quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
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Drops de Bacon #7 - Os 30 Melhores Álbuns de 2012 (10 - 1)

2 comentários

Rufem os tambores, finalmente, o tão esperado ranking com os 10 melhores álbuns de 2012 na opinião do Pignes.


10º OFF! - OFF!
Hardcore Punk, Punk Rock

Keith Morris gravou seu nome no mundo da música de maneira indelével ao contribuir para a fundação do Black Flag e como frontman do Circle Jerks, duas das maiores bandas da história do Punk Rock e do Hardcore. Essas vertentes, no entanto, andavam um pouco apagadas. Assim, Morris juntou um time de músicos experientes no assunto, traçando uma estratégia para reerguer o estilo, mostrar aos jovens ouvidos, acostumados com músicas coloridas e agradáveis, que a sujeira latente, que a paulada crua e direta também podem constituir uma eficiente forma de fazer música. Daí nasceu o OFF!, que, com seu primeiro full lenght, traz de volta os ambientes sujos dos anos oitenta. Dezesseis faixas em menos de dezesseis minutos. Rápido, prático e sincero. Uma ótima peça.


9º Killer Mike - R.A.P. Music
Southern Hip Hop, Hardcore Hip Hop, Conscious Hip Hop

Killer Mike surgiu graças ao Outkast, seu primeiro trabalho veio em participações no álbum Stankonia, e desde então fez inumeras participações em trabalhos alheios, além de ter lançado 5 álbuns, nada de grande relevância ou impacto, é verdade, mas o salto de qualidade que aconteceu em R.A.P Music é incrível. Talvez a grande mágica tenha vindo da parceria com EL-P, responsável pelos beats e produção do disco, o cara foi incrível como sempre. Além disso, ele atacou com trabalhos de primeira em todos os lados, o incrível clip de Big Beast, um curta metragem de tirar o folego, faixas pesadas e agressivas contrastando com outras um tanto quanto melancólicas como a do single Untitled (mas extremamente ácida), tudo isso contribui para fechar R.A.P Music como um disco quase que perfeito.


8º Godspeed You! Black Emperor - Allelujah! Don't Bend! Ascend!
Post-Rock, Drone

Em 2010 o GY!BE voltara pra alguns shows, a emoção dos fãs do gênero veio à tona, o nome mais admirado do post-rock estava vivo. Eis que pegando todos de surpresa no mês de outubro, em um dia fora anunciado que um novo álbum viria ao mundo, no dia seguinte ele já estava na Internet pra nosso deleite. Impossível não ouvir com as expectativas lá no alto, ainda mais após longos dez anos. Mas bem, “ALLELUJAH! DON’T BEND! ASCEND!” conseguiu superá-las. Este é provavelmente o disco mais “rock” do grupo, mas ainda tem todos aqueles elementos que esperamos, duas faixas épicas com seus quase vinte minutos (que passam num piscar de olhos), todo aquele instrumental extremamente detalhista e bem trabalhado de sempre, alguns passeios por elementos de música oriental, além de claro, vários outros experimentos, uma dose de drone aqui e acolá, e assim, de surpresa, um dos melhores álbuns do ano deu as caras.


7º Kendrick Lamar - good kid, m.A.A.d city
West Coast Hip Hop, Conscious Hip Hop

O nome do ano no hip hop. Kendrick debutou em 2011 com seu Section.80, um álbum aclamado com influências que chegam ao Jazz. Foi apadrinhado por Dr. Dre, e como não poderia deixar de ser, sofreu a pressão do segundo álbum, será que conseguiria manter o nível? Pois bem, não só conseguiu como superou, em um álbum conceitual e auto-biográfico, Kendrick conta sua história, seus 24 anos de vida, da sua ascensão de jovem pobre do Compton à nome de destaque no lineup do Coachella. Ser hypado as vezes é fácil, segurar o hype é a parte difícil, Good Kid, m.A.A.d City estreou na segunda colocação da Billboard com quase 250 mil cópias vendidas em uma semana, e conseguiu segurar a onda se tornando figurinha carimbada em listas de melhores do ano graças a sua produção refinada, seus refrões por vezes grudento, e todos os outros elementos que torna o álbum grandioso como é.


6º Flying Lotus - Until the Quiet Comes
IDM, Nu Jazz, Glitch Hop

Em 2012, Flying Lotus trabalhou bastante. Articulou contratações para sua gravadora, Brainfeeder, deu origem a um engenhoso projeto paralelo, Captain Murphy, e lançou o melhor álbum de sua discografia: Until the Quiet Comes. Com toda a experimentalidade que tanto lhe é cara, o músico nos faz embarcar numa viagem ao mundo de orfeu. Explico: diz-se do álbum que, sendo conceito, tem a intenção de ambientar o ouvinte no campo dos sonhos. Algo bem astrato e surreal. A amálgama entre diversos estilos musicais fica cada vez mais precisa a cada trabalho do artista.





5º Mark Lanegan - Blues Funeral
Alternative Rock, Blues Rock, Electronic

Dono de uma voz inconfundível, grave, rouca e soturna, Mark Lanegan lança mais um álbum para integrar sua enorme discografia composta de diversas bandas, colaborações e produções solo. Como o próprio título do álbum sugere, não é algo feliz. Trata-se de uma mistura de um bom blues amplamente inspirado pelos mais diversos estilos, sem soar purista por nenhum momento, misturando o retrô e o moderno, mas carregado das mais tradicionais influências americanas, todo o tom marginal do blues e da cultura fora da lei estão aqui caminhando lado a lado de melodias modernas e criativas. Um álbum de atmosfera única e hipnótica, cheio de sentimentos sorumbáticos e climão arrastado, mas que mesmo assim se prova delicioso de ouvir.


4º Pepe Deluxe - Queen of the Wave
Baroque Pop, Art Pop, Neo-Psychedelia, Space Age Pop, Surf Rock, Psychedelic Pop, Rock Opera, Progressive Pop

The Queen of the Wave é um álbum conceitual, algo próximo de uma ópera rock maluca, uma história mágica extremamente imersiva. Já adianto que cada música difere completamente uma da outra, mas ainda assim conseguem manter a proposta coesa, das quebradas barulhentas do breakcore ao surf rock, da musica barroca ao folk, incorporações de violinos e corais permeando levadas eletrônicas, do sensual trip hop as lisergias do psicodelismo. Queen of the Wave merece ser ouvido por toda sua coragem e ousadia inovadora, ouça de mente aberta, a experiência no mínimo vale apena.






3º Frank Ocean - Channel Orange
Contemporary R&B, Neo-Soul


Afiliado ao OFWGKTA, decerto o maior caminho que a grande rede, sozinha, conseguiu fazer um artista independente trilhar até o presente momento, Ocean sempre se destacou em suas aparições nas canções de membros do coletivo. Dando um toque mais calmo, mais lírico, às faixas, funcionava como uma espécie de contraponto às exortações maléficas e arruaceiras que os demais integrantes proliferavam por discos e palcos. Em meio a todo esse aglomerado de acontecimentos importantes em sua vida, o lançamento de channel ORANGE (2012, Def Jam) movimentou ainda mais o assunto "Frank Ocean". O gênero do Rn'B vinha sido esquecido nos últimos anos. A característa latente de "música para meter" (sim, meter, somos todos crescidos por aqui) ficou arraigada pelo mestre Marvin Gaye, e foi arrefecendo ao longo dos anos. Nos anos noventa, o estilo ganhou nova injeção de ânimo com o trabalho preciso de D'Angelo, mas também ficou por isso mesmo aos poucos. Frank Ocean é a nova cara do Rn'B, um nome que consolida, com channel ORANGE, tudo aquilo que um bom astro do gênero precisa: polêmica, talento e boas letras românticas. E o melhor: não se limita a imitar o passado. Dá uma roupagem nova, uma cara quase que totalmente inexplorada, que é a da produção alternativa. A partir de agora, é oficial: dá pra voltar a achar graça no Rn'B, sem necessidade de olhar pra trás, com ar de saudosismo.

2º Swans - The Seer
Experimental Rock, Post-Rock, Drone, Noise Rock



Quando uma banda chega aos 30 anos de carreira, por muitas vezes podemos imaginar que eles já não tem mais para onde ir, tudo que podia ser feito ja fora feito, é um esgotamento quase que compreensivel. Mas não é isso que acontece com pessoas geniais, pessoas como Michael Gira. Swans sempre fora um ícone da música experimental, atirou para todos os lados, foi precursor de estilos, ganhou status. Mas foi agora em 2012 que Gira lançou sua obra prima, o emblemático The Seer. Post-Rock, Post-Punk, Drone, Experimental, New Age, Dark Ambient, tem espaço para tudo nesse álbum duplo de duas horas de duração e faixas que ultrapassam os 30 minutos. Experimental, cheio de camadas, soa grandioso, mas sem ser agressivo, ruidoso na medida, mas de certa forma ainda confortável para o ouvinte, mesmo com as  faixas enormes, é o tipo de álbum que a cada ouvida guarda uma surpresa, um novo detalhe para ser notado. Ouça uma, duas, três, cinquenta vezes, não tem como cansar, eis o tipo de álbum que será lembrado como um dos melhores da década.


1º Deftones - Koi No Yokan
Alternative Metal, Alternative Rock



Sempre digo que o Deftones conseguiu uma façanha, ter nascido em meio ao redemoinho do New Metal, ser constantemente associado ao gênero, mas mesmo assim impor respeito como banda. Claro, isso se deve a uma qualidade músical indiscutivel, desenvolvida ao longo de 7 álbuns. Chino Moreno e companhia nunca se ativeram a nada, sempre experimentaram, do shoegaze e post-punk ao djent, influências colhidas de diversos lados, associadas em prol de uma sonoridade cada vez mais trabalhada, e que acima de tudo, nunca deixou de soar como Deftones. A forma mais básica de se definir essa sonoridade que é marca carimbada da banda é "a mistura perfeita entre o peso e a melancolia", esse é o grande trunfo deles, souberam encontrar esse balanço, o equilibrio perfeito, sem soar enfadonho, melódico e piegas, ou por vezes excessivamente pesado faltando feeling. Feeling, essa é a palavra certa, música que de alguma forma toca na alma, emociona, te faz cantar junto a plenos pulmões, que verdadeiramente preenche o papel que a boa música deve fazer. Koi no Yokan mantém toda a carga emocional já apresentada anteriormente no álbum Diamond Eyes, resultado claro vindo do grave acidente que o baixista Chi Cheng sofreu e o mantém até hoje, 4 anos depois, em coma. Isso sem dúvidas abalou as estruturas do quinteto, e influenciou em suas composições. Além de toda a carga emocional do álbum, Deftones soa mais progressivo de certa forma, musicalmente mais complexo, não se deixando estagnar e indo além, mais uma vez, sem errar a mão em seu produto final.

2 Responses so far.

  1. Mais do que digno Koi No Yokan em primeiro, um ótimo álbum para uma ótima banda. Aliás, o top 10 ficou todo muito bem escolhido, parabéns pelas escolhas, das listas de "melhores do ano" a daqui foi a que me pareceu mais sensata.

  2. A lista toda tá muito boa, embora eu ache que o Yellow and Green deveria estar no Top 10. The Seer e Koi No Yokan são discos que serão lembrados daqui 20, 30 anos...

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