sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
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Os 50 Melhores Discos De 2013

5 comentários


Demorou, mas saiu. Eis a lista com os 50 melhores discos na opinião da vasta equipe do Pignes. Uma lista que reflete perfeitamente o ecletismo de nossos colaboradores, indo do pop chiclete de MIA ao black metal do Peste Noire, passando ainda pelos Stoner Rockers do Red Fang, o rapper Kanye West, o shoegaze do My Bloody Valentine, entre outros vários que passaram pelo blog neste que foi um grande ano para os fãs de música.  E agora, nos dias finais de 2013, é a hora de relembrar os discos que nos fizeram passar pelos dias com mais facilidade, pois a música, a música é o que nos move.



50° Csejthe - Réminiscence
       Atmospheric Black Metal

Oriundos do Canadá, o Csejthe nos apresenta seu segundo disco e mais uma vez investem na vertente mais atmosférica do Black Metal, são poucas as novidades em relação a sonoridade, mas isso não muda a qualidade do trampo. Excelentes riffs e melodias ajudam a criar toda a ambientação sombria, e emocionalmente intensa que compõe o disco. Vale ressaltar a ultima faixa, a épica "Chant des Martyres". 


49° Eminem - The Marshall Mathers LP II
       Hip Hop, Pop Rap, Rap Rock

A volta do Eminem é prova de que o bom rap ainda respira no mainstream americano. Produzido mais uma vez por Dr. Dre e Rick Rubin, o álbum aposta numa sonoridade associada ao rock como é perceptível no single “Berzerk”, em “Asshole” , “Rhyme or reason” ou “So far” onde samples de The Zombies, Beastie Boys, Billy Squier e Joe Walsh dão o tom. O lado “old school Slim Shaddy” surge na polêmica “Rap god”, em “Bad Guy” e “So much better”. Tirando algumas faixas dispensáveis como a parceria com Rihana (em “The Monster”), o rapper comprova que ainda há lenha para queimar, mesmo após o hiato de 3 anos longe dos holofotes.

48°  Meaning of Life - A Crying Into Desolation
        Depressive Black Metal

Oriundos de Honduras, o que esse grupo nos proporciona é algo que transcende a música, seja pelo estilo, timbre, nuance, ou honestidade. Uma obra de arte a ser ouvida repetidas vezes, seja pela sua exoticidade devido ao seu país de origem, e claro por sua qualidade musical, um dos grandes lançamentos de 2013, por vezes esquecido no limbo do underground.
47°  Fen – Dustwalker
       Black Metal, Post-Rock, Shoegaze

O famigerado ano de 2013 iniciou bem sua lista de melhores álbuns do ano tendo como um dos primeiros lançamentos do ano Dustwalker dos canadenses do Fen. Ao lado de outros medalhões do gênero como o Agalloch, o Fen integra o seleto grupo de bandas de Black Metal que te transportam a uma floresta de coníferas no inverno. Dustwalker é um álbum longo, mas não cansativo. Suas músicas evocam a tranquilidade e a solitude da natureza ao mesmo tempo que abordam as nuances mais sombrias da alma humana. Sombras e penumbras permeiam a sonoridade de um disco que, com certeza, tocará (se não já tocou) os corações melancólicos de muitos.

46° Dean Blunt - The Redeemer
       Art Pop, Sound Collage

Dean Blunt, 'anônimo' por opção, é membro do duo Hype Williams. Mais do que isso, ele também lançou um dos melhores discos de 2013. The Redeemer é, ao mesmo tempo, delicado trabalho de colagem musical e complicado disco minimalista. Minimalista na medida em que sabe quando usar menos é mais. Usando instrumentos 'tradicionais' - vide piano e harpa -, uma montagem eletrônica e sons considerados 'não musicais', Dean Blunt consegue fazer um som altamente particular e ainda assim contido. Uma obra meticulosamente pensada e calculada, ainda assim é capaz de evocar todo tipo de sentimento. Desde músicas que acalentam até outras que assombram pela atmosfera, The Reedemer é também passeio emocional.

45° Justin Timberlake – The 20-20 Experience
       Pop, Contemporary R&B

Não é dificil encontrar pessoas que se apegaram ao passado e adoram difamar o ex-N’sync, mas que nem se deram ao trabalho de ouvir o elogiado trabalho solo de Justin. Seguindo a premissa de homenagear musicalmente os bambas do funk, pop, r&b e congêneres, The 20/20 Experience é um deleite. Dividido em dois discos, lançados em separado durante o ano, há espaço para tudo: das faixas dançantes “Suit & tie” e “Take back the night”, baladas como “Mirrors” ou “Pusher Love girl”, ao aceno para o hip hop tal como em “Don’t hold the wall” e “True blood”. Fugindo da estética padrão, cada uma das canções estoura o limite dos 5 minutos, comprovando que a parceria entre Justin e Timbaland vai além do simples imaginário pop mercadológico. Vai de cheio à música de qualidade.


44° The Flaming Lips - The Terror
       Neo-Psychedelia, Experimental, Alternative Rock, Noise Pop

Dinossauros da cena alternativa, o Flaming Lips liderado pelo esquizofrênico Wayne Coyne sempre foi uma banda hiperativa. Nos últimos anos lançou discos diversos, mas talvez nenhum tenha sido tão marcante para sua carreira tal qual o The Terror, que como o nome sugere, oferece uma sonoridade muito mais barulhenta e sombria do que de costume, além de marcar a mudança das já famosas apresentações ao vivo da banda, que abandonam os shows coloridos e psicodélicos e passam a adotar um visual sombrio, estranho e tenebroso. 

43° Run The Jewels - Run The Jewels
       Hardcore Hip Hop

Killer Mike convidou El-P para se encarregar da produção do seu disco solo "Rap Music" em 2012, a parceria deu tão certo e foi tão elogiada que voltaram em 2013, dessa vez como um duo com a alcunha de "Run The Jewels". Essa parceria rendeu o disco de rap mais bem sucedido em termos de crítica de 2013. Ao longo de 13 faixas a dupla destila suas letras críticas e cheias de humor negro sob mais uma vez a produção excelente de El-P. O disco apesar de curto é extremamente bem aproveitado sem espaço para fillers, direto e preciso como se deve ser.


42°  Corde Oblique - Per Le Strade Ripetute
        Neofolk

Enquanto já partimos de Averno e não chegamos em Uroboro, passaremos por Saramago; pelas metamorfoses inexoráveis do ser humano e sua constante procura pela felicidade/paz; pela gravação natural dentro de um templo "fantasma" próximo a Nápoles (Itália) de Riccardo Prencipe e seu violão; por uma declamação atmosférica de hino à deusa Hera; entre outras surpresas que chegam e partem nos levando para o fim do álbum – além de uma interpretação lindíssima em cordas de Requiem for a Dream. Ressalto eufórica que Per Le Strade Ripetute é um – quiçá, O – álbum mais encorpado, de músicas e tons mais intensos em um turbilhão de provocações sonoras que permeiam o clássico e o acústico.


41° Depeche Mode - Delta Machine
       Synthpop, Alternative Rock

O mundo é um lugar fétido, mas Martin L. Gore segue enxergando certa beleza nisso. Delta Machine é uma continuidade natural dos trabalhos mais recentes do grupo inglês onde elementos do rock são associados ao synthpop e recursos eletrônicos. Discos recheados de músicas de arenas, daquelas grudentas e que tendem a ser entoada em coro, destacam-se as faixas “Heaven”, “Soft touch”, “Soothe my soul” e o cartão de visita “Welcome to my world”.


40° Death Grips - Government Plates
       Experimental Hip Hop, Industrial Hip Hop

O Death Grips já chocou diversas vezes, logo que lançaram The Money Store no inicio de 2012 foram responsáveis por um dos discos mais impactantes do ano com seu punk-rap-industrial de sonoridade totalmente agressiva e anárquica. No mesmo ano por diversidades com a sua gravadora, soltaram por conta própria na internet o "No Love Deep Web" com uma capa nada agradável. Em 2013 após ser alvo de polemicas mais algumas vezes, decidiram surpreender e liberar no Facebook faixa a faixa seu novo disco "Government Plates" sem aviso algum, que segue a linha de tudo que já fizeram, com a mesma agressividade e experimentalismo que torna tudo tão interessante.



39° Thy Light - No Morrow Shall Dawn
        Depressive Black Metal

Talvez esta seja a banda de black metal depressivo mais conceituada em território nacional, e não é para menos. Antes, com apenas uma Demo (que na realidade soa como um full-lenght por seu tamanho), conseguiu se projetar no cenário internacional de grandes bandas do estilo e agora, com seu primeiro álbum de fato, mostra que ainda é possível criar bons materiais em um gênero já tão saturado. Assim como no trabalho que o antecede, No Morrow Shall Dawn mescla com maestria o peso e passagens limpas, utilizando neste álbum muito mais ambientes “folk” e vocais limpos, além de uma clara evolução instrumental em que é possível ouvir cada instrumento com grande clareza.

 38° Beady Eye - BE
        Britpop

‘Uma segunda chance para Liam Gallagher’, é assim que 90% das resenhas definiam BE. Após um primeiro disco que muitos classificariam como desastroso o Beady Eye retorna com um disco que surpreendeu a muitos. Com a produção de Dave Sitek o Beady Eye alcança novos horizontes, uma nova sonoridade, sem descaracterizar a banda e consegue um grande disco. Liam e companhia se distanciam do passado glorioso do Oasis e se afirmam como uma grande banda com este lançamento. Vale a pena destacar a bela capa do disco, que consiste em uma fotografia feita originalmente para a Nova Magazine.

37°  Imperium Dekadenz - Meadows of Nostalgia
        Atmospheric Black Metal

A sonoridade da banda sofreu uma leve mudança em relação ao trabalho anterior, aqui não há aquela atmosfera com um tom de agonia tão forte, é algo mais controlável e digamos até sereno. Ave Danuvi é talvez o maior destaque do álbum, inicialmente mais cadenciada que as faixas anteriores, que oscilam entre a agressividade e melodia, criando uma atmosfera mais amena conduzida muito bem pelos vocais marcantes do Horaz, tendo como auge o refrão cantado por um coral.  É bom poder analisar que a banda vai moldando cada vez mais seu som, se distinguindo de certos clichês e mostrando a cada álbum que lança, que tem um grande potencial e uma criatividade grande e que no futuro, tem capacidade de lançar álbuns ainda mais brilhantes.

36° Fire! Orchestra - Exit!
       Free Jazz

Uma big band de free jazz já não é a coisa mais comum no mundo da música atual, se considerarmos os grupos que alcançam algum tipo de 'sucesso', mesmo que relativo. Se você puser vocais no meio da mistura, a coisa fica mais rara ainda. Pra coroar a excentricidade, imagina se a galera vier da Suécia? É só imaginar o Fire! Orchestra e o seu disco, Exit. Na agressividade e improvisação dos metais fica a marca clara do free jazz ainda pulsante. Pros fãs de vocais de jazz, não se enganem. O disco não tem aquelas vozes suaves que tomam o protagonismo de todas as músicas e deixam o clima leve. Não tem por dois motivos: Só temos duas músicas, e os vocais na verdade complementam a agressividade e a tensão entre os instrumentos. As enormes músicas soam como trilha sonora de batalhas caóticas e ainda assim calculadas, dependendo da cooperação perfeita entre seus integrantes.


35° The Fall Of Every Season – Amends
       Doom Death Metal, Post-Rock

Interessante e pouco ortodoxo, os noruegueses do The Fall Of Every Season unem dois gêneros que tem como suporte a melancolia e a catarse emocional, mas que pouco se vê juntos, o Doom Metal e o Post-Rock. Essa fusão nos traz belas melodias carregadas por uma onda de angustia. Se você busca por algo original dentro da seara do metal, as chances de você se deleitar com o trabalho todo construindo envolto a tristeza de Marius Strand é grande.


34° Kvelertak – Meir
       Hardcore Punk, Black Metal

Esperado disco para os amantes da nova safra do metal, o Kvelertak se tornou "grande" logo de cara, com seu debut auto-intitulado de 2010. A expressiva capa desenhada por John Baizley, e sua mistura direta entre o hardcore e o black metal foi estimulante e renovador. Em Meir os noruegueses mantém a sonoridade enérgica, mas dessa vez incorporam mais melodias do que de costume, soando realmente como uma evolução direta em sua sonoridade.




33° Savages - Silence Yourself
       Post-Punk, Alternative Rock

Silence Yourself é o debut da banda britânica Savages. Formada apenas por garotas o grupo apresenta um post punk com referências diretas a grandes nomes do gênero como Joy Division, Siouxsie & The Banshees, Bauhaus, entre outros. Com uma atmosfera envolvente, carregada e sombria destilada por um baixo pesado e marcante Silence Yourself figura entre as melhores estreias do ano, mesmo que impulsionadas por um hype pesado das grandes publicações, conseguem se mostrar consistentes neste primeiro disco.

 32° Deicide - In the Minds of Evil
        Death Metal

Um disco para os fãs de Deicide, com todos os elementos que tornaram a banda um fenômeno e uma lenda. Destaque para a linearidade, a proposta direta e a força que o grupo adquire a cada novo trampo. Refrões de fácil digestão, peso sobre-humano e elementos dos primórdios do Death Metal que marcaram o conjunto como únicos, permeiam o cd. O melhor trabalho desde "The Stench of Redemption".



31° Mark Lanegan & Duke Garwood - Black Pudding
       Alternative Rock, Psychedelic Rock, Blues

Black Pudding é um disco que passou despercebido por muita gente, mas não para os ouvidos atentos da equipe do Pignes. A colaboração de Mark Lanegan e o multi-instrumentista inglês Duke Garwood, é tão sombria e densa que faz Imitations (disco de Lanegan também lançado esse ano) soar como um passeio no parque. Destaque para as faixas War Memorial, Mescalito e Shade Of The Sun.

30° The Ocean - Pelagial
       Post-Metal, Sludge, Progressive Metal

Apesar do coletivo alemão The Ocean nunca ter chego ao patamar de sucesso de bandas com a sonoridade semelhante como o Mastodon, nunca deveu em nada no quesito qualidade, pelo contrário, o grupo que embarcou desde o início em discos conceituais consegue melhorar gradativamente. Pelagial quase que ironicamente tem como tema o Oceano, e de forma genial o disco te faz mergulhar junto dele, começando mais leve e melódico, no seu decorrer ele se torna mais denso e pesado, como se ultrapassasse cada camada profunda do mar.


29° Altar of Plagues - Teethed Glory and Injury
       Black Metal, Post-Metal

Talvez este seja o álbum com a mudança mais brusca a figurar neste top e, como toda mudança que se preze, trouxe consigo opiniões muito diversas na recepção pelos ouvintes. Enquanto os álbuns antecessores soavam como black metal atmosférico, algo como Wolves in the Throne Room, Teethed Glory and Injury apresenta um Altar of Plagues totalmente revisitado, deixando de lado as músicas longas para se aventurar em faixas curtas, se distanciando do atmosférico usual para caminhar pelas terras do experimentalismo. O resultado é um black metal desconstruído, dissecado, com elementos de noise, industrial e dark ambient, mas que pode ser uma obra para ouvidos que se proponham a ouvir de boa vontade.

28° Portugal. The Man - Evil Friends
       Art Pop, Neo-Psychedelia

Nascido na inusual Alaska, o Portugal. The Man se mostrou uma banda irriquieta nos anos 2000, lançando discos numa alta frequência, por vezes mais de um por ano, e sempre se aventurando entre o pop, o experimental e o psicodélico de forma cativante. Com a produção do excelente Danger Mouse, este conseguiu colocar o Portugal num patamar mais acessível, com refrões pegajosos e belíssimas melodias. Apesar de menos experimental do que de costume, a construção do disco é claramente primorosa, com diversos instrumentos e uso de artifícios de eletrônicos para criar toda a ambientação. Provavelmente um dos discos mais agradáveis e viciantes do ano.

27° Pelican - Forever Becoming
       Post-Metal

Apesar de existir uma centena de Explosions in the Sky por aí, as melhores bandas de post-rock são aquelas que possuem uma identidade própria. Pelican é uma delas e seu novo álbum, Forever Becoming, veio para acrescentar novo brilho e, pode-se dizer, um novo nível de "epicidade". Pelican já é conhecida pela presença mais constante das nuances de metal tais como os timbres e o peso das guitarras e não é diferente neste álbum, em que músicas como The Tundra ou Vestiges te prendem do início ao fim numa constante evolução sonora.

26° Blutengel - Monument
       Darkwave, Gothic Synth, Dark Electro

Fazia tempo que não tínhamos uma Blutengel tão pesada e dançante. Há quem diga que Monument é o ápice, que estas são as músicas que consolidam a sonoridade de Blutengel e que é de certa forma questionador pelo que virá depois. Particularmente, eu discordo; acho que isso foi feito lá em 2007 com meu tão amado Labyrinth. Contudo, Monument ainda é um marco e, seja lá o que vier, terá de suprir muitas expectativas.

25°  Kanye West - Yeezus
        Experimental Hip Hop

Kanye West segue como um dos rappers mais versáteis da atualidade. Em Yeezus, flerta com sonoridades dispares como o industrial, o house, dancehall entre tantas outras. Com tanta diversificação o álbum é disparadamente o mais ambicioso e experimental. Novamente ele volta a emular batidas que fogem do habitué: a parceria com o Daft Punk, a electro “Oh sight”, ou no inusitado sample de “Strange fruit” em "Blood on the leaves" são alguns exemplos . Romantismo ("Bound 2"), protesto ("New slaves") e até mesmo heresia ("I am a god") são alguns dos temas abordados. Tanta informação num mesmo disco comprova que todo egocentrismo do artista se justifica. Afinal não há limites para sua criatividade.

24° The Toten Crackhuren im Kofferraum - Mama Ich Blute
       Electroclash

A primeira coisa que me chamou atenção em Mama, Ich Blute foi o nome, que ao pé da letra significa “Mãe, eu sangro” e, pode parecer bobagem, mas gostei até mesmo da sonoridade da pronúncia. É um disco breve (40 minutos) com letras grudentas, batidas leves (algumas daquele jeito bem música de boate) e às vezes agressivas, um jogo de vocais efusivo levemente irritante de voz chatinha de criança. Em suma, uma cretinice revestida em sonoridade pop!

23° Arctic Monkeys - AM
       Indie Rock

Com uma sonoridade completamente diferente dos lançamentos anteriores o Arctic Monkeys entrega em Am, quinto disco da banda, uma sucessão de baixos marcantes e com influências que vão de Dr. Dre a Black Sabbath. Puxados pelo single ‘R U Mine?’ o disco ainda conta com pérolas como ‘Do I Wanna  Know’, ‘One For The Road’  e ‘Why’d You Only Call Me When You’re High?’. AM, mesmo que alguns fãs discordem, é claramente o melhor trabalho dos garotos (nem tanto) de Sheffield.

22° Thränenkind - The Elk
       Black Metal, Depressive Rock,  Shoegaze, Post-Punk

Um disco perfeito, depressivo e lindo, uma grande surpresa e indispensável pra quem curte o gênero, e pra quem igual a mim, que estava descrente com o estilo. Mistura perfeita de melancolia, peso, desespero e alento, entre várias sensibilidades e emoções que só um grande album pode despertar. Uma obra de arte.




21° Arcade Fire - Reflektor
       Indie Rock, New Wave, Art Pop

Em ascensão meteórica o Arcade Fire atinge o ápice criativo em Reflektor. A produção e direcionamento de James Murphy (ex-LCD Soundsystem) são responsáveis por esta nova sonoridade. O tom melancólico das letras ainda prevalece, mas nunca os canadenses soaram tão versáteis musicalmente. Neste disco duplo há espaço para as raízes da música negra (dub e reggae) que dialoga com rock, pop, funk e que mais der na telha na trupe liderada por Win Butler. Um dos discos mais estranhos e belos do ano de 2013.

20° Bad Religion - True North
       Punk Rock, Melodic Hardcore

Nos primeiros dias do ano o Punk Rock puro, direto e rápido de True North já ecoava por aí.  O Bad Religion, um dos maiores nomes do gênero, agracia o público com um disco coeso e que faz jus a fama da banda, executando 16 músicas em 36 minutos. Recheado de canções que fazem qualquer fã de punk vibrar True North é um grande trunfo para os senhores do Bad Religion, uma banda com mais de 30 anos e 16 discos no curriculum.

19° Entropia - Vesper
       Black Metal, Sludge, Post-Metal

Com seu full-leght de estréia Entropia traz um dos melhores materiais do ano em matéria de metal experimental. Sim, experimentações com post-rock, sludge e black metal não são mais novidade alguma, mas com o álbum Vesper a banda mostra que ainda é possível ser original nesse ramo. O título de cada música é o nome de alguma importante personagem da nossa história e, de fato, cada música possui uma atmosfera muito diferenciada da outra, como se procurasse transpor as individualidades das personalidades retratadas. É um álbum profundo e belo, apesar de sombrio, e que só melhora a cada audição.

18° Janelle Monae - Electric Lady
      Soul, Contemporary R&B, Funk

A multifacetada cantora americana segue em Electric lady encantando o mundo. Se o primeiro álbum, The Archandroid lançado em 2010, era um primor futurista (em termos de conceito) e ao mesmo tempo retrô (na sonoridade r&b, soul e funk) neste segundo disco temos uma reprise desta teoria agregada à doses de gospel, jazz e rock. Dividido em duas suítes distintas, a primeira corresponde à porção enérgica do disco. O hino “Dance apocalyptic”, a faixa título, a contagiante “We were rock n’ roll” e roqueira “Givin em what they love” (que conta com a participação especial do mago Prince) são odes a dança interrupta. A segunda parte vai de encontro a canções mais lentas. As harmonias vocais belíssimas cometidas em "It's code" ou como em "Victory" é onde se percebe a dimensão da voz de Janelle. Facilmente um dos mais belos tratados do cancioneiro pop de 2013.

17° Kurt Vile - Wakin on a Pretty Daze
       Folk Rock

Kurt Vile e sua banda (The Violators) provavelmente chegaram ao ápice de sua consistente carreira com o ótimo Waking on a Pretty Daze. Trazem consigo um disco longo é verdade, com faixas que ultrapassam os 10 minutos de duração em seu folk rock psicodélico com uma pesada influência de Neil Young mas também que em diversos momentos remete as bandas indie dos anos 90. Músicas que te carregam para um agradável final de tarde, com uma bela paisagem. 

16°  Elvis Costello and The Roots - Wise Up Ghost
       Funk Rock, Soul, Trip Hop

A parceria inusitada entre o cantor inglês e o icônico grupo de rap nasceu no programa do Jimmy Fallon em 2009 e este álbum é o registro. Wise Up and Other Songs o celebra o encontro do R&B com o funk e somada a versatilidade de Elvis Costello resultou em algo espontâneo, com cara de jam session, e pulsante. O groove dá o tom no cartão de visita “Walk us uptown” tal como em “Refuse to work”. “Sugar won’t work” é cadenciada, lenta e perfeita. “Tripwire” é uma inesperada canção de ninar. Há espaço para inclusive para flertar com a língua espanhola como é audível em “Cinco minutos com vos”. Por fim, o resultado é largamente recomendável.

15° Celeste - Animale(s)
       Post-Hardcore, Black Metal, Sludge

O som opressor e agressivo do Celeste se faz presente mais uma vez no quarto disco dos franceses. Selvagem, niilista, misantrópico, a mistura certeira entre o Black Metal, o Sludge e o Post-Hardcore soam como um ode a miséria e a dor. A belissima capa retrata o conceito do disco, a novela Voyage au bout de la nuit do autor Louis-Ferdinand Céline, uma trágica história de amor entre um rapaz e uma garota. Só tenha certeza de ouvir o disco com o humor bem equilibrado, ele pode te arrastar para baixo.

14° Gris - À l'Âme Enflammée, l'Äme Constellée
       Depressive Black Metal, Atmospheric Black Metal 

Mais um nome da forte cena canadense de Black Metal, o Gris provavelmente é um dos representantes mais interessantes do Atmospheric Black Metal, e sem dúvidas lançou o disco mais poderoso do gênero neste ano. Extremamente ambicioso, "À l'Âme Enflamée, l'Âme Constellée" investe num disco duplo, cheio de influências folclóricas e neoclássicas com orquestrações e uso de instrumentos não ortodoxos ajudando a deixar sua atmosfera ainda mais incrível. 




13° M.I.A. - Matangi

      Electropop Pop, Hip Hop, Experimental

Gravado em diversos países, Matangi prova que M.I.A. segue cada vez mais globalizada. Em seu 4º trabalho a rapper emula de tudo um pouco no seu caldeirão sonoro de estilos: há canções descaradamente pop, os singles "Bad Girls" e "Come walk with me", as predominantemente eletrônicas, "Bring the noize", "Only 1 U" e a faixa título, ao hip hop, "Boom skit" e "Warriors" e até mesmo ao reggae, como em "Double bubble trouble". No campo das letras, Maya segue na sua zona de conforto, seja verbalizando palavras de ordem contra o mundo capitalista ou falando abertamente sobre hinduísmo e reencarnação como em "Y.A.L.A.". Tudo isso, mas com a cara tradicionalmente experimental da artista inglesa.

12°  Daft punk – Randon Access Memories
        Disco, Electro, Funk

Após longo hiato o duo retornou em disco cuja ótica é celebrar a disco music e o funk. Para tanto, os franceses contaram com a colaboração de ícones como Nile Rodgers (do Chic), Giorgio Moroder, Pharrel Willians entre muitos outros. Em tempos nos quais músicas são criadas artificialmente, a guinada orgânica deste álbum é de grande valia. Não se engane pela faixa ultra-executada “Get lucky”. O álbum tem muito mais a oferecer. “Lose yourself to dance”, “Give life back to music” e “Touch” são exemplos de que o potencial radiofônico de Random Acess Memories vai além, em uma soma de disco composto quase que inteiro por hits.

11° Soulfly - Savages
       Thrash Metal, Death Metal

Em 1994 as batidas do coração de Zyon Cavalera, ainda no útero, abriam um dos melhores discos do Sepultura, Chaos AD. Hoje o moleque destrói na bateria do Soulfly, banda de seu pai Max. Savages, nono disco de estúdio do Soulfly é uma sucessão de músicas pesadas e agressivas de encher os olhos de qualquer fã da banda. A exemplo do disco anterior (Enslaved, 2012) a banda aposta em sonoridades mais pesadas, deixando completamente para trás o New Metal tribal que caracterizou os primeiros trabalhos do Soulfly, que hoje em dia atira muito mais para os lados do metal extremo. Certamente um dos melhores trabalhos de Max.


10° The World Is a Beautiful Place & I Am No Longer Afraid to Die - Whenever, If Ever
Midwest Emo, Post-Rock



Ao contrário do que se pensa, o verdadeiro emo é um gênero bem legal e bastante cultuado no underground. Sua vida foi curta, nasceu e morreu nos anos 90, o que fora vendido no meio dos anos 2000 como emo era algo completamente diferente e que não nos interessa. O The World Is A Beautiful Place traz um dos debuts mais legais de 2013, uma banda formada por músicos experientes que nos entregam um resgate direto da sonoridade praticada nos anos 90, mas com adendos, uma influência bem notável de post-rock evidente principalmente nas guitarras e nas crescentes que permeiam as músicas, caminhando da calmaria á explosão, movimento típico do post-rock.  Whenever, If Ever surge com 20 anos de atraso, mas tem potencial para se firmar como discografia obrigatória do emo ao lado de outros medalhões do gênero.

9° Red Fang - Whales and Leeches
Stoner Rock, Stoner Metal


Whales And Leeches é o sucessor do aclamado Murder The Mountains de 2011. Neste disco o Red Fang apresenta uma versão acelerada e urgente do Stoner Rock que fez de Murder The Mountains um disco tão celebrado. Com músicas curtas e diretas como a faixa de abertura 'DOEN', '1516' e 'This Animal' o Red Fang entrega um disco repleto de peso e que se tranforma em um deleite musical ao longo de seus 40 minutos de duração. Para banguear e beber cerveja.


8° Nine Inch Nails – Hesitation Marks
Industrial, Alternative Rock


Em 2008 o Nine Inch Nails lançava aquele que seria seu último álbum, The Slip foi lançado gratuitamente na internet e um ano depois chegava ao fim a Wave Goodbye Tour, era o fim de uma das bandas mais importantes das últimas duas décadas. Até que em 2013 Trent Reznor anuncia o retorno do Nine Inch Nails, para disco e turnê. Hesitation Marks é o oitavo disco de estúdio da banda, com uma sonoridade bem diferente dos anteriores, aposta em grooves dançantes como em ‘All Time Low’ e ‘Running’ em contraste com músicas pesadas como ‘Came Back Haunted’ e ‘In Two’.

7° Cult of Luna – Vertikal
Post-Metal, Sludge Metal


O que esperar de um álbum de uma das mais completas bandas de Atmospheric Sludge que tem como base conceitual para o disco nada mais nada menos que Metropolis (1927), de Fritz Lang, considerado um dos maiores expoentes do expressionismo alemão? Alternando passagens de peso e distorções e muitas experimentações atmosféricas, Vertikal é uma experiência musical que soa como algo sinestésico, com muitas paisagens e texturas sonoras. O conteúdo do álbum foi tão rico e merece tanto estar num top que sobrou material até para o lançamento de um EP, Vertikal II.

6° Gorguts - Colored Sands
Technical Death Metal


Foram doze anos de hiato entre Colored Sands do seu antecessor From Wisdom To Hate, um retorno que mantém toda a tradição do Gorguts com seu Death Metal extremamente técnico e elaborado carregado de múltiplos detalhes. Os vocais de Lemay se mantém brutais como sempre, e as guitarras nos entregam as mais diferentes texturas e dissonâncias em seus riffs. Colored Sands é um dos discos de Death Metal mais atmosféricos que já ouvi, utilizando do conceito do disco baseado no Himalaia, budismo e suas tradições, eles trazem uma atmosfera obscura e intensa que permeia todo o álbum, tudo isso é enfatizado em faixas orquestradas como The Battle of Chamdo. Seja engolido por esse trabalho massivo do Gorguts, sem dúvidas um dos melhores discos do ano.  

5° My Bloody Valentine - m b v
Shoegaze


Mais de 20 anos separam o lançamento de Loveless, um dos discos mais importantes e intocáveis do rock alternativo responsável por definir o que viria a ser conhecido como shoegaze, de seu sucessor "m b v". A maioria havia perdido as esperanças de ver algo novo nascido das mãos de Kevin Shields, mas foi no início desse ano que de surpresa o disco fora disponibilizado no site oficial da banda, furor e ansiedade dominaram as redes sociais que derrubaram o site instantaneamente, atrasando em algumas horas a primeira audição de todos. M b v não surpreende, mas incrivelmente consegue ser melhor do que todos os discos de todas as bandas de shoegaze desde o posteriores ao Loveless, por mais que o gênero estivesse saturado de tentativas de reproduzir aquilo que só o My Bloody Valentine conseguira alcançar. É um disco bom, e bem interessante por ser claramente dividido em duas partes. A primeira metade do disco nos mostra um MBV bebendo diretamente da fonte do Loveless, quase que como uma continuação direta, algo que poderia ter sido lançado em 1992, a segunda metade surge com um toque mais experimental com faixas como a instrumental Nothing Is, e a épica Wonder 2 responsável por encerrar o disco com sua base de drum'n'bass coberto por um noise ensurdecedor. Não é o disco do ano, mas é sem duvidas uma das melhores coisas já feitas nessas mais de duas décadas de shoegaze. 

4° Deafheaven – Sunbather
Black Metal, Shoegaze


"Metal para quem não gosta de metal" talvez uma das definições que melhor encaixe no som do Deafheaven em Sunbather. Provavelmente ele seja um resumo do rumo que parte da cena metaleira tomou nos últimos anos, levando até a criação do irônico rótulo "Hipster Metal". A apropriação da agressividade do heavy metal como veia artística que serve de base para uma catarse alimentada por diversos outros gêneros já aparece a algum tempo, mas esse talvez seja o ápice dela com um disco que carrega toda a agressividade do Black Metal com melodias vindouras do Shoegaze, Post-Rock e Dream Pop, e toda uma estética "não metal" desde sua capa. Musicalmente a banda é realmente excelente, mas confesso que acho um pouco risível o fato de muitas pessoas que não gostam (ou até tem aversão pelo heavy metal) idolatrando o disco. Provavelmente muitos realmente só se preocupam com o lado estético e o quanto ela agrega ao seu camarote musical. 

3°  Carcass - Surgical Steel
Death Metal


Um dos maiores nomes do Death/Grind retorna com um lindo álbum de estreia após a reunião da banda em 2007, e não decepcionou os numerosos fãs espalhados pelo globo terrestre. Surgical Steel é um álbum intenso, pesado e que traz lampejos de semelhanças em muitos aspectos aos primeiros trabalhos da banda, e ainda assim, demonstra uma maturidade musical inegável. Pode-se dizer que é um bom exemplo de como uma banda pode, mesmo com o passar dos anos, produzir músicas que soam atuais sem apelar pra uma mudança brusca na musicalidade.

2°  Queens of the Stone Age - ...Like Clockwork
Alternative Rock


Ao longo da última década o Queens Of The Stone Age se destacou como um das bandas mais importantes do rock, servindo de referência para uma infinidade de bandas que surgiram desde o lançamento de Songs For The Deaf, disco mais notório deles e que contava com Mark Lanegan e Dave Grohl. Mais de 10 anós após explodir para o grande público era natural que a banda mudasse, evoluísse, se transformasse e foi exatamente o que aconteceu. ...Like Clockwork soa diferente de tudo o que a banda já fez e soa maravilhosamente bem. Com participações de Dave Grohl, Mark Lanegan, Trent Reznor, Elton John, Alex Turner e o ex-baixista Nick Olivieri o disco traz algumas das melhores músicas da banda, como 'The Vampyre Of Time And Memory' e 'I Appear Missing'. … Like Clockwork pode causar certo estranhamento em um primeiro momento, mas aos poucos, se mostra um grande disco e digno de figurar em toda e qualquer lista de melhores discos de 2013.

1°  Peste Noire - Peste Noire
Black Metal



E eis que no topo da lista está um dos materiais mais crus e viscerais lançados neste ano. Seguindo na contramão das tendências do black metal de nossa década, que se torna cada vez mais uma união do belo e do insano, do caos e do equilíbrio, Peste Noire prefere mergulhar cada vez mais profundo na insanidade e no caos. Porém, o mais interessante de tudo é que Valfunde, mentor da banda, não nos apresentou um álbum de black metal encaixadinho, porém, mostrou-nos algo de uma estranheza absurda. Uma cria deformada e atípica, mas que nos instiga a adentrar nessa escuridão. Os elementos do neofolk estão muito presentes, mas ao contrário de trazer "beleza" à sonoridade, só a tornam mais terrível, no melhor sentido que a palavra pode possuir. Após pouco mais de uma década de formação, a banda resolve nomear o álbum com o título da banda e acho que não poderia ser uma escolha melhor. Tudo aqui é pura peste negra e define bem a essência da banda e a mente perturbada de Valfunde.

5 Responses so far.

  1. E o 13 do Black Sabbath?

  2. Anônimo says:

    Alguem conhece uma banda que faz um som "gothic metal/dark ambiente" ou "gothic metal/vocal trance"?

  3. Anônimo says:

    A maioria oos links estão OFF pra download!Esta lei americana tá sacaneando todo mundo!

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