terça-feira, 20 de dezembro de 2011
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Vãn Züllatt - O Casulo + Betelgeuse

7 comentários
Gênero: Instrumental/ Experimental/ Progressive/ Jazz
País: Brasil (Pelotas/RS)
Ano: 2008 e 2011

Comentário: Olha que maravilhosa coincidência, mais uma banda de Rio Grande do Sul a nos presentear com sua música e confiar em nós para divulgação. Mas aqui o foco é outro, ou melhor, os focos são outros.
Vãn Züllatt (que se pronuncia Vãn Zila), da cidade de Pelotas, é um aglomerado bem arrumadinho de influências e elementos em prol de um som instrumental onde eles parecem brincar de cientistas, fazendo experimentos que acabaram um dia dando vida a um monstro, formado à partir de várias outras sonoridades encontradas neste mundo afora. O mais sinistro de tudo isso é saber que tais experiências foram conduzidas provavelmente em uma simples casa, ou apartamento, se analisar-mos a frase "trata-se de um álbum feito por quatro pessoas entre quatro paredes".

Os quatro culpados atendem pelos nomes de Marcelo Silva (Bateria), Cleber Vaz (Teclado), Jonatã Müller (Guitarra) e Gabriel Mattos (Baixo) e já possuem vários admiradores insanos, inclusive país afora, onde são mais reconhecidos.

Aqui voz trago os dois resultados dessas experiências: O Casulo (2008) e Betelgeuse (2011). Em O Caluso temos dez faixas que possuem durações comuns para o 'estilo', mas trazem consigo elementos (alguns notáveis e outros nem tanto) de música cabaret/circense, jazz fusion, salsa, prog rock, ritmos brasileiros incluindo nordestinos e samba-rock, música clássica, batuques, hardrock, passagens acústicas e ambientais, folk e provavelmente mais um monte de coisa que eu deixei escapar.

São 10 faixas, mas o disco foi liberado somente como Lado A e Lado B como forma de conservar a transição original das músicas. Pode parecer besteira para alguns, mas entendedores entenderão, ou como mesmo destacou a banda: "Se você ja tentou ouvir o "The Dark Side Of The Moon" em mp3, você certamente sabe do que estou falando".

O segundo álbum já traz apenas quatro faixas, com duas músicas entre os parâmetros dos 4 minutos, uma em 10 minutos e a última com quase 19:00 minutos. A faixa "Contatos" funciona como uma introdução, praticamente, mostrando um lado mais 'tradicional' do prog rock, numa tentativa de mostrar no que aquele disco se refere. Só que não adianta muito quando chegamos até a segunda faixa — "Seis Níveis de Criogenia" — e damos de cara, ou melhor, de ouvidos em um BERIMBAU e um PANDEIRO. Isso foi sensacional e fez meu coração bater mais forte, de alegria, eu não esperava — sim, sou um desses caras chatos e loucos que adora ver uma banda misturando samba com rock progressivo e klezmer sendo tocado com berimbau.
Só que, mais curiosamente nos vemos caindo num clima sereno, delicioso, até romântico demais se comparado ao início da música. Só que, advinha que estará de volta? Vou deixar para que descubram ouvindo.
Partindo para "Dica" é a vez do Cleber Vaz mostrar individualmente sua música. Sabe quando apagam-se as luzes, liberando apenas um holofote na direção do pianista? Então, é exatamente isto.

Ainda aos dedos de Cleber é que se inicia a última música, homônima ao título do álbum. Mas com exatos 18:40 minutos é improvável que apenas um instrumento brilhe. Esta é a a melhor oportunidade para que cada instrumento dê um pouco, ou muito, de si. Quem também aparece logo no início é Jonatã Müller, um exímio guitarrista. Cleber trocara o piano pelo teclado com aquela sonoridade inconfundível do rock progressivo de bandas como FSB, Camel e Yezda Urfa. O baixo de Gabriel Mattos ainda não veio à frente, prefere ficar lá traz na famosa cozinha conduzindo a banda, mas sua linha é toda minuciosa e bem trabalhada. O mesmo é dito para o homem das baquetas Marcelo Silva, muito competente e habilidoso pare este som que se quebra fácil, muda de compassos retos e comuns para swingados quase sem aviso prévio e desconcertantes.
Outros destaques dessa faixa são os efeitos de fundo,ambientes, que as vezes tendem a ser o foco principal, nos fazendo viajar para outros cosmos.

Só que fui engando, confesso. No primeiro registro da banda, O Casulo, Gabriel Mattos e Marcelo Silva parecem mais soltos e comprometidos em apresentar suas performances. Eu adorei, na realidade não vi defeitos que valham a pena mencionar, são besteiras e questões de gosto pessoal. Mas acho sinceramente que poderia rolar mais, aproveitando a linha experimental/progressiva da banda, mais solos de baixo.
Mas isso também se deve ao fato de eu adorar um solinho de baixo surpresa, então nem precisam levar em conta, o trabalho está perfeito e respeito a opinião e possibilidades da mesma.

Contudo minha marra desaparece ao entender que este é um disco conceitual sem letras — espero não ser malhado por dizer essa heresia — de ficção científica que narra "uma jornada pelo universo a bordo da nave Vãn Züllatt desde os Contatos estabelecidos com vida inteligente fora da Terra, passando pelo penoso processo de criogenia humana até uma viajem de ida e volta à constelação de Órion." — trecho retirado do blog da banda.
Além disto Douglas Osinaga e Eugênio Bassi são co-autores de duas faixas do disco Betelgeuse. Douglas se encarrega dos ligeiros solos que abrem "Contatos" e Eugênio desempenha voz, violão, bandolim, berimbau, contrabaixo e percussão na suíte "Seis Níveis de Criogenia".

Ainda assim estou naquele dilema de gostar mais da primeira experiência, pelo leque de possibilidades apresentadas e aquele clima ainda ingênuo e brincalhão, o que também me ocorre com outras bandas como: FSB e seu Non Stop / Yezda Urfa e seu Boris. Mas é óbvio o amadurecimento e profissionalismo de Betelgeuse sobre O Casulo, inclusive do ponto de vista comercial.

Enfim, será que é bom? Baixe ou se arrependa de nunca ter ouvido uma das melhores bandas independentes do país (falo sério).




O Casulo (2008)
Tracklist:
1. Produto Misto
2. Sertão Digital
3. Cores
4. De Sol a Sol
5. Utacaram
6. Tarantula
7. A Montanha
8. Do Pé da Seringueira
9. Jazzpion
10. Tropicando
11. Samba Jacaré
Download
Vãn Züllatt - Side A


Betelgeuse (2011)
Tracklist:
1. Contatos
2. Seis Níveis de Criogenia
3. Dica
4. Betelgeuse
Download
Vãn Züllatt - Seis Níveis de Criogenia

7 Responses so far.

  1. marcelcorso says:

    bem legal e divertido

  2. cristian amaral da silva says:

    wow! fiquei muito feliz em ler os elogios da resenha. sou de pelotas, e posso afirmar a aura que a banda possui por aqui. fim de semana passado, no evento chamado "natal do mal" (hehehehehe!) eles fecharam anoite, depois de uma saraivada de bandas de thrash, black metal e hardcore. resultado? os metaleiros se apavorarm com a banda! impossível ficar alheio. reforço o conteúdo do post: trata-se de uma das melhores bandas independentes do país. vida longa à vãn züllath!

  3. Anderson reichow says:

    Mas olha que coisa! Tb sou de pelotas, fã incondicional da Vãn Züllatt. Acabo de chegar da casa do Cleber, e aí recebi esse link. Genial. Conheci a 'salinha' onde foi gravado o betelgeuse... Só que é mentira o lance de '4 pessoas entre 4 paredes', pq não dá pra colocar mais de 2 ali dentro. Hahahaha... a banda tá de parabéns e logo vai ganhar o brasil. Tb reforço: realmente, é uma das melhores bandas independentes do brasil! 

  4. Júlio Lima says:

    Essa questão lógica e de estilo é controversa pois a resposta do público ao show da van zullatt foi muito boa em relação às demais bandas e não parece ter tido nenhuma falha lógica. 
    A questão do equipamento nesse evento estava mesmo complicada pois era a mesma aparelhagem para o público e para as bandas se ouvirem e isso complica bastante o equilíbrio do som pois os músicos precisam se ouvir e nesse caso um operador de mesa não resolveria...teve gente se queixando do som na banda de death metal que tocou antes da van zullatt, reclamaram que a voz estava muito baixa e etc
    No fim das contas o pessoal da organização merece parabéns pois tudo correu muito bem, no geral, e o astral estava ótimo, tudo feito da melhor forma possível diante do que tinham a disposição. 

  5. xaropealex says:

    putz muito bom!!!!
    apesar de ñ ter conseguido o LADO-A , o outro é MUITO BOM
    li a resenha mas ñ entendo o problema do mp3
    por favorcoloquem essa bagaça em 1 unico link, preferencialmente no MEGA!!! 
    ABRÇOS

  6. ratodaweb says:

    Achei no facebook ambos os álbuns em link único, o primeiro
    http://rapidshare.com/files/198762795/O_Casulo.rare o segundo http://www.megaupload.com/?d=KKEUC8HI

  7. Amdtce says:

    O megaupload está bloqueado pelo FBI. O álbum Betelgeuse também está no http://www.4shared.com/rar/139TbaK0/Vn_Zllatt_-_2011_-_Betelgeuse.html

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