sábado, 2 de fevereiro de 2013
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Drops de Bacon #8 - Os anos 70 não acabaram

11 comentários

Não sei se já pode ser considerado que exista uma cena em volta disso, se realmente esse revival dos anos 70 está com tanta força, mas aos olhos mais atentos, daqueles que acompanham tudo que está rolando, possivelmente já devem ter reparado no burburinho em volta das bandas que resgatam o heavy metal dos anos 70 e trazem de volta todas as suas nuances e enfase no ocultismo para os dias de hoje, 40 anos após seu auge. Algumas publicações estrangeiras já apontam que esta será a mais nova "onda" do heavy metal, este que desde seu surgimento vive em uma sincope de popularidade e decadência através dos anos, e que atualmente está amargando a decadência em meio ao mainstream desde a saturação do metalcore que teve seu boom no meio dos anos 2000, além do pequeno sopro que foi o hype meteórico em torno do djent. 

Sinais dessas apostas aparecem justamente no fato de que as gravadoras que fizeram uma boa grana com as bandas de metalcore em idos dos anos 2000, estarem aliciando cada vez mais nomes destas grupos garageiros que andam surgindo por aí, gravadoras como Prosthetic, Relapse e até a gigante europeia Nuclear Blast estão apenas esperando a bolha estourar para esses grupos saltarem aos olhos do mainstream, deixarem de ser legal, se tornar algo completamente saturado, com entusiastas sem noção, até tudo ficar insuportável, ou seja, seguindo o padrão cíclico da música.

O motivo desta ressurreição? Bom, eu apostaria em dois fatores, uma banda chamada Ghost, e uma rede social chamada Tumblr. Talvez ambas coadunem e estejam intimamente ligadas, mas a verdade é, o Tumblr desde meados de 2008 se tornou referência para moda, para observar as tendências mais descoladas do momento (e por vezes odiosas), lá a contra-cultura se prolifera com normalidade, o que é mal visto aos olhos comuns se torna cool, um reduto onde a pornografia se tornou padrão, e o culto ao desconhecido, anti-cristianismo, satanismo, ocultismo são reverenciados e virou pura arte (ou ironia, ironia é cool), o resultado? Lojas Renner vendendo camisetas com cruzes gigantes, caveiras e pentagramas. A partir do momento em que o oculto se torna tão legal, quer algo mais legal do que isso somado ao fator vintage que as bandas dos anos 70 carregavam? Salve o Black Sabbath, o Pentagram e o Mercyful Fate! Aliado a isso, em 2010 o Ghost debutava com seu ótimo Opus Eponymous que de alguma forma chegou aos ouvidos de nomes como Phil Anselmo e James Hetfield que passaram a desfilar por aí com camisetas da banda o tempo todo, e obviamente fizeram todos voltarem os olhos para os suecos, foi a melhor publicidade que eles poderiam ganhar. Fora toda a questão das vestimentas e a anonimidade dos integrantes que desperta uma grande curiosidade (alo, efeito Slipknot), o som é de fácil digestão, grudento, e suas adorações à Lucifer soam doces, e quando você menos esperar, após poucas ouvidas, estará cantarolando no ônibus "Lucifer we are here, for your praise". Se você não possui impedimentos religiosos, quando se dá conta já mergulhou de cabeça em toda a atmosfera obscura que remete aos filmes de terror de Dario Argento nos anos 70. 


É claro que uma única banda não solidifica uma cena, na cola de Papa Emeritus e seus Nameless Ghouls que estão cada vez maiores, tocando pelos grandes festivais do mundo (chegaram até no Rock in Rio), além de gravar um cover do Abba com Dave Grohl nas baquetas, várias outras bandas estão dando as caras, seguindo á risca uma cartilha de comportamento e sonoridade. Claro que isso musicalmente falando não é atrativo, limita as possibilidades de uma banda, mas por enquanto, antes da saturação chegar, isso tudo está um tanto quanto divertido, são boas bandas que executam com destreza a atmosfera old school da qual se comprometem fazer. 

Sobre a cartilha, o que é necessário para ser uma verdadeira banda do "Vest Metal" (termo ridículo criado pela Metalsucks)?

- Vestimentas vintage.
- Altas doses de psicodelia.
- Soar o mais próximo possível do Black Sabbath ou qualquer banda dos primórdios do Doom.
- O baixista usar um Rickenbacker e o guitarrista uma Les Paul.
- Amplificadores Orange.
- Vocais levemente comportados, quase etéreos, pontos extras se forem femininos. 
- Pentagramas, macumba, Lúcifer, alquimia, Aleister Crowley, cruzes, símbolos misteriosos, ocultismo e filmes de horror (mas sem parecer uma banda de Witch House).  

Por fim, vamos ao que interessa, as bandas. Como em sua grande maioria, ambas seguem a mesma linha, farei uma curta apresentação (mesmo porque esse Drops já está meio lo, levando em conta que a intenção é a da coluna ser curta).

Ghost - Opus Eponymous
Heavy Metal, Hard Rock, Traditional Doom Metal

Claro, presença mais do que óbvia para encabeçar a lista. Os Suecos liderados pelo macabro Papa Emeritus e seus Nameless Ghouls são das mais acessíveis de toda essa leva, obviamente, se você não se incomodar com o ode ritualístico a Lúcifer e outros seres das trevas. Prepare-se para mergulhar na atmosfera de filmes de horror dos anos 70, Ghost é  doce, melódico e perverso. 



Witchcraft - Legend
Hard Rock, Heavy Metal

Nome constante da cena roqueira sueca, o Witchcraft aparece como um das bandas mais antigas desta lista, com mais de uma década de estrada, e apesar da qualidade inegável em sua discografia, fora mais recentemente com todo esse furor em volta do gênero que o grupo apesar de já possuir nome feito em seu país, alcançou popularidade no mundo. A produção de primeira e a preocupação estética de todo o trabalho garantem um produto final extremamente fino.


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Jess and the Ancient Ones - Jess and the Ancient Ones
Psychedelic Rock, Hard Rock, Heavy Psych

Mais um grupo nórdico, porém, dessa vez, nascido na Finlândia, o irmão delicado (que costumavam apanhar dos Vikings) da Noruega e da Suécia. Jess and the Ancient Ones tem pouco tempo de vida e carrega todos os clichês possíveis que moldam o revival. Vocal feminino, psicodelia a dar com rodo, ocultismo e um balde cheio de simbolismos em sua arte, porém, isso não impede que seu debut seja bem interessante musicalmente falando.



Graveyard - Hisingen Blues
Hard Rock, Stoner Rock, Heavy Psych

Ao lado do Ghost e do Witchcraft, o Graveyard completa a tríade sueca. Com uma postura puxada mais para os old rockers, e uma pegada que remete muito mais ao Stoner do que as outras, o quarteto também aos poucos alcança uma grande popularidade não só na Suécia, mas como em todo o mundo. Guitarras abrasivas, hardão mas sem perder a vibe heavy-psych, e o amor pelo tio Lúcifer que padroniza todas as bandas deste post.



Uncle Acid & The Deadbeats - Blood Lust
Traditional Doom Metal, Heavy Psych

Desafio o Black Sabbath com seu novo trabalho prestes a ser lançado, superar o Uncle Acid & The Deadbeats em fazer um álbum tão bom, e que soe tanto quanto Black Sabbath em seus bons tempos, assim como o Blood Lust faz. Somado à toda vibe obscura e Black Sabbathiana, o álbum ainda carrega boas doses de psicodelia (obviamente, já que são capitaneados por um cara que se intitula "Uncle Acid) que remete perfeitamente aos anos 70.



Year of the Goat - Lucem Ferre
Hard Rock, Psychedelic Rock

Um tanto quanto underrated, o debut do Year Of The Goat merece atenção. Mais um grupo sueco (sim, eles dominam a parada) com uma mistura dos resquícios setentistas do Graveyard, somado ao lado ocultista de bandas como Ghost e The Devil's Blood, a banda é um petardo para os fãs do gênero graças a sua atmosfera imersiva e seu potencial para te transportar para outro mundo.



Castle - Blacklands
Traditional Doom Metal

Uma das principais apostas da Prosthetic Records, saindo do nicho europeu e parando nos Estados Unidos, o Castle investe em uma sonoridade mais pesada, puxada para o Doom Metal tradicional, com momentos de pedal duplo e guitarras pesadas contrastando com passagens mais cadenciadas e arrastadas, e claro, com vocal feminino sofrido e cheio de reverbs ecoando. 




Blood Ceremony - Blood Ceremony
Psychedelic Rock, Doom Metal, Heavy Psych

Soando como boa parte das bandas de Proto-Metal do final dos anos 60, início dos anos 70, Blood Ceremony traz um álbum divertido, e também minimalista. Instrumental inspirado, passa pelo Rock Psicodélico, pelo Heavy Metal, e chega a esbarrar inclusive no Folk Rock. Seu grande destaque fica por conta da vocalista Alia O'Brien que além de uma belíssima voz, incorpora sua flauta nas canções, dando um excelente toque de originalidade ao Blood Ceremony.



Hour of 13 - The Ritualist
Traditional Doom Metal

Pode ser dito que The Ritualist seja mais do mesmo, comparado com outras bandas do estilo, ou simplesmente com o álbum anterior do Hour of 13, seu self-titled, mas isso não torna o trabalho fraco, longe disso, é um álbum de Doom Metal conciso, muito bem produzido e coerente de forma geral, e que recebe uma boa dose do rock ocultista dos anos 70.





Witch Mountain - South of Salem
Stoner Metal, Traditional Doom Metal

Por fim, para encerrar esta edição do Drops de Bacon, os americanos do Witch Moutain e seu South of Salem. Witch Mountain seria apenas mais uma banda de Doom Metal com vocais femininos, se não fosse pela qualidade dos vocais de Uta Plotkin, uma garota que não aparenta ter mais de 15 anos, e tem seus vocais completamente puxados para o blues, soa como se Janis Joplin tivesse sobrevivido aos anos 70 e entrado para o Black Sabbath.




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11 Responses so far.

  1. Big Z. says:

    Ótimo texto!
    Eu gosto pra caramba desse estilo. E na boa, na minha opinião é bom o fato de estarem surgindo mil bandas tocando algo assim... se é uma "febre" nova, é uma "febre" boa! Mais bandas, mais material pra gente ouvir.

    PS: Vai ser muito engraçado ver os comentários em cima do Ghost no Rock In Rio.

  2. radamez says:

    Bom texto. Pessimista e bom! Só acho mancada meter o Witchcraft na jogada, que tá fazendo esse som bem antes do hype. Enfim, deixo vocês com o som do Bloody Hammers: http://www.youtube.com/watch?v=adkdJZEiCuk

  3. Koticho says:

    radamez, isso é verdade, como eu disse, é a mais antiga das bandas e já tinha nome grande na Suecia, mas eles começaram a se destacar mesmo pelo mundo foi com o penultimo e ultimo album

  4. Anônimo says:

    Koticho, baixei o álbum do Witchcraft e quando tento abri-lo, é pedida uma senha, qual seria essa senha? Além disso, queria dizer que esse foi um ótimo post!

  5. MundiKim says:

    Manda a senha do Witchcraft!!!

  6. canibal says:

    senha para o cd Witchcraft: 2012

  7. s says:

    Muito bom o post!! Acho legal esse nova "onda" de rock setentista.
    Fiquem ao som de Kadavar, uma banda alemã que segue essa linha: http://www.youtube.com/watch?v=iGcFBwnheqY

  8. Xaropealex says:

    Muito bom os textos e os discos! Acho que só faltou o Pentagram e o Amadeus...

  9. Xaropealex says:

    Ops.. Não é Amadeus é Pagan Altar a musica é que é In the wake of Amadeus....

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