terça-feira, 4 de setembro de 2012
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Porco na Cena #5 - Ringo Deathstarr

3 comentários

Mais um show de shoegaze, mais uma vez a satisfação se deu por completo, e pelo andar das coisas, os shows do gênero vão conquistar um lugar cativo em termos de preferência pessoal deste que aqui escreve.

Em uma iniciativa promovida pelos donos do Espaço Walden e da produtora Rockers, estes trouxeram o Ringo Deathstarr para uma série de apresentações no Brasil, onde tocaram pela primeira vez em São Paulo na Popfest, após isso em Curitiba, Rio de Janeiro, e voltaram mais uma vez para um segundo show em São Paulo assim encerrando sua maratona por essas bandas.



O local escolhido para receber  o show fora a Lega Itálica, sim, eu também nunca havia ouvido falar do lugar até então, um lugar bem estranho a começar por ser um espaço italiano localizado no meio do bairro da Liberdade (para aqueles de fora de São Paulo, é um tradicional bairro japonês por aqui). A tal da Lega Itálica na verdade é um casarão, bem antigo, construído em 1899 e usado hoje em dia para alguns “bailes da saudade” e coisas do tipo. O lugar é realmente bem velho e um pouco mal conservado, mas mesmo assim tem uma atmosfera bem legal justamente por isso, tem a aura de lugar underground que as casas onde andam acontecendo a maioria dos shows hoje em dia perderam, além de ser bem espaçoso e aguentar um publico de umas 1000 pessoas tranquilamente, mas vamos ao que interessa, os shows:


Um pouco atrasado, o primeiro show veio com A Espiral de Bukowski, o publico ainda era bem diminuto, alguns poucos prestavam a atenção na apresentação da dupla que tem uma sonoridade um tanto quanto intimista, além de tocarem sentados e tudo o mais, enquanto outros circulavam pelo ambiente conhecendo o lugar, dando uma olhada nos merchs ou aproveitando para comprar cerveja. E ah, dos que estavam lá assistindo os shows eram os próprios membros da Ringo Deathstarr, que ficaram por lá o tempo todo, assistiram todos os shows tranquilamente da pista, tratavam super bem quem resolvia dar um oi, afinal como eles mesmos já haviam dito, eles vieram pra cá para se divertir (fato que pode ser contemplado com essa foto, não é sempre que se vê uma banda de outro país sentado na rua comendo sanduiche de pernil).


A segunda apresentação da noite veio com a banda curitibana Subburbia, o grupo investe pesado na parte visual que remete forte a essa nova onda do Witch House surgida nos submundos da internet, tumblr, pentagramas, filtros bizarros, uma vibe meio dark, mas que contrastam com a sonoridade do grupo que chega a ser quase que dançante e alegre.

Logo após no palco temos a The Concept, banda com um certo tempo de estrada já, e que logo de cara nos faz perguntar mentalmente como esses caras não são mais conhecidos. Guitar band forte, com excelentes timbres e um show de distorções e noise como as boas bandas do gênero dos anos 90, sem esquecer de destacar a bateria que consegue chamar bastante a atenção em uma banda onde o foco são nas guitarras.

Encerrando a parte brasileira de shows, a Single Parents que está numa excelente fase, se destacando bastante no meio alternativo. Dos três ou quatro shows que vi da banda, essa talvez tenha sido a apresentação mais enérgica. Ponto pros caras que além de um instrumental bem trabalhado, possuem o dom de criar canções grudentas daquelas que bastam duas ou três ouvidas para sair por aí entoando seus refrãos
.

Passando da meia noite, chega a hora do show mais aguardado pelos presentes, que infelizmente não eram muitos, uma pena. Chega até a ser meio triste que um show num sábado a noite, de uma ótima banda gringa, com mais uma boa composição de bandas nacionais dando suporte, em um local próximo do metro e por um preço mais barato do que de muita balada por aí tenha dado em torno de apenas 200 pessoas, infelizmente isso ainda acontece aos montes, com a grande maioria valorizando apenas aquilo que é clichê. De qualquer forma palmas para todos os presentes e amantes da boa música que lá estiveram.


Por ironia do destino, durante as 4 apresentações anteriores não houveram maiores problemas, mas o início do Ringo foi meio conturbado, ora vocal sumia, ora guitarra desaparecia, bateria desmontando, mas não, isso não chegou a atrapalhar a ótima apresentação do trio. Além de esbanjarem carisma, lidaram muito bem com os problemas e os contornaram com maestria sem deixar o show esfriar, em troca o pequeno público respondia com empolgação, cada um do seu jeito, uns dançando, outros cantando. Como não poderia deixar de ser para o gênero, ao vivo as canções do grupo tomam uma postura muito mais agressiva e pesada, as reverberações e distorções soam muito mais encorpadas e tomam todo o ambiente para si. Alex impressiona, não só pela sua beleza, é claro que a ruivinha com corpo de modelo e um baixo nas mãos chama a atenção, mas ao vivo é possível reparar que as linhas criadas por ela são bem trabalhadas, nada muito retão como eu particularmente imaginava. Elliot assume bem a posição de frontman. Daniel assume a posição quase que de um baterista de punk rock, por muitas vezes se empolga em levadas simples e aceleradas, como um baterista do gênero, a consolidação disso se dá nos covers de Ramones e Dead Skeletons que encerram o show.



Os presentes tenho certeza que aproveitaram a boa noite que foi proporcionada, aqueles que por algum motivo banal deixaram de ir, não façam isso na próxima, ver algo diferente faz bem, as experiências inclusive podem ser bem mais legais do que aquela balada que sempre toca as mesmas coisas, ou os shows daqueles nomes clichês e manjados.





*Fotos e videos por Floga-se

3 Responses so far.

  1. Ângelo says:

    excelente resenha.
    foda do underground é que sem divulgação as pessoas não aparecem.
    acho que muitas das bandas que tocam não fazem a parte delas para divulgar o show.
    As vezes não sei se é por que não sabem como divulgar ou se acham que tocar em shows vazios é prova de amor a música

  2. Koticho says:

    As pessoas ainda tem muito problema em fugir da sua rotina, em deixar de ir naquela baladinha de sempre pra fazer algo diferente, seja a ir em um show de banda menos conhecida ou a um teatro. A maioria vê show mesmo só como aquele evento especial daquela banda gigante que lota o morumbi.

  3. Nix says:

    PUTA QUE PARIU. Se estendeu além da meia noite? Se eu soubesse eu teria ido. Ainda saí de casa às oito da noite, mas desisti de ver a banda e fui pra outro role. Enfim, deve ter sido muito bom.

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