terça-feira, 8 de abril de 2014
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Porco na cena #36 - Lollapalooza Brasil 2014 (sábado)

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O Lollapalooza Brasil, festival norte americano que se estabelece como um dos melhores no cenário nacional, chega à sua terceira edição em 2014 e está de casa nova: o Autódromo de Interlagos. E lá fomos nós mais, heroicamente, trazer para vocês um pouco das nossas impressões do festival.

A tal mudança de local trouxe de fato uma série de prós e contras. Positivamente o espaço em si, enorme por sinal, possibilitou o oferecimento de uma infinidade de serviços. No quesito alimentação a tenda Chef Stage foi a grande novidade. Saindo do tradicional cachorro quente, o local si trouxe uma série de chefes de cozinha que ofereciam um número variado de refeições à preços variados. Outro aspecto positivo foi o grande número de caixas, bares e banheiros que estavam bem distribuídos e atenderam as expectativas de enorme público presente no primeiro dia (cerca de 70 mil pessoas segundo a produção). A pontualidade das apresentações se fez presente novamente com shows começando e terminando em seus respectivos horários. Houve relatos de confusão na entrada do público, mas quando chegamos entramos com facilidade. A saída também foi tranquila e organizada. A temida batalha do metrô foi miniminizada.

Negativamente há de ressaltar a enorme distância do centro de SP ao autódromo. Aos acostumados com a Chácara do Jóquei tal distância trouxe uma série de impedimentos tais como metrôs abarrotados e o tempo de viagem que chegava a mais de 30 minutos. Outro fator negativo foi a longa caminhada entre os palcos (veja o mapa abaixo), o que fez com quem muitos que idealizaram ver shows em palcos distintos acabassem ficando durante todo o dia num mesmo espaço ou perdesse inícios ou finais de apresentações para não perder o artista predileto.

   
Longos corredores, destinados aos outros palcos, por vezes não comportavam o volume do público presente, gerando certo caos e desconforto durante horários de pico.

Por fim, vale uma ressalva quanto ao preço absurdo praticado: os desafortunados deveriam pagar absurdos R$ 9,00 por um chopp do patrocinador do evento. As refeições de preço mais módicos também partiam daí . Água à R 3,00 era o que de melhor havia na relação custo benefício.

Entre erros e acertos vamos ao que interessa: os shows. Os textos abaixo se dividem entre três colaboradores: Marcos Alves, Bruno Lisboa e Koticho.

Cage the elephant (15:05-16:05)
Cage the elephant - Fonte: Veja 
Com o setlist praticamente idêntico ao tocado na noite anterior em seu show solo, o Cage pela segunda vez, fez a tarde do Lollapalooza melhor. Dessa vez num show completamente lotado e repleto de fãs que se amontoavam sobre o barranco do palco Onyx, e cantavam os refrões de cada música como se fossem hits radiofonicos, todos empolgados pela energia transmitida pela banda e por Matt Schultz mais uma vez se contorcendo, pulando, dançando e dando stage divings ao melhor estilo Iggy Pop.


Sob o forte sol que pairava sobre o Autodromo, o Cage The Elephant com maestria aqueceu o grande público para as apresentações que viriam a acontecer durante o resto do dia. (Por Koticho)

Café Tacvba - Palco Interlagos (15:30-16:30)
Café tacvba - Fonte: Território da música 
Sob o sol escaldante das três da tarde os mexicanos do Café Tacvba esbanjaram carisma e vitalidade. Contemplando faixas de várias fases da banda, hits como "Como te extraño mi amor", "Las flores", "La ingrata", "El baile y el sálon" e o final apoteótico com "La chica banda" conquistaram o pequeno público presente e aos desavisados que chegavam para as apresentações que ainda seguiriam. Após uma hora de apresentação, o quinteto deixou o palco e o desejo de um show de maior extensão ficou no ar. Grande momento. (Por Bruno Lisboa)

Julian Casablancas - Palco Skol (16:10 - 17:10)
Julian Casablancas - Fonte: Território da música
Em tour com uma nova banda de apoio, o The Voidz, Julian Casablancas experimentou no palco do Lollapalooza músicas de seu próximo disco solo, tocou algumas do primeiro disco solo e até mesmo dos Strokes.

Acompanhado por uma banda que mais parece ter saído de um filme b dos anos 80 (destaque para o conjunto mullets + bigode do guitarrista) o show começou debaixo de um sol escaldante, mas nada que pudesse impedir o visual jaqueta de couro de Julian.


O show começou com duas músicas novas, ‘Ego’ e ‘2231’, mas o público só explodiu mesmo com ‘Ize Of The World’, música dos Strokes. Outro grande momento do show foi ‘11th Dimension’, do primeiro disco solo, que foi cantada em coro pela platéia, seguida de mais uma dos Strokes, ‘Take Or Leave It’. A verdade é que a maioria do público só estava ali pelas duas músicas dos Strokes e se deu por satisfeito com isso, pouco se importando com o resto do show, que no geral foi bom. As músicas novas são boas, mas devido às circunstancias deixaram um clima estranho na platéia. Resta agora esperar pelo disco que sai em breve. (Por Marcos Alves)


Portugal. The man - Palco Interlagos (17:00-18:00)
Portugal. The man - Fonte: Território da música
Uma das bandas que eu mais estava ansioso pra ver, além de fã a anos, a banda atualmente está em seu melhor momento, colhendo os frutos do ótimo Evil Friends, seu disco mais pop até então. Após um pequeno atraso por aparentemente problemas nos teclados, sem rodeios a banda entra no palco e abre o show com Purple Yellow Red and Blue como de costume. Pelo público aglomerado na frente do palco é possível ver que a banda já sustenta uma fanbase razoável por aqui e pode tranquilamente vir para show solo em alguma casa de shows como o Cine Joia, na verdade deve, pois é bem claro que a banda apesar de ter feito um bom show sob forte sol e em local aberto, com certeza funciona melhor em casas fechadas. 


O setlist foi sustentado principalmente pelas canções de Evil Friends que foram cantadas por boa parte do público, mas ainda teve espaço para a icônica Day Man da sitcom It's Always Sunny In Philadelphia, alguns outros hits de discos anteriores como So American e People Say, além de um cover de Another Brick In The Wall que se transforma novamente em Purple Yellow Red and Blue para fechar o show. (Por Koticho)

Lorde - Palco Interlagos (18:30-19:30)
Lorde - Fonte: Território da música
Na crista da onda, Lorde atraiu um grande público para o palco Interlagos. A cantora em uma hora de apresentação deixou bem claro o porquê de tanta devoção.

Dona de uma performance eletrizante, a jovem artista era só sorrisos e não se cansava de elogiar a devoção dos brasileiros. O setlist, logicamente, privilegiou o seu elogiado disco de estréia Pure Heroine (já resenhado por aqui) e continha mais duas covers: "Hold my liquor", de Kanye West, e "Easy" do Son Lux. O mega hit "Royals" foi deixado para o final gerando um dos maiores coros do festival.

O futuro desta revelação pop é incerto, mas poder assistir a neozelandesa foi um privilégio. Se o hype e as pressões do mercado irão permiti-la seguir adiante só o tempo irá dizer. (Por Bruno Lisboa)

Nine inch nails - Palco Ônix (19:55 - 21:25)
Nine inch Nails - Fonte: Território da música
A noite caia no distante autódromo de Interlagos e uma multidão que crescia gradualmente se amontoava na frente do palco Ônix. A ansiedade aumentava a cada segundo que passava, a cada luz que se apagava e a cada vez que a música que tocava ao fundo parecia se encerrar. Eis que a espera acabou e após uma pequena introdução que consistia em um mash up de ‘Pinion’ e ‘The Eater Of Dreams’ a platéia explodia ao som da bateria asfixiante de ‘Wish’.

Sem enrolação, sem “boa noite”, sem “obrigado”, sem frases em português decoradas e carregadas de sotaque, só a música, seca e direta atingindo o público como um soco na cara que já estávamos esperando há muito tempo e foi perfeito. Um show para deixar qualquer fã de queixo caído. Uma formação crua, apenas quatro integrantes, um palco bem mais simples do que aqueles que vemos em vídeos da banda pelos Estados Unidos e Europa e ainda assim era exatamente o que nós, fãs brasileiros, precisávamos.

O set list escolhido passeou por toda a carreira do Nine Inch Nails. A banda não dava descanso e o hit ‘March Of The Pigs’ incendiou a platéia. Trent Reznor parecia animado, dentro do que pode se esperar de animação por parte dele, e deixou a platéia cantar o refrão de ‘Piggy’ enquanto ele gritava o mesmo fora do microfone. O baixo tocado por Ian Rubin em ‘Sanctified’ impressionou pelo peso. Em seqüência tivemos ‘Disappointed’ e ‘All Time Low’ na qual Trent cantou um pequeno trecho de ‘Closer’ que mesmo com os apelos da platéia, não foi tocada. Ainda teve espaço para ‘Burn’, ‘The Great Destroyer’ com mais de dois minutos de destruição eletrônica ao final, ‘Gave Up’, ‘Beside You In Time’ com Trent esquecendo a letra. O show se arrastava para o final e ‘The Hand That Feeds’ e ‘Head Like A Hole’ terminaram de esgotar a energia da platéia que pulava e cantava a letra completa de ambas as músicas.

Ao cair das luzes o show se encerrava com o clássico absoluto ‘Hurt’, cantada em coro pela platéia em um momento que impressionava pela beleza melancólica que transmitia. O show que tanto aguardávamos terminou e enquanto talodos marchavam morro acima apenas uma certeza pairava no ar... the pigs have won tonight. (Por Marcos Alves)

Muse vs Disclosure / Encerramento

A noite ainda se seguiria com apresentações de Muse, cujo som estava baixíssimo e com  cara de playback, e Disclosure em palcos distintos, mas o cansaço e desinteresse de nossa parte resultou no não registro de ambas apresentações.

Descansar também era preciso, afinal ainda haveria outro dia à mais de festival.

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