. Além do já citado Longe demais das capitais, na sequência vieram A revolta dos Dândis (1987), Ouça o que eu digo: não ouça ninguém (1988), O papa é pop (1990), Várias Variáveis (1991) e Gessinger, Licks & Maltz (1992), discos que conquistaram poucos adeptos por parte da crítica, mas uma grande parcela de ouvintes.

Após seis anos de produção e turnês ininterruptas a banda terminou de forma abrupta devido a conflitos internos. Resolvida à pendência, Gessinger seguiria três anos mais tarde com uma nova formação, mas que não repetiria o brilho e o sucesso de outrora.

Anos mais tarde, o legado deixado pelos Engenheiros do Hawaii, principalmente desta fase, ganharia um tributo à altura. Idealizado pelo produtor Anderson Fonseca, o álbum intitulado Espelho Retrovisor traz bandas da nova geração revisitando grandes clássicos do trio.

Desta feita, analisar a trajetória do saudoso grupo gaúcho fase clássica se faz necessária.


quinta-feira, 9 de abril de 2015
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Os mutantes - Os mutantes

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Gênero: Psicodélico, experimental
País: Brasil
Ano: 1968

Comentário:
Os mutantes é, sem duvida, não só um dos discos mais importantes do tropicalismo, como também é um dos melhores. Ele traduz de uma forma espetacular o que o tropicalismo representou na  musica. Toda a influencia que esse movimento estava recebendo, as novidades que o Brasil estava ganhando, e que alguns repudiavam, o experimentalismo, a critica a sociedade, tudo isso está nele.

O disco se inicia com a musica “Panis Et Circenses”, e começa com uma letra que faz critica as pessoas “caretas” e acomodadas que estão tão ocupadas em morrer. “A Minha Menina” é uma das musicas que eu mais gosto nesse disco, o modo como ela começa, com aqueles acordes de violão, e depois um riff sujo e distorcido de guitarra que serve como antítese aos  acordes que abriram a música, tudo isso sendo acompanhados por uma incrível percussão. E, pode ser só comigo, mas essa musica tem uma sonoridade envolvente por causa desse ritmo e dessa letra.

“Adeus Maria Fulo” puxa mais para o experimentalismo, quanto “Senhor F” apresenta um alivio cômico no disco por causa de sua letra, além de possuir uma sonoridade bem semelhante aos Beatles.

A parte mais psicodélica fica a cargo de “Batmacumba”, que vem caracterizada com sons distorcidos e uma percussão animada lembrando um ritmo de capoeira.

Não tem como dizer não para esse disco, além de ser importante para o Brasil, é uma aula pra quem reclama da musica brasileira.

Tracklist:
1 Panis Et Circenses
2. A Minha Menina
3. O Relógio
4. Adeus Maria Fulo
5. Baby
6. Senhor F
7. Bat Macumba
8. Le Premier Bonheur Du Jour
9. Trem Fantasma
10. Tempo No Tempo

Ouças em: Spotify
quarta-feira, 8 de abril de 2015
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Porco na cena #52 - Lollapalooza Brasil 2015

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Em 2015 Lollapalooza chegou a sua quarta edição no Brasil e segunda no Autódromo de Interlagos. O line up desta vez foi o mais diversificado, pois apostou em DJs (Calvin Harris e Skrillex) que foram içados ao hall de co-headliners, um artista pop de peso (Pharrel Willians), bandas consagradas (Smashing Pumpkins), artistas renomados (Robert Plant), um astro do rock em seu melhor momento (Jack White) e muitas bandas indies brasileiras (Boogarins, O terno, Far From Alaska, Baleia) que ganharam no Lolla uma boa oportunidade de exibição. 

Mas como um bom festival não é feito só de música, mais uma vez, a organização errou em diversos quesitos. À começar pelo preço exorbitante de tudo relacionado à alimentação internamente. Uma água por exemplo saia à 2 mangos (R$ 5,00) e uma cerveja cerveja à 4 mangos (R$10,00). Para entender melhor o funcionamento o festival adotou uma moeda interna que custava R$ 2,50 correspondente a cada mango.  Tal iniciativa pode até ter sido uma ideia engenhosa, mas que de fato foi uma tentativa de tentar mascarar os preços abusivos. 

Como se não bastasse logo no primeiro dia do evento o sistema das máquinas de cartão de credito saiu do ar, fazendo com que várias pessoas tivessem que esperar um bom tempo para comprar suas moedas de troca. Já no segundo a cerveja chegou à acabar em alguns bares por volta das 20:00. 

A distribuição da grade de horários de apresentação também carecia de um melhor arranjo, pois ótimas apresentações de bandas como Interpol, Molotov e Kasabian acabaram sendo curtas, em horários ruins ou com pouco público. Já bandas medíocres como Alt-J, Young The Giant e The Kooks obtinham melhores horários e shows com duração de mesmo quilate.    

Positivamente, a ala de serviços foi aumentada tanto no Chef Stage quanto aos vários Food trucks instalados próximos ao palco Skol que ofereciam uma diversidade considerável de comida, mesmo que também à preços salgados. A disposição dos palcos e banheiros seguiu quase a mesma logística da edição anterior com exceção do palco Ônix cuja distância fora encurtada.

No total 136 mil pessoas circularam durante os dois dias evento. O Ignes Elevanium esteve lá representado a classe dos entusiastas por shows que preferem ir ao campo de batalha ao invés de ficar sentado assistindo pela TV e conta como foram algumas das apresentações.

terça-feira, 7 de abril de 2015
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Leviathan - Scar Sighted

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Gênero: Ambient Black Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: Não é difícil compreender o motivo do Leviathan desfrutar de uma grande popularidade, a extensa discografia da banda conta com vários trabalhos de qualidade e que se sobressaem em relação à vários nomes do estilo. Apesar disso, a imagem deixada pelo Leviathan no até então último álbum de estúdio True Traitor, True Whore, não fazia jus ao que a banda já havia apresentado anteriormente, por mais que o álbum contasse com bons momentos ao longo de suas 8 faixas.

Cerca de 4 anos se passaram desde então, marcados pela ausência de lançamentos da banda que costumava a lançar algo com certa frequência. Nesse período a banda apenas participou de um split com o Krieg, contribuindo com uma faixa. Wrest nesse período participou do último álbum do Twilight, lançado ano passado.

Em 2015 finalmente Wrest retorna com as atividades do Leviathan, Scar Sighted foi lançado pelo ótimo selo da Profunde Lore Records no último dia 3 de março. Wrest oferece aos ouvintes uma viagem dentro de sua forma paranoica, perturbadora e insana de se fazer música, apresentando uma qualidade e inspiração que faltaram nos últimos mateiras lançados pelo Leviathan.

A primeira coisa em Scar Sighted que me chamou a atenção, foi a produção impecável que o álbum possui. Billy Anderson, que já produziu álbuns de bandas como Acid King, Agalloch, Neurosis e High on Fire, colocou todo seu talento à disposição do Leviathan.

Outra coisa que me chamou a atenção em Scar Sighted, foi o vasto repertório apresentado. Nada que chega se soar isolado ou perdido dentro do álbum, Wrest sabe como pegar as suas ideias vindas das mais diversas fontes de influências e encaixar tudo de forma precisa. Talvez isso seja algo que faltou no lançamento anterior feito pela banda. Além daquele Black Metal caótico e agressivo que serve de base para o som da banda, Wrest foi capaz de introduzir uma camada Ambient bem densa, além de flertar com elementos do Death e Doom Metal ao decorrer do álbum.

Aquela atmosfera sombria e sufocante característica dos melhores trabalhos da banda está de volta e em grande forma. Dawn Vibration é o primeira grande momento do álbum na minha opinião, uma faixa direta e agressiva que dispõe de uma série de ótimos riffs, com Wrest utilizando diversos tipos de vocalização, algo marcante na música da banda. Wicked Fields of Calm apresenta uma atmosfera sombria, gélida e perturbadora, com um instrumental repleto de guitarras estridentes num timbre que se sobressei ao instrumental. Tudo na faixa brilha de alguma forma, desde a percussão mais administrada aos teclados bem inseridos ao longo do refrão. A faixa título é na minha opinião, a melhor faixa do álbum. Ao longo de 10 minutos, Wrest consegue transmitir toda a sensação de dor, fúria e caos que a ideia central do álbum propõe. A estrutura da faixa me lembra algo de uma das melhores épocas do Xasthur, A depressão contínua propostq pela banda nesta faixa, não desaparece nem na parte final onde o instrumental retorna aos moldes de agressividade e intensidade apresentados ao decorrer do álbum.

Scar Sighted foi bem além das minhas expectativas, por mais que eu esperasse por um Leviathan retornando com um trabalho de qualidade, não imaginei que Wrest conseguiria revigorar e revitalizar a banda dessa maneira. O álbum tem tudo para figurar entre os melhores álbuns de 2015.



Tracklist:

01. –
02. The Smoke Of Their Torment
03. Dawn Vibration
04. Gardens Of Corprolite
05. Wicked Fields Of Calm
06. Within Thrall
07. A Veil Is Lifted
08. Scar Sighted
09. All Tongues Toward
10. Aphōnos

Ouça em: Spotify


quarta-feira, 1 de abril de 2015
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Porco na cena #51 - St. Vicent / Robert Plant em BH

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Realizado em solo brasileiro desde 2012, o festival Lollapaloza tem como principal fator trazer em seu line up uma gama de artistas dos mais variados gêneros. Paralelas as gigantescas edições do evento que ocorrem em São Paulo no mês de março, a cidade do Rio de Janeiro era até então a única a receber parte das grandes apresentações. 

Porém, com a mudança no mercado de shows outras praças se tornaram parte da rota de shows internacionais. Desta feita, as tradicionais Lolla parties (agora Lollapalooza edition), chegaram à cidades como Brasília e Belo Horizonte.

Entre os dias 25 a 27 deste mês a capital mineira recebeu no Chevrolet Hall apresentações de Bastille, Foster The People, Skrillex, Major Lazer, Dillon Francis, St. Vicent e Robert Plant. As duas últimas ocorreram na última quinta-feira e foram históricas. O Ignes Elevanium esteve lá e conta como foi.

quarta-feira, 25 de março de 2015
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Imperial Triumphant - Abyssal Gods

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Gênero: Experimental / Black / Death Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2015

Comentário: O Imperial Triumphant é uma banda americana relativamente nova e ainda sem muita expressão no cenário. Apesar de ainda não ter alcançado uma popularidade mais expressiva, a banda surpreende em seu segundo álbum de estúdio intitulado Abyssal Gods.

Assim como já estamos acostumados, a banda é mais uma daquelas que possui um grande leque de inspirações e influências, tentando moldar uma sonoridade diferenciada dos padrões convencionais. Em Abyssal Gods, afirmaria que a banda caminha a passos largos para isso.

Utilizando uma boa mescla entre Black Metal e um Death Metal cavernoso (e técnico em diversos momentos), a banda criou dentro das suas experimentações com tais estilos, um álbum bastante pesado, sombrio e atordoante. A sonoridade da banda é repleta de riffs que não seguem obrigatoriamente um padrão ou lógica em algumas partes, além outros mais desenvolvidos e bem inseridos, alternando entre timbres mais estridentes e dissonantes. A bateria é impactante e veloz na maior parte do álbum, exceto nos momentos em que a banda impõem um ritmo mais arrastado ou numa levada mais estática e sombria. O baixo é notável em alguns momentos no meio do caos sonoro feito pela banda, e apresenta momentos bem técnicos e hábeis. O vocal é bem distribuído pelas faixas, apresentando características parecidas de bandas como Deathspell Omega e Ævangelist (principalmente no último álbum).

No geral, Abyssal Gods pode ser considerado um álbum confuso e até difícil de ser ouvido por aqueles que não estão acostumados com o estilo ou que não gostam de sonoridades que fujam do convencional. Apesar disso o álbum tem suas qualidades e uma boa produção, sendo quase um must listen para fãs do gênero. De destaque temos a faixa de abertura From Palaces of the Hive, que alterna entre intensidade e peso, para uma levada mais calma que se inicia com um dos melhores timbres de guitarra que ouvi em 2015. Krokodil é outro destaque por ser a faixa mais longa e onde o experimentalismo da banda é melhor explorado, conduzindo o ouvinte à 8 minutos de pura insanidade e caos.

O álbum foi lançado no dia 10 de Março pelo selo da Aural Music / Code 666.





Tracklist:

01 - From Palaces of the Hive
02 - Abyssal Gods
03 - Dead Heaven
04 - Celestial War Rape
05 - Opposing Holiness
06 - Krokodil
07 - Twins
08 - Vatican Lust
09 - Black Psychedelia
10 - Metropolis


Ouça: Spotify


segunda-feira, 23 de março de 2015
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Drops de bacon #13 - Cinco discos nacionais lançados em 2015

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Após longo hiato a seção drops de bacon está de volta! 

Destacamos neste retorno cinco discos nacionais da ala indepedente. Todos altamente recomendáveis e que foram lançados em 2015. 

“Curvas, Lados, Linhas Tortas, Sujas e Discretas”, Leonardo Marques (La Femme qui Roule)

Em sua segunda incursão solo, o mineiro Leonardo Marques (da banda Transmissor) segue apostando no formato indie folk. Salva a participação de Pedro Hamdam (baterista), “Curvas, Lados, Linhas Tortas, Sujas e Discretas” foi gravado de maneira solitária, em estúdio próprio (o Ilha do corvo), com Marques executando todos os instrumentos (piano, violão, banjo, guitarra, baixo, mellotron, optigan, chamberlin, casiotone, tonebank, guitarra barítona e percussão). Tal como em seu belo disco de estreia, “Dia e Noite No Mesmo Céu”, o multi-instrumentista segue apostando na continuidade natural de seu trabalho onde delicadas melodias servem como apoio adequado a sua frágil voz e a versos em ode a tristeza. Destacam-se neste novo trabalho, composto por nove faixas, a recriação intimista para “Um girassol da cor de seu cabelo”, do Clube da esquina (grupo já homenageado por sua banda oficial), a abertura com “Se o chão dá um nó”, a faixa título (composição coletiva com os comparsas do Transmissor), a levemente acelerada e cadenciada "Meus pés no chão" mais a singela "Brilhant blue", única faixa em inglês. Indicado para fãs do finado Elliot Smith. 

Ouça aqui

“Yours truly”, Invisível (La Femme qui Roule)


Segundo lançamento do selo belga-brasileiro neste ano, “Yours truly” é o disco de estreia dos belo-horizontinos do Invisível. Com apenas quatro meses de existência, o trio formado por André Travassos, do Câmera, Bernardo Zanetti e Lucca Noacco já debuta em disco cuja aposta musical vai de encontro folk americano tradicional, como sonoridade híbrida entre a velha guarda (Bob Dylan, Neil Young) e a contemporânea (Fleet Foxes, Bon Iver). Produzido de maneira minimalista por Leonardo Marques e a própria banda, o álbum é conduzido essencialmente por violões e banjos, fator este que garante o caráter de unidade sonora ao álbum. O estado de paz espiritual e a leveza são a chave para embalar canções sobre amizades sinceras (na curta "Friendly fire") e amores correspondidos ("Your love is a long road"). Os arranjos minuciosos também são destaque como em "Quiet unquietness" e "The Lightness Of Being", canções entrecortadas por belos arranjos ao trompete, a gaita presente na já citada "Friendly fire" e as harmonias vocais que permeiam todo o álbum. "Yours truly" representa um novo frescor sonoro na seara nacional em contraponto a tantas brasilidades por aí (sem nenhum demérito aqui).     

Ouça aqui.

"Carnaval dos bichos", Madame Rrose Sélavy (independente)


Chegando ao seu oitavo álbum de estúdio, o sexteto Madame Rrose Sélavy (nome em homenagem ao alter-ego do artista Marcel Duchamp) segue a sua sina de unir concepções distintas indo da bossa-nova a crueza do punk, perpassando pela música eletrônica com pitadas de jazz. Liderado pela dupla Rodrigo Lacerda Jr. e Tuca Lima, responsável por todas as composições, "Carnaval dos bichos" mais do que uma alusão abrasileirada a clássica obra literária de George Orwell, representa em verso e prosa a estética do faça você mesmo. Gravado de modo artesanal pela própria banda e lançado de forma independente no inicio do ano, a obra é dominada por melodias simples, vocais em dueto (conduzidos por Lacerda e Ana Moravi) e canções curtas (todas na casa dos três minutos) que servem de pano de fundo para letras em referência direta a  poesia marginal e a vanguarda paulista. A desconcertante "Frio na espinha", a irônica "Merda pela grama" e a pegajosa "Amor de plástico" são exemplos desta seara. O single "Atriz na high society", a balada "Ela foi pra Marte" e a acelerada "Coberta com açúcar" também se destacam neste ousado disco que traça um olhar divertido e multifacetado da contemporaneidade.  

Ouça aqui.

"Trovões a me atingir", Jair Naves (independente)



Cada vez mais distante dos tempos verborrágicos de liderança do grupo Ludovic, Jair Naves vai de encontro a serenidade em Trovôes a me atingir. Composto por nove faixas, o segundo e curto álbum solo prima pela linearidade musical. Por mais que suas letras ainda permanceçam em sua zona de conforto (em sua maioria em ode a tristeza quotidiana), o caráter solar sonoro predomina. As pungentes "Resvala" e "Em concreto"; a cadenciada "Incêndios", o dueto com Barbara Eugênia em "B." dueto com Barbara Eugênia mais a bucólica e a esperançosa "Prece atendida" são alguns exemplos deste novo direcionamento. De maneira tocante, Naves segue (tal como na sua estreia solo voce se sente numa cela escura planejando a sua fuga cavando o chao com as proprias unhas) utilizando a sua potente voz para falar sobre as agruras da vida de coração aberto. Um dos discos do ano desde já.

Ouça e baixe aqui.            

"Um chopp e um sundae", Rafael Castro (independente)



Em seu 11º disco Rafel Castro segue entretendo o público, num álbum que prima pela mistura de bases eletrônicas, guitarras sacanas e letras dominadas pelo humor. No disco Um chopp e um sundae Castro divide o repertório entre desconstuções magníficas de hits de outrem ("Aquela" do Raimundo, e "Víbora" da Tulipa Ruiz) e canções autorais. Nesta ala a abertura com "Ciúme" (cuja melodia é puro "Kids" do MGMT), a elétrica "Caetano Veloso" (canção como cara de hino pró-cena independente musical) e a dançante "Bicho Solto" se destacam. Despretensioso e direto, Rafael cria ao longo de 40 minutos um disco divertido, pop e sem restrições.

Baixe aqui.          

Os textos sobre os três primeiros discos (Leonardo Marques. Invisível e Madame Rrose Sélavy) foram publicados originalmente no Scream & Yell.
 
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