sábado, 28 de janeiro de 2012
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Karlheinz Stockhausen - Gesang Der Jünglinge

2 comentários


Gênero
: Música Erudita/Música Eletrônica/Musica Concreta
País: Alemanha
Ano: 1955

Comentário: Muito se fala, mas pouco se ouve dos trabalhos do compositor alemão Karlheinz Stockhausen. Nascido em 1928 num vilarejo alemão, Stockhausen desde seus sete anos começou a estudar piano clássico e em 1950, com 22 anos, já havia concluido suas primeiras composições, ainda não muito revolucionárias. Em 1951 no entanto Karlheinz começou a estudar serialismo, um método de composição, porém rejeitando o método dodecafônico (uma sequência de 12 notas) usada por Schoenberg no início da década de 20. Desse estudo resultaram alguns trabalhos já bastante influentes como Klavierstücke de 1952. Prolífico como seria ao longo de toda a carreira, Stockhausen continuaria seus estudos frenéticamente e em dezembro ainda de 52, ao lado de Pierre Schaeffer, compositor, engenheiro de som e radialista francês que já trabalhava na já mais domesticada música eletrônica - que teve sua genêse real bem antes de Stockhausen, ao contrário do que muitos superficialmente julgam - começa a trabalhar em estudos de música concreta, ramo da música eletrônica e experimental idealizada em grande parte por Schaeffer.

E é nesse contexto que surge Gesang Der Jünglinge, um trabalho que reune elementos de música eletrônica e música concreta, com doses cavalares da criatividade monumental de Stockhausen. Gravado entre 1955 e 1956, o que temos aqui é um compêndio de sons, técnicas e visão que seria influente em inúmeros ramos da música ao longo de todo o século XX. É injusto citar apenas este trabalho como um dos responsáveis estilos baseados em música concreta, como Ambient, Industrial, EBM, Drone, Dark Ambient, Noise, sem citar também sua influência sobre todos os estilos de música eletrônica que se usam de elementos como vocais editados, loops de sons ambiente, a famosa onda senóide tanto usada na música eletrônica e também a manipulação de toda a dinâmica dos sons produzidos. Elementos que pra nós são totalmente comuns na música eletrônica porém em 1956 fazia parte de uma das vanguardas da música erudita sob a forma do que seria conhecido como serialismo total.

Além de toda sua importância dentro da história da música, o disco ainda tem suas peculiaridades. O trabalho é composto basicamente de sons eletrônicos e concretos, em conjunto com vocais editados de um soprano polonês de apenas 12 anos chamado Josef Protschka, criando atmosferas ao mesmo tempo cruas e melódicas. É um trabalho desconcertante que se mantém perfeitamente atual mais de 60 (eu disse SESSENTA) anos depois de sua criação. Como eu já comentei com algumas pessoas, se o Sunn O))) lançasse este disco em 2012, achariamos perfeitamente natural, atual e criativo. Stockhausen é uma das princiapais fontes da qual bebem todos os artistas avant-garde do século XX que se baseiam na música concreta e na música eletrônica. Portanto, álbum absolutamente obrigatório.

PS: Fiz o possível e imaginável pra que eu, mero estudante de física, não ousasse falar como se fosse um legítimo estudante de música. Portanto tentei poupar uma certa profundidade acerca dos assuntos mais técnicos, e qualquer besteira que eu tenha dito, sinta-se perfeitamente a vontade pra me corrigir ou adicionar alguma coisa, ficarei muito grato!

Tracklist:

01 - Gesang Der Jünglinge 13:17
02 - Kontakte (1.Tell)    11:28
03 - Kontakte (2.Tell)    23:24

Links:

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(infelizmente a prévia não tem os últimos minutinhos da música, não reparem)

2 Responses so far.

  1. Marcelo says:

    Muito interessante seu post. Comecei a escutar recentemente esses compositores avant-guarde, sendo Stockhausen o principal. Não posso dizer que sou um profundo admirador do estilo, mas não sei porque esse gênero me intriga. Sou tomado por uma grande curiosidade para entender os motivos e os "porquês" desses trabalhos. Eu sempre acreditei que toda música deve ser contextualizada culturalmente. Sons e sequências rítmicas que nunca ouvimos podem soar muito estranhas e desagradáveis a princípio, mas quando nossos ouvidos e cérebros começam a entender a "lógica" da coisa, muitas vezes aquele caos sonoro consegue se tornar em algo extremamente interessante.

  2. Forbidden says:

    Valeu Marcelo, eu ainda vou postar mais coisas do Stockhausen porque ele realmente reune de forma quase total, os elementos 'avant-garde' que voce vê em trabalhos posteriores até atualmente. Recomendo também muito o "Ø" que eu postei a umas semanas, excelente trabalho no que se refere a essas sequencias hipnóticas, e o Pan Sonic que pretendo postar muito brevemente (é que eles tem álbuns enormes, vai demorar um século pra upar e resenhar).

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