segunda-feira, 15 de abril de 2013
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Porco na Cena #23 - Carcass

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Pra quem é fã de Death Metal ou Grindcore é desnecessário falar da importância que o Carcass teve para o rumo das coisas, e que chamá-los de lenda não é exagero. Lembro bem dos tempos em que comecei a ouvir a banda, eles eram um grupo morto que sequer dava indícios de um novo respiro, mas estava tudo bem, o legado deixado já era o suficiente para fazer qualquer fã do gênero feliz. Eis que em 2007 fora anunciado uma reunião dos ingleses, vários shows marcados pelos principais festivais europeus, parecia algo exclusivo, jamais sonharia com eles por aqui, eis que em 2008 rolou, o primeiro show do Carcass em terras brasileiras, a reunião parecia especial, temporária, e que aquela seria uma oportunidade única, mas ledo engano, em 11 de abril de 2013 o Carcass veio mais uma vez mostrar o porque de serem lendas e dar uma aula de Death Metal em São Paulo.




Era isso, quem viu em 2008 teria a oportunidade de ver novamente, quem perdeu aquela oportunidade, teve uma segunda chance. E foi com pontualidade britânica que as 20h de uma chuvosa quinta-feira que o Carcass subia ao palco de um Carioca Club cheio para se apresentar. Com uma iluminação obscura que criava uma opressiva atmosfera, Buried Dreams do Heartwork abria a sessão de esporro sonoro que teria continuidade noite adentro, a levada cadenciada da música dava início a um tímido moshpit entre os mais animados, e aquele meio Carcass (Ken Owen após seu acidente vascular infelizmente não pode retornar a banda, e Michael Amott não quis fazer parte dessa segunda tour de reunião) mostrava ao que veio. Mesmo pela metade, não há o que falar, Bill Steer e Jeff Walker com um carisma incrível comandaram a noite. Bill como sempre parece ainda ser um moleque sorridente de 20 anos que não saiu dos anos 70 com suas calças e camisetas justas. Já com  Jeff o tempo não foi tão generoso, mas vestindo uma camiseta da Rádio Corsário, ele não deixou de interagir com o público, sempre simpático em todas as vezes que falou, além dos dois novatos no time, Ben Ash e Daniel Wilding que simplesmente estão mais do que aprovados, esbanjam competência como poucos teriam para ocupar cargos numa banda tão importante como o Carcass. Interessante notar que mesmo com um som pesado e bruto de temáticas carregadas e densas, de uma maneira própria graças aos 4 músicos que no palco que esbanjam carisma, o show mantém um bom astral por seus quase 90 minutos de duração.


A noite foi um passeio por todas as fases da banda que coincidem em abordar quase todas as vertentes do Death Metal. Do Grindcore cru do início da carreira, passando pelo Death Metal Técnico de Necroticism, pelo Death Metal Melódico de Heartwork e pelo Death'n'Roll do Swansong. Foram 21 faixas, aquele setlist dos mais satisfatórios e completos possíveis e que chega a ser difícil definir um destaque, mas vale citar momentos geniais como em Genital Grinders onde a tela de fundo passa a reproduzir imagens de orgãos genitais purulentos e mutilados,  como não poderia deixar de ser, em boa parte das músicas temos belas exibições de gore no telão que dá aquele clima aconchegante e familiar para a apresentação. Os grandes "hits" (se é que é possível chamar uma canção de Death/Grind dessa forma), são cantados (ou grunhidos) em uníssono por todos os presentes, faixas como Heartwork, Corporal Jigsore Quandary e Keep On Rotting levaram todos a loucura, enquanto nos momentos mais grinds o moshpit se distribuía praticamente por toda a largura da pista com fãs ensandecidos aproveitando para aliviar de forma saudável o stress do dia a dia que acumulamos nessa caótica São Paulo.


O que fica agora é a torcida para que voltem, temos a promessa de disco novo para esse ano, mais uma tour por aqui não seria nada mal, com mais Death Metal sujo e sangrento para arrebatar toda uma legião de headbangers por uma das melhores bandas que o metal extremo já conheceu.

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