sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
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Ryoji Ikeda - +/-

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Gênero
: Minimal/Eletrônico/Noise/Ambient
País: Japão
Ano: 1997

Comentário: Ryoji Ikeda nasceu em 1966 na cidade de Gifu, na região central do Japão, mas hoje em dia reside na França, em Paris. Ikeda é um dos mais reconhecidos artistas de um dos gêneros mais prolíficos do Japão: O eletrônico experimental. Seja na veia do Noise, do Ambient ou manifestações menos avant-garde, japoneses sabem experimentar sonoridades como ninguém. Ryoji em especial, faz uma coisa que eu sempre tive curiosidade em fazer, especialmente por ter me graduado em uma área de exatas. Compor música baseando-me essencialmente em padrões matemáticos.

A relação entre matemática e música é intrínseca e indistinguível em todos os gêneros, porém é na música eletrônica que ela brilha. Stockhausen, no século passado, já brincava com a matemática que rege a composição musical erudita e a formulação com a qual esta é escrita, intrinsecamente dependente de padrões matemáticos rigídios e facilmente previsível a partir de uma análise desses padrões. Não é difícil, ao se pensar em partituras e a linguagem musical formal, compor uma música baseando somente em padrões matemáticos, se, é claro, nos dispojarmos da intenção de produzir algo comercial e popular. Na música eletrônica, baseada em oscilações de circuitos elétricos, isso se torna ainda mais óbvio e eficiente.

Quando alteramos os parâmetros infindáveis de um sintetizador, o que estamos fazendo na prática é alterar o funcionamento de componentes eletrônicos de circuitos de forma a que a corrente que passa nestes seja alterada. A oscilação padrão de circuitos com corrente alternada é senoidal, daí vem a mais famosa base musical eletrônica, os senos, com sua sonoridade adocicada. Se no entanto alteramos a frequência com que adentra no circuito a força eletromotriz, modificamos o formato de saída da nossa corrente. Usando este recurso, alcançamos um outro padrão comum que é também utilizado largamente na música eletrônica: as ríspidas ondas quadradas, que já possuem um som mais metálico e intenso.  Criando uma série de circuitos combinados de forma a misturar padrões oscilatórios das mais variadas formas, frequências e amplitudes, obtemos a infinidade de sons que um sintetizador é capaz de produzir. Isso é tudo simplesmente matemática, que por acaso também é música.

Ryoji se baseia nesses princípios para, ao invés de simplesmente usar um sintetizador como ferramenta, partir da matemática por trás pra criar a música. Mas não qualquer música. Brincando com padrões, Ryoji cria uma sonoridade minimalística, experimental e ambient em sua melhor proporção. A música ambient tem por definição a capacidade de emocionar e envolver sem necessidade de ser explíticita. Na musicalidade de Ikeda, isso é levado ao extremo de alguns sons terem frequências tão altas ou tão baixas que estão no limiar de serem inaudíveis para o ouvido humano, ainda que sejam perceptíveis de uma forma curiosa quando o silêncio do fim da faixa chega. Além disso, Ikeda soa paradoxalmente melódico. Não esperem caos sonoros, o rigor matemático por trás de tudo aqui torna tudo extremamente ordenado. No entanto não é tão denso quanto artistas como o Pan Sonic - mas nunca se sabe realmente se aquela faixa que parece ser simplesmente um pulsar agudo repetitivo não esconde por trás uma parade sonora de alta frequência. Só somos capazes de descobrir isso quando a música acaba - por que embora sejam frequências inaudíveis, ainda assim elas são diferentes do silêncio absoluto.

Ikeda também é artista plástico, e na realidade sua sonoridade é apenas uma das várias manifestações da sua arte. Arrogantemente, não é algo pra qualquer um. Mas é uma das melhores coisas que o Ambient pode produzir.



Tracklist:

headphonics (1995-96)

01 headphonics 0/0 3:12
02 headphonics 0/1 3:11
03 headphonics 1/0 4:16

+/- (1996)

04 + 2:50
05 +. 5:07
06 +.. 10:55
07 - 6:36
08 -. 11:51
09 -.. 13:24
10 +/- 1:05

Download:

MEGA (96 mb/320 Kbps)

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