terça-feira, 13 de dezembro de 2011
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Öxxö Xööx - Rëvëürt

2 comentários

Gênero: Avant-Garde Doom
País: França
Ano: 2011

Comentário: Na minha compulsão em vasculhar a internet a procura de algo novo para escutar, como se o que eu já tenho não fosse suficiente, eis que me deparo com uma banda francesa, de nome estranho, e pra mim, impronunciável: “Öxxö Xööx”. O que só me instigou a procurar saber mais sobre a banda e sua sonoridade, que é tão peculiar quanto seu nome.

Pesquisando descobri que se trata de um projeto francês, encabeçado por Gautier Serre, a mente criativa por trás do indigesto Igorrr, mas também conta com a participação de Laurent Lunoir, que foi seu parceiro na banda de Experimental/Eletronic/Grindcore/Death Metal, Whourkr, e para completar o trio, se une a dupla, até então desconhecida pra mim, Laure Le Prunenec. Não sei muito bem qual é a função definida de cada um na banda, encontrei poucas informações na internet, e o que posso afirmar é que Laurent e Laure, são responsáveis pelo vocal, o resto já não sei, mas eles são os únicos integrantes.

Na biografia da banda eles não dão muitas informações verdadeiras, o texto disponível, é cheio de devaneios sobre temas como universos paralelos, o sofrimentos da formas de vida na terra, amor, união, elevação da arte, oposição à guerra, apego a natureza, etc., são bastante subjetivos e reflexivos, tudo isso permeado por uma filosofia maniqueísta, que parece ter sido fortemente influenciada por movimentos místicos, tal como a Nova Era.

O nome da banda, tem um significado um tanto subjetivo e complexo, na biografia, eles dizem que é inspirado no Yin Ying, representação dualista chinesa, e no Ouroboros, que é a representação do infinito, onde é apresentado uma cobra mordendo a propria cauda. E para representar essa dualidade, e a noção de infinito, eles escolheram o número 69, que segundo a biografia, carrega a essencia dos conceitos citados, além de fazer uma clara referência ao sexo, já que mundialmente representa uma posição sexual, dai, segundo a banda, o número ganha um sentido de “faça amor, não faça guerra”. E se já não estava complicado suficiente, eles usaram o 69 na sua forma binaria, 0110 = 6 e 1001 = 9, então substituiram o 0, pela letra o, e o 1 por x, o que deu origem ao nome Öxxö Xööx, o qual eu não sei a pronuncia. O que eu fiz foi colocar o nome no google tradutor, no idioma francês, e o resultado foi algo mais ou menos assim: “Ocscso Cso ocs”. Também vi algo parecido em algum lugar durante minhas pesquisas.

Toda essa complexidade, devaneios, misticismo e subjetivismo, também estão presentes na forma de se apresentarem, e expressa nas suas canções, os integrantes adotam um visual meio indígena/tribal, cheios de adornos e adereços, que lembra povos africanos. No palco eles também são bastante performáticos, e é criado um cenário com plantas, pedras brilhantes, esculturas, castiçais, etc. Abaixo uma foto de divulgação da banda:


Já que o clima que predomina, sobre todos os aspectos desse projeto, é o de transcender o nosso ideal de mundo, quebrar paradigmas e recriar tudo sob uma otica mistica, eles também criam a sua propria lingua, nada muito elaborado, apenas 300 palavras, mas foi o suficiente para escreverem e catarem suas canções, nesse novo idioma.  Não sei detalhes dessa nova lingua, mas parece que é uma mistura de inglês e francês, já que segundo eles, a banda, o nome do álbum, Rëvëürt, significa “A Revolta do coração” e é uma união das palavras, “révolte”, que é revolta em francês, e “heart”, coração em inglês.

Com tantas peculiariades, a sonoridade dessa banda não poderia ser nada dentro do padrão. Eles se classicifcam como Avant-Garde Doom, o que eu achei adequado, porque as influências do Doom Metal são bem evidentes, como o andamento lento das músicas e suas durações, bem como o clima dramático, mas eu não achei suficiente, já que é possivel, notar várias outras influências, como do Black/Death/Gothic/Symphonic Metal, Eletronic e até de New Age, mas nada escancarado, nem exagerado, apenas traços, aqui e ali, sendo que o estilo da banda fica dificil distinguir e rotular, mas é unico, bastante atmosferico e cativante.

As canções passeiam por momentos agradáveis e melódicos, para de salto, passarem para agressivos e pesados, em alguns momentos sendo até caóticos. O diferencial que chamou mais minha atenção, e que é o mais significativo, é o uso do cravo, instrumento parecido com piano, que predomina nas canções, e que tem o papel principal, já a guitarra assume o papel de coadjuvante. Outro atrativo é o baterista, que é bem habilidoso e versátil, assumindo também papel de destaque nas canções. Além dos já citados instrumentos, pode perceber o uso de piano e órgão, que dão um clima operístico, também percebe-se o uso de sintetizadores, entre outros. Os vocais, assim como o resto, são um deleite, mostrando também versatilidade, principalmente do masculino, que varia entre choroso, tristonho e soturno, pra gritos agressivos e obstinados, outras vezes de forma calma e rouca. Já a feminina, é um doce vocal, que às vezes também assume um tom gritado e mais agressivo.

Então, a conclusão é a seguinte, pra mim esse álbum é um dos melhores lançamentos desse ano, achei genial, apesar de não simpatizar com alguns ideais e filosofias propostas, musicalmente é um trabalho excelente. Mas não é para todos os ouvintes, por exigir uma paciência grande pra ser ouvido por completo, pois tem 77 minutos, com apenas 9 canções, o que pode se tornar cansativo. É o tipo de álbum que se você gostar da primeira música vai gostar do resto, senão, é melhor para no início. Mas creio que para os que tiverem a mente aberta e disposição, será uma experiência extraordinária e muito agradável.

P.S.: Sei que a resenha ficou muito extensa, e que isso desvirtua o proposito de resenharmos, que é o de dar as informações relevantes de forma sucinta, mas eu não consegui deixar esse texto menor, tem muita coisa pra se falar a respeito dessa banda, e eu ainda tive que omitir algumas coisas. Foi malz ae!

[BandCamp]

Tracklist:

1.Ägörth - (10:51)
2.Tërëä - (9:39)
3.Ämä - (6:25)
4.Ctënöphörä - (12:55)
5.Yüm - (9:10)
6.Nöc säë - (9:17)
7.Lïnï - (8:55)
8.Dör - (1:34)
9.Sü - (8:44)

Download: 

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2 Responses so far.

  1. robert says:

    Excelente post!

  2. Satanás de Oliveira says:

    bom texto, ouvi uma música e gostei, vou atrás do resto...

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