sábado, 25 de maio de 2013
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Porco na Cena #25 - Black Star

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Antes de mais nada, Obrigado SESC!

Eu fico realmente feliz quando o SESC anuncia alguma apresentação de banda que me interesse, primeiramente porque o catálogo deles costuma ser bem alternativo, o que é trazido geralmente são bandas e projetos que não teríamos a oportunidade de ver se fosse esperar por produções que visem lucro. Segundo, obviamente é gratificante você pagar no máximo 40 reais em tempos onde existem ingressos que custam valores exorbitantes, ultrapassando a casa dos quatro dígitos  E por ultimo, a produção sempre é impecável, além de normalmente serem bem localizados, com horários acessíveis, a infraestrutura é excelente, ambiente, palco, som, tudo irretocável.

Em parceria com a Virada Cultural, o SESC trouxe para o Brasil o excelente e já clássico projeto Black Star. Para quem não conhece, ainda nos anos 90 dois nomes ascendiam em meio a cena underground do hip hop americano, dois caras com potencial enorme, esses eram Mos Def e Talib Kweli, da amizade surgiu a parceria na música e "Mos Def & Talib Kweli Are Black Star" nasceu, treze excelentes faixas que captam o que havia de melhor no rap dos anos 90 e que também viria a influenciar muito o que veio depois nesse cenário, um disco que mesmo após 15 anos do seu lançamento soa completamente atual.


Os 700 ingressos disponibilizados para o show voaram e em menos de 2 horas esgotaram, todas as cadeiras do Teatro Paulo Autran no Sesc Pinheiros estariam ocupadas (sim, um show de Rap no Teatro). O início se deu com um pouco de atraso, provavelmente por conta da demora do público para se acomodar nas cadeiras, pode ser meio difícil fazer social e trombar os manos no meio de um teatro.

Abertas as cortinas, o grande palco do Teatro tinha apenas uma plataforma para o DJ que continha os dizeres, "Bem Vindo, você está aqui, a hora é agora, obrigado" que Mos Def fez questão de que fossem suas primeiras palavras. Seria ali naquele palco quase vazio, preenchido apenas por iluminação de tons avermelhados que durante 1:30h Def e Talib despejariam suas rimas. E antes mesmo de começarem a cantar, um simples gesto chamando o público pra frente foi o suficiente para fazer com que todos levantassem de suas cadeiras e se aglomerassem no espaço em frente ao palco e em suas laterais.




Mos Def chama a atenção, ele que além de aclamado como rapper, vem com status de celebridade hollywoodiana após bons papeis no cinema (The Italian Job, O Guia do Mochileiro das Galaxias, 16 Quadras) e também na TV (Dexter), seu carisma é enorme, canta, vai de um lado pro outro do palco o tempo todo sempre dançando, e não pede a chance de conversar com o publico quando pode, Talib não fica atrás, apesar de "menos dançarino", também se mostra bem simpático quando resolve interagir.

Vale mais uma vez ressaltar, a qualidade de som e acústica do teatro, perfeito não seria exagero, apesar de que pela metade do show o publico pediu para que o som fosse aumentado, mais pelo fetiche de ter graves ecoando pelo auditório. E o pedido foi prontamente atendido por Talib "lets put that shit louder". Foi seguindo esse padrão de qualidade que o Black Star desfilou todo o seu álbum, em momentos como Definition, REdefinition, Respiration e Brown Skin Lady onde todos cantaram em uníssono, também teve espaço para boas canções de ambas as carreiras solos, como Auditorium, excelente single de The Ecstatic do Mos Def, com direito a dancinhas, e também Favela Love, música do mais novo disco de Talib que acabará de sair, com participação do Seu Jorge, que ficou incrível com todo o público batendo palmas no ritmo da música de cabo a rabo, sem parar por nenhum momento, sempre regidos por Def que como um maestro dava o ritmo das palmas.


É interessante notar como ao vivo a voz de Mos Def soa ainda mais poderosa, com timbres que lembram muito os jamaicanos roots do reggae em certos momentos onde ele manda notas mais altas, e mais impressionante ainda é o flow e as rimas rápidas de Talib, praticamente impossível de serem acompanhadas por meros mortais. Uma hora e meia de duração, foi o tempo que tivemos de show e que valeu cada centavo dos justos 40 reais cobrados pelo SESC. A oportunidade única de ver dois grandes nomes do Rap dando o seu melhor, com um setlist impecável e que deixam o desejo para que voltem logo, mesmo que sejam com shows individuais.



*Fotos por Gessé Silva

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