domingo, 24 de novembro de 2013
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João Nogueira - Espelho

1 comentários

Gênero: MPB / Samba
País: Brasil
Ano: 1977

Comentário:  Acho que João Nogueira dispensa apresentações, mas para cumprir o básico do básico, João Nogueira foi um cantor e compositor brasileiro, filho de advogado e irmão de uma também compositora, com quem aprendera a tocar violão.

Com apenas 17 anos João já era diretor de bloco carnavalesco, nessa mesma época suas composições foram descobertas por uma gravadora e foi lá o rapaz de 17 anos, gravar uma de suas primeiras composições. Tornou-se compositor da Portela e mais tarde fundou a Tradição (atual escola de samba do recém-criado Grupo de Ouro do Carnaval Carioca, que tem como símbolo um Condor, ou seja, uma prima da Águia da Portela), a mesma escola que, em 2001, ganhou alguma fama com o Samba Enredo e Desfile em homenagem a Silvio Santos.

Ok, mas agora o álbum. Espelho vai de encontro a algumas nuances de samba. Aqui especialmente o samba canção fica muito claro com a faixa-título “Espelho”, de longe, não que as outras faixas não sejam significativas, uma das melhores do álbum, tanto por sua melodia e letra, um casamento muito bem feito e atrelado, o sopro e o cavaquinho na introdução da música que dão espaço para o violão e a voz do João são geniais: e digo, nenhuma outra regravação dessa faixa vai chegar perto da original, Espelho por João Nogueira é imbatível.

O álbum também flerta com o samba feito nas escolas de samba. “O Passado da Portela” e “Apoteose do Samba” captam uma essência de samba de quadra hoje quase extintos das escolas cariocas. A primeira trás um coro feminino incrível, um cavaco bem ágil e marcado durante o canto do João, faixa bem contraditória e diversificada dentro do gênero, se for comparada com o samba-canção melancólico de “Espelho”.

“Batucajé” começa com uma percussão tipicamente africana que perdura por toda a faixa – mesmo que escondida por detrás do violão. A letra da música fala da dor do povo negro, amedrontado pelos “guerreiros brancos”, um verdadeiro canto sôfrego, mas libertador dos grilhões que até onde hoje prendem o negro e o samba, porque, como diz João: três dias é pouco pra gente sambar.

No fim, Espelho retorna ao samba canção, encerrando o álbum com “Desenganos” e um João Nogueira entregue e suave, de voz calma, unindo-se ao piano de fundo e a batida cadenciada e lenta da faixa, como se depois de toda agitação e passeios por densidades e melodias dentro do próprio samba João retornasse de fato ao espelho, com a melancolia e votos de uma vida, quem sabe, mais feliz.


Tracklist:

01. Pimenta no Vatapá
02. Espelho
03. Malandro JB
04. Espere, Oh Nega
05. Dora das 7 Portas
06. O Passado Da Portela
07. Apoteose do Samba
08. Wilson, Geraldo e Noel
09. Batucajé
10. Samba de Amor
11. Quem Sabe é Deus
12. Desenganos

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One Response so far.

  1. Pra mim um dos cinco melhores discos nacionais de todos os tempos. Ótima estreia!

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