terça-feira, 27 de agosto de 2013
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Ulcerate - Discografia

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Gênero: Technical Death Metal/Avant-Garde (ou 'Atmospheric Technical Death Metal')
País: Nova Zelândia
Ano: 2002-Atualmente

Comentário: Ah, bandas de Death Metal das terras austrais. Como vos adoro.

PS: Temos o novo álbum!

Ulcerate é uma banda formada em 2002 na maior cidade da Nova Zelândia, Auckland. Se você por algum acaso ainda acha esquisito uma banda da Nova Zelândia, devo lembrar-lhe que o país Maori é uma das mais bem sucedidas ex-colônias britânicas no sentido econômico, e como tal, possui uma cena vasta e diversa no que tange à bandas dos mais variados estilos, especialmente o Metal. Nada muito diferente da Austrália, por sinal. No entanto, ter em sua conta uma centena de bandas de Metal em um país não necessariamente quer dizer que você vai querer ouvir alguma coisa desse país. Isso por que pode ser muito trve ouvir uma banda de Brutal Death Metal do Cazaquistão, mas o fato é, muito provavelmente ela vai ser totalmente genérica e você vai enjoar dela em uma semana. Somos um ótimo exemplo disso como país, aliás. Países como a França, por exemplo, já tem, por tradição, a vibe de criar novas formas de se fazer Metal. Gojira, Alcest e Deathspell Omega são apenas alguns exemplos que poderíamos dar disso.

E este último, em especial, fez um belo estrago no Metal extremo desde que começou a quebrar todos os riffs do Black Metal e explorar compassos assimétricos, além de cadências diferenciadas pro estilo, mesclando riffs dissonantes com uma bateria blastbeateante e vocais graves, numa aura obscura e pesada sem igual. Claro que muito disso se deve ao Meshuggah, talvez a banda que tenha trago à atualidade a tendência a se "modernizar" o que chamamos de "Technical" Metal, que não é exatamente uma novidade - Voivod que o diga - mas era algo completamente diferente do que se vinha fazendo, e chamou muita atenção. Mikko Aspa e seu Deathspell Omega foram um pouco além, deixando, por volta de 2004, a "rawness" do Black Metal em troca da sinceridade da porradaria avant-garde que desenvolveram. Se o Meshuggah deu a idéia, o Deathspell Omega moldou ao Black Metal. E assim como temos hoje em dia dezenas bandas do famoso 'Djent' do Meshuggah - algumas até originais, mas no geral, o Meshuggah ainda continua sendo a única que eu realmente gosto do estilo - surgiram dezenas de bandas aceitando a proposta do Deathspell Omega e dissecando riffs extremos em algo mais que simples tremolos, palm mutes e afins.

Uma delas foi o Ulcerate. Só que enquanto o Deathspell Omega tange o campo do Black Metal, o Ulcerate é legítimamente uma banda de Death Metal. Em específico, seu real primeiro disco, a compilação de demos (com capa extremamente foda) The Coming Of Genocide, tem fortes semelhanças com a sonoridade de bandas como o Necrophagist, e seu próximo disco, Of Fracture And Failure traz subitamente elementos dessa sonoridade a lá Deathspell Omega incorporadas nessa receita, mas ainda assim sendo uma banda de Technical Death Metal bastante ortodoxa. Of Fracture... é talvez o mais aclamado disco da banda, e o que fez o Ulcerate ser reconhecido. E isso se deve a, muito provavelmente, ter adicionado em sua sonoridade esses elementos supracitados, o que dá um feeling absurdo aos riffs e diversifica totalmente a estrutura das músicas, pra melhor. De forma geral, as faixas de Of Fracture... começam com riffs agudos e dissonantes estranhamente fazendo sentido, pra ouvidos acostumados a previsibilidade dos riffs de Death Metal, e lentamente descamba para algo já mais familiar, culminando num retorno à cadência dos riffs diferenciados numa espécia de refrão que dá todo o charme às faixas. Eu sei, isso não parece nada demais, embora pareça dar muito certo. E isso é justamente o que é o primeiro full-lenght da banda, algo que não é exatamente original e novo, mas que funciona extremamente bem. O vocalista da banda na época, Ben Read, ainda tem um gutural bastante saturado, que em conjunto com os backing vocals agudos e a bateria esporrante - instrumento que merece muita atenção nesta banda, comento mais à frente - ofuscam um pouco a qualidade dos riffs e não deixam que numa primeira ouvida desatenta seja percebido a novidade apresentada pelas guitarras, exceto quando elas adotam a idéia do "para e vai", o que sempre dá um toque de atenção extra. Temos aqui um excelente disco de Technical Death Metal, mas o Ulcerate ainda iria evoluir muito.


Mas 'metaleiros', como se bem sabe, tem ojeriza por novidades e continuavam idolatrando Of Fracture And Failure mesmo enquanto o Ulcerate evoluia totalmente no lançamento de Everything Is Fire, e já começavam a reclamar. O segundo full-lenght é onde a deathspellomegação do Ulcerate se completa definitivamente. O toque cadenciado que apareceu no disco anterior agora vinha reformulado para ser o foco de atenção central das faixas, e a quebradeira rítmica agora era muito mais absurda que antes. O lineup mudou, agora a banda perdia um guitarrista e o vocalista passava a ser o baixista da banda, Paul Kelland. E o baterista da banda, Jamie Saint Merat, que é um dos membros fundadores, nesse disco mostra toda sua genialidade. Vamos por partes.

Everything Is Fire tem músicas com estruturas totalmente assimétricas e imprevisíveis e os riffs de guitarra soam exatamente como se esperaria do Deathspell Omega - só que dentro do peso e principalmente da velocidade do Death Metal. Eu sei, eu falei sobre cadência antes e agora estou falando de velocidade, mas, acredite, o que acontece é que os instrumentos nas faixas parecem tocar individualmente e o todo da música vem apenas por consequência. Os riffs variam absurdamente num espaço de tempo curtíssimo, fazendo aquela sensação de trechos "separados" numa mesma faixa cair totalmente por terra cedendo espaço a uma imprevisibilidade completa. Enquanto isso, a bateria de Jamie vai esporrando levadas intensamente precisas e técnicas, sem parar um segundo sequer, criando uma atmosfera de peso e violência onde os riffs de guitarra e baixo ficam pairando. É como se Jamie usasse sua bateria da forma mais violenta possível para destruir todo um campo de obstáculos fazendo com que os riffs apareçam e soem da forma que devem soar, e acima de tudo, façam sentido. O Deathspell Omega faz exatamente a mesma coisa.

Mas se fosse só isso, o disco seria previsivel na sua imprevisibilidade e estariamos presos a essa 'receita'. Só aí que entram variações ainda mais interessantes e particulares na sonoridade do Ulcerate, que são justamente o que a distância do Deathspell Omega. A começar que embora ela tenha adquirido essa sonoridade quebrada e avant-garde, a influência do Technical Death Metal de raíz está presente em quase todas as faixas, e no meio dessa aleatoriedade dos riffs e da bateria surgem como algo familiar. Por exemplo, os vocais normalmente são bem diferentes do que se espera de uma banda de Technical Death - ao invés de serem guturais berrados rapidamente jorrando versos na velocidade da luz com rasgadões por trás, na grande maioria do tempo em Everything Is Fire eles são apenas urros arrastados graves e intensos. Só que em certos momentos, eles se tornam rápidos, as guitarras ficam mais previsíveis (embora extremamente fodas) e a bateria segue mais a linha do baixo, e subitamente você sente como se estivesse ouvindo um Technical Death Metal como estamos acostumados. Só que isso dura no máximo uns 20 segundos em cada faixa antes de decair para a aleatoriedade novamente. Mas sem dúvida é algo que não existe no Deathspell Omega.

Em 2011 a banda lançou The Destroyers Of All. E aqui, caros amigos, é que o Ulcerate transcende definitivamente o Technical Death Metal. Novamente, óbviamente, fãs ortodoxos e conservadores detestaram, mas este disco trouxe uma sonoridade que simplesmente incorpora elementos avant-garde de forma total, deixando de lado os vagos momentos de familiaridade que tinhamos no disco anterior. Este é, sem dúvida alguma, meu disco preferido da banda. Os riffs agora ao invés de apostar numa aleatoriedade e rápidas variações encima de uma bateria extremamente violenta, passam a carregar as levadas da banda de forma densa, compacta e instrumentalmente virtuosa. Não há riffs extremamente velozes nem firulas técnicas, na realidade tudo soa bem simples, mas extrefuckingmente bem composto. Cada nota é meticulosamente colocada para criar uma sonoridade dissonante e melódica, que tem fortes semelhanças com bandas de Post-Metal como o Pelican e o Neurosis. Sim amigos, comecei falando de Deathspell Omega e agora estou falando de Neurosis, o Ulcerate é algo completamente fora do comum. E o pior é que quando se fala em 'Avant-Garde' normalmente acabamos por imaginar algo que não traga a mesma essência do estilo original - no caso, o Death Metal - mas no Ulcerate aconteceu justamente o contrário: a sensação é que isso tudo fez a banda alcançar simplesmente a essência do estilo, assim como a atmosfera obscura do Deathspell Omega é totalmente fiel a proposta do Black Metal, ainda que todo o instrumental tenha sido reformulado. Eu simplesmente não sei expressar como The Destroyers Of All é foda, então sinceramente deixo a vocês o dever de escutar o disco prestando atenção em todos os seus detalhes, tendo ainda o prazer de se surpreender com cada uma das particularidades.

Já em 2013 a banda lança Vermis, que será lançado oficialmente em Setembro mas que eu já consegui incluir aqui nesta discografia. Vermis é simplesmente ainda mais atmosférico que The Destroyers Of All, mas consegue ser ~muito~ mais violento. Os vocais e principalmente a bateria estão absurdamente primitivos e intensos, urros soam como socos e os bumbos comem solto. A atmosfera de Post-Metal do álbum anterior dá lugar a um clima muito mais obscuro, e os resquícios de Technical Death Metal são completamente absorvidos por riffs arrastados e gravíssimos. Definitivamente Vermis é a consagração do direcionamento que a banda quis tomar, já que a cada álbum novos elementos foram surgindo na sonoridade do Ulcerate mas neste disco a proposta é bem semelhante ao anterior. Ainda que as faixas de Vermis não tragam o mesmo feeling do disco anterior, sem dúvida ainda é uma experiência única musicalmente e que, digo novamente, toca a essência do que é o Death Metal. E a melhor música do disco é mesmo que saiu antes como single, Confronting Entropy. 

Por fim, Ulcerate é simplesmente uma banda de Death Metal que é muito mais que uma banda de Death Metal. É uma banda que nos absorve com sua violência, ao mesmo tempo que nos acaricia com riffs hipnóticos, cativantes e imprevisíveis. Sinceramente, aqui estamos diante do que por muito tempo o Death Metal precisava, num oceano de mais do mesmo. Em algum lugar alguma banda ia fazer algo realmente novo no estilo. Esse lugar foi a Nova Zelândia e essa banda foi o Ulcerate.




The Coming Of Genocide (2006)

Tracklist:

1. The Coming of Genocide 03:38
2. Unhallowed Ascension 03:17
3. Scorn the Dethroned 03:48
4. Second Death 04:27
5. Subversive Supremacy 02:37
6. Burnt Offering 02:45
7. Ulceration 04:16
8. Smash the Deceitful 03:48

Download: MEGA


Of Fracture And Failure (2007)

Tracklist:

1. Praise and Negation  04:14
2. Ad Nauseam 03:40
3. The Mask of the Satyr 06:33
4. Becoming the Lycanthrope 04:14
5. To Fell Goliath 03:47
6. Martyr of the Soil 07:34
7. Failure 02:53
8. The Coming of Genocide 03:38
9. Defaeco 08:42

 
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Everything Is Fire (2009)

Tracklist

1. Drown Within 06:43
2. We Are Nil 05:42
3. Withered and Obsolete 06:11
4. Caecus 06:27
5. Tyranny 05:23
6. The Earth at Its Knees 05:46
7. Soullessness Embraced 06:37
8. Everything Is Fire 07:52

Download: MEGA


The Destroyers Of All (2011)

Tracklist:

1. Burning Skies 07:34
2. Dead Oceans 07:01
3. Cold Becoming 06:16
4. Beneath 06:56
5. The Hollow Idols 06:06
6. Omens 08:26
7. The Destroyers of All 10:30

Download: MEGA


Vermis (2013)

Tracklist:


1. Odium 02:45
2. Vermis 05:59
3. Clutching Revulsion 07:04
4. Weight of Emptiness 07:42
5. Confronting Entropy 06:38
6. Fall to Opprobrium 02:24
7. The Imperious Weak 07:24
8. Cessation 07:02
9. Await Rescission 07:32

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