segunda-feira, 22 de outubro de 2012
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Shining - Redefining Darkness

1 comentários


Gênero
: Progressive/Depressive Black Metal
País: Suécia
Ano: 2012

Comentário: Primeiro de tudo: calma, não priemos cânico. O "Progressive" do gênero não quer dizer que algo tenha mudado drásticamente na sonoridade do Shining. Apenas estou sendo honesto, não dá mais pra colocar o Shining no mesmo patamar das bandas de DSBM. Kvarforth e companhia estão muito além.

Shining é uma banda sueca (pelo amor de deus não confundam nem venham fazer piadas sobre a xará Norueguesa da banda, eles também são ótimos, eu sei) formada em 1996 pelo showman do Black Metal Niklas Kvarforth. E até hoje todas as atenções do Shining são entregues nas mãos de Kvarforth e ele as aproveita muito bem com dezenas de atitudes polêmicas dos mais variados sentidos, desde beijar coleguinhas de banda, se filmar tomando banho de sangue falso, dar entrevista obrando pra uma revista ou até mesmo, no início, atitudes mais trves como se cortar no palco e distribuir giletes para o público. Ele explora tanto a polemicidade de sua pessoa que até aparecer fazendo carinho em um gatinho se torna um evento inesperado se ele estiver envolvido. Assim sendo, no entanto, eu percebo que isso é mais motivo pra pessoas odiarem o Shining do que para se tornarem novos fãs. Niklas no entanto certamente diria que pouco se importa com isso.

A figura de Kvarforth à parte, é fato que a musicalidade do Shining sempre foi bem mais interessante que as peripécias de seu frontman. Inicialmente a banda já se apresentava como bem distante da cena do DSBM sueco, de onde surgiram as melhores bandas do estilo, como Lifelover, Hypothermia, entre outras, pelo simples fato de adicionar à receita naturalmente monolítica e reta do estilo elementos de Doom Metal que criavam uma atmosfera bem mais intensa, como trechos acústicos e riffs mais cadenciados. Isso tudo começou a tomar forma ainda mais evidente no quarto full-lenght dos caras, The Eerie Coldque trouxe além dos riffs de black metal frios e intensos de outrora uma roupagem "moderna" por assim dizer, com solos e riffs bem mais cadenciados, além de interlúdios acusticos bem mais presentes - e com um feeling sem precedentes no estilo. No seu álbum seguinte, Halmstad, realmente a receita do Shining ficou perfeita - eu conheci os caras nessa época e francamente era incrivel pra mim o peso, a melodia e a intensidade das músicas.

Cinco anos e dois full-lenghts depois voz trago o último esforço de Kvarforth e amigos: Redefining Darkness. Inicialmente eu já gostaria de avisar: atentem pro volume das vossas caixas de som e fones de ouvido ao dar o primeiro play no álbum. Logo na primeira faixa temos um lindissimo berro (por sinal talvez uma referência ao clássico do estilo Dictius Te Necare do Bethlehem) absurdamente intenso - e eu tomei um susto do caralho, confesso, por não ver que a caixa estava no máximo. E a faixa de abertura, Du, Mitt Knontsverk é justamente a mais pesada faixa do disco - inclusive bem mais pesada que qualquer outra faixa dos últimos dois fulls da banda. Uma pancadaria só na bateria, tremolos e vocais extremamente rasgados, lindos inclusive, acompanhados de riffs mais cadenciados porém ainda bastante pesados no decorrer da faixa. Mas ela mesma já tem uma bela mudança de ritmo bem ao modo Shining de ser, com Kvarforth declamando alguma coisa - certamente bem sinistra - em sueco. The Gastly Silence já começa com uma das melhores surpresas que eu tive ao ouvir um disco, um saxofone (pelo menos eu acho que isso é um saxofone, não me apredejem se não for). Vocês devem se perguntar: "mas que caralhos faz um saxofone num disco de DSBM". Mas isso aqui é Shining amigos, se vocês lembrarem dos trechos mais intimistas dos 3 últimos álbuns da banda, não será dificil imaginar como um sax se encaixa nessa fórmula. E ficou fantástico, além de nessa faixa o baixo ser absolutamente essencial e os vocais limpos de Kvarforth estarem bem mais melódicos que o habitual (na linha do apresentado no último EP da banda, Lots Of Girls Gonna Get Hurt). A faixa inteira é extremamente intimista e cadenciada, mas transbordando em feeling e melancolia. Essa dualidade vai acontecer ao logo de todo o álbum, as faixas ora serão pesadas e intensas ora serão mais melódicas do que o Shining já foi em qualquer outro disco. Destaque, além dessas duas, para Det Stora Gra, que é uma faixa inteira no piano (algo que já aconteceu em outros discos, mas é sempre foda); o riff da Han Som Hatar Männsikan que é bem aos moldes do Halmstad, inclusive com um solo bem interessante (o álbum tem muitos solos, todos incríveis) e For The God Below, que talvez seja minha favorita do disco ao lado da segunda faixa, com uma letra bem curiosa e até certo ponto sarcástica, um andamento bem diferenciado e os vocais de Kvarforth variando em todas as formas possíveis. E o disco acaba com um solo fenomenal que me lembrou os solos sinistrissimamente virtuosos e obscuros de Andy LaRocque, lendário guitarrista do King Diamond. Ou seja, sim, tem muito de heavy na tradicional na sonoridade de Redefining Darkness e isso foi realmente muito bom.

Tranquilamente um dos top álbuns de Metal de 2012 e com certeza muito acima do esperado, depois de toda a expectativa que a banda criou em torno do lançamento do disco nos meses que o antecederam. Expectativa é algo que, especialmente pra uma banda que já tinha feito de tudo como o Shining, tem grandes chances de ter um efeito contrário no momento do lançamento do álbum. Mas nesse caso realmente foi uma excelente jogada de marketing, por que além do álbum ser excelente, ele realmente é uma expansão ainda maior da já abrangente musicalidade do Shining.

Kvarforth conseguiu mais uma vez.

PS: Chato isso de postar o álbum antes do lançamento oficial, dia 29 de Outubro, eu sei, especialmente com o artista. Portanto, antes que o Niklas puxe meu pé de noite, to postando agora mas não deixem de comprar o disco, se puderem, no lançamento. Sei que essas coisas vem absurdamente caras importadas pro Brasil, mas se você tiver condições, cara, vale muito a pena, primeiramente pelo artwork dos discos que é fenomenal e segundo por que nada supera o feeling de tirar o disco da caixinha ou o vinil do envelope e ouvir com toda atenção e foco este que certamente é um dos melhores investimentos do ano. Então, se puder, por favor, diminua meu karma aqui.



Tracklist:

1. Du, Mitt Konstverk 07:41
2. The Ghastly Silence 07:18
3. Han Som Hatar Människan 06:48
4. Hail Darkness Hail 07:05
5. Det Stora Grå 03:26
6. For the God Below 08:36

Download:

Bayfiles//Rapidgator//Gamefront//Crocko//Ziddu

One Response so far.

  1. Anônimo says:

    Disco foda, não supera o anterior mais é muito bom...

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