terça-feira, 18 de dezembro de 2012
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Porco na Cena - Top 10 Shows de 2012

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Já ficou manjado falar de como a cena de shows internacionais no Brasil está cada vez maior e solidificada, com uma quantidade enorme de eventos acontecendo semanalmente para todos os gostos, além de enxurrada de festivais que abrangem uma quantidade igualmente grande de gêneros. E foi assim que 2012 rolou, de pequenos shows como o Ringo Deathstarr no aconchegante Espaço Walden para cerca de 70 pessoas, ao show de gigantes como Foo Fighters e Roger Waters para 70 mil. Ninguém teve do que reclamar no quesito quantidade e variedade.

Particularmente falando, este provavelmente foi o ano em que mais fui a shows, desde 2002, o ano em que fui ao meu primeiro. Os 10 melhores shows foram escolhidos com base no que eu tive a oportunidade de ver, obviamente.

Alguns deles vocês puderam acompanhar as resenhas aqui na coluna Porco na Cena, e como final de ano é época de rankings, e todo blog adora uma lista, enumerarei o meu próprio ranking pessoal dos melhores shows em território nacional. 

Menções honrosas: Japandroids, Cage The Elephant, Anthrax, Alva Noto + Ryuichi Sakamoto, James Blake, KTL, DOOM, Ringo Deathstarr, TV On The Radio, Gogol Bordello



Talvez pudesse ser chamado de Zakk Wylde & Cia. Mesmo com uma banda competentíssima ao lado, Zakk é 70% do show, presença de palco absurda aliada as guitarras pesadamente distorcidas, o show do Black Label é acima de tudo, virilmente divertido. O show do Black Label possui todo aquele lado ogro tipicamente Red Neck. É show pra cantar junto, beber cerveja e ficar com torcicolo no dia seguinte graças ao headbanging. Impossível não chacoalhar a cabeça com cada riff sujo e cheio de groove. 



Muitas bandas quando se reúnem depois de anos paradas, voltam de forma patética, com uma formação meio capenga e uma tatuagem escrito "caça-níquel" na testa de cada integrante. Felizmente o Garbage passou longe disso, Shirley Manson e Butch Vig voltaram afiadíssimos. O show do Garbage engoliu todos os outros do Planeta Terra, inclusive o do vergonhoso Kings of Leon. Shirley Manson provavelmente continua sendo a melhor frontwoman da atualidade, hoje em dia uma veterana, no alto dos seus 46 anos, continua cantando absurdos e com uma presença de palco e carisma incriveis. 



A grande surpresa do ano. Algo que eu sequer imaginaria ver ao vivo, ainda mais do lado de casa. Deltron 3030 é projeto conceitual, criado por mentes audaciosas e geniais do meio do hip hop. Del the Funky Homosapien, Dan The Automator e Kid Koala vieram parar em Santo André para apresentar a grande viagem do Deltron 3030, acompanhados por uma big band de 19 pessoas, praticamente uma mini orquestra que dá todo o tom megalomaníaco da história contada por eles. 



Outra ótima surpresa. Não sou profundo conhecedor da enorme discografia de mais de 30 anos do The Ex e todos as suas experimentações, mas não podia deixar passar a oportunidade de ver uma apresentação deles, ainda mais de graça. O local escolhido para o show contribuiu muito, no terraço do CCSP, entre o fim de tarde e começo da noite dando o clima, isso somado ao dançante Jazz Punk da banda, e a simpatia enorme dos holandeses que retornaram ao palco improvisado nada menos do que para três bis, fez deste um dos shows mais agradáveis do ano. 



O fato da banda ser razoavelmente nova, ter apenas 2 álbuns lançados, e ter seu show anunciado completamente em cima da hora não impediu que a apresentação do Red Fang aqui em São Paulo fosse um sucesso. Cerca de 1000 ogros barbudos lotavam a Inferno Club em sold out. Com um Stoner Metal sujo e pesadão, numa casa pra lá de quente, o Red Fang agitou e transformou a pista num caos completo, e como não poderia deixar de ser, terminaram o show completamente surpresos com a energia do público brasileiro. 




#5 Morrissey @ Espaço das Américas

Foram mais de 10 anos de espera para a emblemática e controversa figura do Morrissey retornar ao Brasil. Grande parte do publico que estava lá não teve idade ou oportunidade de ver da primeira vez que ele passou por aqui, então era grande a ansiosidade de todos os presentes. Munido de uma ótima banda de apoio, Morrissey desfilou hits tanto de sua carreira solo, quanto da sua lendária carreira com o The Smiths. Foi emocional e intenso, as 10 mil pessoas presentes no Espaço das Américas cantaram a plenos pulmões todo o repertório, e todo o meu sofrimento de ser esmagado na grade por fãs doentes valeu apena pelo ótimo show que foi, conseguindo suprir todas as expectativas.






#4 Mogwai @ Sónar SP

Quem disse que boa música precisa de vocal? O Mogwai só precisa de camadas e mais camadas de guitarras e distorções para transmitir milhares de sentimentos e emoções diferentes. O melhor show do excelente Sónar (que merece o posto de festival do ano), Mogwai emocionou um teatro abarrotado de gente, sem dar uma palavra. Foram anos e anos de espera para que uma das lendas do post-rock finalmente voltassem para o Brasil e nos agraciasse com um tipo de show completamente único e indescritível em palavras.





#3 Atari Teenage Riot @ Cine Joia

Mais um excelente retorno inesperado. No começo dos anos 2000 o Atari Teenage Riot terminou completamente despedaçado, o grupo sempre foi uma panela de pressão prestes a explodir, e a morte de Carl Crack foi a fagulha que faltava. Da formação original, restou apenas Alec Empire e Nic Endo, mas isso foi o suficiente para o show mais caótico que o Cine Joia já presenciou. A barulheira eletrônica extremamente alta e acelerada, os berros de Alec e Nic que incitam o público ao caos, o próprio Alec Empire que não deixa de dar stage dives, e de convocar invasões ao palco deixando os inexperientes seguranças do Cine Joia completamente perdidos. Foi agressivo, foi intenso, foi anarquia pura, exatamente como deveria ser. 



Noite fria de quarta feira, pouco mais de 250 pessoas no Beco SP para ver a banda que tem a premissa de "a banda mais barulhenta do mundo", com direito até a venda de protetores auriculares para os mais tementes ao show. Quando o caos sonoro se instaurou, incitou também o público a perder a cabeça, e foi assim que público e banda foram conduzindo um ao outro até o limite. Com direito a destruição de instrumento, moshpit, stage dives, muito noise, muito barulho, projeções sombrias, o APTBS merece sem dúvidas a medalha de prata no ranking de shows de 2012.



Foi para fechar o ano com chave de ouro. Tour de despedida, sabe se lá quando os 5 irão subir no mesmo palco novamente. O público que lotava o Cine Joia no dia 6/12 tinha na faixa de seus 20 a 25 anos, exatamente o mesmo público que ouvia a banda quando o post-hardcore estava no auge, na metade dos anos 2000. Foram anos e mais anos esperando que o quinteto canadense pisasse no Brasil, uma banda altamente emocional e que provavelmente teve forte influência na adolescência de muitos, a realidade era, todo mundo estava com sangue nos olhos há muito tempo por um show deles. Foram os acordes iniciais darem inicio ao show, que tanto a banda como público deram o máximo de si, fazendo deste o show mais quente e intenso do ano, e para os próprios integrantes, o melhor show de toda a carreira da banda. O vídeo pode explicar isso melhor do que eu.

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