terça-feira, 29 de julho de 2014
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Lana Del Rey - Ultraviolence (deluxe edition)

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Gênero: Blues / Dream pop
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: Primeiramente confesso: quando em 2012 Born to die, segundo disco da americana Lana Del Rey, pegou o mundo de assalto não me rendi aos seus predicados. Por mais que insistisse, após várias audições o incômodo e a impressão de estar ouvindo a mesma música por várias vezes subsequentes prevaleceu, resultando por fim num disco insosso, salvo pelos singles "Video Games" e "Blue Jeans", cuja produção extremamente polida máscara a fraqueza do longo repertório composto por 12 faixas (15 na edição deluxe). Passados 2 anos Lana ainda segue no topo, mas parece que agora a cantora encontrou seu caminho como pode ser admirado em Ultraviolence, seu mais novo rebento.

Escudada pela produção de Dan Auerbach (The Black Keys), a cantora finalmente encontrou a sonoridade adequada para a tristeza latente de seus versos. Se em Born to die a atmosfera hip hop soava estranha ao universo criado onde odes à amores partidos, a ganância e pecados originais diversos davam o tom, agora encontra na raízes dos blues e do dream pop a verve necessária.

Conduzida pela estridente e crua guitarra de Auerbach, espetáculo à parte no álbum, a faixa "Cruel World", cartão de visita de Ultraviolence, deixa a cantora à vontade para colocar a sua bela voz em canção sobre o fim de um relacionamento tempestuoso. A fantasmagórica faixa título, em ode clássico ao filme de Stanley Kubrick, promove encontro da dramaticidade de uma relação calcada na violência e sobre o amor desenfreado com direito a citação ao Hole (no verso "He hit me and it felt like a kiss"). "Shades of cool" mantém o clima lúgubre numa balada orquestrada e com solo de guitarra memorável. "Brooklyn Baby", jovial e pegajosa canção inspirada no finado Lou Reed (com quem Lana planejava trabalhar futuramente), narra as desventuras amorosas de uma moradora do distrito mais populoso do estado de Nova Iorque. A hipnótica "West coast", primeiro single deste trabalho, surpreende pelas mudanças de andamento, a sensualidade transparente nos vocais e poderia facilmente figurar numa das enigmáticas trilhas dos filmes de David Lynch. A largamente autobiográfica "Sad girl" versa sobre uma garota triste e má que se comporta de forma promíscua em prol do sucesso repentino, tema este também presente em "Fuck my way up to the top". "Pretty when you cry", faixa composta e produzida em parceria com Blake Stranathan, prima pelo aspecto angustiante de uma relação fadada ao fracasso. Para o fim, a icônica cover de “The other woman”, composta por Jesse Mae Robinson (hit maker dos anos 60) e eternizada pela diva Nina Simone, encerra de forma belíssima o trabalho. A edição brasileira tem ainda outras três faixas bônus no qual se destacam a sombria “Guns and roses” e o contraponto ensolarado chamado “Florida Kilos”, faixa que mais se aproxima da temática do disco anterior.      

E de certo foi graças a exímia colaboração de Auerbach, que iria inicialmente participar minimamente do processo, mas devido a larga sintonia artística conduziu grande parte do trabalho, que Lana encontrou seu verdadeiro potencial ainda não revelados em sua totalidade nos dois discos anteriores.

Se o futuro seguirá promissor talvez seja cedo para avaliar, mas em meio a esta seara sôfrega criada, o sentimento de alegria (tal como num filme de cunho dramático onde torcemos para que no final tudo termine bem) é impossível de ser contido ao final de Ultraviolence, um dos discos à serem ouvidos em 2014.                          

Tracklist:

01 - Cruel World
02 - Ultraviolence
03 - Shades of Cool
04 - Brooklyn Baby
05 - West Coast
06 - Sad Girl
07 - Pretty When You Cry
08 - Money Power Glory
09 - Fucked My Way Up To the Top
10 - Old Money
11 - The Other Woman
12 - West Coast (Radio Mix)
13 - Black Beauty
14 - Guns And Roses
15 - Florida Kilos

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sexta-feira, 25 de julho de 2014
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Alice Caymmi – Alice Caymmi

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Gênero: MPB / Experimental
País: Brasil
Ano: 2012

Comentário: Já começo essa resenha dizendo que talvez, só talvez, eu não me sinta totalmente preparado para escrever sobre esse álbum. Alice Caymmi, de vinte e dois anos quando lançou esse seu debut que recebe o mesmo nome que carrega. E bem, eu só consigo pensar se esse nome fora uma benção ou um agouro na carreira da Alice – e confesso, ainda não sei.

Alice mergulha também no mar. Logo na primeira faixa “Água Marinha”, vemos que a influência do grande tema inspirador de seu avô, Dorival, se faz presente. Talvez seja uma boa herança de família ou um fardo que ela tenha de carregar. Mas Alice não se deixa naufragar em uma maré herdada – ela vai além e recebe do trabalho deveras experimental da Björk a verdadeira fonte de seu trabalho e em “Água Marinha” percebemos flertes com essa sonoridade: vocais serenos e batidas eletrônicas bastante oscilantes. Não se pode dizer que a carioca não faz para merecer o título de uma cantora, de fato, ela não pretende se colocar como uma espécia de continuadora dos trabalhos de sua família, por mais que acabe sendo, mas não vejo essa intencionalidade em seu álbum.

O álbum transcorre em um caminho próprio, enquanto as faixas complementam-se mutuamente mostram-se também um trajeto próprio e em si mesmas. Consta uma versão de "Sargaço Mar", de seu avô, versão essa bastante autoral e com um clima de melancolia contida, de mar pós-ressaca; interpretação bastante própria, assim como a décima e última faixa do álbum, "Ulravel", originalmente presente no álbum Homogenic, da já citada Björk. O “experimental” presente na classificação desse álbum explicarei agora: ouvindo mais de uma vez as faixas do álbum, como a já citada “Água Marinha” e “Revés”, para ainda permanecermos na primeira metade do álbum parecem-me distantes dessa safra da nova MPB, mesmo que diversos sites especializados, blogs e etc queiram colocá-la entre Karina Buhr e Tulipa Ruiz não vejo tal associação direta (embora eu não posse me dizer assíduo ouvinte de ambas) vejo em Alice um grau de melancolia e pessoalidade em várias sequências da sua estreia

A voz andrógina de Alice para alguns pode até ser outro obstáculo a ser transposto nesse navegar, mas para mim pareceram águas de duro acesso, mas acessíveis, de imediato há estranhamento e até certa dureza, mas aos poucos há o desvelamento da delicadeza, do belo em seus vocais e olha, quando essa revelação é feita o álbum se torna um registro que mescla docilidade, virilidade, brutalidade e sensibilidade e "Rompante" resume muito bem isso e que aliás, também pode ser usada para exemplificar a segunda metade do álbum, excetuando "Tudo Que For Leve", que deságua na mesma onda que a primeira metade do homônimo álbum.

Pois bem, o debut da Alice é tão revelador quanto misterioso, parece-me que ela trabalha em um chiaroscuro tal qual presente em telas barrocas: revela-se de um lado para esconder-se em outro, um jogo muito bom e instigante, um belo registro de uma voz diversificada e inovadora: um mergulhar extasiado em águas que só revelam o que não se espera ver.

[Site / Facebook]


Tracklist:
01. Água Marinha
02. Arco Da Aliança
03. Mater Continua
04. Revés
05. Sangue, Água E Sal
06. Rompante
07. Vento Forte
08. Sargaço Mar
09. Tudo Que For Leve
10. Unravel

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quinta-feira, 24 de julho de 2014
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Artificial Brain - Labyrinth Constellation

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Gênero: Technical Death Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: De cara confesso que entre os lançamentos no ano de 2014, aqueles voltados para a esfera do Death Metal foram os que menos acompanhei. Nem irei partir com aquele vago discurso de que o estilo é repetitivo ou que as bandas atuais apenas copiam as mais antigas e coisa do tipo. Com o tempo tive minhas boas surpresas relacionadas ao Death Metal, primeiro o Morbus Chron, que lançou um dos álbuns que mais me agradaram esse ano (clique aqui para conferir) e na época me trouxe uma nova expectativa em torno dos lançamentos do estilo.

E no mês passado me deparei com uma banda que até então era uma total desconhecida para mim, o Artificial Brain. Vi ótimos comentários a respeito do seu álbum de estréia e resolvi conferir. A banda oriunda da cidade de New Stream do estado de Nova Iorque, contém em sua formação membros desconhecidos, com exceção do Dan Gargiulo, o qual já era um nome familiar pra mim devido ao Revocation

Causar um impacto positivo em seu álbum de estréia não é tarefa fácil, mas confesso que com o Labyrinth Constellation, a banda Artificial Brain conseguiu tal façanha. Logo irei avisando que não é uma banda que trouxe uma sonoridade inovadora, todos os elementos que compõem sua sonoridade são bem familiares para aqueles que acompanham o estilo. Desde sua sonoridade que traz alguma lembrança de bandas como Gorguts e Demilich, até sua temática Sci-Fi que já foi elaborada com grande excelência pelo clássico Nocturnus, entre outras bandas. Tudo isso somado à alguns bons elementos vindos do Black Metal, dando o toque final na sonoridade feita pela banda.

A sonoridade pesada da banda é um prato cheio prato os fãs do estilo. Keith Abrami realizou uma performance impecável na bateria, uma vez que a sonoridade da banda sofre mudanças bruscas no ritmo, Abrami tem um destaque muito positivo no álbum. O baixista Samuel Smith também mostrou certo talento apesar do baixo não soar tão nítido em meio as guitarras dissonantes da banda, que ficaram sob responsabilidade Dan Gargiulo e Jon Locastro. Gargiulo como Locastro mostram versatilidade, combinando passagens mais melódicas, outras de peso incrível e as partes mais dissonantes, que são uns dos pontos altos do álbum. A performance do vocalista Will é bem sólida, impondo aquele bom e velho gutural além de partes mais ríspidas, combinou bem com a sonoridade criada pela banda. 

Com faixas apresentando aspectos similares, não há grande mudança no decorrer do álbum .Os destaques do álbum ficam por conta de: "Absorbing Black Ignition", faixa na qual o peso do instrumental cede espaço para ótimas passagens mais melódicas em algumas partes, com guitarras bem dissonantes; e "Hormone's Echo", uma faixa que mescla perfeitamente um clima sombrio com um instrumental bem dinâmico e intenso.




Tracklist:

01. Brain Transplant
02. Absorbing Black Ignition
03. Wired Opposites
04. Worm Harvester
05. Frozen Planets
06. Orbital Gait
07. Bastard Planet
08. Labyrinth Constellation
09. Hormone's Echo
10. Moon Funeral

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domingo, 20 de julho de 2014
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Johnny Winter - Johnny Winter

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Gênero: Blues / Blues Rock
País: EUA
Ano: 1969

Comentário: É, meus amigos, o mundo tornou-se um lugar um pouco pior nos últimos dias. Não falo somente do massacre israelense na Palestina ou do abatimento do avião malasiano na Ucrânia. Perdemos Bobby Womack, perdemos Johnny Winter. Johnny era um ótimo exemplo para aquele antigo provérbio: "beleza não põe mesa". Já no caso dele, quem vê aquele magrelo feioso, albino e vesgo tem dificuldade para acreditar no Blues enérgico que ele fazia. Quando o assunto é música, as aparências enganam muitas vezes.

Este disco de 1969 é um dos mais puristas do Johnny e também o meu favorito, mas não necessariamente por causa disso. Dentre as canções acústicas, temos "When You Got A Good Friend", uma das mais famosas de Robert Johnson, que Johnny acertadamente deu seu toque particular, mas não alterou demais a versão original. Eric Clapton parece um menino assustado perto dele. Outra acústica que se destaca é "Dallas", a qual poderia facilmente ser confundida com um clássico do Delta Mississippi, embora seja uma composição original. "I'll Drown In My Tears" é a interpretação vocal mais entregue e honesta, dá quase pra sentir a mesma dor de cotovelo que ele deveria estar sentindo naquela época.

No lado elétrico do disco, temos a uptempo "Good Morning Little School Girl", onde a guitarra do Johnny nos faz até mesmo esquecer a harmônica de Sonny Boy Williamson. Embora a grande estrela do disco, na minha opinião, seja "Be Careful With A Fool" de BB King na qual Johnny deixa sua marca pessoal, seu jeito de tocar que morde para depois assoprar. O disco é mais que recomendado, é obrigatório. Tchau Johnny, vai fazer falta.


Tracklist:
01. I'm Yours And I'm Hers
02. Be Careful With A Fool
03. Dallas
04. Mean Mistreater
05. Leland Mississippi Blues
06. Good Morning Little School Girl
07. When You Got A Good Friend
08. I'll Drown In My Tears
09. Back Door Friend
10. Country Girl
11. Dallas (with Band)
12. Two Steps From The Blues


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Playlists do Porco #4 - VAI TER COPA SIM - Parte 2

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Bom... após a profética e sonora goleada que o Brasil sofreu da Alemanha na terça-feira, dia que postamos a primeira parte da nossa coletânea especial dos semifinalistas da Copa do Mundo 2014, foi-se necessário um leve atraso na postagem da segunda parte, para que, no mínimo, o trauma fosse menos recente. Não adiantou nada, e na verdade isso é uma mera desculpa pra justificar o fato que mais uma vez atrasamos alguma coisa neste blog. MAS, CÁ ESTÁ ELA, a segunda parte da coletânea, com as seleções musicais de Argentina e Holanda.

Sem mais delongas, ambas coletâneas trazem mais uma vez o ecletismo como marca principal, tentando abranger de maneira relativamente eficiente o que nós do blog consideramos como melhores exemplos da produção musical dos países citados. Argentina e Holanda tem ambos cenas musicais riquíssimas, seja na parte mais tradicional ou na mais popular. No entanto, se isso já não era tão imponente antes, agora a presença de estilos mais pesados é ainda mais evidente, mesmo que não deixemos de colocar a latinidade argentina em voga ou mesmo a vocação eletrônica holandesa.

Graças a deus a Argentina não foi campeã e vamos as coletâneas!

sexta-feira, 18 de julho de 2014
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Self-Inflicted Violence - A Perception of Matter and Energy

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Gênero: Black Metal / Depressive Black Metal / Post-Rock
País: Reino Unido
Ano: 2009

Comentário:
Salve pigneanos, retorno para vos trazer um som, que apesar do estilo batido e quase esgotado, merece a atenção, e um post deste que vos escreve. Esse duo do Reino Unido é formado por 2 dos nomes artísticos mais bizarros que eu já vi, são eles 1,4,1,13 e V11. Sim, esse numeral todo (1,4,1,13) é o codinome de Adam Magnox, vocalista e compositor do projeto, e William Theccan é V11, responsável por todo instrumental.

Esse album é o primeiro e único full-lenght dessa dupla, e traz 6 canções densas e lineares, e todos os elementos dos estilos envolvidos estão muito presentes por todo CD e suas influencias gritam. O que me encanta nesse trampo é a simplicidade e o ambiente foda que aquela distorção clichê das guitarras, a bateria hipnótica, o ritmo mantido por todo o disco e o vocal desesperado me proporciona.  

Apesar do full-lenght ser bem "igual", temos passagens bem bonitas e únicas, como a levada claustrofóbica de "Artificial Phenomenon", com uma subida de timbre na parte final e um desfecho intenso. "Comfort in Insomnia" é a mais visceral e podrona. Com uma distorção mais crua e uma pegada mais mórbida, dança de mãos dadas com o Depressive Black Metal. O grande destaque está já no começo, e é "Liquids", a faixa que abre o disco. O trampo inteiro poderia ser resumido nessa canção, uma puta música. Talvez não seja a mais intensa, nem a mais bonita, mas a identidade da banda é mostrada de uma forma muito honesta aqui, e esse perfeito jogo de timbres, variações de frequência e volumes que é muito inteligente e raramente visto em outros trabalhos, casa perfeitamente com as nuances e os arranjos, que apesar de não serem nada de extraordinário, nos mostra uma perfeita sinergia, e fazem dessa faixa um clássico do gênero.

Pode parecer estranho, mas esse é um disco para reflexão, um black metal para relaxar, e mesmo com todo clichê e todos os elementos mais que batidos desse gênero, merece uma audição e uma atenção especial. Raramente um jogo de timbres e frequência mexeram tanto comigo. Um grande album, indispensável para fãs e entusiastas do estilo.

Myspace / Homepage

Tracklist:
1.Liquids - 07:10      
2.Artificial Phenomenon - 07:00      
3.Eugenics - 08:30      
4.A Mental Cancer II  - 08:06      
5.Comfort in Insomnia - 09:11      
6.Realisation - 06:45      

Download:
Mega / Zippyshare / Turbobit / Freakshare

quarta-feira, 16 de julho de 2014
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The Flight of Sleipnir - Saga

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Gênero: Folk / Stoner / Doom Metal
País: Estados Unidos
Ano: 2013

Comentário: Eu tinha o hábito de revirar a internet procurando por bandas desconhecidas pelo grande público e que possuam uma sonoridade diversificada, fugindo um pouco dos clichês e de grande qualidade. Foi dessa maneira que encontrei algumas das minhas bandas favoritas e outras tantas com uma sonoridade bem interessante e surpreendente.

Numa dessas buscas me deparei com The Flight of Sleipnir, banda americana oriunda do estado do Colorado, criada no ano de 2007. A banda é composta por um duo, David Csicsely e Clayton Cushman. Além do The Flight of Sleipnir, os dois já fizeram parceria em uma banda de Black Metal e mantém paralelamente um projeto voltado para o Death Metal. Essa "aventura" por estilos mais extremos é deixada de lado no The Flight of Sleipnir, onde o duo desenvolveu uma sonoridade calcada no Stoner / Doom e uma levada belíssima do Folk.

Saga é o quarto álbum de estúdio da banda e foi lançado em Fevereiro do ano passado. Apesar de ter conhecido a banda por acaso, não foi por acaso que me tornei um grande admirador do álbum e da banda. Desde a faixa de abertura intitulada "Prologue", o duo já mostra sua versatilidade e criatividade. O início com um riff pesado acompanhado de um vocal ríspido, rapidamente cede espaço para ótimos vocais limpos acompanhados por um instrumental bem cadenciado. O contraste apresentado na faixa de abertura, é a grande faceta da banda no decorrer do álbum, capaz de transitar entre um som mais intenso ou ameno com bastante facilidade. A segunda faixa do álbum, intitulada "Reaffirmation", é de beleza incrível. Num clima bem tocante, a levada acústica imposta pela banda ganha tons de excelência com o surgimentos dos vocais na faixa, causando uma sensação bem relaxante ao ouvinte. Diante das variações entre músicas mais amenas e outras mais agressivas, "Harrowing Desperation" é uma de grande destaque no quesito agressividade, com seus riffs intensos, vocais ríspidos e intensos, a banda trata de dar uma pausa na calmaria imposta pelas faixas anteriores, mesmo efeito causado pela "Demise Carries with It a Song". Ainda vale destacar a faixa "The Mountain", que apresenta um instrumental tocante e bem calmo, levada a um nível que não se encontra nas demais faixas que seguem esses aspectos.

Saga é um álbum de fácil assimilação e entendimento, trazendo uma ótima produção e um som bem agradável em ambas facetas apresentadas pela banda no decorrer das 12 faixas. 



Tracklist:

01. Prologue
02. Reaffirmation
03. Reverence
04. Harrowing Desperation
05. Heavy Rest The Chains Of The Damned
06. Judgment
07. Demise Carries With It a Song
08. The Mountain
09. Hour Of Cessation
10. Remission
11. Beneath Red Skies
12. Epilogue

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segunda-feira, 14 de julho de 2014
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Frida – Original Motion Picture Soundtrack

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Gênero: Folk / Mariachi / Tango / Música Tradicional Mexicana
País: Estador Unidos
Ano: 2002

Comentário: Dia desses finalmente tomei vergonha na cara e vi a cinebiografia da Frida Kahlo, uma das maiores pintoras mexicanas, que apresenta em seus trabalhos uma estética totalmente inovadora, sofrida, decidida, autêntica, transgressora e delicada. Não tenho eu palavras para descrever o quanto a obra dela me toca, do quanto eu vejo e não tento compreender o que está ali, porque é um erro tentar ler um artista dessa maneira. Mesmo que por mais que me falem que não se deve julgar a tela pela história de vida daquela assinatura é inegável que com a Frida essa regra se torna exceção. Ela se pintou em seus quadros, criou uma vida com aquelas telas – criou a vida dela. E novamente repito, acho que tudo que eu falar aqui sobre os quadros dela vai ser pouco, eu nunca vou conseguir descrever o quanto sou realmente grato por um dia ter encontrado com o trabalho dela.

Enfim, quadros a parte, vamos ao filme. A atuação de Salma Hayek é impecável como Frida e o que faz moldura para a maravilhosa atuação dela, além de seu fascínio pelo trabalho da Kahlo, é a trilha sonora. Composta basicamente por Elliot Gondenthal, compositor norte-americano que já trabalhara em filmes como “Entrevista com o Vampiro” (por sinal as trilhas sonoras dos filmes são bastante diferentes), a trilha de Frida é bastante tradicional, sem contar com pop/rock tipicamente presentes nas trilhas de Holywood, já que o filme é ambientado na faixa de tempo entre as décadas de 20-50 as músicas também podem ser ambientadas entre essas décadas. Quase todas cantadas em espanhol, menos a última faixa que consta com os vocais de Caetano Veloso cantando em inglês.

Meu intuito ao apresentar essa resenha aqui é dar continuidade ao que venho postando aqui no blog, algo que converse com a música tradicional/folclórica; de raiz, de cada nicho cultural. Queria mesmo apresentar algo que conservasse o espírito das veias abertas da América Latina, que fosse relevante e que tivesse deixado uma marca na história das Américas. Frida foi uma dessas marcas – e toda essa trilha sonora é o background, e também porque não artista principal, para que o sangue latino continue a circular por entre as veias desse continente.

Pois bem, as faixas instrumentais recorrem bastante aos típicos violões mexicanos e suas nuances. “The Floating Bed” e “Self-Portrait with Hair Down” são duas que podemos exemplificar: a primeira caminha pelo lado mais mariachi e empolgante da trilha, com cordas rápidas e agitadas, a segunda tem certo flerte com o tango, faixa importante para o filme, no momento em que Frida se separa de Diego, corta seus cabelos e traveste-se de homem, fazendo tudo isso para desagradá-lo, a faixa é bem densa, mas apresenta também nuances, mesmo tendo somente pouco mais de um minuto.

Aqui “Portrait of Lupe” merece algum destaque tanto pela sua importância no filme quanto para a trilha. Lupe fora a primeira esposa de Diego e diversas vezes ria-se da cara de Frida por ela ter casado com um homem que nunca seria verdadeiramente dela. Na faixa vemos as nuances das relações das duas, a calmaria inicial ao conhecerem, a agressividade de Lupe no casamento de Frida e Diego e a cumplicidade de ambas depois de algum tempo: consigo dentro da canção enxergar todos esses caminhos percorridos por ambas.

Das faixas em que se encontram a presença de vocais, muitos deles muito bem cantados pela Lila Downs e por Chavelas Vargas destacarei algumas faixas. As duas versões de “La Llorona” são fantásticas, a interpretada por Chavela Vargas é fodidamente (desculpem pelo palavrão) doída. A voz, a sonoridade, a letra e a cena em que ela é inserida são o palco ideal para a canção, sem mais (aliás o Chavelas deve aparecer por aqui logo menos ou logo mais). A por Lila Downs é entoada como um verdadeiro canto mariachi, mas em potência vocal ela não fica por trás, mas a interpretação e arranjo do Chavelas é assustadoramente emocionante, gritada, visceral – e é esse exagero e essa dualidade das duas faixas que me encantam na música latina.

Essa visceralidade latina também encontramos em “Paloma Negra”, merece ser ouvida, o urro do Chavelas nessa faixa é uma das coisas mais belas desse álbum, vale o play! A faixa que a própria Salma Hayek interpreta “La Bruja” também caminha pelos lados do visceral mexicano/latino, cordas rápidas e vocal tão rápido quanto, nessa faixa vemos toda a entrega de Salma ao papel de Frida, mais uma que vale o play.

A faixa que encerra o álbum “Burn it Blue” é um dueto de Caetano Veloso e Lila Downs, dueto esse presente nos créditos finais do filme e a única faixa que consta com um vocal em inglês, como já dito. A Lila aqui mostra realmente seu potencial que se entrelaça muito bem com a calmaria que o Caetano apresenta na música – é realmente uma música muito boa, rendendo até apresentações em premiações, tendo em vista que essa trilha sonora fora premiada com um Oscar.

Pois bem, acho que o álbum em si resume bem o tom do filme da Frida, que as vezes escorrega, mas em sua trilha é magistral. Ponto para o Elliot Gondenthal, que conseguiu trazer o ar de latinidade necessário para o meio estadunidense que caricatura negativamente uma cultura tão rica quanto a da América Latina.


Tracklist:
01. Benediction and Dream
02. The Floating Bed
03. El Conejo
04. Paloma Negra
05. Self-Portrait With Hair Down
06. Alcoba Azul
07. Carabina 30/30
08. Solo Tú
09. El Gusto - Performed by Trio Huasteco Caimanes de Tamuin
10. The Journey
11. El Antifaz
12. The Suicide of Dorothy Hale
13. La Calavera
14. La Bruja
15. Portrait of Lupe
16. La Llorona
17. Estrella Oscura
18. Still Life
19. Viva la Vida
20. The Departure
21. Coyoacán and Variations
22. La Llorona
23. Burning Bed
24. Burn It Blue

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sexta-feira, 11 de julho de 2014
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Festival Conexão BH - Parque Municipal: 03 a 06 de julho

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Realizado há 13 anos na capital mineira o Conexão, festival grande relevância por estas bandas, é talvez o nosso maior exemplo de resistência cultural. Em tempos onde se discutem quais rumos devem ser seguidos neste oscilante mercado o mesmo segue de vento em popa trazendo o supra-sumo de artistas de todo o cenário nacional que por muitas vezes não alcançaram à merecida exposição.

Após a reduzida edição de transição do ano passado, realizada basicamente sem patrocínio, para 2014 os produtores conseguiram apoio via lei de incentivo e expandiram o festival para diversos da cidade: o Mercado das Borboletas, Sesc Palladium, Mercado do Cruzeiro, Casa do Jornalista e a estação São Gabriel do BRT Move.

Mantendo a tradição das edições anteriores, a Cria Cultura, produtora do evento, destinou ao Parque Municipal grande parte do line up que fora dividido inicialmente em três dias (3, 4, 5 de julho) e três palcos. Mas, devido ao luto oficial decretado pela Prefeitura relacionado ao acidente, a queda do viaduto resultando em duas mortes no último dia 3, as apresentações agendadas para o dia 4 foram transferidas para o dia 6.

quinta-feira, 10 de julho de 2014
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Garbage & Brody Dalle - Girls Talk

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Gênero: Alternative, Grunge, Indie
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: Como citado anteriormente aqui, a parceria entre Garbage e Brody Dalle rendeu frutos este ano. ‘Girls Talk’ é mais um fruto da parceria entre uma das bandas mais importantes da música alternativa dos anos 90 e a eterna musa punk.

O Garbage surgiu em 1993. Liderado por Shirley Manson a banda conta ainda com o lendário produtor Butch Vig. Responsável pela produção de discos seminais como Nevermind (Nirvana), Dirty (Sonic Youth) e Siamese Dream (Smashing Pumpkins), Butch atua como baterista, bem como produtor, do Garbage. A banda fez muito barulho nos anos 90 e após um longo período na geladeira retomou as atividades para o lançamento de Not Your Kind Of People, em 2012.

Brody Dalle surgiu para os olhos e ouvidos do grande público no começo dos anos 2000, liderando o The Distillers. Aos gritos Brody lançou 3 discos com sua banda, sendo o último deles, Coral Fang, o mais aclamado. Após o fim da banda que alavancou Brody, a moça formou o Spinnerette e mais recentemente, no ano de 2014, lançou seu primeiro disco solo, Diploid Love, que conta com Shirley Manson na faixa, “Meet The Foetus/Oh The Joy’.

Girls Talk é um single lançado em comemoração ao Record Store Day 2014, composto por duas músicas, a pesa e sombria ‘Girsl Talk’ e a eletrônica ‘Time Will Destroy Everything’.

Tracklist:
1. Girls Talk
2. Time Will Destroy Everything

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