quinta-feira, 10 de outubro de 2013
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God Is An Astronaut - Origins

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Gênero: Post-Rock, Ambient, Eletrônico
País: Irlanda
Ano: 2013

Comentário:

Eis que três anos após o seu último lançamento, um "dinossauro" do post-rock ressurge, impávido, para agraciar nossos ouvidos plebeus com um disco que pode, facilmente, ser classificado entre os melhores lançamentos deste fertilíssimo ano, em termos musicais, que foi (e ainda é) 2013.

Este dinossauro, porém, não apareceu sob a forma de um pacato saurópode. Antes, veio como um polêmico e cheio de penas archaeopteryx. Colocando à parte essa metáfora ingênua, o que será que aconteceu para que God Is An Astronaut dividisse opiniões tão divergentes, como aconteceu após este último lançamento?




Não escondo de ninguém que GiaA é, de longe, uma de minhas bandas de post-rock preferidas. E não é pra menos. Em todos os seus seis full-lengths lançados antes deste que vos trago, não consegui achar uma música que não tivesse organicidade e beleza própria. É bom de ouvir, acalma a alma, é bem executado. Ao contrário de muitas bandas do mesmo estilo que possuem como característica a profusão caótica de sons e instrumentalizações, GiaA é um post-rock mais, digamos, "pé-no-chão". O que isso quer dizer? Bem, talvez queira dizer que quando ouvimos por aí alguém comentando que vai sair álbum novo, esperamos ouvir algo familiar, bonito, bem estruturado, algo muito característico, onde a inovação acontece, mas as experimentações não fogem à regra de maneira conflitante com o que podemos chamar de conjunto da obra.

E é neste ponto que eu compreendo as críticas lançadas ao álbum Origins. Compreendo, mas não acato totalmente. O que aconteceu de novo aqui foi, basicamente, a utilização da vertente eletrônica da banda sem nenhum pudor e uma predileção apaixonada pelo uso de vocalizações. Sim, isso mesmo! Este álbum está cheio de vocalizações, mas calma lá, não se desespere, pois GiaA ainda é uma banda instrumental e, pra falar a verdade, não há letra (ou, ao menos, uma letra compreensível).

Por isso, acho pouco provável que o título do álbum esteja fazendo referência a um retorno às origens. Deixemos a interpretação textual a cargo do ouvinte. E o ouvinte vai se deparar com uma faixa inicial muito "familiar", The Last March, (opa, será que esse título faz referência a uma última incursão aos velhos tempos?) que nos agracia com o que conhecemos de melhor na banda. A surpresa, contudo, fica a cargo da faixa seguinte, Calistoga, que não chega de mansinho, não! A faixa é bem ritmada e já traz as vocalizações distorcidas que tanto caracterizam o álbum. Uma das melhores faixas!

Mas, opa! Reverse World possui mais dos "trejeitos" de GiaA old-school, soando como uma das famosas faixas de emoção ascendente que culmina num clímax muito prazeroso. Old-school, mas com vocalzinho. E o experimento deu certo, pois esta é uma faixa muito emotiva. Não sei se estou certo em minha leitura, mas o que transparece é que a banda vai jogando elementos novos e, no meio, mostra facetas antigas, o que me parece ser uma tentativa de acostumar nossos ouvidos. Tanto é que a música seguinte, Transmissions já abusa dos sintetizadores e possui um ritmo mais contínuo.

Weightless é quase um noise com rockzinho de fundo, enquanto Exit Dream é a faixa mais "pop" (no sentido menos pejorativo possível do termo), com uma batidinha eletrônica muito chicletona e um vocalzinho que dá até vontade de cantar mesmo sem saber o que é que se está dizendo. Signal Rays apresenta uma pegada mais frenética, ao passo que Autumn Song é uma das zonas de conforto melancólico do disco. 

Spiral Code, a faixa que foi lançada antes do próprio álbum é determinada, esfuziante e com um estilo mais próximo aos antigos álbuns. Strange Steps é uma daquelas faixas pensativas, com uma melodia que traz angústia e os vocais distorcidos ajudaram a transmitir bem isto. Red Moon Lagoon não teve dó ao utilizar riffs pesados enquanto Light Years From Home fecha o álbum com um clima de melancolia ressentida, dessas boas de sentir.

Essas "inovações" acabaram não agradando a todos, mas eu acho que este álbum contém as características que fazem do som de God is An Astronaut uma referência absoluta no estilo. Afinal de contas, a sonoridade soa familiar, bonita, bem estruturada e é possível dizer que as inovações não descaracterizam o som único desses dinossauros que vieram do espaço. Se a banda vai persistir com a sonoridade não sabemos, mas o que acho pouco provável é que esses caras decepcionem em algum lançamento. É um álbum pra amantes do post-rock e também para marinheiros de primeira viagem. O vídeo no fim do post é um clipe muito interessante da música Reverse World, com direito a máscara de gás e tudo!

Boa audição, caro amigo!




Tracklist:

01. The Last March - 4:43
02. Calistoga - 4:30
03. Reverse World - 5:11
04. Transmissions - 4:04
05. Weightless - 4:13
06. Exit Dream - 3:31
07. Signal Rays - 4:07
08. Autumn Song - 3:48
09. Spiral Code - 4:13
10. Strange Steps - 4:56
11. Red Moon Lagoon - 4:45
12. Light Years From Home - 5:06

Download:

[MEGA]


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