segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
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Porco na Cena #18 - Alexisonfire

1 comentários

O começo de 2012 não foi nada fácil para os fãs de Post-Hardcore: primeiramente foi o Thursday, no fim do ano passado, anunciando um hiato por tempo indeterminado (leia-se: até quando faltar dinheiro). Depois, A Static Lullaby, em janeiro, divulgou o fim definitivo da banda. Como se isso não bastasse, duas outras bandas anunciaram uma Farewell Tour, ou seja, uma turnê de despedida, um adeus em grande estilo. Uma delas foi o Thrice, que não incluiu o Brasil em seu trajeto. A outra lembrou de nossa terra, e a visita se deu de maneira inesquecível, não só para o público, mas tembém para os próprios músicos: o Alexisonfire fez o melhor show do ano em terras nacionais.

Mas vamos retroceder um pouco no tempo. O processo de separação do Alexisonfire se arrastou desde 2010, quando Dallas Green informou aos demais membros que seu excelente projeto paralelo, o City and Colour, começava a lhe tomar tanto tempo e trabalho que não mais poderia ser paralelo a nada: demandava atenção total. Ele disse que não faria o anúncio de forma oficial e nem simplesmente abandonaria a banda até que seus companheiros arrumassem seus futuros. No entanto, isso não se deu de forma amigável.
Quiseram lançar um quinto álbum de estúdio antes de sua saída, o que foi vetado por Green, que não tinha a intenção de participar da empreitada. O restante da banda até pensou em continuar sem ele, mas Wade MacNeil, o outro guitarrista, recebeu uma tentadora proposta para ser o frontman da banda de hardcore Gallows, ficou seduzido e acabou aceitando. Como uma perda já seria quase irreparável, com duas era impossível seguir em frente.
Nesse mar de discordâncias, em uma coisa eles acertaram: deveriam fazer uma turnê final, porque o último show que fizeram não possuía o apelo de ser o último show da história do Alexisonfire, já quem nem pública e nem banda tinham consciência disso. Em vinte e oito dias, passaram por quatro continentes. Dois shows em Londres abriram os trabalhos, e o terceiro veio a ocorrer num local onde a expectativa era grande: no Brasil, mais especificamente no Cine Joia, em São Paulo.
Após algumas confusões acerca do local e do dia, por parte da produtora, e do preço, por parte do público, tudo ficou acertado para o dia 6 de dezembro, na casa de shows da liberdade, que já recebeu resenhas do Porco na Cena para Criolo e DJ Shadow.


O calor lá dentro beira ao insuportável, é verdade, mas a casa é muito apropriada a shows de música alternativa, sem contar que, em qualquer ponto do local, você se sente perto do palco. O Alexisonfire possui um séquito fiel de fãs, que há muito tempo aguardavam a vinda da banda ao Brasil. Por isso, cada vez que um roadie subia ao palco para organizar os instrumentos, o público gritava, batia palmas e fazia coro para ovacionar o rapaz. Foi assim por sucessivas vezes, até que Jordan, Chris, Dallas e Wade subiram ao palco. A introdução dedilhada trilhava a subida de George, que trajava uma camiseta branca, rasgada por ele ao iniciar Young Cardinals. Música perfeita para a abertura: é pesada, uma de suas faixas mais famosas e, portanto, totalmente apta a incendiar a audiência, que já estava em polvorosa.



O público pulava, agitava e cantava praticamente em uníssono todos os versos da canção. Não só dessa, aliás, mas de praticamente todas as cantadas pela banda. Em dados momentos, dependendo de onde você estava, era bem difícil ouvir a voz dos músicos, tamanha era a empolgação da plateia. Boiled Frogs, Heading for the Sun e Pulmonary Archery se seguiram, provocando as mesmas reações a cada riff iniciado. Chris Steele, o baixista, não parava um segundo sequer, e George Petit, o vocalista extremamente carismático, interagia com o público o tempo todo. Não foi só a sua própria camiseta que ele rasgou: durante todo o show, os presentes jogaram, ao menos, uma dezena de camisetas, que ele vestia, rasgava e devolvia à plateia.

As músicas tocadas continuaram passeando pelos quatro álbuns da banda. Alguns dos pontos altos da noite foram as sequências de No Transitory e Get Fighted, bem como Control, Rough Hands, Midnight Regulations e Old Crows, uma série devastadora do que mais se assemelha a um hit da banda. A barulheira foi, de certo modo, interrompida pela única das faixas da banda que não possui vocais rasgados - mas nem por isso deixa de ser agressiva. You Burn First, pra variar, foi cantada em uma só voz por todos os presentes. Esse aspecto, aliás, foi muito bem ressaltado pela banda, depois do show e durante ele também. George pediu desculpas sinceras por não ter ido antes ao país, e Wade falou com todo seu coração que nunca iria esquecer aquela noite (ele, inclusive, lançou nas redes sociais que daria um jeito de levar o Gallows ao Brasil, tamanha foi a sua satisfação com a experiência).


Mais pancadaria se seguia com We Are the Sound, Keep it on Wax (um dos pontos mais agitados da noite), Accept Crime, Dog's Blood e a icônica .44 Caliber Love Letter, cujos solos foram tocados de forma ligeiramente mais acelerada do que a versão original. Completando o setlist com Accidents, a banda se despediu, rumando para o camarim. Entretanto, como eles já haviam divulgado o setlist dos dois shows anteirores, não era supresa nenhuma que haveria um bis, de muita qualidade, por sinal.

Em poucos minutos, a banda retorna ao palco, para Wade informar a todos que eles tocariam mais três músicas. Aqui, nesse ponto, eu gostaria de abrir um parênteses. Já comentei, acima, acerca da empolgação dos músicos. Dallas Green, entretanto, fugia dessa regra. Extremamente apático, mal saía de perto de seu microfone. Mais do que isso: pouco olhava pra plateia, e vagamente mudava sua expressão facial quando cantava. Podíamos até mesmo pensar que ele não gostaria de estar ali, que já pensava em como se dedicar ao City and Colour; que o Alexisonfire já era página virada em sua vida, e que só aceitou fazer a turnê pela consideração a seus amigos e pelo dinheiro, mas não pelo público. Pode não ser nada disso, claro, e ninguém nunca saberá, mas era inegável o fato de que ele não estava na mesma sintonia que seus companheiros. Isso me incomodou um pouco, eu confesso, porque sempre o admirei como artista.

No entanto, no bis que se seguiu, foi quase impossível continuar irritado com Green. As três músicas anunciadas por Wade foram aquelas em que a voz de Dallas mais se sobressai, aquelas em que seu tom inconfundível é o grande trunfo da faixa. Primeiro com The Northern, depois com This Could Be Anywhere in the World, possivelmente a música mais famosa do AOF, e, por fim, Happinness by the Killowatt, música em que sentimos uma verdadeira entrega por parte de Dallas nos marcantes versos. Foi o momento mais belo da noite, aquele em que percebemos que o Alexisonfire acabou, mas deixou um ótimo legado. Além disso, o sentimento de todos era a gratidão por poder participar desse momento tão bonito e apoteótico da carreira da banda.



Nós do Ignes Elevanium desejamos que todos os músicos continuem na ativa, produzindo novos sons, sejam por quais caminhos desejem trilhar. Obrigado pelos quatro discos e pela sensacional apresentação. Obrigado AOF!

Álbum de fotos do show, por Bruna Meda

One Response so far.

  1. Luiz Gustavo Moreira says:

    Excelente resenha! Muito obrigado por tudo, Alexisonfire!

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