terça-feira, 12 de novembro de 2013
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Porco na cena #31: Planeta Terra Festival 2013

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O Festival Planeta Terra 2013, realizado no último sábado,  chega a sua sétima edição e segue com um dos melhores do país. A começar por sua espetacular organização. A mudança do local, do  Jóquei para o Campo de Marte, foi mais do que acertada. Os organizadores conseguiram num grande espaço fazer com que tudo o que fora planejado funcionasse plenamente. À começar pela entrada e saída que em nenhum momento houve filas estrondosas ou mesmo demora para se chegar ou sair do evento.


A disposição dos palcos, aliás, também fora digna de louvor. Localizados a poucos metros um do outro, era temerário que o som pudesse atrapalhar em momentos de shows simultâneos, mas a equalização foi feita de forma exemplar.

Bares e lojas de suvenires estavam dispostos por todos os lados, evitando assim as temidas e execráveis filas que não se formaram de forma grandiosa. No quesito alimentação e bebidas, apesar do preço exorbitante, o número de opções no cardápio foi de grande valia.

Além disso, um bem-vindo guarda volumes, um espaço lounge e a disposição dos banheiros (localizados ao lado palco principal) facilitaram a circulação das cerca de 27 mil pessoas presentes.

Se o evento perdeu o seu charme, como as festivas edições no finado Playcenter nas quais o parque de diversões era disponibilizado como um tudo e de forma gratuita, o mesmo ainda trouxe, para quem almejava entretenimento entre um show e outro, uma roda gigante e um escorrega.

Mapa do evento
Somada a organização, o lineup com atrações de peso foram bem distribuídas em termos de horários (cumpridos à risca, fato este quase inédito por aqui no Brasil) e propiciou ao público a oportunidade de se ver quase tudo. E no quesito música a festa começou cedo.                

The Muddy Brothers.
Foto de Mauro Pimentel, retirada do site oficial do evento

Oriundos da cena de Vila Velha, Espírito Santo, The Muddy Brothers foi uma grata surpresa. 

Calcando a sua sonoridade no blues rock setentista, tal como os americanos do The Black Keys tem feito, o grupo foi um dos primeiros a se apresentar no palco Smirnoff, atraindo um bom grupo de curiosos que chegaram cedo ao festival.    

O Terno
Foto de Mauro Pimentel, retirada do site oficial do evento
Uma das bandas mais elogiadas do cenário atual, O terno realizou uma ótima apresentação sob o sol escaldante das 15:00 .

Mesclando o set list com canções novas e pérolas do álbum de estreia, intitulado 66, a junção de humor (como na canção de abertura "Zé, assassino compulsivo") e a psicodelia sessentista, como no hit "66", funcionou plenamente. Ainda houve espaço para executar uma honesta cover de Clube da Esquina, "Trem Azul", e uma nova parceria com o mestre Tom Zé em "Papa Franscisco perdoa Tom Zé", crítica muito bem construída ante a má repercussão do fato do cantor baiano ter aceito ser "garoto propaganda" da Coca-Cola.      

Palma Violets
Foto de Mauro Pimentel, retirada do site oficial do evento

Na sequência os ingleses do Palma Violets, primeira atração internacional do dia, deram o ar da graça. Desconhecidos pela maioria, mas alheios a tudo isso, o grupo entregou ao público uma apresentação enérgica.

Com apenas um álbum no currículo, fizeram o dever de casa privilegiando o repertório de 180, arriscando apenas 3 canções novas. Esboços de reação por parte do público somente no hit "Best of friends".

Por fim, a conclusão que se chega é que o grupo em si é bom, mas a presença do mesmo num festival por aqui tenha sido precipitada. Talvez na próxima, com um álbum novo, a receptividade seja maior.


The Roots
Foto de Mauro Pimentel, retirada do site oficial do evento


Fugindo do formato tradicional de show, no qual canções são reproduzidas tal e qual os álbuns de estúdio, 
o The Roots apostou, de forma ousada, executar uma longa jam durante quase uma hora e vinte. Logicamente, hits como "You got me" e "The next movement" apareciam, mas de forma desconstruída e quase irreconhecível. Virtuosos, a banda de Questlove parecia se divertir no palco e o público aceitou de bom grado a proposta.

Houve ainda espaço para inesperadas covers de "Sweet Child O'mine", do Guns n' Roses, "Immigrant Song", do Led Zeppelin e  "Jungle Boogie" do Kool and The Gang.

Para o fim, a banda reservou as explosivas "Here I Come" e "The Seed" deixando o palco ovacionados pelo seleto público que optou por vê-los ao invés do Travis que arrebanhou uma maioria de interessados. 
      
Beck
Foto de Mauro Pimentel, retirada do site oficial do evento



Atração principal do Palco Smirnoff, precisamente às 20:00 Beck Hansen e sua trupe entraram em cena e entregaram uma apresentação memorável para os que optaram ele ao invés de Lana Del Rey.

Fugindo do formato Greatest hits, o cantor americano soube pincelar o supra-sumo de vasta e versátil carreira intercalando sucessos como "Devil's Haircut", "Loser", "Lost Cause" e "E-pro" com pepitas do quilate de "Get real paid", "Soldier Jane", "Que onda guero" e "Golden Age".

Carismático como poucos, ele ainda soube interagir com a platéia simulando o fim precoce da apresentação durante "Debra" ou tocando uma ótima e inesperada versão de "Billie Jean" de Michael Jackson.

Se a intenção era superar apresentação fatídica e divisora de opiniões do Rock in Rio de 2001, Beck superou com louvor a árdua tarefa. Um dos melhores shows de 2013.    
    
Blur
Foto de Ricardo Matsukawa, retirada do site oficial do evento
Com o jogo já ganho, restava ao Blur encerrar os trabalhos no Palco Terra e se seguissem à risca o set list da turnê sul-americana já seria épico. E assim o foi.

Do início com "Girls and boys" ao final apoteótico com "Song 2" Damon Albarn e companhia protagonizaram um show memorável, digno de headliner.

Contemplando canções de todas as fases, o grupo inclusive fez justiça ao subestimado 13, tocando na sequência "Trimm Trabb", "Caramel", "Coffee and TV" e "Tender", sendo a última protogonista de um dos mais belos momentos da noite.

Damon Albarn é um frontman invejável: corre para todos os lados; interage com o público e banda, principalmente o baixista Alex James; alterna um gama de instrumentos e ainda arranca suspiros do público feminino a cada movimento.

Se a primeira passagem do Blur pelo país em 1999 foi um tanto quanto apagada devido a carência de público, esta teve potencial para ficar gravada por anos à fio na mente dos felizardos presentes.

Por fim, espera-se que a edição do ano que vem os organizadores mantenham o nível em termos de organização e na escolha acerta do lineup.

Em tempos de inúmeros festivais no cenário nacional que fique a lição aos novos gestores/organizadores de plantão: quer aprender como se faz um bom festival, com respeito ao público? Compareça ao Planeta Terra Festival 2014.        

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