sábado, 6 de julho de 2013
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Peste Noire - Peste Noire

2 comentários

Gênero
: Black Metal
País: França
Ano: 2013

Comentário: Peste Noire é uma banda essencialmente personificada na figura de La Sale Famine de Valfunde, ou somente Famine, um rapaz de 32 anos que manteve sua banda restrita ao underground desde sua formação, em 2001, somente lançando discos através de selos pequenos e fazendo pouquíssimos shows para públicos igualmente restritos. Provavelmente devido a isso a sonoridade do Peste Noire ao longo dos anos foi se tornando cada vez mais particular, e ideologicamente a banda se manteve intacta.

O nacionalismo e o pensamento de "extrema direita" não é algo incomum na Europa, e muito menos incomum de se expressar musicalmente através do Black Metal e do Neofolk. Mas Famine incorpora no Peste Noire uma ideologia particular extremamente nacionalista francesa e de extrema-direta, mas que tange um anarquismo muito mais intenso que o pensamento comum no meio. Daí ligar o Peste Noire com o NSBM é bastante raso e inexato, embora desliga-lo completamente de ideologias de extrema-direta nacionalistas também o seja. Dito isso, a forma com que a música do Peste Noire se desenvolve se torna um pouco mais clara de se entender.

Chamar isto aqui de Black Metal é quase um eufemismo, visto que ao longo de seus álbuns o Peste Noire passeou o tempo inteiro pelo Folk, em especial o Neofolk com toques sombrios de bandas como o Current 93 e o Ordo Rosarius Equilibrio; no entanto o estilo musical do Peste é bem mais que uma fusão de Black Metal e Neofolk, este último se encontra incorporado na banda através da ideologia, temática e atmosfera, mas instrumentalmente a banda se apóia num Black Metal completamente e absolutamente desprendido às correntes dos rótulos de gênero, mas ainda assim, um Black Metal. Em Peste Noire, a banda se calca nessa vibe Folk de forma absurdamente intensa, sem deixar de lado a intensidade gelada do Black Metal, mas com raríssimos tremolos e muitos, muitos, MUITOS, instrumentos acústicos, coros, vocais limpos e lamentos por um passado pagão. Nada surpreendente pros fãs da banda, mas de certo surpreendente a quem a estiver conhecendo por este álbum, então vale dizer.

Um elemento fantástico no disco é a presença de vocais femininos (performados por ninguém menos que Audrey Sylvain do Amesoeurs) em diversos trechos, contrastando com o vocal excedentemente doentio de Famine, o que tornou a sonoridade da banda ainda mais docemente melódica, mesmo que profundamente sombria. Mais uma vez o sentimento dominante do disco é a melancolia, e o instrumental é absolutamente magistral em passar essa emoção de forma intacta. Aliás, pouquissimas bandas de Black Metal tem o talento de Famine para criar riffs tão inspirados em todos os seus discos, e este aqui mais vez é um deleite instrumental. A produção ligeiramente estourada em alguns momentos e ligeiramente abafada em outros torna tudo ainda mais maravilhoso, e as letras em francês complementam a atmosfera.

Peste Noire é uma banda única musicalmente e ideologicamente, mas que neste ultimo quesito, não é pra qualquer um. Atacar demais a banda entendendo bulhufas do contexto onde ela se encontra com base nessa ideologia, assim como defende-la incessantemente, são dois erros comuns que se vê por aí. Mas acima disso, a música é uma pérola e Peste Noire é mais um ícone de como se fazer Black Metal sem amarras e fiel ao underground.


Tracklist:

1. Le retour de la peste 03:51
2. Démonarque 07:42
3. La bêche et l'épée contre l'usurier 08:10
4. Niquez vos villes 06:46
5. Le clebs noir de Pontgibaud 05:15
6. Ode 04:16
7. La blonde 04:09
8. Moins trente degrés Celsius 06:26

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2 Responses so far.

  1. DOOM says:

    Adoro suas resenhas!!!! Peste Noire é uma excelente banda!

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