terça-feira, 19 de novembro de 2013
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Rodrigo Campos - São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe

2 comentários

Gênero: MPB / Samba
País: Brasil
Ano: 2009

Comentário: Existe certo tipo de trabalho musical que é capaz de te transportar para determinado lugar, que tem o condão de te ambientar em certo espaço, mesmo sem você nunca sequer ter lá pisado ou visto ao menos de relance alguma de suas paisagens. Essa sorte de disco descreve não só o que se vê quando se passeia pelo local dissecado, mas também passa sensações, ilustra os sentimentos que abatem o interlocutor quando se recorda dos momentos ali vividos. O álbum de estreia de Rodrigo Campos é, certamente, um desses trabalhos: São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe, não se você percorrer com alguma atenção suas catorze arrebatadoras faixas.
Confesso que desconhecia o artista até uns dois meses atrás, quando me deparei com a nova faixa de Criolo, Duas de Cinco, liberada recentemente. Nela há um sample de Califórnia Azul, quarta faixa do presente registro, que me chamou a atenção, me levando a pesquisar mais sobre seu autor. Trata-se de uma pequena crônica ambientada no bairro de São Mateus, zona leste de São Paulo, que concentra população de classe média, além de partes periféricas, de situação financeira mais gravosa.
Quase todas as faixas, aliás, são compostas de outras crônicas e contos, com personagens distintos, e que demonstram paixões, momentos de alegria, mas também de tristeza, por vezes denotando um caráter duro e ácido que outrora vigorava nas ruas de São Mateus. É o caso da encantadora Mangue e Fogo, que conta a história de um menino e uma menina, ambos com um crescimento de certa forma conturbado, na voz envolvente de Luísa Maita, namorada de Campos - que, inclusive, participa de forma perfeita em outras três faixas.
Embora muitas das faixas sejam animadas, verdadeiros sambas rock, é difícil se desvencilhar da sensação ruim que trazem algumas de suas letras, como em Para Onde Vão os Meninos de São Mateus?, cujo sentimento nostálgico ruim de que é carregada chega a dar um amargo na boca. Por outro lado, há bonitas homenagens a seus pais, Lúcia e Isac, em faixas homônimas, com quem se mudou para o bairro aos três anos de idade, deixando a pequena Conchas no interior de São Paulo rumo ao lugar onde formaria sua personalidade musical e social.
As pequenas histórias musicadas têm outro grande trunfo, além da habilidade de compositor de Campos: o artista resolveu se rodear de gente muito boa. Além de Luisa Maita, já citada, há nomes como Antonio Pinto, autor de grandes trilhas sonoras do cinema nacional; Beto Villares, um dos produtores mais respeitados de nossa música contemporânea; Fabiana Cozza, cantora de talento ímpar; e Curumim, mito do underground paulista que sabe misturar samba, hip hop e outros ritmos como ninguém.
Esse álbum de estreia é memorável. Três anos depois, Campos lançou Bahia Fantástica, disco que também possui muita qualidade, no qual experimenta mais, mas se distancia um pouco do caráter de narração quase bucólica deste tratado acerca de São Mateus. E isso é o que torna esse disco não só mais um da chamada nova MPB, mas um registro único, de valor protraível no tempo.


Tracklist:

  1. "Fim da Cidade"
  2. "Os Olhos Dela"
  3. "Brother José"
  4. "Califórnia Azul"
  5. "Amor na Vila Sônia"
  6. "Cavaquinho"
  7. "Sem Estrela"
  8. "Salve Fabrício"
  9. "Lúcia"
  10. "Isac"
  11. "Mangue e Fogo"
  12. "Rua Três"
  13. "Que Santo É Esse?"
  14. "Para Onde Vão os Meninos de São Mateus?"



Download Oficial

2 Responses so far.

  1. Rodrigo Campos é bacana por demais. Adoro "Bahia Fantástica" e confesso que desconhecia o álbum de estréia. Vou baixar para ontem. Ótimo texto.

  2. Também estava curioso pra saber de onde vinha o sample do Criolo e nem me arrependi de baixar o álbum, de muito bom gosto

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