quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
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Ill Bill - The Hour of Reprisal

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Gênero: Horrorcore / Hardcore Hip Hop
País: Estados Unidos
Ano: 2008

Comentário: Até algum tempo atrás, este blog era tido como um disseminador do metal e suas vertentes. Os fãs mais radicais da música das trevas chegaram a se revoltar quando perceberam que a escuridão estava se esvaindo pelos dedos dos postadores, que pouco a pouco foram dando as mais diversas cores ao compleot breu de outrora. Confesso que sou um dos culpados porque, embora goste do gênero, nunca resenhei nenhum álbum de metal em minha mais de centena de postagens. Pois bem, como que em forma de um pedido de desculpas, venho demonstrar que a obscuridade ainda vive neste blog, mas que nao habita só as alcovas mais tr00 desse mundo. Há espaço pra ela no hip hop também.
Para provar esta última frase, não há melhor escolha do que Ill Bill, rapper de criação judia e humilde, que cresceu vendo de perto que a vida não é a porra do seu toddynho gelado que ele via na tv diariamente. Oriundo do Brooklyn, região periférica de New York city, Willian Braunstein cresceu observando as agruras da dependência química de bem perto. Por isso, ele e seu irmão, o também rapper Necro, sempre compuseram rimas sobre o tema. Em The Hour of Reprisal, segundo disco da carreira de Ill Bill, o motivo maior de as drogas serem um tema tao recorrente em sua obra é revelado com maior ênfase, e este motivo tem nome e sobrenome: Howard Tenenbaum. Uma das maiores influências na vida de Ill Bill, Uncle Howie acompanhou de perto o crescimento de seu sobrinho. Enquanto observava um infante Ill Bill lutar contra a lei da gravidade para aprender a andar, ou contra qualquer dificuldade cara aos primeiros aprendizados de uma criança, lutava ele mesmo contra o vício em heroína e metanfetamina.
No disco, há várias passagens sobre a batalha do homem contra seus próprios demônios, narradas.pelo próprio. Dentre esses relatos, destacamos a faixa My Uncle, uma das mais coesas do registro, que retrata toda essa luta, consubstanciando-se numa verdadeira carta aberta de um sobrinho que se preocupa com o futuro de um cara para quem ele nutre muito respeito (para se ter uma ideia, Ill Bill abriu uma gravadora denominada Uncle Howie Records). Ao que parece, a faixa tocou o homem: Uncle Howie faleceu em 2010, dois anos depois do lançamento deste disco, mas, segundo consta, morreu sóbrio e limpo (neste vídeo você pode conferir o tocante momento em que Uncle Howie ouve, pela primeira vez, a música feita em sua homenagem. É sensacional ver como um homem feito e cheio de problemas pode voltar a sentir uma ansiedade de criança em poucos segundos).
A faceta mais evidente de Ill Bill é a de se desvencilhar do que o restante da cena do rap produz nos últimos anos. Nada de falar sobre sexo ou dinheiro, chance alguma de fazer rimas sobre superação e foco nos seus sonhos, menor chance ainda de compor algo sobre coisas fúteis. Ill Bill quer esmagar sua cabeça contra uma parede de insatisfação e desigualdade social, provocada por todos os temas abordadas no disco: tráfico de drogas, falta de oportunidade, lei da selva e a guerra, esta última retratada de forma irretocável na faixa War Is My Destiny, com a participação de Immortal Technique e Max Cavalera.
A presença do metaleiro brasileiro, aliás, não é simples coincidência: apesar de ter se bandeado pras rimas e pras ruas, o Heavy Metal sempre foi exerceu influência notável em seu trabalho. Prova disso, aliás, é a faixa U.B.S. (Unauthorized Biography of Slayer), em que presta tributo a uma de suas bandas preferidas na infância.
Em resumo, Ill Bill foi bastante influenciado pelo mundo do metal, mas diferentemente da visão fantasiosa de inferno e maldições milenares que diversas bandas do gênero gostam de retratar, inclusive com criaturas monstruosas nas capas de seus trabalhos, o rapper decidiu retratar um cenário muito pior, muito mais grotesco e digno de dó, uma gama de lugares-comuns e cenas familiares a tantas pobres pessoas que fazem o papa do Ghost parecer uma professora do jardim da infância: o mundo real, dominado pelo homem e suas injustiças.
PS: a animação que coloco abaixo não é o clipe oficial de War Is My Destiny, mas foi feita pelo canal de um cara muito talentoso e fã do Ill Bill. Ele fez o mesmo para My Uncle, que você pode ver aqui. Vale a pena conferir.


Tracklist:

  1. "Babylon" (feat. Howard Jones)
  2. "Doomsday Was Written in an Alien Bible"
  3. "Trust Nobody"
  4. "A Bullet Never Lies" (feat. Vinnie Paz)
  5. "White Nigger"
  6. "My Uncle"
  7. "Riya" (feat. H.R. & Darryl Jenifer)
  8. "War Is My Destiny" (feat. Immortal Technique & Max Cavalera)
  9. "Society Is Brainwashed"
  10. "This Is Who I Am"
  11. "Too Young" (feat. HERO & Slaine)
  12. "Pain Gang" (feat. B-Real & Everlast)
  13. "U.B.S. (Unauthorized Biography of Slayer)"
  14. "Coka Moshiach" (feat. Raekwon)
  15. "The Most Dangerous Weapon Alive"
  16. "Soap"
  17. "I'm a Goon"
  18. "Only Time Will Tell" (feat. Necro, Tech N9ne & Everlast)




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