sábado, 8 de março de 2014
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Die Antwoord – TEN$ION

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Gênero: Rap-Rave / Alternative Hip-Hop
País: África do Sul
Ano: 2012

Comentário: Primeira coisa a falar do "Die Antwoord": quando vi o clipe de I Fink U Freeky eu fiquei paralisado. Bem, vamos aos fatores. Primeiro – o vocal da Yolandi Visser somada a estética do grupo me deixaram realmente freeky. Segundo – o clipe é terrivelmente bizarro, tanto que, tive de assisti duas vezes e não, não levei a sério a banda, ah, erro meu, erro meu! Sei que muita gente para nessa parte e realmente não leva a sério, de certa parte, estão certos, de outra, errados. É difícil classificar o que é para ser levado a sério no Die Antwoord, de fato. O que eles querem? O que eles fazem? Que merda é essa de rap-rave? Muitas questões, mas nada que Ten$ion, segundo álbum da banda, não seja capaz de responder.

O estilo da banda é inspirado em Roger Ballen, fotógrafo nascido em Nova Iorque e morador de Joanesburgo – aliás, acho o Ballen um fodão em preto e branco, isso tirando o fato de sua estética totalmente estranha e subversiva. A banda faz uma clara referência ao Roger Ballen em seus trabalhos, referência gritante, aliás. Dando uma rápida pesquisa vocês acham algo do trabalho do Ballen com a banda em si, sendo o clipe de I Fink U Freeky o trabalho mais evidente da união da banda com o fotógrafo, que codirigiu o clipe com Ninja. Outra inspiração da banda é a cultura Zef, nome que veio da abreviação do Ford Zephyr, carro que se tornou mundialmente popular no mundo todo de 50 a 70 e na África do Sul, seus condutores, geralmente trabalhadores da mineração, assim como os carros, eram apreendidos. Basicamente a cultura Zef defende um “você é pobre, mas é fantasia, é sexy, tem estilo”. Ninja, vocalista do grupo, defende que o Zef é movimento musical de subcultura, comparável ao hip-hop. Alguns dizem que a cultura Zef é branca e em suas próprias palavras Ninja rebate que: “o racismo é obsoleto e passado para os sul-africanos".

Não é fácil compreender todas as nuances do grupo. Não é fácil compreender sua estética Zef-Balleniana (oi, neologismo) e levar tudo a sério. Acho que mais do que apresentar o álbum aqui, pretendo apresentar a estética do grupo, que é muito forte – tanto quanto o som que produzem. Nitidamente vemos no álbum claras referências ao hip-hop, em Hey Sexy, que tem uma levada de percussão bem marcada e dançante, ao estilo do hip-hop que estamos acostumados com um refrão até pegajoso. So What?, com um piano realmente bom no início, também vai no mesmo estilo e se aproxima ainda mais do hip-hop midiático e bem-feito de hoje em dia.

Um pequeno parêntese para falar das experimentações do grupo, no meio das faixas musicais desenrolam-se várias pequenas faixas com falas, experimentalismos e coisas a mais. Destaco aqui Uncle Jimmy, feita toda em diálogo – e sim, eu curto ouvir diálogos no meio do álbum.

O álbum também pode-se ser dizer cíclico, enquanto Never Le Nkemise 1, uma mistura de zulu (segundo minhas pesquisas, posso estar errado) e inglês, funciona como prelúdio ideal do álbum com seu hip-hop/rap característico e rimas gangster, Never Le Nkemise 2 é o encerramento ideal para álbum, com batida rave repetida e crescente. Do começo ao fim o grupo mantêm-se (e tenta nos explicar) sua proposta rave-rap e acho que essas duas faixas, uma de prelúdio e outra de epílogo, funcionam muito bem para marcar a estética que o álbum pretende transmitir.

Já acho Fatty Boom Boom um clássico do “Die Antwoord” pelo seu clipe de Lady Gaga na selva/cidade africana. Aliás: clipe foda, de conteúdo, de estética (eu falo estética pra caramba, perdão), de relativização de cultura, de resistência, ah, sério, eu realmente piro quando paro para analisar a sério algo da banda porque eu realmente vejo que por detrás de todo essa “experimentação exagerada” existe um viés artístico de resistência e voz para o povo africano.

Para encerrar: Baby's On Fire pende mais pro lado “rave” da banda, contrapondo aqui com So What?, que por assim dizer é mais rap. Quando o rap e o rave são trabalhados de um modo separado a banda mostra sua versatilidade sem perder sua essência – algo muito bom, por sinal. DJ Hi-Tek Rulez é um rap muito bom e nem diz muita coisa a letra, mas eu curto muito, até por não dizer muita coisa: nonsense realmente me agrada. Enfim, acho que o “Die Antwoord” merece alguma visibilidade pelo trabalho que fazem há um tempo já, caricato, exagerado, nonsense, sem dúvida, mas ainda assim agressivo, promissor e contracultural – e essas características que eles abraçam tanto em sua sonoridade quanto em sua plasticidade me agradam por demais.


Tracklist:

1. Never Le Nkemise 1
2. I Fink U Freeky
3. Pielie (Skit feat. Ninja)
4. Hey Sexy
5. Fatty Boom Boom
6. Zefside Zol (Interlude)
7. So What?
8. Uncle Jimmy (Skit)
9. Baby's On Fire
10. U Make a Ninja Wanna Fuck
11. Fok Julle Naaiers
12. DJ Hi-Tek Rulez
13. Never Le Nkemise 2

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