quarta-feira, 20 de outubro de 2010
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SPK - Leichenschrei

2 comentários
Gênero: Industrial/Noise
País: Austrália
Ano: 1982
Comentários: Antes de mais nada, SPK é uma banda muito mais conceitual que musical, não só por ter uma musicalidade absurdamente experimental, mas principalmente pelas suas motivações históricas, seus propósitos e sua atmosfera cult.

A início de conversa, o nome, SPK (as vezes escrito ""), ao longo da trajetória da banda teve diferentes significados, mas o mais conhecido é Socialist Patients Kollective, que foi o nome de um grupo de pacientes mentais (e um médico, chamado Dr. Wolfgang Huber) de um hospital psiquiátrico alemão, na cidade de Heldelbert, formado em 1968. O grupo tinha a ideologia de que o Capitalismo seria o responsável por criar as doenças mentais que afetavam não só a eles como milhares de outros pacientes psiquiátricos, e que a única forma de reverter essa situação seria uma revolução - violenta, se necessário. Em 1970 publicaram um manifesto bastante interessante, onde, entre outras coisas, exclamavam que o suicídio seria um assassinato, e o assassino seria o capitalismo, em vista que a loucura e o desespero advinham do sistema. Em 1971, depois de muitas atividades e ações revolucionárias, o grupo se dissolve, com muitos de seus membros presos, mortos e Dr. Huber até hoje vivo, publicando vários livros sobre o assunto. Muitos dos membros do SPK migraram para a RAF (Red Army Faction, também conhecida como Baader-Meinhoff Gang), um outro grupo revolucionário e violento de ideais anarco-socialistas. (fonte)

Enfim, toda essa história entra em contato com a banda SPK a partir do ponto que Revell (aka Operator, Oblivion, EMS AKS) conhece Neil Hill (aka Ne/H/il), ambos trabalhando em um hospital psiquiátrico, onde entram em contato com a SPK original acima descrita, daí tirando inspiração para muitos temas da banda que viriam a criar. Um dos motes da SPK original altamente utilizada nos trabalhos da banda seria: "Transforme a doença numa arma", e a teoria de que o único tratamento eficaz para as doenças psiquiátricas seria a violência - seja ela sonora, visual ou estética -, e que todos nós tinhamos algum nível de doença. A banda já teve vários contribuintes e Os 3 primeiros discos da banda eram de um Industrial seco e barulhento, com batidas hipnóticas e um quase "transe" que ficava imerso em um mar de barulhos e batidas selecionadas. Ao vivo, a banda expunha as mais variadas formas de violência visual, desde vídeos de mutilações horrendas, arquivos médicos à pornô hardcore e atos grotescos como comer o cérebro cru diretamente da cabeça de uma cabra. A partir de 1984 o som da banda começava a mudar, para uma coisa mais comercial e dançante (acredite!). A banda deixou de ser "banda", e hoje em dia Revell trabalha em Hollywood compondo trilhas de filmes.


Não ainda não acabou! (Sou chato com essas coisas, se não gostou, o link do download está ali embaixo, seu preguiçoso ignorante u.u)

Leichenschrei significa "O Grito do Cadáver" e, como poderá ser lido no encarte do álbum que eu coloquei junto do cd nesse post, é um estudo sobre mensagens sublimnares, usando as variadas camadas do som industrial da banda. Num pequeno artigo chamado Dokument II a banda explicita suas intenções com o disco e comenta exemplos do que pretende passar. Antes de mais nada, claramente não há nada que vá prejudicar ninguém a escutar esse disco, mas certamente a sensação que fica na mente ao acabar de ouvir o disco é de que tinha algo a mais ali. Musicalmente, é um álbum espetacular - na minha visão - pois é perceptível em meio a toda a barulhada batidas incríveis e ritmos que hoje em dia povoam a música eletrônica mais "dark", e até mesmo a música eletrônica mais popular, em seus estilos mais despretenciosos (especialmente o psy).  Claro que há de se ter ouvidos atentos para reparar esses detalhes, mas uma ouvida mais superficial já é o bastante pra sentir a atmosfera pertubadora e doentia do SPK.

(Pra você que começou a ler por aqui, saiba que você é um inútil, perdeu uma boa história e que morra na ignorância u.u)

Enfim, resumidamente, Leichenschrei é um álbum recheado e transbordando de história, de atmosfera cult, e de uma banda que é muito mais que simplesmente uma banda. Altamente recomendado para aqueles que curtem se aventurar pelas mais loucas e sombrias viagens da música como um todo. Conheçam.

PS: Ainda existe um documentário homônimo,  veiculado junto com o disco, que expunha imagens visualmente chocantes, samplers de filmes e outras coisas estranhas, usando óbviamente como trilha o disco, que pode ser conferido no youtube.   (porra, ainda tinha um "PS"?) 

PS2: Antes que reclamem, sim, no arquivo as músicas estão dividas em dois arquivos chamados "Side A" e "Side B", contendo todas as músicas abaixo. Infelizmente eu esqueci de dividir antes de upar, mas relaxem, é bom que dá uma maior sensação de que está ouvindo o LP original :).

(chato pra caralho esse cara, ainda fez um SEGUNDO PS! E pra falar de um defeito!)


Tracklist:

Side A:
1- "Genetic Transmission" – 3:17
2- "Post-Mortem" – 2:24
3- "Desolation" – 1:18
4- "Napalm (Terminal Patient)" – 2:39
5- "Cry from the Sanatorium" – 2:26
6- "Baby Blue Eyes" – 2:38
7- "Israel" – 2:46
8- "Internal Bleeding" – 1:46
9- "Chamber Music" – 3:26

Side B:
10- "Despair" – 4:45
11- "The Agony of the Plasma" – 3:03
12- "Day of Pigs" – 4:18
13- "Wars of Islam" – 4:31
14- "Maladia Europa (The European Sickness)" – 3:50


Download (Megaupload)
Download (Mediafire) 




2 Responses so far.

  1. Chato para você já deixou de ser uma sutil característica de personalidade,está mais para uma doença mental mesmo.

    A sorte que isso nos garante um material estupendamente interessante como este :B

  2. killer7 says:

    Isso me fez lembrar os filmes do Mel Gibson.

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