segunda-feira, 1 de outubro de 2012
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Porco na Cena #9 - The Ex

1 comentários

Domingo usualmente costuma ser um dia de preguiça pra mim, poucas são as coisas que me tiram de casa, mas felizmente criei coragem e saí neste. Primeiramente foi para saudar nossa querida Nóza, curitibana se aventurando em São Paulo em prol do show do Pain of Salvation (que eu, um homem desonrado quebrei a palavra de ir, para comparecer no The Ex, mas desculpa Nóza, não teve como me arrepender s2).

Após umas cervejinhas com ela e o meu vizinho santandreense Nix, rumamos para o CCSP meio desesperados, o horário anunciado era de início as 17h, chegamos lá por volta de 17:40 mas por sorte nada havia começado. O desespero bateu novamente ao avistar a fila, o anuncio prévio era de que a capacidade seria de 250 pessoas, e na boa, tinha o triplo disso. Resolvemos encarar mesmo assim, já estávamos lá mesmo, não custava tentar. E então ela começou a andar, andar, andar, subimos uma escada e a visão foi inesperada, eu que imaginava que o show aconteceria em um pequeno auditório fechado vi justamente o contrário. O show iria acontecer no terraço do CCSP, chamado de "Jardins Suspensos", visto que por ele todo tem um gramadão, algumas arvores e tal, sem palco nem nada, a banda a céu aberto, em um terraço, no meio do centro de São Paulo, e isso contribuiu pra uma vibe incrível.



The Ex é aquele tipo de banda icônica pra toda a cena independente, 33 anos de existência, 33 anos de independência, 32 álbuns lançados, parcerias com gente do nivel de Fugazi e Slint, e um passeio por uma quantidade infinita de tags e gêneros que vão do Post-Punk ao Noise e ao Jazz, mas vamos findar apenas como uma banda experimental, que curte improvisar ao vivo.

Logo de cara percebi o primeiro e único incomodo que teria por todo o show (além da fumaça do beck de um cara do meu lado que estava vindo direto nos meus olhos), era de que não existia palco, os caras tocaram ali no chão mesmo, dentro de um cerco feito com faixas de segurança, e como já havia uma certa aglomeração de gente, a visão durante toda apresentação foi difícil para mim no alto dos meus enormes 1,75 de altura, tive que me contentar em ficar procurando clareiras em meio as cabeças para conseguir enxergar algum integrante vez ou outra, mas não, isso não atrapalhou tanto assim no fim das contas.


O show teve início pouco antes das 18h, no finalzinho da tarde, foi bonito ver a noite chegar do alto do CCSP assistindo ao show, e rodeado pelos prédios de São Paulo, até o clima contribuiu com um friozinho leve e agradável, foi uma grande conexão de elementos que tornou tudo tão interessante.


O que realmente deu a base do show do The Ex foi a mistura do punk com o jazz presente na maioria das músicas, que volte e meia culminavam em jams e improvisos. Pouco a pouco o publico (que tinha de tudo, coroas, adolescentes, hipsters, punks, cabeludos) começava a dançar aquele som bizarro mas extremamente divertido, que por vezes me remetia ao The Clash em sua boa fase, mas com uma boa dose de maluquice e experimentalismo. Foi legal pra cacete ver aquele bando de tiozões com seus cinquenta e tantos anos nas costas, muitos anos de banda, tocando como se estivessem no início da carreira e ali fosse um momento único, uma oportunidade unica, era sempre possível ver sorrisos no rosto de todos. Felizmente a satisfação não era só deles, mas também daqueles presentes. Era possível notar que boa parte não conhecia muito bem o quinteto, eram poucos que se via cantarolando as letras de fato, mas todos ali estavam curtindo. O The Ex faz o tipo de som que mesmo se tocassem por 3 horas seguidas não cansaria, as pessoas continuariam lá, dançando, e é essa a parte legal, mesmo como uma banda experimental, estas que usualmente são difíceis de digerir, no caso dos deles isso não acontece.

Fim de show, agradecimentos por parte da banda, aplausos por parte do publico, por um, dois, três minutos! As palmas foram tão prolongadas que trouxeram a banda de volta para um bis, animados, executaram mais três canções, entre elas um folk holandês bem interessante, cantado pela baterista Katherine. E então, fim de show novamente, agradecimentos por parte da banda, aplausos por parte do público, por um, dois, três minutos, dessa vez com gritos pedindo pra banda voltar, e então, eles voltaram mais uma vez, sorridentes, tocaram mais duas, na ultima culminando em um lindo momento de barulheira pura, noisezão, fritação acelerada em crescente, até a chegada da calmaria, e dessa vez o show deveria acabar mesmo, foi o grande clímax, se eles voltassem uma terceira vez estragaria.


Setembro foi um mês bem bacana aqui no estado de São Paulo, rolaram vários shows legais e gratuitos, nomes do nível de GZA (Wu-Tang), Kevin Drumm, Blonde Redhead, Skatalites passaram por aqui, e eu por besteira deixei passar, mas felizmente aos 45 do segundo tempo vi o grande The Ex pra fechar o mês com chave de ouro.




*Fotos por Fernando Martins Ferreira/Soma.am

One Response so far.

  1. Nóza says:

    dá-lhe ctba em sp!
    foi sacanagem a quebra da sua palavra, mas pelo menos rendeu um número a mais para o pignes na cena né, haha
    'bauhaus cobre' me acompanhou no show do PoS, recomendo a dica brejística do kot

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