terça-feira, 4 de dezembro de 2012
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Porco na Cena #17 - Deltron 3030

5 comentários

Sinceramente para mim como residente da cidade de Santo André, é uma grande honra receber anualmente o festival Batuque, que neste ano de 2012 chegou a sua terceira edição. O festival tem o foco na cultura negra, e a cada ano traz um nome de peso internacional com suporte de excelentes artistas e grupos da música brasileira. Em 2010 o headliner foi Femi Kuti, filho da lenda Fela Kuti, um dos maiores nomes do afrobeat. Em 2011 quem veio foi Q-Tip, líder do aclamado A Tribe Called Quest, e nesse ano de 2012 foi a vez do Deltron 3030. Confesso que quase caí pra traz ao saber que o Deltron 3030 tocaria aqui, em Santo André, minha terrinha. Pra começar eu jamais imaginaria um show dos caras em qualquer lugar do Brasil, ainda mais aqui do lado de casa. (Para quem não conhece o projeto, pode saber mais lendo a resenha do único álbum do grupo aqui). Mas era isso, eu veria Kid Koala, Dan the Automator,  Del the Funky Homosapien e de brinde Rob Swift e Just Blaze os acompanhando em um dos primeiros shows que eles fazem em 12 anos.



Vou começar de forma clichê, como começo todas as outras resenhas, era um domingo chuvoso (aparentemente só tem show de domingo e só chove nessa cidade), e o festival começaria cedo, 18h eu estava no SESC Santo André (que devo dizer possui uma ótima infra-estrutura, palco bem grande, espaço para umas 4 mil pessoas, área externa, bem confortável), e o Kamau era o responsável por dar início aos shows da noite. O público ainda era pequeno, muitos ainda estavam tomando cerveja e socializando na área externa, mas mesmo com pouca gente, e com pouca resposta da plateia, Kamau fez um bom show, deu o máximo para agitar quem estava por lá, merece respeito por ser um dos rappers mais inteligentes dessa nova geração do hip hop nacional que está em tamanha evidência.

Fim do show do Kamau, parabéns a organização responsável pelas trocas de palco, super organizado e super rápido, 20 minutos depois Rodrigo Campos aparecia para seu show com tudo tinindo, é bom ressaltar que o som durante todos os shows estavam muito bem equalizados. Eu particularmente não conhecia Rodrigo, e foi um show bem agradável de se ver, o rapaz possui dois álbuns onde suas letras são como crônicas, um tem seu tema focado na periferia de São Paulo, seu segundo e mais recente é uma homenagem a Bahia, acompanhado por uma banda extremamente competente, ele viaja pela MPB, samba, rock e jazz de maneira bem madura, é interessante notar que várias músicas trabalham com o instrumental de forma crescente, semelhante ao que já estamos habituados a ver no post-rock, mas nesse caso de forma bem abrasileirada. Mesmo sem conhecer nada do repertório me prendeu do início ao fim.

Mais uma troca de palcos, dessa vez para o penúltimo show, BNegão & Os Seletores de Frequência, apresentando pela primeira vez em Santo André seu novo álbum, "Sintoniza Lá". Eles vieram com quase o mesmo peso de headliner da noite, com certeza muitos estavam lá exclusivamente por eles, e os que não estavam já tinham intimidade com o som praticado por Bernardo e sua trupe. A mistura de groove, funk, soul, jazz, hip hop e hardcore fazem dos Seletores uma das melhores bandas brasileiras na ativa, liderados por todo o carisma de BNegão, fizeram como de costume um ótimo show botando toda Santo André para dançar e cantar junto em todas as músicas, que são cheias de energia, dançantes, grooveadas e com uma enorme acidez em suas letras. Só fica a ressalva de que foi uma pena o fato de ter sido show de festival e isso implicar em um setlist mais curto do que o de costume.


Finalmente, perto das 21:30, o palco do Deltron 3030 estava pronto, este que demorou mais do que os anteriores para ser preparado visto que eles vieram acompanhados por nada mais, nada menos do que 19 integrantes, uma verdadeira big band. Dan The Automator trajando smoking como um verdadeiro maestro regia os 4 instrumentos de sopro, os 4 integrantes do pequeno coral e os 6 instrumentistas de cordas que davam apoio para a bateria, guitarra, Just Blaze no teclado e os dois djs, Kid Koala e Rob Swift. Após a entrada de todos no palco, fora a vez de Homosapien surgir para dar início a saga de Deltron. Para quem não sabe Deltron 3030 é um álbum conceitual, narra a história de um herói no ano 3030 enfrentando super corporações malignas e vivendo problemas muito parecidos com os que vivemos hoje. Com um telão que cobre todo o palco no fundo mostrando imagens típicas de ficção cientifica, do espaço sideral e planetas distantes. O show do Deltron é realmente imersivo, funciona quase que como uma peça regida por Dan, e protagonizada por Sapien que além de um rapper absurdo, com um flow invejável, é um excelente performer, traduzindo com gestos tudo aquilo que canta. Confesso que a viagem poderia ser maior e que o álbum do Deltron poderia ser tocado na integra, senti falta de algumas músicas, mas talvez realmente não fosse necessário para a maioria, infelizmente muitos ali não conheciam ou não entenderam a proposta do show, e pouco se animaram ou até foram embora antes do fim, realmente triste de ver algo do tipo acontecer, mas isso não diminuiu o brilho da excelente apresentação, que chegou ao fim com Clint Eastwood do Gorillaz como Bis, pois é, se você não sabia, Sapien foi o rapper do primeiro álbum do tão celebrado projeto de Damon Albarn, e Automator seu produtor. O show é encerrado em clima de festa e descontração, pelo fim da música tudo se torna improvisação, um vai brincar com o instrumento do outro ou apenas fazer barulho, é pura diversão, em clima nostálgico com uma canção que marcou minha infância, mais um domingo chuvoso de show chega ao fim.


5 Responses so far.

  1. Anônimo says:

    o porquito bem q vcs poderiam upar a discografia de nine inch nails né?
    abraço

  2. ^ bem pertinente...

    Enfim, infelizmente eu perdi. Deve ter sido bem fodão... Achei que o Rob Swift estaria substituindo o Kid Koala! Mais foda ainda os dois juntos.

  3. Koticho says:

    Teve até duelo do Koala com o Swift. E apesar do Koala ser bom pra caralho, no turntable o Swift é monstro demais

  4. Ola , eu humildemente acho q a proposta foi equivocada, ja que ele foi apresentado como deltron 3030 e funkhomo, eu curto desde 93, tenho minhas preferencias qto todo os trabalho dele, mas acho q ele tinha que ter feityo um mix de funkhomo e delta passando por hiero, ja que foi a primeira e provavelmente unica vez q vimos, entao acho muito egoismo reivindicar q ele tocasse o album 3030 todo.

  5. Koticho says:

    Danilo, eu também gosto bastante de todos os projetos dele, mas pelo que eu sei ele veio como Deltron 3030 mesmo, e visto que o álbum do Deltron é envolvido por todo um conceito, segue uma história, e o formato do show mesmo com big band e tudo lembra uma peça, eu acho que seria coerente até ele ter tocado o Deltron 3030 na integra. Mas por mim poderia tocar o álbum inteiro, assim como a carreira solo, o hiero o gorillaz, tudo e eu sairia bem feliz

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