segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
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Lorde - Pure Heroine

1 comentários

Gênero: Indie Pop / Hip-Hop
País: Nova Zelândia
Ano: 2013

ComentárioMinha primeira impressão a ouvir algumas músicas soltas do “Pure Heroine”, dessa menina neozelandesa de dezesseis anos (quando lançou o álbum!) e nome complicado, (né, porque Ella Maria Lani Yelich-O'Connor nem é muito simples), foi confusão. De fato também sei que minha percepção é mutável demais para poder intuir juízo de valor logo de primeira, então deixei o álbum de lado lembrando que voltaria nele para saber se o resenharia ou não. E bem, se estou aqui resenhando o álbum é porque achei pontos positivos nele.

De imediato Lorde não me tocou, confesso. Talvez, somente Royals, que foi o motivo da mesma gravar o “Pure Heroine”, pois seu EP “The Love Club” teve uma resposta muito positiva, tal qual sua música mais conhecida; Royals.

Falando inicialmente na sonoridade da faixa; Royals, começa com uma batida característica do hip hop, gênero esse, aliás, que é uma das inspirações de Lorde. Sonoramente a música cresce, mesmo que pouco, ela começa com batida e voz e os outros instrumentos vem fazer parte do conjunto, por isso de fato existe um crescimento na faixa, mas o aspecto mais importante, para mim, é a letra. Royals é verdadeira, condiz com o universo de dezesseis anos da cantora. Não é nada além do que veríamos de uma menina que ainda está no ensino médio e já se destaca tanto na crítica especializada quanto nas paradas de sucesso, por esse motivo acho que Royals é, de fato, uma das melhores faixas do álbum.

Voltando uma faixa temos 400 lux, que se assemelha até a Royals, mas é mais hip hop, se assim posso dizer, dançante de uma maneira lenta e também feita para ser ouvida com fones dentro de um ônibus cheio. A sonoridade de 400 lux muito me atrai, existe algo de envolvente, algo de sensual tanto no ritmo, mas não tanto nas palavras, que se assemelha a Royals, em conteúdo. Ambas as faixas carregam muito da essência do que a Lorde viveu e ainda vive: sua juventude, seus sonhos, suas realizações e aspirações.

Ribs começa de um jeito bastante soturno, até, antagonizando-se com a faixa anterior. O coral, a batida e voz da Lorde dão um drama especial à faixa que fala de amor e envelhecimento e do quando nada disso é o bastante (diante da vida, da cumplicidade, do próprio amor e etc). Buzzcut Season é uma das letras mais fortes da cantora, minha interpretação da música encaixa-se muito bem na estética impressa em “Pure Heroine”. Além de também ambientar-se na dualidade entre uma quase pista de dança e música reflexiva para se ouvir em fones de ouvido, Buzzcut Season remete a ilusões e seguir tendências; fingimentos e serve muito bem como entrada para Team, que junto com Royals resumem essencialmente o que a Lorde imprime em suas canções: batida de inspiração no hip hop kanywestiano, vocal envolvente, presença de coros por detrás da sua voz e principalmente, letras que rejeitam todo o glamour midiático que hoje ela vive. Bem, muitas de suas músicas serviriam perfeitamente para embalar as cenas de Kids, do Larry Clark, filme esse, aliás, que serviu de base para a mesma compor sua primeira canção, Dope Ghost, que não consta no álbum.

Glory and Gore faz-se de mais uso do hip hop em seu ritmo e segue no mesmo trilho das letras anteriormente apresentadas. Vejo em Still Sane uma das faixas mais próprias: aqui ela fala de si mesma, não do grupo onde se insere. Na faixa ela fala de sua recém-fama, de quanto ela gosta de hotéis, de quanto se sente sozinho conforme vai chegando ao topo. É uma faixa calma e com o peso certo de introspecção, essa, de fato, é para se ouvir sozinho em um canto por ai da vida, o beat de balada não existe em Still Sane.

Finalizando o álbum estão White Teeth Teens, essa que conta com um quase spoken word da Lorde em meio a um coro repetitivo e etéreo – um dos pontos altos da faixa que vai de encontro com a temática, como já li em outros lugares, “egos e garrafas vazias” que a Lorde imprime em suas composições, e A World Alone, que de perto(ou de longe) parece o hino mais sincero para essa geração criada pela internet, que espera algo acontecer para então ir atrás, geração essa que dança ao som do rap mais do que pop da Lorde, que enquanto acha-se especial também se vê simplório. E é com essa sensação de tudo e nada que o álbum encerra-se. E a voz de Lorde ecoando pela batida simples, mas muito bem ritmada. E as pessoas continuam falando enquanto nós estamos dançando sozinhos no mundo.



Tracklist:

1. Tennis Court
2. 400 Lux 
3. Royals 
4. Ribs
5. Buzzcut Season 
6. Team
7. Glory and Gore
8.
Still Sane
9. White Teeth Teens
10. A World Alone

Download: MEGA

One Response so far.

  1. Ta na moda, vamos baixar pra ver qualéqueé!

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