domingo, 17 de novembro de 2013
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Porco na Cena #32 - Exhale the Sound Festival Parte II

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Pois bem minha gente! Como prometido, aqui está a segunda parte da cobertura pigniana do Exhale the Sound Festival, ocorrido em BH em 9 de novembro de 2013. Foi um festival cansativo por abranger o dia todo, e debaixo de um sol de secar lagartos; mas é claro que o êxtase em ver tantas bandas boas executarem suas músicas ao vivo, da melhor forma, sobrepujou qualquer sacrifício que este branquelo tenha feito sob aquela camada de vitamina D e câncer de pele iminente. 

E suor, principalmente suor.


SEE MORE GLASS PROJECT
palco II

Outra banda que também ganhou resenha aqui no blog. A passagem de som demorou pacas, e a banda pegou boa parte do espaço por conta de toda a aparelhagem. Saca só: duas baterias (creio que só uma delas foi tocada), as tecladeiras à esquerda e três (quatro?) músicos de cordas dividindo o espaço do meio. E no chão aquele monte de pedais. Como se não bastasse, a banda também montou o retroprojetor com o painel atrás, da mesma forma que o foz (e com a ajuda do guitarrista do foz). 

O show começa. É muito interessante as camadas de samples de discursos que se sobressaem ao instrumental (na verdade, os instrumentos servem bem mais de base para os vídeos. E isso funciona de uma forma bem legal). Os vídeos são muito belos, feitos de forma aparentemente amadora, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o instrumental e a paixão com que os músicos a executam. Um dos shows mais gostosos de se ver no festival.

GOATMANTRA 
palco I

Talvez pela demora na passagem de som do See More Glass Project, o show do Goatmantra começou um pouco antes de a banda anterior terminar. O que não prejudicou minha visão do show; e não me impediu de apreciar o Sludge com uma pitada de Death Metal praticada pelo grupo. Três dos membros da banda se alternam entre os vocais guturais - e de vez em quando surge algum vocal limpo também.

HOLD YOUR BREATH 
palco II
O primeiro show de post metal ficou a cargo do Hold Your Breath, em seu show de reunião (segundo um dos membros, a banda já estava quase desfeita). É post metal sem muitas brisas, mais sludge mesmo, mas não é um som cru. Já estava quente à beça a essa altura do festival, mas a galera ainda agitava na hora do show. O único problema foi o vocal terrivelmente inaudível durante a performance, que prejudicou e muito o tesão que eu tinha pra ouvir a banda ao vivo.

HUEY 
palco I

Eu já estava bem cansado (e com uma fome que me fazia sentir atração por lanches minúsculos vendidos a quinze reais) e acabei não vendo todo o show do Huey. Na verdade, vi bem pouco, e espero realmente que tenha sido o bastante pra essa resenha. A banda é de São Paulo e já os vi certa vez na praça Victor Civita, ao ar livre, uma vibe totalmente diferente daquela negritude do porão. Enfim, os caras já são senhorezinhos na cena e tem um bom nome; tudo graças ao seu som com viés de experimental ao apresentar a música alternativa eclética (e sempre, de novo, com o bendito sludge no meio).


BEYOND FREQUENCY 
palco II

Eu já estava no auge do meu cansaço. Enquanto esperava meu lanche de carne sem pão de quinze reais que não valiam cinco, o Beyond Frequency entra em cena com galera em peso - isso significa aquela evaporação de suores de sovaco formando uma camada atmosférica por cima das cabeças dos presentes que não permitia minha pressão baixa passar perto. Posso bem dizer que o som do Beyond Frequency é post rock numa forma pura e singela. Realmente não se precisa ver os músicos, fitá-los com atenção, mas sim fechar os olhos durante a apresentação e sentir realmente o que a música está a traduzir. O som da banda preencheu todos os cantos do Emme Lounge e, muito embora a banda permaneça estática durante a apresentação (claro, com caras e bocas que não se pode suprimir), sua música ecoa da forma mais sublime que pode.

EXPURGO 
palco I

Logo desci de novo pro porão e fui surpreendido por um mosh que me alcançou desde o balcão do bar. Fiquei então de lado, perto das mesinhas, com celular e óculos bem seguros. A música do Expurgo é bruta, urgente, como uma bofetada bem dada. Uma das rodas mais violentas da noite e que foi responsável pelos carimbos pretos nos meus tênis.

GOD DEMISE
 
palco II
''Aleluia! Deus é mais!''. E assim o God Demise sobe ao palco num clima jocoso na pequena estufa que era o palco II. O hardcore bruto dos caras - que conta com o também vocalista do Kill Moves, numa vibe completamente diferente de seu post HC - foi responsável pelo show mais cabrunco da noite. Um puta dum mosh sangrento, que também envolvia os músicos (microfone ao chão foi uma cena comum) e os stage divings que acabaram num baita rombo no teto formam um resumo do show.

Inclusive já tem post dos caras aqui no Ignes Elevanium.
HUTT 
palco I
Um dos shows que eu estava bem interessado em ver, pois já tinha ouvido falar muito sobre a banda. O grindcore tarde da noite não foi suficiente pra agitar a galera, que apesar de meio morta ainda mantinha certa força vital pra se acotovelar. Show curto, músicas bem curtas e gente já indo embora a essa altura do evento.


CRISTO BOMBA 
palco II

Esse sim foi um show dos bão. Na minha opinião, o melhor show de hardcore da noite; o vocal mantinha uma voz ríspida e gritada, fitando os presentes, andando lá e cá, enquanto alguns cantavam junto. O público, mesmo assim, se mantinha estático. No fim, um cover agitou mais o pessoal, que apesar de candangos, moveram seus braços moles uns contra os outros.

REIKETSU 
palco I

Outra banda que eu estava bem curioso pra ver, curiosidade fomentada pela resenha que a banda ganhou aqui no blog. O palco do porão estava encoberto de gente e nem eu nos meus quase 1,90 de altura conseguia enxergar muita coisa além das cabeças e dos braços das guitarras. O que pude avaliar no som do Reiketsu foi que eles conseguiram fazer um belíssimo trabalho ao unir seu crust/ sludge com atmosferas intrincadas e um certo experimentalismo.

BLACK SEA 
palco II

Ahh, sim. Ohhh sim. Essa banda curitibana foi uma das minhas razões pra ter movido minha bunda de São Paulo a BH. O post metal LINDO dessa banda se mostrou intenso ao vivo, mesmo com apenas uma guitarra; senti bastante falta de alguma atmosfera a mais. E não tocaram Tabula Rasa que eu tanto queria.

D.E.R 
palco I

Sim, mais um show de HC! E da mesma forma, o povo agitou. Mas dessa vez, só um pouquinho, pois já o alto grau de sono e de bebedeira (ou um resultado das duas) fez a galera cair com a cara no balcão. Mesmo assim, a banda tocou com ferocidade seu som ríspido, e o fez do início ao fim.
SOBRE A MÁQUINA 
palco II

Essa sim, a real razão de eu me interessar pelo Exhale the Sound Festival (e também já ganharam resenha aqui). O som experimental do trio, no entanto, parecia estar muito ''à deriva'' num festival majoritariamente de hardcore - e o público deixando aos poucos a apresentação ilustrou bem essa conjetura. Embora tenham demorado razoavelmente pra ajeitar o som, a gente logo se ajeitou sentados ao chão (pra um show do estilo, considero que não há jeito mais confortável de se portar). As atmosferas densas deram início paralelamente com sopros graves no saxofone; com raiz no noise, as batidas disformes mantiveram a base pro improviso de sax enquanto a guitarra destilava efeitos e matizes que muito álcool poderia complementar. Como tinha dito, um som daqueles estava muito isolado do resto das apresentações. A apresentação foi chegando sem pressa ao fim, embora tenha sido curta; o improviso foi todo baseado em seu terceiro álbum auto-intitulado, e seu clima de conflito fez jus à sua inspiração.
SUBTERROR 
palco I

Gente, esse povo é um absurdo. São quatro da manhã e a galera estava moshando como se fosse o primeiro show da noite. Não é possível. E eu, em toda a minha velhice maquiada de pré-adultismo, resguardei-me em um banquinho pra enxergar melhor a banda tocando. O resultado? Cabeças e braços de guitarra, novamente. Mas também, o crustcore praticado pelo grupo é bruto o suficiente pra levantar os mortos, dorminhocos e molengas.

NOALA 
palco I

Essa banda foi uma surpresa pra mim. Embora eu já a tivesse ouvido bem e resenhado, não sabia que o Marcos do Abske Fides, outra banda que eu adoro no sludge, fosse também o vocal do Noala. Excelente! Tive que me aguentar bem acordado e lúcido até o fim da noite pra vê-los. O palco do porão, nas últimas três bandas, foi usado pra facilitar a passagem de som. Pra mim, isso só fez com que as bandas levassem mais tempo, mas tudo bem.

O Noala demorou um bocadinho pra iniciar o show, mas valeu a pena. As músicas foram executadas na mesma forma e proporção que estão no CD em todos os seus elementos, contando também com os vocais de Caue Nascimento em Stuck in a Gastric Tube. Os vocais, apesar de tudo, eram sobrepujados pelo clima que as guitarras proporcionavam, caracterizando seu post metal cheio de riffs e nuances. Show curto, mas que valeu pelo rolê.

DEAF KIDS 
palco I

Enfim, o último show da noite. Aleluia! Quase 6 da matina e eu ainda não tinha visto o Deaf Kids ao vivo. A passagem de som foi curtíssima, não dando espaço pra ajustes corretos da altura dos instrumentos. O resultado? Guitarra e voz bem prejudicadas pelo processo. Pois bem, foi o suficiente pra galera se ajeitar em mini-moshs. Àquela altura eu já não estava conseguindo discernir alhos de bugalhos, apesar de estar muito bem lúcido; e não achei que o som da banda fosse apropriado pra terminar um evento desses, ao nascer do sol. A música do Deaf Kids pede que o povo se agite que nem show do Katinguelê. 

E dessa forma, o Exhale the Sound terminou. Saí do Emme Lounge, paguei o sanduíche sem pão e me arrastei até o ônibus pra encarar mais dez horas de viagem com a bunda já murcha colada ao assento quente e suado.

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Sendo a primeira edição do Exhale the Sound Festival, as vinte e duas bandas nos mostraram que um festival desses, com bandas bem cotadas ao lado de grupos iniciantes, com preço super acessível e num formato confortável de se acompanhar, tende a ser um trunfo anual, com parabéns devidos à organização por todos seus componentes serem ajustados para seu sucesso inevitável.

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