terça-feira, 14 de janeiro de 2014
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Built To Spill - Live

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Gênero: Rock alternativo
País: Estados Unidos
Ano: 2000

Comentário: Built To Spill é daquelas bandas, poucas, que parecem terem sido escondidas de você por tanto tempo que só pode ser ironia do destino. Fundada em 1992, no distante Idaho, a banda continua sua longa carreira até os dias de hoje, mais de 20 anos depois.
Fruto e resultado direto do rock alternativo do final dos anos 80 - influências como Dinossaur JR e Pavement são inegáveis - o grupo, na minha humilde opinião,  ainda hoje continua como um dos exemplos maiores de como aquele som sujo e desleixado carrega consigo uma beleza e delicadeza única.

Contando com o vocalista e genial guitarrista Doug Martsch, os rapazes do interior americano fazem um dos sons mais melancólicos já tirados por uma banda de rock nas últimas décadas. Seu guitarrista, já citado, é dos maiores gênios dos idos anos 90 e trespassa emoção em cada nota das efusivas e arrastadas melodias que compõe com a banda. Discos como Perfect from now on trazem diversas músicas singelas e contidas que, ainda assim, soam como pequenas epopéias. Riffs tristes e solos em lento andamento que nunca cansam em impressionar. É, para usar uma de suas inspirações, é uma mistura do trabalho de Malkmus e Mascis que resulta em algo novo, completamente diferente e ainda assim remanescente.

 O disco de hoje, Live, de nome bem sugestivo, foi gravado no auge da banda, em 2000. Durando pouco mais de uma hora, tem apenas nove músicas, retiradas do seu catálogo até então, com diversas canções que são parte do repertório até hoje. E um dos maiores e melhores covers de todos os tempos. Mas já chego lá. As músicas autorais estão todas em grandes versões. Built To Spill não é daquelas bandas que subverte completamente a lógica das suas músicas no espaço entre o estúdio e o palco, mas também não as deixa intocadas. O sentimento é, sem dúvida, diferente.

O tom de melancolia diminui, mas ainda se faz presente. Entra um pouco de inquietação na mistura, uma ansiedade que vem da inevitável interação com o público. Não é nada que deva ser confundido com amadorismo, mas sim com paixão pelo o que se faz. É visível - e audível - que cada música é tocada como se pela última vez. A entrega não é contida. Entre as minhas favoritas, estão The Plan e Else. Mas seria mentira da minha parte dizer que nem todas ali me agradam.

O disco, apesar de ótimo, não é perfeito. As vezes, muito as vezes, se arrasta um pouco. Mesmo com a entrega total, e a perda de alguns quesitos oriundos do estúdio, não posso dizer que essas são as versões definitivas dessas músicas. São alternativas necessárias, que dão outra vida as já sublimes gravadas nos discos. A escolha delas, na minha humilde opinião, também não é perfeita. Alguns clássicos, como Velvet Waltz, não entraram na seleção. Não posso culpar-los por isso, mas também não faria sentido omitir meus sentimentos.

Mas e o cover, você se pergunta? Finalmente chegamos. Pode parecer contraditório, mas o ponto alto do disco é justamente uma versão de uma música de outro artista, e uma versão enorme, que dura 20 minutos. Cortez The Killer, grandioso clássico de Neil Young (outra das maiores inspirações pra banda, tanto nos arranjos quanto na maneira de cantar). São vinte minutos num disco que chega a se arrastar! Como isso é, de alguma maneira, justificável? Assim como em Mountain Jam, música de mais de 30 minutos no clássico Eat a Peach dos Allmans Brothers, Cortez The Killer consegue se reinventar conforme vai sendo levada. Talvez, só talvez, faltem mais epopéias musicais nos discos ao vivo. O arrastar costuma vir da repetição. Uma música, quando subvertida, torcida, revirada e transformada - mas sem perder seu caráter - é justamente o que dá alma a um cover e a uma versão ao vivo. Nesse caso, aos dois.

LIve, dessa grande banda dos anos noventa, não deve servir como baú de tesouro apenas para os fãs da banda. Esse é um registro de um dos melhores shows dos anos 90, sendo executado por músicos de primeira qualidade. Se no fim das contas, apesar da qualidade das músicas autorais, o disco não lhe convencer, dê ao menos uma chance à versão de Cortez The Killer. A música, já imortalizada em discos ao vivo do eterno Young, se transforma e ganha nova vida na guitarra de Martsch. É uma aula, um parâmetro para com que todos os covers deveriam ser comparados, em sua devoção ao original e, na mesma medida, capacidade de trazer a sonoridade para com a da banda que agora a toca. 




Tracklist:
1. The Plan - 4:54
2. Randy Described Eternity - 3:55
3. Stop the Show - 4:15
4. Virginia Reel Around the Fountain - 7:00
6. Car - 3:07
7.  Singing Sores Make Perfect Swords - 3:33
8. Would Hurt a Fly - 5:24
9. Broken Chairs - 19:05

Download: MEGA


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