sexta-feira, 26 de agosto de 2016
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Overload Music Fest 2016

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Pelo terceiro ano seguido a produtora Overload realiza em São Paulo o Overload Music Fest, que mais uma vez em seu lineup conta com bandas que sempre estiveram presente pelo Pignes ao longo dos anos. Tanto por conta do gosto das inúmeras pessoas que aqui postaram, como também por parte de vocês leitores.

Aproveitando a deixa, acessem as discografias das bandas que irão tocar no fest para já ir se aquecendo.







Para maiores informações sobre o festival, acessem o site oficial
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
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As Bahias e a Cozinha Mineira - Mulher

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Gênero: MPB / Rock / Blues
País: Brasil
Ano: 2015

Comentário: Tirando a poeira do teclado, aqui estou, depois da metade desse conturbado ano de 2016, me colocando novamente a serviço desse blog que eu não consigo deixar de amar. Bem, então vamos lá, pra não perdermos o fio da meada e etc. As Bahias e a Cozinha Mineira veio até mim pela indicação de um amigo, aliás, Gilson, muito obrigado.

Mulher, primeiro registro do grupo carrega uma infinidade de referências que eu amo: passa pela catarse que é o Johnny Hooker, a força de Gal Costa, o encanto que é a Amy, a musicalidade regional nordestina, tropicália, brasilidade e afins, Assucena Assucena e Raquel Virgínia conseguem com seus vocais transmitirem tamanha visceralidade e entrega que me fizeram tirar a bunda da cadeira e vir escrever um pouco desse álbum aqui, mesmo que eu esteja enferrujado para isso.

A sonoridade da banda tem muito dos ritmos musicais nordestinos, destaque para Esperança no Cafundó um xote lindo demais, bem ritmado, que dá vontade de sair dançando por ai -  que ainda conta com uma sanfona e um vocal bem tristonhos lá do meio pro fim, caindo para um ritmo bem balançado, que nasce de ótimas cordas e se encaminham prum final bem melódico e que se une a uma guitarra um tanto experimental da faixa seguinte, Lavadeira Água, que apresenta uma percussão advinda do maracatu, aliás, configurando numa ótima passagem do álbum, vale ressaltar.

A música que abre o álbum Apologia ás Virgens Mães é uma das músicas mais belas que ouvi esse ano, seja em ritmo ou poesia. Não consigo descrever em palavras o que essa música me causa, mas ela me entorpece de uma maneira, acalenta, acalma, mas também revolta, inquieta: arrisco-me a dizer que foi a melhor escolha da banda em iniciar o álbum com ela: é forte, mostra variedade musical, uma letra bem construída, apresenta lindas referências e o melhor, já encanta a primeira ouvida, pelo menos para mim funcionou.

Sendo nós, do país que mais mata travestis e transexuais, Mulher se coloca como local de destaque no enfrentamento desse número horrível, já que a banda conta duas mulheres trans nos vocais, o álbum se faz resistência poética diante do mundo em que vivemos. Tendo em suas letras um forte teor político e feminista em suas composições, revelando nas camadas de seus textos as chagas de ser mulher hoje no Brasil. O álbum vai do carnaval ao político sem nunca perder o tom, sem nunca perder sua estética.

Destaco ainda no álbum a melódica Uma Canção Para Você - Jaqueta Amarela, a dolorida Melancolia (o início instrumental da música é, puta merda, uma das coisas mais lindas e doloridas do álbum), a experimental e já citada Lavadeira Água e a essencial Apologia ás Virgens Mães.



Tracklist:
01.Apologia às Virgens Mães
02.Josefa Maria
03.Lata d'água na cabeça
04.Esperança no Cafundó
05.Lavadeira Água
06.Ó Lua
07.Comida Forte
08.Foi
09.Uma canção pra você
10.Melancolia
11.Mãe Menininha do Gantois
12.Fumaça
13.Reticências

Ouça: Spotify

domingo, 17 de julho de 2016
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Seedna - Forlorn

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Gênero: Atmospheric Black Metal
País: Suécia
Ano: 2016

Comentário: Tornar o Black Metal 'atmosférico' não é necessariamente uma tarefa difícil, dada a natureza fria e lúgubre do gênero, e eu diria até que atualmente a forma mais ortodoxa do gênero é justamente seguindo a receita burzunesca de atmospheric black metal. No entanto, desde o início dos anos 90, o DSBM reinventou de certa forma a vertente atmosférica do gênero com um tom mais suicida, sarcástico e depressivo que o usual. Muitas bandas a partir daí então tentaram arduamente praticar o estilo sem necessariamente ser DSBM mas acabaram sendo, pois beberam demais nessa fonte já enviesada. Lamentavelmente, portanto, hoje em dia não é fácil encontrar bandas legitimamente boas no estilo, e nesse meio, fui feliz de encontrar o Seedna.

Seedna foi formado em 2012 pelos irmãos Emil (na época, bateria) e Erik (baixo) na Suécia e desde então lançaram três registros (sendo um split com o projeto de Harsh Noise sueco Phí), com Forlorn sendo o mais recente e, tecnicamente, o "debut" oficial da banda, já que é o primeiro full-length dos caras lançado por uma gravadora. O visual da banda, propositadamente foca em nos imergir numa atmosfera desconcertante, como podem ver no vídeo a seguir, de um show da banda gravado em Tidalhom, na Suécia, em 2014. Nada totalmente original, é verdade, mas eu particularmente acho fantástica e integralmente essencial a teatralização que um visual assim traz aos shows de bandas nesse estilo.


(As músicas deste show não estão contidas nesse disco, só pra constar).

A sonoridade é um misto claro de Black Metal com influências de Post-Metal, Post-Rock (nas vibes mais lúgubres e etéreas possíveis, nada de melodias) e principalmente Dark Ambient. O Doom Metal aparece aqui e ali por consequência, mas aparentemente não há nenhuma amarra ao estilo que o faça ser centro das atenções em algum momento. O instrumental é excelente em reunir todas essas vibes harmonicamente. As guitarras são densas e pesadas, exatamente como deveria ser no estilo, de forma que nenhum tremelo é ouvido isoladamente, mas apenas como parte de uma orquestra brutalmente fria e nefasta. Abyss, sexta faixa do disco e minha preferida, por exemplo, abre com um riff absurdamente maravilhoso que reúne todas as características que eu poderia elogiar nas guitarras da banda. A bateria cadencia quase o tempo inteiro, mas quando precisa ser mais violenta, o é de forma bem precisa e as variações de ritmo são excelentes e respondem maravilhosamente bem ao que esperamos ouvir. Trechos mais acústicos, clássicos do estilo, estão presentes o tempo todo e são executados de forma que o peso não se dissolve completamente com eles. Essa característica torna as músicas incrivelmente fluidas e o disco muito bem coeso, ainda que tenha músicas extensas como Wander com seus 22 minutos.

O vocal, no entanto, poderia ser mais flexível. Quase o tempo inteiro em que rolam vocais rasgados agudos eles parecem mal colocados. Os momentos de sussurros e vocais mais graves recaem muito melhor. A saber de bandas como Deathspell Omega, não são vocais rasgados que fazem do Black Metal, Black Metal de verdade, então realmente não me incomodaria se isso mudasse. Mas a interpretação do vocalista Olle é excelente, independentemente disso. Quando é preciso colocar raiva e intensidade, isto é posto de forma crucial. Em momentos mais intimistas, os sussurros e murmúrios recaem como mais um instrumento em meio a toda a atmosfera, também como exatamente deveria ser.

Forlorn é um excelente disco para quem, como eu, estava sedento de Black Metal atmosférico e um pouco carente de bandas no estilo que não caíssem diretamente no DSBM. Apesar da melancolia, o disco traz uma vibe mais obscura e sinistra que necessariamente depressiva. Certamente no entanto não estamos de frente a uma banda original ou completa, há muitos elementos onde o grupo pode evoluir e suas sonoridade ainda nos remete a clássicos do estilo em muitos momentos. Mas a incorporação de elementos do Dark Ambient pelo instrumental é fantástico. Nos últimos tempos poucas vezes, fora os trabalhos de projetos absurdos como o Gnaw Their Tongues, eu senti o peso que essa vibe tem. Então Forlorn sem dúvida passou no crivo.



Tracklist:

1: Hourglass 3:20
2: Wander 22:20
3: Passage 5:13
4: Frozen 8:44
5: Eternal 8:07
6: Abyss 11:29
7: O 2:31


Download:

MEGA, 320 Kbps

Compre: Bandcamp

terça-feira, 5 de julho de 2016
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Niechęć - [self-titled]

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Gênero: Jazz Fusion / Jazz Rock / Avant-Garde
País: Polônia
Ano: 2016

Comentário: Niechęć é um quinteto polonês da cidade de Varsóvia, formada no ano de 2007 mas que só lançou seu álbum debut em 2012. A banda combina o Jazz com diversos gêneros, criando uma sonoridade com muita identidade, além de bela e agradável.

Neste álbum autointitulado, o Niechęć traz como proposta expandir e dar seguimento ao que foi realizado no álbum anterior, se mantendo fiel aos seus padrões e características. O álbum já desperta a atenção com sua capa (que me trouxe à memória o filme "A Fita Branca" do Michael Haneke), a imagem de uma criança em preto e branco, com um olhar frio e fixado num ponto. A sonoridade do álbum segue com aquela mistura de Jazz Fusion, Jazz Rock, Eletrônico, Ambient e Alternativo, fazendo com que não seja limitada à apenas um sentindo ou direção, mas sim seguindo um caminho sempre em expansão. 

O álbum não tem tanto domínio do saxofone quanto o anterior, isso permite que os outros instrumentos ganhem um pouco mais de destaque e liberdade, algo que fica bem nítido ao decorrer do álbum. O instrumental varia entre momentos mais sombrios, calmos e onde a experimentação é maior, Os efeitos eletrônicos usados dão uma sensação de profundidade ao som da banda, além servir muito bem de apoio ao saxofone, como na faixa "Trzeba to zrobić". As duas faixas que mais me agradaram foram "Metanol" e a "Krew, que são as duas em que o conjunto se mostra altamente eficiente e a criatividade da banda é notável. Ambas fazem bom uso dos teclados em seu decorrer e possuem belos solos de saxofone.

Niechęć realizou um álbum que não decepciona aqueles que acompanhavam a banda desde o debut, além de ter uma sonoridade muito interessante para aqueles que gostam de conhecer estilos ou bandas menos convencionais. As músicas tem uma boa carga emocional, o que torna a audição do álbum algo prazeroso e até relaxante. Um ótimo lançamento e que se destaca entre a maioria daqueles que escutei esse ano, sem dúvida um das melhores experiências que a música me proporcionou em 2016.




Tracklist:

01 - Koniec
02 - Rajza
03 - Echotony
04 - Metanol
05 - Krew
06 - Widzenie
07 - Atak
08 - Trzeba to zrobić

Ouça em: Spotify


quarta-feira, 15 de junho de 2016
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Cult of Luna & Julie Christmas - Mariner

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Gênero: Atmospheric Sludge Metal / Post-Metal
País: Suécia / Estados Unidos
Ano: 2016

Comentário: Eu sempre achei interessante álbuns colaborativos e parcerias entre artistas, sendo eles de gêneros musicais parecidos ou reunindo gêneros diferentes, afim combinar ideias parecidas ou criar algo híbrido. Muitas dessas parcerias que aconteceram ao longos dos anos resultaram em algo que me agradou além do esperado, valendo citar Neurosis e Jarboe, o Sunn O))) por duas vezes sendo uma delas com o Boris e a outra com o Ulver, Ufomammut e Lento, e mais recentemente entre o Cult of Luna e a Julie Christmas.

O Cult of Luna é uma das minhas bandas favoritas de Post-Metal, álbuns como Salvation, Somewhere Along the Highway e Vertikal, possuem uma qualidade impressionante e uma sonoridade única, colocando a banda num patamar acima que muitos outros nomes do estilo. Em Mariner, a banda se junta à Julie Christmas, que fez sua carreira nas bandas Battle of Mice e Made Out of Babies, e o resultado não poderia ser melhor.

A abertura do álbum acontece com a faixa A Greater Call, trazendo uma sonoridade bem nos moldes apresentados nos álbuns do Cult of Luna. O início lento e atmosférico cede espaço para um instrumental intenso e pesado, repleto de guitarras dissonantes e synths se destacando, que servem de plano de fundo para os vocais de Persson e Julie. Nesta faixa Julie aparece como um backing vocal para Persson, mas a combinação cria algo agradável e belo. Em Chevron, é onde a parceria começa a demonstrar claramente seu resultado, o instrumental repleto de riffs grandiosos, uma percussão sólida e uma atmosfera densa muito bem reforçada pelo teclados e synths, alavancam a performance de Julie Christmas ao longo da faixa, onde ela demonstra toda sua capacidade e variações de vocal. Sendo pouco acompanhada pelo vocal de Persson, Julie rouba a cena definitivamente, seja gritando ou nos encantando com seu doce vocal, valendo destacar os minutos finais que trazem um clima belo e sereno com a combinação do vocal de Julie e o instrumental bem executado do Cult of Luna. The Wreck of S.S. Needle é a faixa que mais me agradou em Mariner. Novamente a parceria se mostra eficiente, com o Cult of Luna apresentando um instrumental com diversas variações de ritmo e uma pegada que me lembra muito algo feito em Vertikal. Julie por sua vez, tem total controle e destaque na faixa, impondo seu vocal de maneira que combina perfeitamente com o instrumental, nos ganhando novamente e impressionando com o final explosivo da faixa. Approaching Transition é a única faixa que não envolve a Julie, consistindo numa faixa extensa e de ritmo cadenciado, ela dá uma quebra de ritmo no álbum, antes do que seu final agressivo coloque as coisas no lugar novamente. Cygnus fecha o álbum de maneira esplêndida. Nela a dualidade nos vocais de Persson e Julie retorna, e de uma maneira em que os dois se alternam na liderança. O instrumental se mantem pesado e bem atmosférico, principalmente nos momentos finais acompanhando a combinação caótica e bela entre os vocais de Julie e Persson.

Mariner não soara novidade quanto ao instrumental para aqueles que já conhecem o trabalho do Cult of Luna, pois a banda demonstra diversos aspectos de seus trabalhos anteriores. O diferencial e ponto alto do álbum, é justamente a presença da Julie Christmas. É impressionante como o vocal dela se encaixa perfeitamente com esse tipo de instrumental, em todas as variações que ocorrem ao decorrer das faixas. Fica aquela vontade de ver novamente essa parceria acontecendo e com ambos evoluindo o que foi feito em Mariner. Sem dúvidas um dos lançamentos mais agradáveis do ano.



Tracklist:

01 - A Greater Call
02 - Chevron
03 - The Wreck of S.S. Needle
04 - Approaching Transition
05 - Cygnus

Ouça em: Spotify

quarta-feira, 8 de junho de 2016
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Cough - Still They Pray

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Gênero: Sludge / Stoner / Doom Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2016

Comentário: Quando uma banda que você gosta muito fica por um longo período sem lançar um álbum novo, é normal que a ansiedade seja imensa quando a banda em questão anuncia que está gravando material inédito. E quando finalmente o álbum é lançado (ou vaza na web), você de imediato sente uma necessidade imensa de escutá-lo como se não houvesse amanhã. Acredito que muitos passam e passarão por isso ao longo dos anos assim como eu, que recentemente pude acabar com uma espera de quase seis anos sem um álbum novo dos americanos do Cough.

Para aqueles não familiarizados com o nome ou mais precisamente com o som da banda, o Cough cria um som não recomendado para ouvidos mais sensíveis, a banda tem um peso característico que sabe combinar muito bem com climas mais sombrios, melancólicos ou "chapados". Desde o álbum de estreia intitulado Signum Luciferi, a banda já demonstrava uma qualidade satisfatória e um som que não deixa a desejar entre as bandas mais recentes do estilo. O Cough conseguiu subir um degrau acima com o lançamento do seu segundo álbum, o excelente Ritual Abuse (o qual eu já resenhei aqui no Ignes, lembram?), que é muito bem recebido por grande parte daqueles que gostam do estilo. E agora, a banda volta com tudo no seu terceiro álbum de estúdio intitulado Still They Pray.

O álbum possui todos aqueles elementos agradáveis que a banda demonstrou nos trabalhos anteriores, entregando oito faixas de qualidade. Logo de cara vem a empolgante "Haunter of the Dark", conduzida por riffs agradavelmente arrastados e com solos frenéticos, destaque para o refrão cativante que gruda no ouvido logo na primeira audição. "Possession" é uma faixa poderosa e marcante, muito bem estruturada trazendo aquela variação nos vocais que marcaram a sonoridade da banda nos álbuns anteriores. O Cough ainda traz uma faixa lembrando a pegada de "Crooked Spine" do Ritual Abuse, a "Let it Bleed" é uma balada bad tip bem construída, bem chapada e num clima de angústia que é muito presente no álbum. A faixa de encerramento leva essa ideia ainda mais além, ""Still They Pray" é uma faixa acústica sombria e introspectiva e o momento de calmaria após toda agressividade que a banda lançou ao longo do álbum, uma pegada e vibe que lembra a "Evergreen" do Windhand, por exemplo. A minha favorita é a "The Wounding Hours", que foi uma das faixas divulgadas antes do lançamento do álbum. Trazendo aquele instrumental arrastado e que ganha um toque bem sombrio com o uso do órgão ao fundo, os vocais ríspidos e angustiantes dão um clima soturno à faixa, e os riffs são devidamente marcantes, criando uma atmosfera densa e profunda.

Still They Pray é o lançamento do ano que mais me agradou até o momento, por mais que fosse um álbum que eu aguardasse ansiosamente, a expectativa que tinha em relação a ele foi superada, o Cough mostra um amadurecimento e evolução notáveis ao decorrer do álbum, solidificando ainda mais o seu nome como uma das melhores bandas do estilo dos últimos anos. O álbum foi produzido pelo Jus Oborn do Electric Wizard, vale muito conferir!




Tracklist:

01. Haunter Of The Dark
02. Possession
03. Dead Among The Roses
04. Masters Of Torture
05. Let It Bleed
06. Shadow Of The Torturer
07. The Wounding Hours
08. Still They Pray

Ouça em: Bandcamp


quarta-feira, 1 de junho de 2016
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Schammasch - Triangle

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Gênero: Avant-Garde / Black Metal
País: Suíça
Ano: 2016

Comentário: Muitas vezes as ideias mais ambiciosas de algumas bandas não resultam exatamente naquilo que elas gostariam, o resultado final pode ser até uma decepção. No caso do Schammasch não é isso o que acontece. De um nome desconhecido por mim, a banda agora é frequente na minha playlist por conta do ótimo álbum Triangles.

Ambicioso é a palavra mais adequada para descrever o álbum. Após ler críticas favoráveis à respeito do álbum, resolvi conferir e tirar minhas próprias conclusões. O álbum possui todo um lado conceitual e é divido em 3 partes, 3 cds distintos, totalizando um total de uma hora e quarenta minutos de duração.

Pela sua longa duração, admito que não algo fácil de escutar e captar exatamente tudo proposto com facilidade, ainda mais se tratando de 3 cds com características diferentes. O primeiro cd é intitulado "The Process of Dying" e traz uma sonoridade fácil de ser assimilada com certos trabalhos do Blut Aus Nord e Deathspell Omega. É formado por seis faixas sendo duas instrumentais, as demais seguem uma sonoridade repleta de riffs dissonantes e uma levada atmosférica bem agradável, além dos vocais excelentes e variados. O ritmo das músicas alternam entre passagens mais agressivas e momentos cadenciados. Destaque para a faixa "Aweking from the Dream of Life".

O segundo cd é intitulado Metaflesh e é composto por cinco faixas. É aqui que o álbum evolui e se desprendo um pouco das influências óbvias apresentadas no primeiro cd. A parte instrumental no segundo cd é mais expandida em relação ao primeiro. A faixa "Metanoia" tem uma pegada progressiva ótima, com riffs bem trabalhados e é conduzido por um vocal limpo bem agradável. "Satori" já possui um ritmo mais cadenciado, destaque para o ritmo tribal na bateria e os vocais realizando verdadeiros cânticos, criando aquele clima ritualístico sombrio. "Above the Stars of God" é a melhor faixa do álbum pra mim, digo isso sem nenhuma dúvida. Incrivelmente construída, a faixa evolui de uma maneira sútil, repleta de passagens mais progressivas e melódicas e os vocais combinados criam uma sensação única e bem tocante na faixa.

O terceiro cd é intitulado "The Supernal Clear Light of the Void" e é composto por cinco faixas. O Schammasch entrega ao ouvinte uma última parte focada em faixas conduzidas por um instrumental dark ambient e com ritmos tribais. As faixas tem uma atmosfera bem densa, com vários cânticos, uso de saxofones e até uma vibe mais drone, como na faixa que encerra o álbum. Meu destaque é para a faixa "Maelstorm".

Triangle é ambicioso e possui uma sonoridade vasta, sendo que cada um dos 3 cds que formam o álbum poderiam muito bem serem lançados de maneira independente, levando em conta suas características únicas entre si. É uma experiência sonora incrível em que a banda se empenhou muito e está repleta de participações (principalmente nos vocais), e fico ansioso pra ver o que o Schammasch pode nos oferecer no futuro. 



Tracklist:

CD1:

01 – Crepusculum
02 – Father’s Breath
03 – In Dialogue with Death
04 – Diluculum
05 – Consensus
06 – Awakening from the Dream of Life

CD2:

01 – The World Destroyed by Water
02 – Satori
03 – Metanoia
04 – Above the Stars of God
05 – Conclusion

CD3:

01 – The Third Ray of Light
02 – Cathartic Confession
03 – Jacob’s Dream
04 – Maelstrom
05 – The Empyrean

Ouça em: Spotify

quinta-feira, 19 de maio de 2016
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Vokonis - Olde One Ascending

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Gênero: Stoner / Doom Metal
País: Suécia
Ano: 2016

Comentário: Não me lembro quando foi a última vez que fiz uma resenha e tenho medo de ter perdido o jeito (que já não era dos melhores), mas aos poucos espero retornar à minha frequência habitual que possuía aqui no Ignes.

Meses se passaram e muita coisa rolou, já estamos quase na metade de 2016 e já foram lançados muitos álbuns que estão fazendo a mente da galera. Entre os lançamentos que escutei, um que  está sempre na minha playlist é o Olde One Ascending do Vokonis.

O Vokonis é um trio sueco da cidade de Borås, formado por Jonte Johansson (baixo), Emil Larsson (bateria) e Simon Ohlsson (vocal e guitarra) e como muitas bandas do estilo que surgiram no país, também querem alcançar o público com uma sonoridade bastante familiar para aqueles que gostam de um Stoner / Doom bem tocado e pesado.

As faixas conseguem ser empolgantes o tempo todo, as variações de ritmo agradam, os refrões são marcantes e tudo flui de um jeito bem natural. Apostando no básico o Vokonis conseguiu criar um álbum sólido, que se por um lado não apresenta nada que não soe como novidade, agrada pela execução bem feita e faixas bem estruturadas, com uma produção de muita qualidade. A temática da banda, assim como de muitas outras, é inspirada em obras do H.P. Lovecraft e conta com uma capa incrível.

O vocal de Simon é um ponto positivo no álbum na minha opinião, agressivo sob medida e potente, combinando muito bem com a sonoridade feita pela banda, que não deixa o ouvinte desprender sua atenção do álbum. Os riffs principais das faixas são bem marcantes e um verdadeiro murro na cara (nesse caso na orelha). Os solos são ótimos, sempre trazendo um fuzz bem agradável e vários momentos bem ao estilo sabbhatico do Iommi. Isso já é perceptível na faixa de abertura do álbum. O baixista Jonte também se mostrou bem hábil ao decorrer do álbum e durante os solos de guitarra, mantém um ritmo forte e preciso no baixo, cooperando muito com o os solos de Simon. O baterista Emil se mostra versátil e preciso em todos os momentos, além de caprichar nas partes mais agitadas das  6 faixas que compõem o álbum.

Olde One Ascending é um álbum gostoso de se ouvir, e ao menos pra mim, foi bem viciante desde a primeira vez que ouvi e não me deu aquela sensação de cansaço ou desinteresse. A banda, como muitas que surgem ao decorrer dos anos, tem um bom potencial a ser explorado, e conseguiu ao meu ver dar o primeiro passo em grande estilo com seu debut. Destaque para as faixas "Acid Pilgrim" e "King Vokonis Plague".





Tracklist:

01 - Olde One
02 - The Serpent's Alive
03 - Acid Pilgrim
04 - Shroomblade
05 - King Vokonis Plague
06 - Hazmat the Ashen Rider


Ouça em: Bandcamp


terça-feira, 17 de maio de 2016
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Anohni - Hopelessness

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Gênero: Pop/Eletrônico
País: EUA
Ano: 2016

Comentário: Por trás do nome Anohni está Antony Hegarty, um artista transgênero que fez sua carreira à frente do Antony & the Johnsons, um grupo musical novaiorquino que conquistou certo sucesso, especialmente em 2005 com o álbum I Am A Bird Now. Anohni é dona de uma voz estupidamente incrível, e isso já deveria convencer qualquer um de ouvir Hopelessness. Mas tem muito mais aqui.

Anohni é um indivíduo transgênero, e como tal (como qualquer cidadão com mínimo de consciência, capacidade crítica e pensamento independente deve saber) sofre preconceito, opressão e marginalização pelos poderes políticos e paradigmas sociais vigentes. Dessa forma, não é surpreendente a posição política indignada e revolucionária da cantora,  que se mistura docemente a melodias pop e melódicas lambuzadas pela sua voz grave e encorpada. As letras são tão explícitas que tornam o som quase experimental, ainda que não pretenda exatamente ser. Temos aqui músicas como "Watch Me", que versa sobre perseguição governamental, "Execution" que versa sobre exatamente o que parece, execução, e como penas capitais unem culturas supostamente tão diferentes quanto os Estados Unidos e a Coréia do Norte ou ainda "Drone Bomb Me", que nas próprias palavras de Anohni: "É uma canção de amor na perspectiva de uma menina afegã de nove anos cuja família foi morta por uma bomba atirada por um drone. Ela está olhando pro céu, enquanto se vê pedindo para ser morta por uma bomba também".

E para jogar tudo isso na sua cara hétera, branca e de classe média, ainda tem um clipe com a Naomi Campbell:

Drone Bomb Me - by ANOHNI from nabil elderkin on Vimeo.

Lágrimas devidamente escorrendo pela cara, ainda vale dizer como a voz diferenciada de Anohni também contribui, claramente tão transgênera quanto a cantora, para criar uma atmosfera desconfortavelmente melódica. O instrumental é eletrônico e suave, mas devidamente quebrado a gosto de Oneothrix Point Never e Hudson Mohawke, que participam do disco. Se você os conhece, já sabe que pode esperar baixos poderosamente profundos de Mohawke e as edições pouco convencionais de Oneotrhix, que tornam o vocal de Anohni ainda mais desconcertante. É inclusive contraditório rotular esse disco como 'Pop', e o faço por mera incapacidade de escolher gênero melhor, por que a sonoridade do disco é demasiada intensa para ouvidos populares. É como se Anohni na verdade quisesse ter mesmo é uma puta banda de grindcore berrando loucamente as mais revolucionárias e odiosas letras, mas por mero capricho ou teimosia encapsula tudo isso num pop melódico radialístico. E isso é maravilhoso. Diga-se de passagem, desde 2006 a cantora faz colaborações com o Current 93, por exemplo, o que já é sinal que há muito mais aqui do que mero pop.

O disco é inteiramente fantástico e certamente figurará entre tops de 2016. E a fórmula com que vem consegue levar críticas à ouvidos que dificilmente as ouviriam de outra forma. E a melhor parte é que apesar da politização das letras, todas as críticas são sobre coisas tão claramente óbvias que ficam acima de espectros políticos. Difícil superar esse álbum e a forma com que nos faz ao mesmo tempo nos deliciar e nos incomodar com nossas hipocrisias. O que é totalmente necessário.



Tracklist:

1. "Drone Bomb Me"   4:10
2. "4 Degrees"   3:51
3. "Watch Me"   3:26
4. "Execution"   3:38
5. "I Don't Love You Anymore"   5:00
6. "Obama"   4:11
7. "Violent Men"   2:10
8. "Why Did You Separate Me from the Earth?"   3:36
9. "Crisis"   4:42
10. "Hopelessness"   3:54
11. "Marrow"      3:01

Ouça no Spotify.


terça-feira, 12 de abril de 2016
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La Dispute - Somewhere at the Bottom of the River Between Vega and Altair

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Gênero: Post-Hardcore
País: EUA
Ano: 2006

Comentário: Por mais datado que soe o gênero "Post-Hardcore" num contexto "2008", os primeiros acordes já denunciam novidade e a constatação que La Dispute é muito mais que uma banda de Post-HC. Especialmente pela fervorosa adoração com os quais muitos fãs da banda se apresentam, e isso foi a primeira coisa que me chamou atenção sobre o grupo. Raramente tal furor é infundado.

Este álbum que vos apresento foi o primeiro Full-Lenght da banda depois de um intenso EP, Vancouver, de 2006. A levada é mais rápida que os futuros lançamentos do grupo, mais Post-Hardcore em si, porém os elementos mais importantes da banda já se fazem presentes: o liricismo do vocalista Jordan Dreyer, a influência massiva do Jazz e o spoken-word. Dreyer, de fato, antes da banda já era poeta e isso foi transportado para o La Dispute na forma ainda de um vocalista versátil, que consegue susurrar, berrar e cantar de forma característica dentro de um nicho onde quase todos os vocalistas tentam soar o mesmo. Uma das primeiras coisas notáveis na sonoridade da banda é a praticamente initerrupta sequência de versos na maioria das músicas. Há poucos momentos somente instrumentais - embora eles existam e sejam tão poderosamente poéticos quanto os versos. No geral, as palavras são metralhadas em nós sem piedade. O que de certa maneira é até cruel, dada a sinceridade e intensidade da poesia de Dreyer.

Enquanto a poesia é cantada ou declamada, o instrumental da banda acompanha. Por vezes dissonante e intenso, o clima que mais fica na cabeça, no entanto, é uma melodia cadenciada e atmosférica, altamente influenciada pelo ritmo spoken-word de muitos trechos de músicas da banda. Em termos gerais, a capacidade do La Dispute de absorver o ouvinte é um absurdo. A transição entre vocais mais lentos e berros é tão suave e bem colocada que a previsibilidade nesse caso é extremamente prazerosa. A vibe de "desabafo" é algo totalmente constante na discografia da banda e essa mistura é crucial pra que isso se construa.

Somewhere... é uma excelente maneira de começar a entender o La Dispute, e daí partir pro resto da discografia. De preferência e quase obrigatoriamente, devidamente acompanhado as letras ao mesmo tempo para total e absoluta degustação da banda. Definitivamente não recomendo, no entanto, se você não quiser correr o risco de dar de cara com machucados internos. Mas se o seu dia já está indo dessa pra uma melhor, caia dentro e vá até o fundo de vez.



Tracklist:

1."Such Small Hands"  1:35
2."Said the King to the River"  4:01
3."New Storms for Older Lovers"  4:59
4."Damaged Goods"  2:55
5."Fall Down, Never Get Back Up Again"  2:45
6."Bury Your Flame"  4:35
7."Last Blues for Bloody Knuckles"  5:00
8."The Castle Builders"  2:46
9."Andria"  4:20
10."Then Again, Maybe You Were Right" 1:36
11."Sad Prayers for Guilty Bodies"  3:46
12."The Last Lost Continent"  12:02
13."Nobody, Not Even the Rain"  1:10


Ouça aqui: Spotify
 
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