quinta-feira, 19 de julho de 2012
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Porco na Cena #2 - A Place To Bury Strangers

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Quarta-Feira de fato não é um dia muito convidativo para shows, ainda mais com o frio e garoa fina típicos da capital paulista, porém, o que se tem visto em crescente no estado de São Paulo,  é uma quantidade enorme de shows no circuito mais alternativo,  inundando os dias de labuta sem dó nem piedade daqueles que acordam cedo no dia seguinte. Mas quer saber? Muitas vezes isso vale o sacrifício, e vale muito apena, como foi o caso desta quarta feira, dia 11 de Julho de 2012.

Antes de mais nada preciso dizer sobre o valor desse show, um dos mais baratos que já paguei pra uma banda internacional, onde está se tornando cada vez mais comuns ingressos absurdamente caros, que custam mais de 1/3 de um salário mínimo, o Beco vem surpreendendo ao trazer shows por um preço módico (e de ótimas bandas), como foi o caso do Japandroids, e agora do A Place To Bury Strangers, que custaram simplesmente a bagatela de 30 reais, ainda com direito a meia entrada.

O local escolhido para acomodar o show foi o bom Beco 203, franquia paulista da já consagrada casa gaúcha que tem seu foco no indie rock como um todo. A casa se firma cada vez mais como um dos melhores ambientes pra receber shows pequenos, com um publico que gire em torno de até umas 500 pessoas, o que torna as apresentações um tanto quanto intimistas, ao menos nas que presenciei, com uma grande interação entre o artista e a plateia, que por muitas vezes chega a resultar em papos descontraídos e brincadeiras durante o show. 



Em dia de decisão de Copa do Brasil, uma pequena fila se formava na porta do Beco próximo ao horário de abertura da casa, sem mais estresses, foi um tanto quanto tranquilo a entrada, por 2 horas a discotecagem entretia o publico, onde alguns acompanhavam o jogo do Palmeiras no bar, e outros faziam compras no merch da banda, que ponto para eles, cobravam um preço justo por seus cds e lps (e tinha até protetor auricular para aqueles tementes a porrada sonora que estava por vir)

Com abertura da banda Single Parents iniciando por volta da 00h, eles foram os responsáveis por aquecer o publico, e fizeram isso bem. A banda que aparenta ter muita influência de Sonic Youth, tem futuro promissor, molecada super competente e de respeito, só apontaria para algumas mudanças nos vocais dos caras, que por muitas vezes soa muito adolescente, muito hardcore melódico, e não encaixa bem com o garage rock/noise rock que eles aparentam ter intenção de soar. 

Logo após o termino da apresentação do Single Parents, os próprios integrantes do A Place To Bury Strangers surgem no palco pra arrumar seus próprios equipamentos, sorridentes, inclusive cumprimentam aqueles que estendem a mão na beira do palco, sem estrelismo algum, apenas caras normais fazendo seu som pra uma galera bem afim de curtir. 

De cara é possível se espantar com o tamanho das pedaleiras utilizadas, aquela ideia de “a banda mais barulhenta do mundo”, começa a tomar forma. Vale lembrar que boa parte dos pedais utilizados, são produzidos a mão pelo próprio Oliver Ackermann, guitarrista e vocalista do grupo em sua pequena fábrica de pedais, Death by Audio, no Brooklyn, tão bons a ponto de gente do nível de Trent Reznor, Thurston Moore e The Edge encomendarem pessoalmente pedais com o cara.


A partir do momento que a fumaceira começa a se espalhar pelo palco, sabemos que o barulho vai começar. Com uma sacada genial, o APTBS usa uma das iluminações mais legais que já vi, posicionam estrategicamente alguns projetores (sim daqueles de telão) em meio a fumaça, e conectados a ipods, exibem imagens e videos (que obviamente em meio a fumaceira, tudo se torna abstrato), mas o efeito é incrível, feixes de luz tomam o ambiente escuro, dando uma atmosfera absurdamente opressiva e soturna, combinando perfeitamente com o som ali entoado.


Logo nos primeiros acordes o público começa a pular, ou os mais tímidos ao menos acompanham mexendo a cabeça e batendo o pé no chão, e assim seria pelo resto do show, um espetáculo incrível tanto de banda quanto de público onde em crescente, um impulsiona o outro a tornar tudo cada vez mais agressivo e caótico.

A sensação de ouvir o post-punk/shoegaze dos caras é extremamente difícil de converter em palavras, principalmente sem o uso de metáforas, as paredes sonoras criadas são incríveis, tomam todo o ambiente e nada mais é possível de se ouvir, é como se você sentisse um muro vibratório se chocando contra seu peito, e em meio a tanta distorção e reverberação, os vocais melódicos de Oliver que quase são encobertos pelas batidas potentes da bateria, e as distorções da guitarra e do baixo, dão todo o contraste entre aquele som agressivo e distorcido tirado das guitarras e nos mostram o lado belo da coisa toda.


Como dito anteriormente, o show foi uma crescente do começo ao fim, a cada faixa passada o publico se empolgava mais, assim como a banda, que foge muito da atitude shoegazing de ser, e nada de ficar apenas parado encarando os próprios sapatos, o que é visto é muita movimentação no palco, malabarismos com os instrumentos, e uma pegada incrível, aumentando ainda mais o punch de tudo.  O mais inesperado pra mim aconteceu, em meio a todo o caos sonoro cada vez maior, um respeitável moshpit se abre frente ao palco, stage dives passam a rolar, e a porrada comendo solta. Pelo visto até o baixista Dion Lonadon não queria ficar de fora, e sem titubear se jogou com seu baixo no meio da galera, e tocou por um bom tempo sendo carregado por todos aqueles que estavam em total êxtase. E pouco depois de retornar ao palco, Dion não relutou e voltou para o meio da galera, dessa vez no chão, tocou rodeado pelo publico, e esticando a duração de “I Lived my life to stand in the shadow of your heart” para longos 15 minutos de muito noise. 


Como não podia deixar após tanta energia e satisfação, a banda ainda voltaria para um bis, tornando nosso show ainda mais especial, bem mais duradoro do que o de costume (e segundo um camarada que já viu 6 apresentações dos americanos, esse fora realmente a melhor de todas). Para finalizar o espetáculo, Dion estoura seu baixo de forma monumental, batendo diversas vezes contra o chão, em um clichê sensacionalmente épico, ele espatifa seu baixo inúmeras vezes, até se tornar nada mais do que pedaços de madeiras disformes finalizando, todo o clímax deste que para grande parte dos que estavam ali, fora o show do ano. 




*Fotos por Denise Machado e Rodolfo Yuzo

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