sexta-feira, 18 de outubro de 2013
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Giuseppe Tartini - The Devil's Trill (Il Trillo del Diavolo)

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Gênero: Música Barroca
País do Compositor: Itália
Ano: Da composição: por volta de 1713; Desta gravação em especial: 1979.

Comentário:

A Itália do século XVIII era, sem sombra de dúvidas, o maior celeiro cultural de música da época e suas produções neste contexto serviam de modelo para muitos outros locais, inclusive o Brasil. Foi essa Itália de Vitali, Torelli, Corelli, Vivaldi, Geminiani, Locatelli e Veracini que trouxe ao mundo Tartini que traria influência de tais artistas e sintetizaria muito de suas obras em suas composições.

A obra mais conhecida de Tartini, que vos é apresentada nesta postagem, conhecida como Il Trillo del Diavolo (O trilo do diabo) além do virtuosismo traz consigo a curiosa história de ter se criado uma lenda a respeito de um possível pacto com o coisa ruim.



Nascido em 8 de abril de 1692, em Pirano d'Istria, Tartini possui uma biografia um tanto complicada. A causa disso é que muitos relatos biográficos possui histórias confliantes. O que sabemos, porém, é que a obra de Tartini é marcada por um conhecimento profundo da música que lhe foi contemporânea de tal forma que, não creio ser exagerado dizer, podia funcionar como uma síntese da música italiana que foi sua contemporânea.

Antes de se interessar por música, Tartini procurou estudar Direito além de lhe ter sido ofertado formar-se em estudos eclesiásticos, já que sua formação foi praticamente feita por padres. Contudo, como parte de uma família aristocrática, recebeu, como era costume, instrução em música e violino. As coisas começam a mudar em sua vida quando resolveu casar-se secretamente com Elisabetta Premazzone, sobrinha do Cardeal Giorgio Cornaro, que era, inclusive, seu tutor. Esta façanha lhe rendeu uma prisão, da qual fugiu disfarçado de frade. E sua fuga foi para um mosteiro da ordem dos franciscanos. É bem possível, segundo alguns estudiosos, que sua dedicação integral à música tenha se iniciado ali.

O diabo visitando Tartini em seu sonho e tocando a sua sonata.


E Tartini não era apenas um bom instrumentista. Ele também estava interessado em aprimorar os instrumentos para, dessa forma, também melhorar o som. Como prova disso, existem suas reformas feitas no formato do violino. Foi neste período que Tartini compôs sua obra mais lembrada, Il Trillo del Diavolo (O trilo do diabo) e é aí que entra a lenda. Segundo relato do próprio Tartini registrado por M. de Lalande em uma biografia sua, o diabo teria aparecido em um sonho para o compositor e tocado uma melodia belíssima a qual Tartini tentou executar com precisão, mas não conseguia imitar toda a complexidade do que ouviu e o resultado foi o seu trilo do diabo. Um trecho da biografia diz:

"Uma noite sonhei que tinha feito um pacto com diabo, o qual se dispôs a me obedecer, em troca de minha alma. Meu novo servo antecipava meus desejos e os satisfazia. Tive a idéia dar-lhe meu violino para ver se ele sabia tocá-lo. Qual não foi meu espanto ao ouvir uma Sonata tão bela e insuperável, executada com tanta arte. Senti-me extasiado, transportado, encantado; a respiração falhou-me e despertei. Tomando meu violino, tentei reproduzir os sons que ouvira, mas foi tudo em vão. Pus-me então a compor uma peça - a Sonata Trilo do Diabo - que, embora seja a melhor que jamais escrevi, é muito inferior à que ouvi no sonho."


Contudo, a história verdadeira por trás dessa nomenclatura é que, principalmente no terceiro movimento, a Sonata possui um encadeamento de trilos muito complexos. Trilo é quando se repete alternadamente e de forma rápida duas notas próximas à nota principal, criando-se uma ornamentação bastante agradável na música.

De toda forma, é uma estranha mania isso de atribuir tudo que é bem executado ao diabo. Lembremos, também, do caso de Paganini, igualmente famoso por um possível pacto com o diabo que era devido à sua virtuosidade ao violino. Ora, é tão difícil assim aceitar que algumas pessoas são simplesmente boas no que fazem? Bem, ao que tudo indica, Tartini foi perdoado pelo Cardeal e voltou à companhia de sua esposa e pôde, enfim, dedicar-se à carreira de músico e foi nesse período que fundou uma conhecida escola de violino chamada de Escola das Nações.

É uma pena que, ainda hoje, esta Sonata ainda seja uma "peça de resistência" no repertório de muitos intérpretes. Mas é um som que vale muito a pena ser ouvido.

No link para download, pus duas versões do trilo e acho que na segunda o acompanhamento do baixo contínuo ficou mais legal. Na primeira, a música está divida em seus três movimentos, na segunda, é um arquivo contínuo.

Boa audição!




Tracklist:

I - The Devil's Trill
  1. Larghetto affectuoso - 05:37
  2. Tempo giusto (allegro) - 04:46
  3. Sogni dell'autore, Andante-Allegro assai - 05:20

II- Il Trillo del Diavolo
  1.  Sonata per violino in sol minore - 'Il Trillo del Diavolo' - 14:23

Download:

[MEGA]

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