domingo, 14 de abril de 2013
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Porco Na Cena #22 - My Dying Bride

5 comentários


Quarta-feira, dia de 10 de Abril de 2013, Rio de Janeiro. My Dying Bride.

Saí de Juiz de Fora no início da tarde do mesmo dia pra chegar quase encima da hora do show e encontrar uns amigos já nos arredores do Teatro Rival. A ficha não caía, e eu em nenhum momento, mesmo que dentro do ônibus estivesse ouvindo o Trinity, imaginava que em algumas horas estaria abraçado ao vocalista que transformou minha vida, Aaron Stainthorpe, e ao guitarrista que me inspirou a tocar guitarra, Andrew Craighan. Se eu tivesse caído em mim desse fato naquele momento, a viagem cansativa teria sido um êxtase de ansiedade. Mas eu só tive consciência disso tudo ao ouvir as primeiras notas do baixo de Lena Abé tocarem a introdução memorável de Like Gods Of The Sun, por detrás das cortinas do Teatro Rival, só pra gerar uma onda de fichas caindo e berros insadecidos.

Estava pra começar o show que muitos ali esperavam ansiosamente por mais de 15 anos. Não era o meu caso, eu só esperava por em torno de 9 anos. My Dying Bride sempre acompanhou minha vida, sempre foi a única banda que esteve presente em todos os meus momentos musicais ou modismos passageiros. Incólume, meu amor por essa banda sempre esteve comigo em formaturas, seminários, viagens, novas amizades e até mesmo amores pessoais. Essa banda me levou a muitos lugares e conquistas, por mais inocente que isso possa parecer. E nesta noite eu estive ao lado deles, numa noite inesquecível em todos os sentidos, e onde a banda soube aumentar ainda mais a minha admiração.

Pois então, agora, eu vou contar tudo, mas será grande. E certamente ainda não será o suficiente. Ao menos pra mim.

O Show

O show começou com um pequeno atraso de meia hora, mas ainda extremamente cedo, o que pra muitos de nós era ótimo, visto que como o show era numa quarta-feira, todo mundo tinha que acordar cedo no dia seguinte; mas ninguém estava reclamando de nada. Depois de mais de uma década aguardando a banda chegar ao Brasil, pois muitos dos que estavam ali conheceram a banda pelos dois primeiros discos, As The Flower Withers e Turn Loose The Swans, aquela quarta-feira podia nunca mais acabar. Os assuntos nos minutos que antecederam o início do show eram basicamente qual seria o setlist da banda, assunto este que não me envolvia muito, pois sendo este show parte da turnê do A Map Of All Our Failures, uma rápida pesquisa na internet revelava um setlist com bastante músicas novas e medalhões espalhados no meio, e pra uma banda com 11 discos e mais de 20 anos de carreira, era quase impossível agradar a todos, mas de certa forma o setlist da turnê era perfeito em agradar mais de 90% de quem estava ali. E então, antes que os assuntos terminassem, as cortinas se abriram com os sinos da introdução de Kneel Till Doomsday do último cd e Aaron parado estático em frente do palco. E nós chorando.


Era inacreditável, mas estávamos todos lá diante da banda da vida de muitos de nós. Eu olhava pra cada membro da banda, especialmente Aaron Stainthorpe (vocais) e Andrew Craighan (guitarra) que estavam mais próximos de mim, e os riffs da Kneel Till Doomsday ecoavam dentro de mim de uma forma que as lágrimas começaram a querer sair mesmo eu me segurando bastante, achando eu que ninguém estava emocionado a este ponto ali. Então eu resolvi olhar pros outros membros da banda, Lena Abé (baixo) e o Hamish Glencross (guitarra), além de Shaun MacGowan lá no fundo se divindo entre teclados e violino, e Dan Mullins (bateria), e eu não pude segurar. Chorei igual um bebê, e admito, ao me dar conta de quem estava ali a meio metro de mim. E ao meu lado estavam uns dois caras se acabando de chorar tanto quanto eu, além de uma guria que cantou todas as músicas do início ao fim, mas no início quase engasgava com as lágrimas. A vantagem de ser um show tão seleto com seus fãs é que apesar de o Teatro Rival ser pequeno e os fãs do My Dying Bride tão apaixonados, eu, que estava na terceira fila mais ou menos, tinha espaço suficiente pra me sentir completamente confortável e assistir o show sem apertamento.

A banda em seguida emendou com Like Gods Of The Sun e finalmente o baixo de Lena tomou conta do teatro a sério com os riffs da música do disco homônimo de 1996 fazendo todos nós entrarmos em êxtase. Pois por mais que Kneel Till Doomsday e todas as faixas mais recentes, dos dois últimos albuns no caso, tenham sido FANTÁSTICAS, ao vivo (fato este que inclusive me fez mudar de opnião sobre pelo menos duas delas), nós fomos mesmo a loucura quando ouvimos pela primeira vez uma música que cantamos, tocamos, berramos, por tantos anos a fio, até este momento de ápice. E se uma música do Like Gods não fosse o bastante, o My Dying Bride manda em seguida From Darkest Skies do álbum que talvez seja o mais amado e clichê da banda, The Angel And The Dark River. Os violinos de Shaun que já haviam se mostrado perfeitos nas duas primeiras músicas foram os protagonistas de uma faixa onde Aaron se entrega de uma forma absurda, se contorcendo e ajoelhando no chão pra cantar. Depois dessa música a adrenalina já descia um pouco e eu conseguia cantar as músicas junto sem o choro contido atrapalhar.

No comecinho do show, e eu embebido de emoção vendo isso aí na minha frente.
Após um pequeno agradecimento a banda seguiu com uma das melhores músicas dos álbuns mais recentes da banda, To Remain Tombless, do A Line Of Deathless Kings de 2006. Mais uma vez as guitarras de Andrew e Hamish eram incrivelmente pesadas e intensas, como reis do Doom/Death Metal que são, não poderia o deixar de fazer. A bateria de Dan Mullins (que embora já tenha sido membro ativo do My Dying Bride, atualmente é apenas membro das turnês) nesta música especialmente estava magistral, mas seu ápice viria mais a frente. Aaron então faz uma pausa de alguns segundos pra anunciar que o que viria agora seria uma das músicas mais pedidas de todos os fãs da banda ao longo dos anos. E esta seria Turn Loose The Swans do álbum homônimo, onde por mais de 10 minutos vimos a banda em todo seu auge, com muita cadência, peso, vocais guturais, violinos, vocais limpos, riffs melódicos e riffs pesados, e tudo isso numa única música que realmente se encontra tranquilamente entre as melhores da banda. Fomos a loucura hipnóticamente por esses 10 minutos, e logo antes de começar My Body, A Funeral, Aaron faz questão de comentar que a 23 anos atrás a banda tocava em uma casa de shows na Inglaterra chamada Rio's, e que eles nunca tinham imaginado que um dia estariam tocando no Rio de Janeiro.


My Body, A Funeral foi cantada apaixonadamente por quase todo o público, embora seja uma música do recente For Lies I Sire, de 2009. Esta é uma das músicas mais recentes que eu não curtia muito a versão de estúdio, mas, após ver ao vivo, fica claro como ela mantém intacta a atmosfera e a alma do My Dying Bride. E a resposta do público a ela é fantástica. Após esta tivemos uma música do aclamadíssimo Songs Of Darkness, Words Of Light, que foi Wreckage Of My Flesh. Esta música mostrou um lado entre o pesado e o melancólico do My Dying Bride que só este álbum conseguiu mostrar, numa versão ao vivo incrivelmente pesada. Aaron se contorcia ainda mais, ajoelhado no chão, cantando, berrando e interagindo com o público da primeira fila.

Então a próxima música criou um dos momentos mais intensos e interessantes de todo o show. She Is The Dark, do The Light At The End Of The World e sua mescla de momentos pesados e quebras de ritmo abruptamente melancólicas criou um mosh fantástico seguindo a mesma linha de "para e vai". Além de engraçado, Aaron e Andrew pareciam se divertir ao ver isso acontecendo, embora Aaron não se desfizesse em nenhum momento do personagem que ele cria no palco. E graças a isso eu fui sendo empurrado até chegar ainda mais próximo da banda, então eu adorei o fato. E essa era uma das músicas que eu nunca entendi por que é tão amada pelos fãs, até ver como o pessoal vai a loucura com essas quebras de ritmo e como ela fica pesada ao vivo. A próxima música foi uma das melhores, se não a melhor, música do último disco, A Poortest Waltz, que Aaron fez questão de salientar que um vídeo foi gravado pra ela. Mas ela se tornou um mero prelúdio a música seguinte, talvez o maior hino da banda.

Cry Of Mankind tornou o teatro uma arena hipnotizada, observando o riff monolítico da música se arrastar por vários minutos com Aaron cantando num tom absurdamente baixo e Dan destruindo a bateria com a levada característica dessa música. Foi um dos momentos mais incriveis de todo o show, e apesar de ser uma música que normalmente quem NÃO gosta da banda odeie, por seu ritmo monolítico e cadenciado ao extremo, pra nós fãs ela sempre será um hino. E ela fez jus a isso. Bring Me Victory do For Lies I Sire se seguiu energéticamente com uma enorme participação do público, porém, logo em seguida, A Perpetual Funeral também do A Map Of All Our Failures foi a música com menor receptividade de todo o show, que já se dirigia ao final, embora ela ao vivo seja tão linda, pesada e intensa que é outra música que eu escutarei com muito mais carinho de agora em diante. Mas ela estava colocada logo entre um hino da banda e outro.

Aaron então avisa que a próxima música seria uma das preferidas pessoais dele e da banda, e então um cara chega perto de mim e grita: "DREADFUL HOURS?" para, em seguida, ao ouvir a lamuriosa introdução da música, berrar "NÃO ACREDITO" e sair correndo pra trás de mim. A faixa além de realmente ser uma das melhores do grupo, foi cantada e sentida por todos nós presentes com uma intensidade sem igual. No trecho mais pesado, Aaron, alto e magro, parecia cantar acima de nossas cabeças ao se inclinar para a frente pra berrar os guturais. Mas com esta música estava encerrado o show, ao menos oficialmente.


Aaron então avisa que eles não são popstars pra sairem do palco, esperarem a gente berrar por eles e depois voltarem para o bis, então após uma rápida conferencia ali encima mesmo do palco a banda começa a absurda The Forever People e aí todos nós, já cansados e emocionalmente exaustos nos demos mais uma chance e fomos a loucura mais uma vez com esse clássico do primeiro disco da banda, As The Flower Withers. E a última música a ser tocada foi simplesmente de longe uma das músicas preferidas deles pra mim, desde quanto eu me esforçava pra toca-la no ritmo quando tinha meus 15 anos. The Raven And The Rose fechou com chave de ouro um show absolutamente inesquecível.

Muitas músicas pedidas incessantemente pelo público ficaram de fora, como Sear Me Your River, porém eu acredito que o setlist agradou a todos nós.

O Encontro com a banda

Aaron Stainthorpe
Não bastasse isso tudo, a banda, como prometido anteriormente, ficou depois do show para assinar tudo que quisessemos e tirar fotos conosco. Depois de uns 40 minutos a fila começou a andar e após poucos minutos eu estava em frente a toda a banda enfileirada a nossa disposição. Convesei com Shaun, embora ele não tenha me dado muita atenção, e fiquei um pouco sem graça (nerd time) com a Lena, pois francamente, ela é linda ao vivo. Linda mesmo, com um sorrisso encantador. Andrew no entanto eu não pude resistir e enquanto ele assinava o encarte do meu As The Flower Withers eu fiz questão de dizer que ele era uma inspiração pra mim. Com toda simpatia ele me agradeceu, comentou sobre a minha camiseta (do Sunn O))) ) e rindo, se despediu de mim enquanto eu ia de encontro ao Hamish, de longe o mais comunicativo de todos, que tinha acabado de dizer a uma outra fã que havia entrado junto comigo que eram eles que queriam agradecer pela recepção no Brasil e o público do Rio. Peguei a assinatura de todos e segui até o Aaron, com quem todos queriam tirar fotos, e após que ele assinasse pra mim também, pedi uma foto e ele se levantou para tirar, assim como havia feito com todos até então e o fez com todos no conseguinte. Aaron era o mais sereno de todos, passando bem uma imagem de alguém instrospectivo e, muito provavelmente, emocionalmente exausto. Bem alto e magro, já veio logo me abraçando e eu não resisti e deitei o rosto no peito dele. Isso foi a atitude mais homossexual no entanto impossível de reprimir que eu fiz na minha vida. Mas não me arrependo de nada. Por fim, resolvi que eu tinha que pegar uma foto com o Andrew, então dei a volta por trás de onde eles estavam e pedi ao Andrew uma foto, que gentilmente se levantou e tirou comigo. Visivelmente cansados, após eu sair eles ainda ficaram no mínimo uma hora e meia assinando coisas e tirando fotos.

Após isso eu estava bebendo nos arredores do teatro enquanto todos nós comentávamos a foderosidão do show. Nisso vem até nós o Roadie da banda, Rob, que de forma totalmente bêbada como todo bom inglês beberrão, pede um pouco de cerveja, enche o copo até a borda e começa a contar todas as bandas com as quais ele trabalha nos colocando muita inveja e derrubando cerveja por todos os lados. Outro Roadie se juntou a nós posteriormente, este visivelmente mais alterado, e não chegou a interagir muito conosco. Porém o saldo disso tudo foi que todos nós ganhamos deles palhetas do My Dying Bride, no meu caso especialmente, do Hamish. Então eu me senti finalmente realizado de lembranças do show, com fotos, assinaturas e até uma palheta, thank you Rob!

O lindo sorrisso da Lena e Andrew 
Poucos minutos depois o Roadie se despede de nós e a banda sai pelos fundos do teatro, e embora Hamish ainda encontre tempo pra uma última foto, logo eles se esquivam e entram na van, passando por nós algum momento depois fazendo questão de se despedir novamente de dentro do carro e nos agradecer mais uma vez. Sinceramente, eu raras vezes em minha vida vi ou soube de uma banda tão simpática e atenciosa como foi o My Dying Bride naquela noite. Isso tudo que eu contei foi o que aconteceu comigo, porém as histórias que se seguiam depois que a banda foi embora e ficamos lá bebendo cerveja eram de mais e mais atitudes surpreendentemente carinhosas por parte deles, como cada um de nós.

Poréns

Mas ok, eu só falei bem do show e da banda, mas eu tenho uma séria ressalva a fazer. Durante quase a totalidade do espetáculo os problemas de som foram bastante grandes, e tentavamos sem sucesso após o show identificar quem seria o culpado. Em nenhuma música isso impediu que curtíssemos alguma coisa, mas na Cry Of Mankind por exemplo a microfonia foi absurda, e eu sinceramente achei que eles fossem parar de tocar em algum momento. A acústica do Teatro Rival já é terrível pra um show de Metal, mas isso não podemos nem se questionar muito, pois mal ou bem, temos de agradecer e muito a Overload, que realizou o show, por ter trago a banda ao Rio de Janeiro depois de tantos anos e realizado nossos sonhos, seja onde ele fosse. Mas os problemas técnicos foram graves e não passam uma boa impressão a uma banda que vem de longe. Fica aqui o comentário, por uma questão de honestidade.

Por fim


A impressão que a banda, como pessoas individualmente, e como músicos, passou pra nós, é que todos nós agora temos muito mais motivos para admirá-los. Isso foi fantástico. E se alguém foi até o Teatro Rival sem ser profundamente apaixonado por eles, certamente saiu de lá apaixonado. Agora a banda faz um show da Argentina e outro no Chile, num festival, e a turnê na América Latina do My Dying Bride se encerra. Espero sinceramente que os shows na Argentina e no Chile sejam tão fantásticos quanto foi aqui, e que as produtoras se mobilizem para trazer a banda novamente num futuro próximo.

My Dying Bride, muito obrigado!


PS: Gostaria de por fim agradecer pessoalmente a todos os amigos que fiz por lá, que eu não vou arriscar citar nomes por que certamente esquecerei de vários. Mas saibam que todos vocês me receberam maravilhosamente, eu os admiro fortemente, e quando voltar, espero encontra-los todos. Valeu mesmo!

PS2: Embora esteja visível nas fotos, todas (menos a primeira) foram tiradas pela Alessandra Tolc, espero que não brigue de eu ter pego! Hehe.

PS3: (e mais importante): Você estava lá, Alx!

5 Responses so far.

  1. Oreia says:

    Alx estava lá :( e eu de coração tb, afinal desde sempre, o começo do pignes foi falar sobre MDB e comentar como nos conheceríamos no show :( porém n foi dessa vez.

  2. Bro, o roadie da paleta e bandas foi o loirão loco Rob, o outro, mais caladão era irmão do Gregor Mackintosh do Paradise Lost, fiquei sabendo disso depois.

    Ter te conhecido foi demais e as cervas juntos melhor ainda, parabéns pela ótima resenha.

    Augusto Hunter

  3. Forbidden says:

    Valeu Augusto! Vou editar o nome do Rob na resenha, por que ele foi gente fina demais. E tá brincando que aquele cara era irmão do Gregor? Porra!

    E brevemente estaremos tomando umas cervas novamente, obrigado cara!

  4. Poooooooorra, se é gente fina cara, eu vou esbarrar com ele agora no show do UFO, ele vai vir de roadie da banda, mais cervejas rolaram, podes crer nisso meu caro.

    E sim, o caladão é irmão do Gregor, lembrando dele depois q o camarada me passou isso q eu fui reparar como o cara é parecido com o irmão, doideira isso né?

    Opa, assim espero meu camarada, vamos tomar umas juntos sim.

  5. Olá, Forbidden!
    Tudo bom?! =-)

    Respondendo ao seu PS2 um pouquinho tarde, haha, é claro que eu não vou "brigar" com você por usar as fotos aqui! Ainda mais tendo mantido o meu logo e TAMBÉM citado o meu nome no final da resenha com link para o meu site, muito obrigada! Fico super feliz que você e diversos outros fãs tenham gostado das minhas fotos. Esse é sem dúvida o melhor feedback de todos!

    Super beijo!

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