quarta-feira, 10 de novembro de 2010
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Deathspell Omega - Paracletus

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Gênero: Avant-Garde Black Metal
País: França
Ano: 2010
Comentários: A pergunta que fica depois de ouvir Paracletus é: Onde o Deathspell Omega vai parar daqui pra frente.

A banda, formada em 1998, iniciou suas atividades tocando um Black Metal 'cru' na linha do Transylvanian Hunger do Darkthrone, lançando dois álbuns com essa sonoridade. Em 2004 a banda lança Si Monumentum Requires, Circumspice e muda radicalmente sua sonoridade. Radicalmente aqui significa revolucionar as bases do Black Metal. De um som seco e direto, a banda transforma-se numa das mais técnicas bandas atuais, mesmo mantendo toda a violência do estilo e os temas ocultistas, que aliás, se intensificaram a partir desse álbum. Hoje a banda é ícone de originalidade num estilo de música tão facilmente saturado quanto o Metal, unindo compassos assimétricos, dissonâncias sinistras, uma bateria que transcende o Black Metal - há sim, e muito, blast beats, mas há muito espaço pra cadência e levadas mais técnicas, e mesmo os blast beats são ainda mais brutais que a maioria das bandas de Black Metal mais violentas - e um baixo exposto de tal forma, que muitas vezes toma lugar igual ou maior que o das guitarras no som da banda. Além de vocais que variam do grave - mais comum - e gutural, até inspirações no canto gregoriano e nos cânticos da Igreja Ortodoxa Russa. Em suma, Deathspell Omega é o auge da brutalidade que o Black Metal alcançou, da experimentalidade e da obscuridade, mesmo ainda deixando espaço pra passagens mais atmosféricas - embora sem nunca, mesmo, perder a pegada - que aumentam ainda mais a aura sombria da banda. Pouquíssimo se sabe sobre os membros da banda, exceto sobre seu vocalista, Mikko Aspa, da banda de Funeral Doom cult Stabat Mater.

Sim, já tive pesadelos cuja trilha era o Deathspell Omega, e mais de uma vez. Os 3 últimos álbuns da banda, Si Monumentum Requires, Circumspice (2004); Fas - Ite, Maledcti, In Ignem Aeternum (2007), e Paracletus representam uma trilogia conceitual que pretende dissertar sobre três aspectos teológicos: Deus, o Diabo e o Homem, respectivamente. Curiosamente, o mais sombrio dos três, que eu achei, é o primeiro, que versa sobre a idéia e a imagem de Deus. O segundo, o mais experimental de todos, acho eu, versava então sobre o Diabo, e assim, Paracletus (cujo título etimológicamente tem raízes gregas e significa "Consolador", e é usualmente ligado a idéia de "Espírito Santo") versa sobre o homem nesse interim. Cheio de letras complexas (ainda mais que sua sonoridade), este lado da banda é outro que deve ser levado em consideração - vale muita a pena correr atrás das letras e conceitos por trás dos discos. Diferentemente do Black Metal tradicional - mais uma vez - a banda leva seu 'satanismo' ao nível teológico, e fala dele quase que como num estudo filosófico. Muitas das idéias e conceitos da banda vem de um escritor francês chamado Georges Bataille, cuja filosofia eu não me arrisco a tentar explicar, visto que nem eu mesmo entendo por completo.

O fato é que a banda se propôs, ao longo de nove anos a revolucionar as bases - tanto ideológicas quanto musicais - do Black Metal, e conseguiu, agora ao fim dessa trilogia. Mas a se falar de uma banda tão avant-garde, o que pode-se esperar nos próximos lançamentos do grupo? Um som ainda mais técnico e experimental, ou uma completa mudança radical novamente? Só resta aguardar, durante esse meio tempo, escutando um dos melhores lançamentos de 2010 no Metal extremo, sem a menor dúvida.

Myspace Não-Oficial


Tracklist:



1.Epiklesis I01:42
2.Wings of Predation03:43
3.Abscission06:07
4.Dearth03:47
5.Phosphene07:03
6.Epiklesis II03:06
7.Malconfort04:57
8.Have You Beheld the Fevers?02:59
9.Devouring Famine05:09
10.Apokatastasis Pantôn04:01

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