sábado, 19 de outubro de 2013
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Porco na Cena #29 - Doomsday Fest 2° edição

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O último sábado foi um marco não só para o Doom Metal paulista e nacional, mas para todo o underground tupiniquim. Foram algumas semanas de divulgação do evento, majoritariamente compartilhados (tanto facebooquiamente quanto pessoalmente falando) pelo público doomster, que sempre se mostra muito solícito e apoiador. E esse pouco tempo de divulgação fez o efeito esperado! O Arena Metal estava cheíssimo, coberto por um tom de simpatia e amistosidade; mesmo quem chegasse sozinho e de gaiato, logo arranjava alguma companhia. Os músicos de todas as bandas entraram nesse clima e, como também parte do público doomster brasileiro, abriam o maior sorriso quando alguém vinha lhes falar bem dos shows - e motivos para isso não faltavam.

O último sábado, mais do que um sucesso e um dia histórico para o Doom nacional, mostra que sim, o Doom Metal tem seu espaço no Brasil, e que goza de um brilhante início para algo que há pouco tempo atrás não tinha nada além de rascunhos rabiscados nesse livro do undeground.




O Arena Metal SP tem o trunfo de ter localização super prática; no quarteirão entre duas grandes avenidas, pertinho do metrô, centro de São Paulo, onde possibilita que muitos tomem suas biritas nos botecos dos arredores e depois vão aos shows. Peca pela precariedade em muitos pontos, senti que o ambiente era um tanto mal arranjado em alguns aspectos. Mas não fez feio lá em cima, no palco, e é isso o que realmente interessa.

O evento, embora com um pouco de atraso em relação aos horários passados anteriormente, começou relativamente cedo para um festival de metal extremo, o que fez com que muita gente perdesse as primeiras bandas. Pena. 

LUGUBRES

O Doomsday Festival começou logo de cara com o Funeral Doom denso e melancólico do Lugubres, que infelizmente teve seu set reduzido devido aos atrasos - mas isso não impediu que eles demonstrassem sua proposta em cima do palco. Com uma formação quase que completamente nova, lamento de ainda não tê-los visto com um tecladista, que nas músicas em estúdio complementam - e muito - a atmosfera da banda. 

A alternância dos vocais guturais e dos limpos, embora algo clichê, tem outra proporção aqui, já que os vocais de Robson Aquenamon figuram com algum tom de louvor e introspecção, como um canto gregoriano, que dá um toque épico ao vivo.

1- Heavy Chains of Sorrows Put My Soul to Down
2- Autumn of the Souls
3- Death (or Hymn of the Essential True)




LES MÉMOIRES FALL

Dentro de um curto intervalo sobem os joseenses do Les Mémoires Fall em estreia nas terras paulistanas. Já os tinha visto em sua terrinha natal, mas fora antes do split com o Lugubres e antes de divulgarem suas músicas inéditas. O som fica entre um Gothic Metal contemplativo, com todos os seus elementos  - e dá-lhe tecladeiras acompanhadas de vocal feminino - e também um Doom arrastado, com vocais guturais que ficariam bem melhores se variassem mais em suas emoções.

Setlist:

1- Mourning Your Death
2- My Death
3- River of Pain
4- My Last Pain
5- Deception



APOCALYPTICHAOS

Ao terceiro show da noite a casa já estava bastante cheia; o entusiasmo do público em ver a banda de Goiânia era bem evidente, e a essa altura alguns pescoços já se preparavam para o início do show (o que me faz ponderar que ainda bem que é um show de Doom. Porque se fosse show de Brutal Death, o povo ia ter que conter mais os headbangs. Êta galera violenta pra curtir música!)

O Doom ligeiramente puxado para o Gothic da banda conseguiu trazer mais gente para perto do palco num momento oportuno em que as últimas pessoas chegavam ao evento. As músicas têm um peso e pegada diferente ao vivo, embora os vocais de Sandro estivessem prejudicados). Nada que comprometesse sua performance como um todo; os vocais femininos de Ellen impulsionaram o público a agitar e cantar junto. Que, a propósito, conseguiram seu ápice no cover clássico do Katatonia, Teargas, com a presença surpresa de Rafael Sade, tecladista do HellLight, nos vocais. Como foi dito depois, a subida dele ao palco não havia sido combinada, mas pareceu bem ensaiada às vistas do público. Ponto para a banda!

Setlist:

1- Prelude to December
2- Lies
3- Reborn From my Ashes
4- Cry in the Dark
5- Teargas (Katatonia cover)
6- Never Be
7- Nemesis



MYTHOLOGICAL COLD TOWERS

Os dois shows mais aguardados da noite, enfim, estavam próximos: após uma passagem de som relativamente curta, os paulistanos da aclamada Mythological Cold Towers sobem ao palco, desde já mostrando bastante presença de palco. Os teclados com tom épico marcaram o prelúdio e se infiltravam em melodias como chamadas de guerra, fazendo uma alternância homogênea e não-clichê com o Doom/ Death arrastado. As músicas melodiosas de seu novo álbum Immemorial fizeram o público agitar bastante; público que contava com muitos fãs de Black Metal também, justamente pela presença da banda.

A voz de Samej soava como uma pancada certeira (ou como um móvel sendo arrastado pelo chão, como diriam outros). Seus densos guturais traziam à tona um sentimento de desolação. A presença de palco de todos os membros era algo a ser notado, principalmente o baixista, que a toda hora fitava o público com caras e bocas que me fizeram ter ainda mais apreço pela banda ao vivo.

Setlist:

1- Lost Path to Ma-noa
2- Sphere of Nebaddon
3- In the Forgotten Melancholic Waves Of the Eeternal Sea
4- Fallen Race
5- Like an Ode Forged in Immemorial Eras
6- The Shrines of Ibez
7- Immemorial
8- Akakor




HELLLIGHT

O HellLight merece mais do que o que será dito aqui sobre seu show, um a vez que o Doomsday Fest só foi possível graças à organização dos membros desta lendária banda. Parabéns aos caras!

O mais interessante do público aquela noite foi o fato de permanecerem quase imóveis a cada troca de banda, a cada passagem de som, acompanhando a trajetória do evento todo, esperando ansiosos o desenrolar da noite. O público Doomster também merece seus parabéns. Logo os músicos sobem no palco, deixando de lado sua tradicional introdução: uma versão metalizada da Marcha Fúnebre (cá entre nós, eu agradeço muito que tenham deixado essa intro de lado. Ufa). Foi a primeira oportunidade que tive para conferir seu mais novo trabalho, que claramente estava mais melodioso e trabalhado que os anteriores. Eu diria que isso demonstra um amadurecimento muito visível nas composições da banda, tão visível que é possível separar o show em duas partes: a primeira, com riffs elaborados, mudanças constantes de ritmo e um trabalho bonito de se ouvir nos teclados (agora ocupados pelo tecladista original, Rafael Sade), e a segunda, com as músicas mais antigas e que o público conhece bem: o funeral doom cadenciadíssimo com riffs minimalistas, temperados pela voz de trovão de Fabio e com um uso bem menos aberto dos teclados.

Os vocais de Fabio são um detalhe à parte: a linda alternância entre seus guturais e os vocais limpos, cantados com vontade (e não sussurrados, como comumente há no Doom), são seu grande trunfo. Nas músicas novas notamos que as melodias vocais são mais elaboradas, o que evidencia ainda mais o que esse novo álbum significa na carreira da banda. E com certeza o público notou; volta e meia ouviam-se alguns gritando ''Funeral Doom'', que remetia à clássica música do HellLight. Que esse grito celebre o estilo também, por que não?

Setlist:

1- No God Above, No Devil Below
2- Shades of Black
3- Nexus Alma
4- Unsacred
5- Winter's Theatre
6- Fear no Evil



No final dos shows, houve o sorteio de uma guitarra autografada por todos os membros de todas as bandas (uma legítima guitarra com o braço fechado de tatuagens. Também posso ter meu momento Prassa é Noça), e eu posso dizer que queria MUITO aquela linda Flying V. Quem sabe na próxima...

Brincadeiras à parte, essa segunda edição da Doomsday Fest (que teve sua estreia resenhada aqui no Pignes por este que vos fala) demonstrou muitas coisas: além de ter deixado evidente que o público Doomster é muitíssimo fiel, dado o fato de a divulgação inteira ter ficado a cargo dos fãs, mostrou que sim, o Doom Metal no Brasil está mais forte do que nunca. E tem muito potencial pra crescer ainda mais.

One Response so far.

  1. Forbidden says:

    Cara, como queria ter ido nesse fest. O Doom brasileiro tá num nível absurdo, todas as bandas que tocaram aí estão tranquilamente entre as que eu mais curto no gênero de forma global. Foi-se o tempo que o Doom BR era aquele doom monolítico e tosco, ripado do Death/Doom dos anos 90. A parada agora é que cada banda busca uma identidade própria. Excelente.

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