sábado, 9 de junho de 2012
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Batendo de Frente #1

14 comentários


Olá crianços e crianças, adultos e adultas, jovenos e jovenas. Eis que se inicia mais uma seção do blog, e diria eu, a mais polêmica até aqui. O Batendo de Frente será uma coluna baseada no seguinte preceito: A música sempre teve, desde seu principio, muitas vezes o intuito de divulgar uma determinada corrente ideológica, uma realidade social, uma crítica ou mesmo divulgar a cultura de um país, povo ou religião. Porém, como tudo na vida, todos esses termos tem seu contrário, e a música - universal por essência - abrange desde aquele ideal que concordamos e acreditamos, até aqueles que temos pouco em comum, pra não dizer muitas vezes temos asco e chegamos a deixar de ouvir determinado artista por conta de suas posições políticas, religiosas, étnicas ou culturais. Só que isso ainda não faz com que algumas pessoas - como este que vos escreve - deixe de se interessar pelas diversas manifestações em forma de música. Desde as que não concordo, desde as que me atingem, até aquelas com as quais compartilho os ideais. Minha curiosidade é infinita e como eu sei que a de vocês também é, decidimos criar esta seção pra explorar mais esses temas.

Só que é sempre complicado falar sobre um tema sem as pessoas nos ligarem a ele. Como por exemplo, como eu poderia colocar na seção uma banda de esquerda como o Rage Against The Machine e não esperar que me estereotipassem como seu meu ídolo inspirador fosse Che Guevara? É besta, é ignorante e preconceituoso, mas é assim que as coisas funcionam. As pessoas geralmente não param pra pensar antes de julgar ao verem o que discordam. E como lidaremos com assuntos altamente polêmicos nesta coluna, decidimos pensar numa maneira de nos tornamos o máximo possível neutros num assunto.

E o jeito que pensamos foi: Nesta seção vamos colocar de frente dois álbuns de dois artistas que tenham consigo além da música um conceito por de trás de sua sonoridade; uma posição política, ideológica, étnica, cultural ou o que mais for congênere. Só que esses dois artistas não serão quaisquer dois artistas, serão artistas que tenham exatamente posições contrárias ou ao menos bastante antagônicas e controversasAssim, se alguém nos julgar por apoiar corrente ideológica ou religiosa ou cultural X, logo ao lado terá um outro álbum com temática diametralmente oposta pra acabar com qualquer argumento maldoso. Não será dificil explicar ao conceito da seção ao se ver logo quem eu escolhi pra estrelar a primeira edição. Como eu não brinco em serviço, comecei logo beeeeem intenso...

Mas como eu não quero assustar ninguém, só clique no leia mais se você estiver preparado pra ver o que não concorda e não agir como um xiita louco. Estando preparado para o conceito do quadro, clique sem medo e vamos ver o que eu escolhi pra estrelas o debut. E olha, espero mesmo que vocês saibam entender o conceito que expliquei nestes ultimos parágrafos. Porque eu peguei pesado.




Primeiro Round:


 Aryan Terrorism


Aryan Terrorism. cujo nome é bem autoexplicativo, é uma banda ucraniana da cidade de Kharkiv formada em 2002 e como uma grande maioria das bandas que exploram o tema, existe sobre uma nuvem de anonimato e poucas informações. Porém, sabe-se que a dupla que compõe a banda é formada pelo vocalista Knjaz Varggoth da - também bem polêmica no que concerne a temáticas de ódio e racismo - banda Nokturnal Mortum. O rapaz atende pelo sugetisvo pseudônimo de SS no Aryan Terrorism e divide o trabalho com outro colega do Nokturnal Mortum, Santorum, ou como prefere ser chamado neste projeto aqui, KV. 

A banda tem apenas um único lançamento oficial, o disco War de 2002 e como é de esperar, um prato cheio de lírismos agressivos, que exaltam a 'supremacia' branca e colocam os Judeus como algozes de toda a humanidade. Além disso, como bandas de NSBM costumam também fazer, o Aryan Terrorism também coloca uma certa culpa dos problemas da humanidade na Cristandade. E, como uma banda nacionalista que é, também gosta de incitar a violência e o ódio contra pessoas de etnias diferentes da suposta "raça branca pura". Acho que deu pra entender né.

Claro que há todo um conceito complexo por trás do Neonazismo (inclusive recomendo um excelente filme  pra quem, como eu, não concorda com a temática mas tem certo interesse no que leva esses grupos a existirem, ei-lo: Kriegerin, de 2011 - e não, não vou postar links, torrent taí pra isso). Porém não é bem sob essa ótica que surge a banda, apesar de toda a temática explicita nas letras. A música mais famosa dos caras e que pipoca de vez em quando pela interwebs é Crush The Lies que é uma critica a cena moderna do Black Metal de forma bem provocativa, se não fosse bem caricata. Sente só um versinho:

Dimmu Borgir are fucking clowns, gays, venal bitches.
They all sell their asses for a gram of heroin.
Explode the bomb on their gig?

Clowns of cradle of shit are perverts
trading in their defects,
singing with castrated voices of their teenager’s problems.
This is a pornographic clownade burn them fucking alive?

Crush the lies
Crush the lies
Crush the lies
 Crush the fucking lies!


Não vou traduzir (google translate taí pra isso!) mas na letra sobra pra todo mundo, Dimmu Borgir, Cradle Of Filth, Marduk, Ihsahn e seu Emperor, Kovenant e por fim ao Behemoth. Confesso que eu perdi a seriedade ao encarar essa banda ao ver a letra dessa música, especialmente no inicio que rola um They try to kill our BLACK METAL FIGHT! (essa eu até traduzo: "Eles tentam acabar com nossa LUTA BLACK METAL). Mas, há quem ache mesmo que um dia haverá uma insurgência na Europa feita por homens e mulheres fardados usando corpse paint, com tochas e machados (Eles não deveriam falar mal do Marduk, pelo menos eles falam de tanques, acredito que são mais logisticamente práticos do que machados e tochas no contexto de dominação mundial, mas tudo bem).

No entanto, além de tudo isso, no que concerne a nós, humildes mortais, este álbum dos caras que aqui abaixo deixo sinceramente acho muito interessante. Como a maioria do NSBM, bebe suas fontes do Hardcore Punk embora ainda mantenha elementos de Black Metal como os vocais rasgados e guitarras sujas. Essa mistura de HC e Black Metal sempre rende as mais intensas bandas e discos e com este não é diferente. Se você conseguir diferenciar a temática da banda do disco, estarão prontos pra ouvir um bom disco, bastante energético e intenso. Os vocais são muito bons - assim como no Nokturnal Mortus - e o instrumental é bem compentente. Aqui vai ele pra vocês darem uma sacada se quiserem:



Aryan Terrorism - War

Gênero: Black Metal
Ano: 2002
País: Ucrânia

Tracklist:

1. Jewish Provocation 04:08
2.Total War 04:28
3. Destroy the Church of Christ 04:05
4. Crush the Lies 05:15
5. Devastate Their Good 03:18
6. Our Banner Swastika! 05:18
7. A National Socialistic Call 03:50
8. In the Name of Our Aryan Blood 06:06

Bem, deixo-vos por fim um vídeo da famosa Crush The Lies e após ouvi-lo vamos para o lado totalmente oposto da moeda no segundo round.


Segundo Round


Ivri Lider

Qual contraste seria mais perfeito a uma banda neonazista ultra cheia de preconceitos que um músico israelense famoso por ser um dos poucos artistas assumidamente homossexuais que abordam o tema em suas músicas românticas? Bem, acho eu que nada seria tão contraditório. Então apresento-vos Ivri Lider. 

Ivri nasceu em 1974 em Givat Haim, um Kibbutz a noroeste de Israel. Ainda no colégio o rapaz já vivia em Tel Aviv e começou a cantar nos bares locais com o grupo Kach Ossot Kullan, onde foi descoberto por produtores e convidado a compor músicas para espetaculos de dança na Holanda, oportunidade esta que ele aceitou e lhe rendeu algum tempo depois um contrato com a Helicon Records que o garantiu gravar seu primeiro álbum. Pois bem, primeiro álbum que rendeu a Ivri a bagatela de 40,000 cópias vendidas somente em Israel, disco de platina por lá, com singles famosos com "Leonardo".

A partir de então todos os discos de Ivri foram grandes sucessos, e o cara é um dos mais respeitados e bem sucedidos cantores masculinos de Israel. Mas além de ser um grande vendedor de discos, a música de Ivri Lider se destacava por outros aspectos.

Em 2002, depois de ter lançado 3 discos, Ivri assume abertamente sua homossexualidade. Imaginem só vocês o impacto que isso teria para um artista baseado em músicas românticas, é um tanto quanto estranho. Ou não, é estranho pra nós que vivemos num país com uma legislação LGBT absurdamente atrasada, em Israel, um dos países com os direitos homossexuais mais desenvolvidos, o negócio é bem diferente, e essa posição como homossexual acabou levando Ivri a ser referencia no estilo entre o publico homossexual, não só pela sua coragem e naturalidade em falar sobre o assunto como por abordar claramente temáticas homossexuais nas músicas. Além disso, logo após essas declarações Ivri fez parte direta da trilha sonora do filme Yossi & Jagger produzido pelo diretor israelense, também gay, Eytan Fox. Filme este que trata da história de dois soldados israelenses na fronteira com o Líbano que acabam se envolvendo e se apaixonado. A participação de Ivri na trilha do filme foi com uma versão de um clássico da música romantica israelense, Bo (Venha) da cantora Rita. Deixo a seguir um vídeo da música, que é realmente fantástica na voz igualmente fantástica de Ivri (sério eu adoro a voz desse cara):



Pois bem, além disso Ivri também era acompanhado durante seus shows por ninguém menos que Idan Raichel, um dos mais legais músicos israelenses (que vai ter um post só dele em breve) que inclusive fez bastante sucesso com uma música composta em conjunto com Ivri, Bo'i, ainda em 2002.

Aqui abaixo deixo o álbum que eu mais gosto do Ivri (embora a música que eu mais goste dele não esteja em nenhum álbum, mas deixo o clipe dela no final do post), que é um álbum que contem todos os elementos que deram o sucesso a Ivri. Primeiro que é um álbum essencialmente romantico, todo cantado em Hebraico,  porém com um instrumental muito bem feito que por vezes tem grande influencia da música eletronica, uma constante nos trabalhos do cara. Porém é um eletronico bem light, muito bem feito, que só cria excelentes atmosferas na música de Ivri, que tende a ser bem simples porém tem muito, muito feeling. E o hebraico é uma lingua linda quando cantada, bastante melódica, e fica muito mais bonita na voz de Ivri. Insisto na voz do cara tantas vezes por que realmente acho excepcional. Recomendo demais a todo amante de música Light que curte bastante feeling. Excelente álbum pra aquele papo com sua peguete que você está a meses tentando arrumar um jeito de chegar nela, chama ela pra comer um estrombolete de pombo ouvindo isso e olha, é certeiro. Ela nem precisa saber que o cara tá falando de homem com homem. Ah, e é claro, se você for homem e quiser atrair um namorado, nem preciso dizer que é só fazer o mesmo esquema ainda com o bonus do clima ficar ainda maior né.

Enfim, dicas amorosas a parte, aqui vai o disco e os clipes que prometi.


Ivri Lider - The New Peole ( Ha'anashim Ha'hadashim )

Gênero: Pop/Romantico/Alternativo (sério, melhor ver as previews antes de achar que é ruim ou brega, vou logo avisando)
Ano: 2005
País: Israel

Tracklist:

1. Ha'anashim ha'hadashim
2. Le'batei kafe
3. Levad
4. Al kaf ha'mayim
5. Zman
6. Kartisei eshrai
7. Mithamem
8. Horef
9. Ish yakar
10. Puejeot zvait
11. Shirim
12. Kshe kol yaavor
13. Sfarad
14. Geshem aharon
15. Bo

E eis a música que prometi, que deve figurar num futuro disco em inglês do rapaz:




Cabô!

Então foi isso pessoal, espero que tenham curtido essa nova seção do blog, que talvez gerará um pouco mais de polemica que todas as outras que fizemos até aqui, ou não. O fato é, a música tem inumeras vertentes e objetivos e minha curiosidade musical não tem limites. Assim, acho extremamente interessante explorar esse tipo de música com conceitos por trás, opniões e tudo mais. Sempre tem coisas incrivelmente legais a se conhecer se você perder o preconceito no que vai além da música.

E bem, desnecessário dizer, mas: Não, ninguém do blog acha bonito neonazismo, assim como ninguém acha belo o estado de Israel ou estamos fazendo uma propaganda pró-sionismo (sobre homossexualismo, acho que não é questão de gostar/incentivar ou não, isso é uma realidade e não uma questão de opnião, por isso ela deve ser respeitada e não debatida). Tentei durante toda a resenha não expressar minha opnião sobre os conceitos abordados pelas bandas (exceto na parte de sacanear aquela música do Aryan Terrorism, mas leve em consideração que a música em si é uma sátira). Tenho minhas opniões sim, mas isso não quer dizer que eu deixe de ter curiosidade sobre música que explore opniões contrárias as minhas. Assim é o que acho que vocês deveriam fazer com as músicas e artistas que figurarem nesta seção agora e futuramente.

Então, sem mais o que dizer, obrigado por ter lido até aqui e espero que curtam igualmente os dois artistas. Até a próxima o/

14 Responses so far.

  1. Marcos says:

    Gostei demais dessa nova seção! É interessante a idéia de que se deve conhecer artistas/álbuns/ideologias ''estranhas'' a nossa realidade pra que possamos crescer como humanos é necessária(minha opinião). Aguardando a proxima com sofreguidão!

  2. Curti muito!!

    Pode dar sugestão? Pesquise sobre José Gonzalez, um cara q canta músicas muito light (acho q pode ser classificado como neo-folk), mas com uma temática, diria eu, inusitada nas letras, pela sonoridade q o cara faz!

    Tbm aguardo a próxima!

  3. Forbidden says:

    Excelente sugestão Fabricio! Eu tava mesmo querendo arrumar algum artista com essa temática, valeu mesmo! E valeu também Marcos!

  4. Arashiro says:

    Excelente seção! Eu sempre defendo que a arte é um reflexo social que, uma vez em destaque, acaba por moldar a própria sociedade. Sendo assim, partilho a opinião que ao invés de julgar e combater formas de expressão de determinadas ideologias que não nos agrada, é muito mais interessante tentar compreendê-las, e até mesmo apreciá-las, não pelo conteúdo em si, mas pela sua estética e pela paixão que o artista depositou em sua criação. Sem contar que através da reflexão, sua opinião se fortalece, dando-lhe mais argumentos, ou até mesmo possibilita pontos de vista inexplorados, que podem abrir um leque em seu pensamento.
    Gostaria de ver por aqui em futuras postagens alguns Nasheeds Jihadistas (como Howa Al-Haqu Jahshodo Azjnad), que tem uma musicalidade belíssima, mas que incitam o fundamentalismo e o martírio em nome do Islã, e também alguma discussão abordando rappers que falam abertamente da criminalidade e a vida sofrida nas periferias.
    Saudações e mais uma vez parabéns pela iniciativa!

  5. clap clap clap....sem mais!!!!

  6. Forbidden says:

    Tá anotado também Arashiro, fantástica sugestão também. Aliás, to felicissimo com a recepção da coluna, todo mundo sacou a idéia. Inclusive essa temática da Jihad também era bem o que eu queria pra colocar de frente com uma outra temática que quero abordar (mas é surpresa). E já que a galera curtiu, vou começar a fazer a Batendo de Frente #2 de uma vez. A temática será um pouco menos intensa, já vou avisando (ou não, depende do ponto de vista).

    Fiquem livres pra dar sugestões, prometo pesquisar todas e conforme forem aparecendo os contrastes vou colocando na lista pras próximas colunas. Muito obrigado!

  7. Forbidden says:

    Ah, diga-se de passagem a idéia da coluna foi em grande parte do Renato Nagano também. Eu escrevi só.

  8. Muito bem escrita a resenha. Bastante isenta e politicamente correta. Parabéns.

  9. Continuem com esta seção! Maravilhosa! Fabulosa! Insanamente maldita de boa!

  10. Anonymous says:

    POstem mais NSBM!

  11. Belíssimo texto, conseguiu articular muito bem as contraposições e, o melhor de tudo, abriu um ótimo precedente pra gente escrever com um pouco menos de barreira e poder divagar bastante. Boa, Forbam!

  12. Forbidden says:

    Muito obrigado por todos os elogios galera, realmente fiquei muito feliz. Mas passei aqui pra comentar sobre algo que li recentemente, aproveitando que a Ucrânica "está na mídia" graças a Eurocopa: sobre o partido de extrema direta ucraniano Svoboda (http://en.wikipedia.org/wiki/All-Ukrainian_Union_%22Svoboda%22). Interessante leitura desse artigo e das referencias pra quem se interessou sobre o neonazismo da Ucrania, o qual o Aryan Terrorism é um sintoma. Se eu tivesse pesquisa sobre isso antes de escrever o artigo teria colocado mais informações, mas como agora é tarde, leiam vocês, achei muito interessante e explica bastante algumas líricas da banda.

  13. Poxa, a cada dia me surpreendo com a qualidade deste blog...
    Parabéns! E sobre as músicas, já conhecia o Aryan Terrorism, som bem legal, temática risível, agora o outro vou conferir, mas acho que não é o tipo de som que curto.

  14. xaropealex says:

    Parabéns bela seção ótimas informações, um ótimo texto, muita informação de qualidade!!!
    clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap ...
    A proposito poderia ser abordado mais tarde teorias musicais opostas como Consonância e dissonância, musica sacra e 'pagã, etc etc

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