segunda-feira, 16 de julho de 2012
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Porco na Cena #1 - Eclipse Doom Festival V

1 comentários

Olá amiguinhos, amiguinhas e inimiguinhos, estamos aqui novamente para apresentar uma nova seção no Pignes. Esta que no entanto não é nova em nossos propósitos, já pensavamos em criar algo congênere a muito, muito tempo mesmo. O Porco na Cena será uma coluna de resenhas de shows e festivais que nós do Ignes frequentamos. E acho que vocês vão adorar essa idéia.

Uma coisa que sempre pensamos e tivemos como chave no nosso propósito com o blog é a importância dos shows e festivais. Somos um blog com conteúdo pra download incrivelmente extenso, que muitos criticam fortemente por sermos 'ladrões de propriedade intelectual', porém somos também grandes frequentadores de shows e festivais (e também colecionadores de mídias físicas, e vem surpresa por aí no que concerne a isso). A relação entre as duas coisas está no fato que enquanto tentamos propagar a cultura de forma aberta através dos downloads, os shows e festivais permanecem experiencias únicas de contato com os artistas que um download, mesmo de um DVD, jamais poderá reproduzir totalmente. Dessa forma a idéia de resenhas de shows surge naturalmente sem a presença de downloads, exceto bootlegs que podem aparecer ocasionalmente. A idéia aqui é incentivar mesmo a presença nos shows contando as experiencias não só musicais que ocorrem num evento desse. E o primeiro festival que vamos mostrar aqui é um festival incrivelmente legal que ocorreu em terra brasilis com bandas nacionais de um estilo que só agora vem sendo valorizado dentro do Brasil: O Doom Metal. 


Espero que curtam essa nossa iniciativa e o primeiro capítulo dessa nova saga, o Eclipse Doom Festival V que aconteceu em São Paulo no dia 15 de Julho deste nosso 2012 e foi produzido por uma iniciativa muito legal dentro da cena do Metal brazuca, a União Doom Metal BrasilQuem foi lá, conferiu os shows e traz a resenha pra a gente é o Nixespero que curtam e vamo em frente ver o que rolou por lá.



Enfim, o ano de 2012 se mostrou proveitoso para o Doom Metal nacional! Ignorando a tradição brasileira baseada no Thrash e Death, um grupo de músicos e simpatizantes do estilo se aliaram e formaram a União Doom Metal Brasil, capitaneado pelo casal Ellen Maris e Sandro Pessoa (ambos do Apocalyptichaos). E, para selar de maneira oficial essa associação, nada melhor que um festival contendo uma das bandas mais representativas do estilo no Brasil atualmente (e uma das com mais tempo em atividade), o HellLight!

Tradicionalmente, o Eclipse Festival é um evento que ocorre na cidade de Curitiba, mas que neste ano foi remanejada para São Paulo. Abaixo, o teaser do evento:



Além do HellLight, também participaram o carioca Mortarium, formada por um talentoso trio feminino; e o experimental e politizado Mito da Caverna. Os joseenses do Les Mémoires Fallinfelizmente não compareceram ao evento, por problemas de última hora. O que foi uma pena, pois a banda já se mostrou com iniciativa ao organizar um festival similar em sua cidade São José dos Campos (evento na qual estive presente e que também contou com a presença do HellLight).

Agradeço a Pierre Cortes por me ceder as fotos, abração pro mano o/

O MITO DA CAVERNA

Como eu ainda estava nas imediações do Manifesto quando o festival começou (ou seja, tinha saído de casa sem jantar), perdi uma pequena parte da apresentação do Mito da Caverna. O que pra uma banda de Sludge/ Grindcore com traços de Drone não compromete muito esta resenha. Com uma performance bastante performática, o vocalista Augusto Miranda entoava um gutural gravíssimo e profundo, em contraste imediato com o instrumental e postura dos instrumentistas, bastante introspectivos e estáticos. Aliás, logo de início a dinâmica entre o vocal e os instrumentos me remeteu a Thorr's Hammer (não confundir com a banda NS de 'quase' mesmo nome). Outra associação que fiz foi ao som dos Melvins, nos momentos mais Sludge, principalmente por alguns riffs mais enérgicos nas guitarras e numa pegada mais veloz na bateria.

Na metade de uma das canções (que são longas à beça), Augusto fez um discurso bastante politizado, mostrando que ideologia O Mito da Caverna veio propagar; o que é bastante interessante, pois poucos são os grupos de Sludge/ Drone que perambulam por uma temática mais, digamos, realista (bem, na verdade, não consigo pensar em nenhuma banda do estilo que faça isso).

Setlist:

1- A Conquista da Colina (pt I)
2- Anticapital (cover do Assuck, emendada à primeira parte de ''A Conquista da Colina'')
3- A Conquista da Colina (pt II)




MORTARIUM


Eu nunca havia assistido a um show no Manifesto Rock Bar, mas logo nesta primeira vez o local ganhou pontos comigo ao se mostrar bastante rápido e pontual na troca de bandas: alguns poucos minutos após O Mito da Caverna abandonar o palco, entra o trio de garotas cariocas do Mortarium. Como eu não havia ouvido nada da banda antes do show, não imaginava que tipo de Doom Metal que elas tocavam. Logo na primeira canção algo me remeteu a Sub Rosa- tirando a parte Sludge, pois o Mortarium segue uma linha Doom mais ''de raiz''.

Embora com bastante timidez ao falar com o público, logo Vivi Alves, que também toca o baixo, e a guitarrista Tainá, se mostraram vocalistas de mão cheia. Vivi tem um vocal limpo impecável e que combina perfeitamente com o som que a banda se propõe a fazer; Tainá, na minha sincera opinião, poderia largar mão dos vocais guturais- não que sejam ruins, são muito bons! Mas os considerei desnecessários para a banda, algo ali não combinou, pelo menos ao vivo.

Quanto ao som da banda ao vivo, a performance das musicistas foi bastante introspectiva. As canções não foram longas (chuto que estavam numa média de seis minutos cada), mas pareceram para mim. Não sei se foi por causa da cerveja ou porque o som das garotas é realmente viajante! A penúltima canção a ser tocada (e que leva o nome de sua demo, ''The Awakening of the Spirit) tem uma parte final no baixo que é quase hipnotizante, ainda mais acompanhada pela bateria enérgica de Julie Souza e do vocal da Vivi. Ah, se todo Doom Metal com uma pegada mais ''melódica'' fosse daquele jeito...

Setlist:

1- Memories (intro)
2- Blue
3- My Distress
4- Somewhere
5- The Awakening of the Spirit
6- Celebrate Eternity




HELLLIGHT


Como o Les Mémoires Fall não tocou naquela noite, logo a banda mais esperada do evento subiu ao palco: o veterano HellLight, numa introdução bastante sombria (com direito a duas garotas segurando candelabros), abriu seu show com a tradicional execução de uma Marcha Fúnebre moldada ao estilo cadenciadíssimo da banda.

A primeira canção a ser tocada foi The Light that Brought Darkness, presente no último álbum oficial da banda e também em seu EP de covers. É uma canção bastante densa, os vocais guturais de Fabio se assemelham a trovões. Foi também uma oportunidade para conferir seus vocais limpos, não cantados com sutileza e calmaria, mas entoados com intensidade, o que já torna o HellLight diferente de outras bandas do mesmo gênero.

Como de praxe nesse estilo que é o Funeral Doom Metal, as canções estão numa média de 10 a 12 minutos de duração, o que dá margem para que Fabio mostre sua destreza nos solos de guitarra- sim, eles são tocados de forma veloz! E sim, isso contrasta tanto com a atmosfera das canções, quanto com o ritmo dos outros músicos.

E, falando nos outros músicos, o show do HellLight foi marcado pela entrada de seu novo baterista: Evandro Camellini, que mostrou toda sua energia e disposição num ataque visceral de bumbo, caixa e pratos, mostrando que o Funeral Doom também tem muita energia ao vivo! Alexandre ''Alemão'' Vida, membro remanescente da formação original junto com Fabio, mostrou a que veio com as cinco cordas de seu baixo. Embora o timbre não estivesse tão aguçado quando estava no festival de São José dos Campos, Alexandre torna desnecessária qualquer possibilidade de um segundo guitarrista! Cássia, musicista convidada para tocar ao vivo, é a que está mais contida dentro do palco, segurando toda a base e melodias de seus teclados. Que, a propósito, moldam toda a atmosfera pesada da banda.

Setlist:

1- Intro (Marche Funebre)
2- The Light that Brought Darkness
3- Afterlife
4- Funeral Doom
5- Deep Sideral Silence




Coletânea: Doomed Serenades


O evento também marcou o lançamento oficial da coletânea ''Doomed Serenades'', que, além de conter músicas do HellLight e Mortarium, também conta com Apocalyptichaos, Les Mémoires Fall, Lacryma Sanguinae, (o grande) Imago Mortis, As Dramatic Homage, Tristis Terminus, De Profvndis Clamati e In the Shadows.

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E é assim galera, que terminamos mais um debut de coluna aqui no blog, com uma que deviamos a muito tempo, né. Virão mais shows por aí, naturalmente de muitos outros gêneros e artistas, e muito em breve inclusive. Quem foi no Eclipse Doom Festival e quiser dar sua opnião sobre as bandas, o festival, o lugar, etc, fique a vontade aí nos comentários, seria bem legal. No mais, vamos agradecer ao Nix pela resenha. E aguardar a próxima edição da coluna, até breve.

One Response so far.

  1. X-PloWer says:

    Olá

    Muito bom a resenha, gostei mesmo.
    Porém, só deveria corrigir algumas partes, o Eclipse Doom Festival teve origem na cidade de Joinville - Santa Catarina e foi idealizado por dois homens, Silvio e Daiton, ambos da Preludium Produções. Mas é digno dizer que a União Doom Metal Br deram um suporte maravilhoso para a realização do festival na edição de São Paulo. Como também os patrocínios oficias da Persephone Dark Clothes e a Refuge Rock Wear que estão conosco desde as primeiras edições. Enfim, são os apoios, os patrocínios e prinpalmente o público que torna o Eclipse Doom Festival possível e majestoso da forma que é. O agradecimento é todo a fidelidade do público que nos acompanha desde suas primeiras edições.

    E agora em Julho / 2013 terá a sexta edição, também em SP. Especificamente em 06 de Julho. Mantenha atento as novas informações que em breve divulgaremos as atrações.

    Grande abraço e continue nos apoiando!

    Silvio

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