segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
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Drops de Bacon #5 - Os 30 Melhores Álbuns de 2012 (30 - 21)

2 comentários

2012 por fim se encerrou, e foi um ano movimentado no mundo da música que é o que importa para este porquinho. O mercado do show business começou com um dos maiores vexames já ocorridos em terras brasileiras, a memória cômica que o Metal Open Air se tornou, e encerrou com os fiascos dos mega shows da Madonna e Lady Gaga, mas isso está longe de marcar um ano ruim. Lollapalooza fincando suas raízes com um festival mais do que bem sucedido. A primeira edição do Sónar, um dos melhores e mais tradicionais festivais do mundo. O show da lenda Roger Waters esgotado, e o mais interessante, as centenas de pequenos nomes de grandes artistas que passaram por aqui para shows intimistas em pequenas casas, coisa que não se via com muita frequência antigamente.

Em relação aos álbuns, é consenso geral, 2012 foi um dos melhores anos que a música já desfrutou, um tapa na cara de tiozão que brada "No meu tempo que era bom", ou que "a música morreu". Independente do seu gosto, grandiosos álbuns foram lançados; no hip hop, na música pop, no "hipster metal" ou no metal extremo, no seguimento mais coxinha do indie festivo, ou do lado mais blasé e alternativo do indie, isso sem falar daqueles álbuns que sequer conseguimos encaixar em alguma cena ou gênero específico, de tão original que o resultado final se mostrou.

O Pignes atrasou um pouquinho, mas aqui está a escolha dos 30 álbuns mais significativos lançado no decorrer do ano na opinião das pessoas que fazem este humilde blog funcionar, este blog que teve um ano conturbado, que atingiu o auge da sua popularidade marcando cerca de 300 mil visitas mensais, ao ponto em que foi deletado sem mais nem menos por mentes retrógradas que ainda não aprenderam o rumo que as coisas tomaram para o mercado fonográfico e da música como um todo, e que o que fazemos aqui inclusive ajuda muito mais do que atrapalha, visto que nosso foco está pela música alternativa, underground, aquela que exige e merece divulgação para sobreviver, aqueles que sobrevivem com cachê de shows e vendas de merchandising, onde o disco físico se tornou nada mais do que um dos seus meios de divulgação (mas que ainda assim, mais do que apoiamos sua compra já que nada mais gostoso do que ter um encarte em mãos).

Enfim, acompanhem a primeira parte dos melhores álbuns de 2012 para o Pignes, que como sempre mantém o epileticismo ecleticismo, e aborda uma vasta gama de seguimentos.




30º Converge - All We Love, We Leave Behind
Metalcore, Post-Hardcore, Hardcore Punk

Foram poucas as bandas de hardcore e música pesada no geral que alcançaram o status do Converge. A partir do lendário Jane Doe, a banda apenas cresceu, lançou grandes discos e se tornaram mitificados. All We Love, We Leave Behind surge como o melhor álbum desde o clássico de 2001. Dono de uma intensidade gigantesca, cru e agressivo como deve ser, o disco conta com um flerte bem forte com o Post-Hardcore juntamente da complexidade do Mathcore, e que por diversas vezes se torna tão pesado quanto o Death Metal e o Grindcore. 






29º Spiritualized - Sweet Heart Sweet Light
Neo-Psychedelia, Chamber Pop, Space Rock

Nascido das cinzas do Spacemen 3 e das mãos de J Spacemen, tudo que fora produzido sob a alcunha de Spiritualized, soa acima de tudo, extremamente belo. Foram 4 anos para o nascimento de Sweet Heart Sweet Light, isso se deu principalmente por sérios problemas de saúde que J enfrentou, ele que tem um histórico conhecido pelo abuso de drogas. Sweet Heart mantém a aura melancólica e pessimista de todos os trabalhos anteriores, mas também hipnótica, bela, e vez ou outra até esperançosa. É um álbum que passeia do Space Rock à pitadas de Gospel, e tem como carro chefe a épica Hey Jane com seus quase 10 minutos de duração.



28º Crystal Castles - (III)
Synth Pop, Witch House, Electroclash, Dream Pop

Crystal Castles III surpreende ao mostrar uma banda diferente. O amadurecimento é claro. III tem um som mais denso, grande parte disso devido ao tema central do disco, a opressão. Para esse disco todos os pedais e teclados foram trocados, o que por si só já seria o suficiente para alterar a sonoridade, entretanto, o Crystal Castles foi mais longe e ao flertar com sons mais sombrios criou um disco que impressiona em todos os sentidos provando que a banda, ao contrário do que muitos acreditavam, ainda tem muito a evoluir. Inovador, profundo, denso, são alguns dos muitos adjetivos que se pode usar para descrever este disco.





27º Aesop Rock - Skelethon
Abstract Hip Hop, Experimental Hip Hop, East Coast Hip Hop

Dono de uma sólida carreira na fatia underground do Hip Hop, Aesop Rock é tido como um grande expoente desse jaez de produção. Mais do que isso, ele praticamente inventou o Indie Rap, hoje tão difundido pelo OFWGKTA e companhia. Depois de um hiato de alguns anos por conta de problemas pessoas – divorcia – e profissionais – rompimento com a gravadora à qual viu nascer e crescer –, muitos pensavam que sua carreira havia findado. Ledo engano: em Skelethon o rapper retoma a boa forma e dá um realce ainda maior no que é sua principal marca, a temática variada. Histórias mirabolantes, cortes de cabelo bizarros e até mesmo instruções para fazer uma múmia na sua própria casa dão um sopro de vivacidade à sua belíssima carreira.


26º  Sun Araw & M. Geddes Gengras Meet The Congos - Icon Give Thank 
Neo-Psychedelia, Nyahbinghi, Dub, Roots Reggae

O nono volume da série FRKWYS, que tem a proposta de reunir artistas um tanto quanto diferentes, Icon Give Thank provavelmente é a mistura mais interessante de todas as edições. Sun Araw, grande nome da Neo Psychedelia, vai até a Jamaica junto de M. Geddes Gengras para gravar com o lendário grupo The Congos, um dos nomes mais antigos do Reggae ainda na ativa. O resultado é um tipo de Reggae/Dub extremamente lisérgico e psicodélico, que incorpora canções ritualísticas tradicionais jamaicanas, um tipo de experiência completamente única e original.






25º 2:54 - 2:54
Dream Pop, Indie Rock, Post-Punk, Shoegaze

O 2:54 foi uma das grandes surpresas de 2012.  Formada na Inglaterra pelas irmãs Collete e Hannah Thurlow a banda lançou seu debut em meio a certa expectativa gerada pelo lançamento dos singles  “On A Wire” e  “Scarlet” em 2011. O som do 2:54 remete ao rock alternativo do começo dos anos 90 em uma mistura incrível com o shoegaze, flertando com o gothic rock, com guitarras melancólicas e envolventes se misturando com um baixo pesado em clima denso que leva o ouvinte a um estado de êxtase indescritível, que logo se vê envolvido pela atmosfera sombria e gélida do 2:54.






24º Baroness - Yellow & Green
Heavy Psych, Stoner Rock, Alternative Rock

Baroness fez seu nome com uma mistura densa e pesada do Sludge Metal com o Progressivo, mas seguindo a cartilha de cores que nomeiam seus álbuns, apareceram em 2012 com uma proposta ousada. Yellow & Green, um disco duplo que destoa completamente da sonoridade tradicional apresentada anteriormente. Foi como se Baizley e sua turma sofressem uma overdose de Radiohead e misturassem isso com sua sonoridade original, um álbum melancólico, sofrido, restando pouco do peso de sempre, mas isso caiu como uma luva, funcionou extremamente bem e criaram um dos álbuns mais grudentos e cativantes do ano. 





23º ††† - EP ††
Alternative Rock, Electronic, Trip Hop

Segundo EP do †††, ou apenas Crosses. Mais um dos projetos de Chino Moreno, a voz e rosto do Deftones. O próprio Crosses provavelmente pela marcante voz de Chino, chega a remeter em certos momentos ao Deftones em suas músicas mais leves, só que aqui temos uma dose de batidas eletrônicas imensamente maiores do que em sua banda principal, o grupo provavelmente foi criado para aplicar o gosto e influências dele por projetos eletrônicos, principalmente de nomes mais atuais como Fever Ray, The Knife e iamamiwhoami. Agradável, atmosférico e extremamente grudento.






22º Om - Advaitic Songs
Psychedelic Rock, Stoner Rock, Arabic Music, Al-Maqam Al-Iraqi

Sleep fora uma das bandas mais influentes de Stoner Metal dos anos 90, de seu fim, nasceu o High On Fire comandado por Matt Pike, e o OM por Al Cisneros e Chris Hakius, ambos praticando Stoner Metal de forma bem distinta. Em Advaitic Songs, como o próprio nome sugere, o OM experimenta com a música advaitica, um tipo de música de mantra, ritualística, experimentando isso juntamente dos riffs graves e pesados do Stoner Metal. Momentos acústicos, violinos incorporados, samples de cantos ritualísticos  tudo isso torna o álbum nada ortodoxo e extremamente bom.




21º Alcest - Les Voyages de L'Âme
Shoegaze, Post-Rock, Dream Pop, Blackgaze

Desnecessário dizer como esse álbum é bom, mas vale a pena ressaltar que a banda não lançava algo tão bom desde o Souvenirs. E isso significa muita coisa. Se em 2007 a fusão de blast beats, rasgados e levadas regadas a post-rock e shoegaze era inovadora e por si só conquistava o ouvinte, em 2012 foi preciso mais que isso pra tornar Les Voyages tão bom. E esse trunfo é a capacidade do Neige de explorar cada vez mais essa atmosfera infantil e romântica da sua sonoridade, utilizando cada riff, cada acorde e cada pausa em tentativas ousadas de encrostar as notas músicas na alma de quem escuta. Apenas prestigiem o trabalho desta que é uma das mentes que ajudou a moldar o que chamaremos de Metal dessa década em diante.

2 Responses so far.

  1. Vou conferir o 2:54 e o Crosses. Lista tá legal, tô esperando o resto.

    E pra não faltar o mimimi de sempre, o quê que o Baroness tá fazendo aí em 24°?

  2. O cara demorou quatro anos pra fazer o álbum, custava pensar mais que cinco minutos numa capa decente?

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