domingo, 28 de outubro de 2012
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Porco na Cena #14 - Planeta Terra

2 comentários

O Planeta Terra surgiu com uma proposta interessante em 2007, numa época em que o Brasil vivia um momento fraco em relação a festivais,e eventos de música alternativa como um todo, a proposta era trazer tanto bandas clássicas como bandas mais recentes dentro do mundo "indie". Em 2009 o festival se mudou da Vila dos Galpões para o Playcenter, e lá se estabilizou, por três anos teve três edições muito bem sucedidas, a ideia de festival de música unido a um parque de diversões realmente era sedutora. Porém, neste ano de 2012 o Playcenter fechou suas portas, e o Planeta Terra se viu sem teto. A casa escolhida para abrigar a nova edição do festival fora o Jockey Club, que já tinha sido testado pelo Lollapalooza em Abril, e aguentado muito bem um festival do dobro do tamanho, uma decisão sem duvidas bem acertada. O problema foi que tudo pareceu desmoronar antes do festival acontecer, a perda do Playcenter gerou uma certa insegurança e desgosto do público por perder todos aqueles brinquedos, isso acabou influenciando no atraso do anuncio de lineup, e também da venda de ingressos, resultando em uma aparente baixa vendagem, e o gran finale veio com o cancelamento do Kasabian, que de longe era uma das bandas mais aguardadas do festival, um dia antes do próprio acontecer.



Já no sábado, o dia não começou muito convidativo, encontrei alguns amigos na Paulista para almoçar e o tempo já estava horrível. Nublado e chuvoso, nada propicio para um festival aberto em solo de terra e grama, tudo parecia ir contra o festival inteiro, mas no fim, o resultado foi positivo. A entrada foi tranquila e se tem uma coisa que não se pode reclamar sobre o Terra é em relação a organização do festival em si, desde o primeiro, sempre muito bem curada. Lá dentro os shows já haviam começado e quem se apresentava no palco principal era a Mallu Magalhães, aproveitei para ir ao banheiro e comprar uma cerveja enquanto ela assassinava "Me Gustas Tu" do Manu Chao. Fim da Mallu, fui para a frente ver o show do Best Coast, público bem sossegado, foi fácil pegar um lugar bom na plateia. Minha surpresa foi ver enquanto os instrumentos eram preparados, o guitarrista Bobb Bruno trajando uma camiseta do Mercyful Fate, algo um tanto quanto díspar pro som fofo e bonitinho do Best Coast. Sem atrasos, Beth Cosentino apareceu no palco pra dar início ao show do trio californiano. A mistura de Dream Pop e Beach Rock do Best Coast é agradável, provavelmente funcionaria melhor em algum local fechado, mas serviu bem para aquecer o público como primeira banda internacional do Main Stage. Vale dar créditos para o guitarrista Bobb Bruno pela adição de boas distorções, aumentando o punch do som. Lá pela metade da apresentação, o sol resolveu dar as caras, contribuindo pra um clima agradabilíssimo naquele final de tarde, e aumentando a vibe do show do Best Coast. Entre conversas simpáticas de Beth com o público, agradecimentos, o show do Best Coast foi satisfatório, apesar de que a partir da metade para o fim, começar a soar repetitivo.


Fim do Best Coast, ainda tinha um bom tempo de espera até o início do Suede, a primeira banda que eu realmente fazia questão de ver. Resolvi passar no Maccabees que já estava tocando no Indie Stage. O Maccabees está em seu terceiro álbum, e foi notável a tentativa de algumas mídias como a NME neste ano de tentar hypar e jogar o grupo as cabeças, o resultado provavelmente não foi o esperado, mas serviu para aumentar de alguma forma a popularidade do grupo, visto que o palco deles estava mais cheio do que o principal. O instrumental da banda para o mundinho "indie" é realmente bom, notável que há uma preocupação com esta parte, e é muito bem cuidada, mas em contra o vocal não ajuda nada, extremamente monótono sem graça, sem sal, Maccabees seria melhor se fosse uma banda instrumental.


Resolvi comer e voltar para o show do Suede, nesse momento percebi o quão bem disposto ficou o planejamento do festival, ocupando apenas metade do espaço do Jockey, os palcos, bares e banheiros, estavam todos muito bem localizados, isso que a lotação estava aquém do esperado, próxima das 30 mil pessoas que seria a capacidade máxima do festival, tudo funcionou bem, sem filas, sem tumultos, era tranquilo de transitar de um lado para o outro sem maiores problemas, e até conseguir bons lugares nos palcos sem muito trabalho, ponto para o Terra.


Cheguei no Main Stage e o Suede estava começando, corri e consegui chegar próximo do palco e por lá fiquei, a apresentação foi enérgica, carregadíssima daqueles deliciosos riffs que só os anos 90 provém, hit atrás de hit, clássicos do britpop. Infelizmente o público não se animou tanto, e o problema não foi nem da banda, dava pra ver que todos ali aprovaram a performance de Brett (esse que merece um puta destaque pela sua performance), mas poucos conheciam, os que conheciam era possível ver pulando e cantando em grupos isolados no meio da galera. Eis o primeiro momento que percebi que valeu apena ir ao festival.

O must see daquela noite sem duvidas era o Garbage, nem ousei sair de onde estava, fiquei por lá mesmo enquanto os arredores começavam a lotar. Se o Planeta Terra cometeu um erro, foi o de não ter escalado o Garbage como headliner da noite, porque convenhamos, a qualidade e relevância do quarteto é muito maior do que a que o Kings of Leon jamais teve (e sequer irá ter, é clara a decadência que os irmãos Folowill entraram), e bem, foi o maior público da noite, também o melhor, e completamente justo já que de longe foi o grande show da edição de 2012 do festival.


Em ponto a banda entrou no palco, abriram com Automatic Systematic Habit e mostraram que não vivem de passado, conseguiram agitar logo de cara com uma faixa nova, todo o público presente soube acompanhar e cantar junto. Sem palavras para descrever Shirley, no alto de seus 46 anos se porta como uma menina de 20, mas com toda a experiência e desenvoltura que só a idade pode garantir, despejando hit atrás de hit com algumas outras do novo álbum "Not Your Kind of People" que garantiu a boa volta deles. Foram 7 anos separados, mas voltaram com vigor, não parecia nada mecânico como muitas das reuniões que rolam por dinheiro. Garbage ao vivo soa pesado, os baixos distorcidos encorpam, o vozeirão da Shirley tem uma puta presença, é realmente um grande show, que pode te fazer chacoalhar o pescoço com riffs distorcidos, mas também soa dançante, uma união coerente e sinérgica entre o eletrônico e o rock. Pura simpatia, Shirley e Butch Vig fizeram alguns discursos durante o show e demonstraram satisfação e felicidade com a resposta do público. A unica ressalva foi a falta de Vow e Supervixen, mas foi um show completo, satisfatório e empolgante.


Feliz, pra mim o festival acabaria ali, mas resolvi dar uma passadinha no Gossip no Indie Stage por curiosidade, confesso que a entrada da Beth Ditto foi engraçada cantando Kuduro, se apresentando como "Nos somos o Kings of Leon", ela tem carisma, mas o som... bem... além de que eu acabei sendo bolinado, violado, e violentado, não aguentei mais do que 20 minutos e pulei fora, dei uma passada no Kings of Leon, assisti o show de longe e quase dormi, a banda fez exatamente o mesmo show chato do SWU em 2010, tedioso, monótono, uma banda que nem de perto merecia tocar após aquele puta show do Garbage.


No final das contas o saldo do Planeta Terra foi positivo, bem tranquilo e organizado, nada desgastante, deu pra curtir alguns shows legais, sem passar perrengue.




2 Responses so far.

  1. Acho que do Planeta Terra só poderia se esperar algo bom de Garbage, Suede e Best Coast. De resto, modinhas hypeadas por sitezinhos indies e admiradas por "garotinhaas diferenteehs". Bom saber que a organização ficou boa (parece que esses eventos estão evoluindo por aqui, isso é muito bom), mas o posto de festival do ano aqui ainda pertence ao Sónar (pelo que li de reviews e pelo line-up, já que não fui)

  2. Koticho says:

    Sem duvidas o Sónar foi o festival do ano, com tranquilidade. O Planeta Terra valeu o dia, foi bacana, tranquilinho, não cansou, deu pra curtir exatamente esses shows que você citou.

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