quarta-feira, 14 de agosto de 2013
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Porco na cena #26 - Stephen Malkmus

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Não é sempre que se tem a oportunidade de encontrar-se com um dos seus maiores ídolos. A última passagem de Stephen Malkmus aqui pelo Brasil me permitiu tamanha alegria, além de ter nos 'dado' um ótimo show. Por isso, segue mais um Porco na Cena - um pouco atrasado - mas especial.

Pra quem não conhece a figura, Stephen Malkmus é mais famoso por ter sido guitarrista e vocalista da banda Pavement, uma das mais importantes do rock nos anos 90, além de uma das minhas favoritas.  Depois do fim do grupo, Malkmus emplacou uma longa carreira com sua nova banda, os Jicks, que já conta com mais de 5 discos e alguns eps. Além disso, participou de vários trabalhos com os Silver Jews.

Apesar da rotina atribulada de gravações, Malkmus já fez algumas turnês pelo mundo nas últimas décadas e passou pelo Brasil em duas ocasiões distintas: uma em 2002 com seu projeto solo, e em 2010 no comando da turnê de reunião do Pavement, no festival Planeta Terra.

Em 2013, após 3 anos (ou 11, se você só contar sua carreira solo), ele voltou com sua banda, The Jicks. E veio para o Rio de Janeiro pela primeira vez. A turnê organizada pela 606 produções contou com diversas apresentações pelo Brasil: Maringá, Porto Alegre, Belo Horizonte e São Paulo também foram pontos de parada. A abertura das apresentações ficou por conta da carioca The John Candy.

O clima de ansiedade era bem forte, pelo menos de minha parte, pois era a primeira oportunidade que eu teria de ver Malkmus e os Jicks. Sua carreira 'solo' sempre manteve um alto padrão de qualidade e não devia em nada para a maioria das bandas do mundo. Se ver uma banda boa já é legal, ver uma que você idolatra é melhor ainda.



As coisas não tinham como melhorar muito mais, mas ainda assim acabaram melhorando: No dia da compra do meu ingresso, acabei ganhando uma promoção da loja Baratos da Ribeiro que me dava um ingresso extra de graça e uma cópia de crooked rain crooked rain. Só que mais do que isso, fiquei sabendo que Malkmus e cia iriam na loja no dia seguinte para uma sessão de autógrafos. Quase não acreditei. Era realmente tudo que eu queria. No dia seguinte lá estava eu, prostrado em frente ao sebo de copacabana na espera de qualquer movimentação. E lá chegou ele, sem muitas cerimônias, entrou pela galera e foi super simpático com todos. Bateu papo, tirou fotos e autografou posters. A banda e o roadie também estiveram lá, todos bem animados em conversar com o púbico e conhecer uns discos brasileiros.


Momento tietagem passado, era hora de pensar no show. Dois dias depois estive lá no Circo Voador pra conferir de perto a apresentação dos caras. Como já havia dito, a abertura ficou por conta do The John Candy, uma banda aqui do circuito alternativo carioca.

Infelizmente, o show deles ficou bastante vazio, com talvez umas 100 pessoas assistindo tudo, com um momento de exceção. A banda trabalhou bem, aproveitando pra mostrar seu trabalho autoral que, sinceramente, é bem interessante, puxando pra algo de shoegaze. Apesar de boa parte do público não conhecer nada do repertório próprio deles isso não impediu que a galera se animasse e provavelmente se interessasse pelo som da banda. 

Já na última música, veio a exceção que lotou o palco: Stephen Malkmus subiu para cantar Summer Babe (uma das músicas mais queridas do Pavement) junto com a banda. A emoção tomou não só o público mas também os músicos da John Candy.  Apesar de ser visível que Malkmus fica quase pelado sem sua guitarra em cima do palco, tudo fluiu bem e o cover fechou a abertura com chave de ouro.

A pista, já lotada, ficou em extrema ansiedade. Muitos ali vieram mais pela chance de ouvir algo do Pavement do que os Jicks em si - uma pena, porque o trabalho deles é realmente muito bom - e provavelmente se animaram bastante ao ver Malkmus já soltando um clássico na abertura. O pessoal não precisou esperar muito pra ver o grande show que viria.


Abrindo com Tigers, os Jicks já mostraram ao que vieram. A guitarra de Malkmus encabeçava um rock alternativo mais maduro, mais devagar e ainda assim descontraído na melhor veia Pavement. Sem medo de variar, a banda cobriu diversas músicas de seus álbuns, com enfoque especial para Mirror Traffic, o mais recente lançamento do grupo.

Ao longo das 20 músicas do set a banda desfilou grandes músicas e improvisações ligeiramente breves mas interessantes; meu ponto alto foi na ótima Forever 28 - perfeita pra cantar junto, na minha humilde opinião - mas tenho que admitir, sem dúvidas, que o momento que mais cativou o público foi o cover de Pavement que abriu o bis: In the mouth a desert. Senator talvez tenha sido a música autoral que mais agradou a multidão, muito provavelmente por se tratar do single recente da banda com um clipe engraçadinho. Real Emotional Trash - faixa título do penúltimo disco - também foi sublime e veio junto com uma das melhores digressões da apresentação.

Falando no público, temos de dar os créditos: O circo não estava absolutamente lotado - claramente mais vazio do que no show do Explosions in the sky desse ano mesmo - e por isso estava ótimo. A atmosfera era agradável, composta basicamente por pessoas que queriam estar ali, e todos nós sabemos o quanto isso faz diferença. Consegui ficar pertinho do palco e pude ver a banda todo o tempo. O som estava realmente bom, chegando bem a todos os presentes. Pra não cometer uma injustiça, tenho que elogiar também o estande montado da Transfusão Noise Records, que tinha discos a preço bem camarada e de alta qualidade. E também ao DJ do circo que fez uma playlist muito boa.

No fim das contas, foi realmente uma grande experiência. Sei que não só eu, mas muitos fãs da carreira do Stephen Malkmus esperaram ansiosamente por esse dia, e ele superou as expectativas. A banda foi simpática, a setlist foi realmente muita boa e tudo ocorreu no melhor clima possível. É daquelas coisas raras, poder conhecer seu ídolo. Espero ansiosamente as próximas chances. 




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