quarta-feira, 18 de setembro de 2013
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Slowdive - Discografia

5 comentários
Gênero: Shoegaze, Dream-Pop
País: Inglaterra
Período em atividade: 1989 - 1995

Comentário: Shoegaze é ainda algo inusitado para mim, haja vista que venho paulatinamente conhecendo artistas do ramo e misturando-os de maneira "imprudente", sem ligar muito às leis que regem esse “universo”. Universo, este, governado por dois reis em minha concepção: Do lado “A”, conhecido por uma espera quase sem fim, está My Bloody Valentine, a banda com os fãs mais fiéis – e obviamente mais chatos – do Shoegaze. Do outro, o lado “B”, conhecido pelo conformismo, está Slowdive.

Formada em 1989, Slowdive foi uma filha legítima do Shoegaze: nasceu no final dos anos 80 e morreu antes do fim dos anos 90. Era composta por Rachel Goswell (vocal/guitarra), Neil Halstead (vocal/guitarra), Nick Chaplin (baixo) e Christian Savill (guitarra). Contou ainda com alguns bateristas, dentre eles Simon Scott, quem se destacou por participar dos álbuns Just For A Day e Souvlaki. A banda possui apenas mais um álbum além dos dois supracitados, Pygmalion; todos pela Creation Records.; e pouco após o lançamento desse, Slowdive encerra suas atividades como banda e renasce com Halstead e Goswell na banda Mojave 3, a qual pouco ouvi e, no entanto, percebo que em nada teve influência de Slowdive.

A primeira música que ouvi de Slowdive foi Crazy For You (Faixa nº 02) do Pygmalion e, por isso, resolvi começar por ele. Em minha opinião, este é o álbum mais contextual e não deveria servir para apresentar o trabalho da banda. Não estou dizendo que é ruim; muito pelo contrário, Pygmalion é uma viagem demasiadamente introspectiva em cores de neon que poucos sabem deleitar. E, por isso, em um primeiro contato poderia afastar o ouvinte do aprazível. Lançado em 1995, é o álbum que anuncia o fim de Slowdive e é quase um espasmo após o ápice em Souvlaki, o álbum que o precede.

Pygmalion começa com Rutti, uma faixa de 10 minutos baseada em um jogo de riffs estendidos e sobrepostos, pratos de bateria longínquos e com os etéreos vocais de Halstead. Esta faixa te puxa sorrateiramente para o mundo paralelo do álbum. E como um susto meio horripilante em seus 9 primeiros segundos de cacofonia seguidos de distorção, Crazy For You começa trazendo uma confusão de vocais para anunciar a verdadeira atmosfera de Slowdive, a introspecção angustiante que surge e oscila sem se notar; esta aparece na faixa seguinte, Miranda, dramática e onírica nos vocais de Goswell. E assim a viagem por Pygmalion segue cacofônica e distorcida até a última faixa do álbum – e, devo dizer, a minha preferida, dessas que eu sinto vontade de chorar! – All of Us, uma música baseada em vocal e guitarra acústica, apenas. A sensação que tenho é que de fato All of Us era uma despedida e, talvez, nenhuma música fosse melhor para encerrar o último álbum de uma banda. Em suma, Pygmalion é uma viagem de morte!

A sonoridade de Slowdive mudou com o tempo e Souvlaki, para muitos, foi o ápice da banda. Lançado em 1993, é o ponto de equilíbrio entre as distorções recorrentes em Pygmalion e o onirismo de Just For A Day; e, no entanto, com a peculiaridade sonora de destoar de ambos. É o álbum mais extenso – 14 faixas – com as músicas mais leves, fáceis e relaxantes de ouvir. Aquela introspecção angustiante do álbum sucedente é tão sutil em Souvlaki que quase inexiste. Muito embora algumas faixas sejam dotadas da mais refinada melancolia, este é o álbum mais “eufórico” – ou qualquer sentimento próximo entre alegria e euforia – da banda.

Alison é a música que abre Souvlaki e, como o álbum inteiro, traz uma melodia negligente, logo emerge na neblina sonora onírica os vocais de Halstead dizendo: “Alison, I’m lost / Alison, I said we're sinking” (Em tradução livre: “Alison, eu estou perdido / Alison, eu disse que estamos afundando”). De repente, quando você se envolve na música, ela já não parece tão “feliz” assim e ainda há um álbum inteiro por vir... Em seguida, distorcida e melancólica, Machine Gun começa e traz o contraponto do vocal de Goswell e Halstead. O álbum todo é dualista: se de um lado, ele te oferece uma melodia mais “animada”, do outro a letra da música absorverá toda esta “pseudo-alegria”. Do mesmo modo, as distorções e cacofonias não ficaram longe de Souvlaki, o solo de guitarra em Sing (faixa nº 04) é tão agudo e estendido que parece cantar em uma lamúria incomensurável junto a Goswell! Eu sempre penso que Souvlaki também é uma viagem, mas em sentido bad trip da coisa.

Por último – que na verdade é o primeiro –, está Just For A Day. Lançado em 1991, é o primeiro álbum de Slowdive e, por isso, traz todos aqueles subterfúgios de “primeiro álbum”: indefinição, experimentação e incerteza. Apesar de Souvlaki ser, de longe, o meu álbum preferido – e acho que é o da maioria daqueles que gostam de Slowdive –, preciso dizer que Just For A Day deve estar em segundo lugar no pódio. É, de fato, um álbum mediano e que, para quem não conhece, deveria ser escutado após Souvlaki, tal qual uma intermediação entre este e o Pygmalion.

Não há outra palavra para descrever o álbum além de onirismo. As levadas e vocais sutis te elevam a uma atmosfera letárgica. E eu ainda posso jurar que há uma influência pós-punkiísta ou qualquer coisa próximo a isto no álbum. Afinal, não é à toa que Just For A Day começa com bumbos de bateria e linhas de baixo dramáticas na música Spanish Air. O álbum começa profético, apocalíptico e se desenrola entre o leve (Celia's Dream), o derradeiro (Ballad of Sister Sue) e o excessivo surreal (Primal). Há quem diga que Just For A DaySouvlaki são tão encharcados de Dream-pop que Slowdive merece o título de Cocteau Twins do Shoegaze!

Slowdive foi uma banda marcante que, com seus três álbuns, dividiu épocas em toda sua brevidade. Seus álbuns não deveriam ser explicados e, sim, apenas sentidos, cada um a seu modo em toda liberdade do subjetivo do ser humano. Esta é a minha interpretação e me resigno se as sensações de Souvlaki, Just For A Day e Pygmalion surgirão diferentes em quem lê isto. De qualquer forma, uma vez eu disse que a minha concepção de “belo” era “melancólico”. E, para mim, a personificação sonora do belo é Slowdive!

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Just For A Day (1991)

Tracklist:
01. Spanish Air
02. Celia's Dream
03. Catch The Breeze
04. Ballad Of Sister Sue
05. Erik's Song
06. Waves
07. Brighter
08. The Sadman
09. Primal

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Souvlaki (1993)

Tracklist:
01. Alison
02. Machine Gun
03. 40 Days
04. Sing
05. Here She Comes
06. Souvlaki Space Station
07. When the Sun Hits
08. Altogether
09. Melon Yellow
10. Dagger
11. Some Velvet Morning
12. Good Day Sunshine
13. Missing You
14. Country Rain

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Pygmalion (1995)

Tracklist:
01. Rutti
02. Crazy For You
03. Miranda
04. Trellisaze
05. Cello
06. J's Heaven
07. Visions Of La
08. Blue Skied an' Clear
09. All Of Us

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5 Responses so far.

  1. Lindo post!!!! obrigado!

  2. Anônimo says:

    Post muito bem escrito, cheio de observações muito oportunas, você realmente prestou atenção na discografia da banda. Parabéns também ao blog em geral, que vcs claramente se importam em tentar manter um padrão de alta qualidade.

  3. Meu brother..o link do disco Souvlaki está quebrado..

  4. O segundo álbum não está mais disponível ?

  5. Ei, muito obrigada por disponibilizar essa belezura de som <3

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