quinta-feira, 25 de outubro de 2012
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My Dying Bride - A Map Of All Our Failures

2 comentários

Gênero
: Death/Doom Metal
País: Inglaterra
Ano: 2012

Comentário: Se o Black Sabbath, na gênese primordial do Heavy Metal, já criava notóriamente ao mesmo tempo o que viria a se tornar o estilo mais obscuro do Metal, o Doom Metal, foi apenas no início dos anos 90 que o estilo se distanciaria definitivamente do Metal tradicional e se tornaria claramente um gênero a parte. Muito disso devido a esta banda que vos posto, em seu novissimo álbum, o My Dying Bride.

Das bandas que participaram dessa época marcante no gênero que foi o advento do Death/Doom Metal nos anos 90, seja como percurssoras ou seguidoras, como o Paradise Lost, o Anathema, o The Gathering, o Tiamat e muitas outras, todas trilharam passos próprios em suas discografias, mesmo que inicialmente tivessem sonoridade parecida. E todas se tornaram expoentes de originilidade em seus estilos atuais. O My Dying Bride, embora não tenha se distanciado em nenhum momento do Metal tanto quanto seus colegas, também trilhou caminhos próprios primeiramente ao criar um álbum essencialmente focado em vocais limpos e violinos em 1995 (The Angel And The Dark River) e posteriormente gradativamente ao voltar ao Death/Doom com vocais agressivos e instrumental pesado com os álbuns The Dreadful Hours de 2001 e Songs Of Darkness, Words Of Light em 2004. E todos esses três álbuns que citei estão entre os mais aclamados álbuns da carreira dos caras, que mostra que mudanças pro My Dying Bride nunca foram um problema.

Porém, nos últimos anos, a banda tentou novamente apostar em novos caminhos ao se arriscar num álbum bastante experimental (embora não muito radical), o For Lies I Sire, de 2009, e o neoclássico Evinta de 2011. Eu não diria que essa escolha foi bem recebida, muitos fãs ficaram não só céticos sobre a forma com que a banda passou a se portar, bem menos pesada e obscura, como também questionaram a qualidade das composições em si. Isso é o que acontece quando uma banda tem uma discografia de mais de 20 anos com diversos clássicos, a cobrança é enorme. E deve mesmo ser. Especialmente por que ela surte efeito. Em 2012 temos não só um belíssimo álbum do My Dying Bride, como um disco que traz exatamente o que os fãs esperavam: a atmosfera única que a banda possuia de volta.

A começar pelas guitarras, os riffs desse álbum são absolutamente fantásticos, seja quando são arrastados e cadenciados ou quando lembram os bons tempos do Dreadful Hours e misturam trechos extremamente pesados em meio a faixas quase totalmente lentas, como na sensacional faixa de abertura Kneel Till Doomsday.  A segunda faixa do disco por exemplo, The Poorest Waltz, tem um riff absurdamente bem feito, mesclando de uma vez só quase todas as caracteristicas que o trabalho instrumental do My Dying Bride tem durante todos esses anos, guitarras gêmeas, violino por cima e o baixo marcante mantendo a aparente melodia das guitarras num patamar de peso e obscuridade. No entanto, apesar de logo de cara já nos mostrar um dos melhores pontos positivos do álbum - o instrumental - a Knell Till Doomsday já nos indica a principal caracteristica negativa do disco, os vocais. Não sei exatamente qual o problema deles, em muitas músicas, como na fantástica faixa-título, eles são perfeitos, mesmo limpos em sua totalidade. Mas Aaron Stainthrope nunca foi exatamente um cantor. Sem querer desmerecer o trabalho fantástico que Aaron executou todos esses anos, mas a parte mais tocante e emocionante de seus vocais eram a forma como as letras não eram meramente cantadas, mas sim lamentadas, arrastadas, com um luto intenso que carregava nas letras mais simples a emoção brutal que a banda queria passar. No entanto, neste disco, em algumas faixas, Aaron tentou ir um pouco além, mais ou menos como já tenta desde o A Line Of Deathless Kings de 2006. E isso não combinou muito bem com um dos álbuns com o instrumental mais obscuro e intenso de toda a discografia da banda. Mas, não acontece em todas as músicas, e curiosamente fica mais evidente nas duas faixas que foram liberadas antes do lançamento do disco, a já citada Kneel Till Doomsday e a Hail Odysseus e especialmente na A Tapestry Scorned (que é uma faixa com um andamento bem diferente do usual da banda, por sinal parece que ela é uma narrativa, o que justifica ela ser justamente a faixa escolhida para ser o primeiro videoclipe do álbum). E infelizmente os guturais ficam bem prejudicados com isso, por alguma razão eles resolveram abafa-los bastante em algumas músicas, o  que os fez perder quase toda a agressividade. Felizmente, no entanto, esses problemas dos vocais não aparecem na totalidade das faixas, apenas em pequenos momentos - que no entanto causam estranheza absurda - e logo da metade pro final das músicas eles voltam a ter o tom melancólico absurdo que Aaron nos brindou todos esses anos. E com um feeling sensacional, diga-se de passagem.

Mas chega de falar dos vocais. Não posso deixar de falar sobre uma coisa que voltou ao MDB com força total neste álbum. O violino de Shaun Macgowan. Se ele parecia um pouco artificial no For Lies I Sire, e no Evinta não fazia mais do que papel coadjuvante, neste disco eles são mais protagonistas do que nunca, desde o Like Gods Of The Sun de 1996, quando estes eram de responsabilidade de Martin Powell, que depois tocaria no Cradle Of Filth e no Anathema. No For Lies I Sire a bela Katie Stone - talvez e muito provavelmente vítima da mixagem - acabou não conseguido transmitir a mesma emoção absurda que inclusão de violinos cria dentro da sonoridade pesada do Doom Metal e que o My Dying Bride foi tão importante em difundir. Shaun no entanto traz de volta essa sensação maravilhosa de contraste e melodia, lenta e melancólica, embora cortante pelo timbre do violino. É inegável a importancia do instrumento nesse disco, sem ele certamente eu não teria me impressionado tanto com faixas como a A Map Of All Our Failures e a The Poorest Waltz. Shaun Taylor-Steels continua mantendo a sensacional bateria da banda, que está ainda um nível acima de todas as bandas do estilo. Taylor-Steels consegue acompanhar os riffs capitaneados pelo sempre fantástico Andrew Craighan com maestria, seja nos momentos mais pesados onde seus pedais duplos não são poupados, ou nos trechos cadenciados, onde com o cara sabe utilizar incrivelmente bem os pratos e os tons da bateria para tirar os instrumento da monotonia que muito vemos em bandas do estilo.

É quase impossível pra mim, que acompanho fervorosamente a carreira da banda já a muitos anos, não me estender na resenha desse disco, como estão vendo. Porém, garanto que ainda poderia falar muito mais sobre ele. Se ainda não é um disco a nível dos fantásticos As The Flower Withers de 1992, Turn Loose The Swans de 1993, The Angel And The Dark River de 1995, The Dreadful Hours de 2001 e o Songs Of Darkness, Words Of Light de 2004, que são talvez os grandes pontos altos de uma discografia sem pontos exatamente baixos da banda, A Map Of All Our Failures é sem dúvida o melhor dos últimos 3 lançamentos da banda, a contar com o EP Bring Me Victory que eu particulamente gostei bastante, de 2009. E isso por que é dificil vencer álbuns que já ouvi tantas vezes e se encontram emocionalmente ligados a mim de forma tão intensa. Muito provavelmente este disco vá encontrar seu lugar nos pontos altos da discografia da banda, pois sem dúvida é o que os fãs da banda esperam ao se dar de fronte a um novo disco dos caras. Obscuro, intenso e melancólico, como o My Dying Bride não era já a algum tempo.

Ouçam sem medo.

PS: Já atualizei a discografia completa da banda, se voce está conhecendo a banda agora, não esqueça de dar uma passadinha lá.




Tracklist:

1. Kneel Till Doomsday 07:52
2. The Poorest Waltz 05:08
3. A Tapestry Scorned 08:00
4. Like a Perpetual Funeral 08:32
5. A Map of All Our Failures 07:52
6. Hail Odysseus 08:54
7. Within the Presence of Absence 08:50
8. Abandoned as Christ 08:36

Download:

Mega

2 Responses so far.

  1. Áquila says:

    Foi tão convincente que eu tive que baixar na hora!

  2. dastrevas says:

    esse cd esta simplesmente sensacional!!!!!

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