terça-feira, 6 de maio de 2014
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Porco na cena #38 - O malfadado público de hoje, a lei de incentivo à cultura ou como tentei ver o Thiago Pethit no Som Clube

2 comentários
Material promocional
Após hiato de 14 anos, a iniciativa de trazer artistas para tocar ao ar livre, em plena Savassi (coração da zona sul belo horizontina) e de graça está de volta. O projeto Som clube prioriza por artistas nacionais, cujo trabalho tenha certa relevância no cenário musical, e para esta edição Alessandra Maestrini, Thiago Pethit e Marcelo Jeneci foram os selecionados pela curadoria.

Financiado pela lei de incentivo à cultura e a Claro, o evento em si propicia aos desmazelados a oportunidade de acesso à cultura de qualidade. Fator este de grande valia. Afinal, num país que cujos ingressos são caríssimos e onde se faz necessária a criação de um vale irrisório de R$ 50,00 para que público possa "fazer parte da cena" é ridículo por demais.

Tudo certo até aqui, mas muito incomoda o comportamento do grande público presente como pude observar no dia 02 de maio quando Thiago Pethit se apresentou. Infelizmente, quem vai à apresentações diversas e, geralmente, gratuitas não presta nenhum respeito ao artista que apresenta o seu trabalho. Aparentemente, o mesmo só está ali para criar a trilha sonora para que eles possam colocar a conversa em dia. O que seria um show, muitas das vezes vira ponto de encontro.


Outro questionamento vale ser ressaltado: do que adianta promover eventos para as massas, se tal informação não chega as mesmas? Bastava um breve olhar para perceber que maioria em si eram jovens de classe média/alta cujo caráter "antenado" fez com que soubesse da apresentação e estivesse ali na dada hora. Que fique claro: nada tenho contra o poder aquisitivo de qualquer um, mas se a lei veio para suprir a demanda popular porquê isto não chega as mesmas? Tal resultado acaba por si só sendo segregador, tais como outras tantas iniciativas governamentais. De certo o artista não é de cunho popular, mas incomoda ver sempre as mesmas rostos em eventos deste porte.

Enfim, após a lavação de roupa suja vamos ao que interessa.

Material de divulgação do evento
Alheio à tudo isso, Thiago Pethit subiu ao belo palco, projetado por Gustavo Penna, e seguiu a risca a sua aclamada turnê. Nesta edição especial, o cantor priorizou o repertório focado nas canções presentes em filmes do canadense David Lynch.

Contanto com um sexteto afinado e apostando na diversidade, Pethit pincelou pérolas presentes na vasta filmografia do diretor. Após introdução incidental remente à Cidade dos sonhos, a canção título de Veludo Azul fora executada com destreza e delicadeza. Ainda da obra de 1986 veio "In dreams", balada clássica de Roy Orbison. De Wild at heart vieram "Be-bop-a-lulla" de Gene Vincent, "Wicked game" de Chris Isaac e "Love me tender", eternizada na voz de Elvis Presley. De Lost Highway as faixas selecionadas foram "I'm deranged", baticum poderoso de David Bowie e "Insensatez" de Tom Jobim. Para o fim, após breve discurso irônico sobre ter se "vendido" ao governo por aceitar cachê via dinheiro público, Thiago reservou para o bis "Devil in me", única canção própria no set, e uma versão poderosa de "I put a spell on you", de Screamin' Jay Hawkins, também de Lost Highway.

Mas nem só de música de qualidade a apresentação se baseia. Tal como um autêntico performer, Pethit esbanja carisma e interage com a platéia lançando piadas e histórias inúmeras. Somado a isso, a sua teatralidade impressa durante as canções contribui diretamente a interpretação do seu repertório. A sua entrega a cada verso entoado, suas pausas e olhares são reflexos de personagens lynchianos que o cantor incorpora garantindo assim o sucesso de sua homenagem prestada.

Por fim, se valer meramente pelo do sucesso da apresentação é piegas por demais. O público de hoje precisa se reeducar para fazer com que vergonhosa situação visualizada cesse. E somado à isso, também fazer com o acesso irrestrito à cultura seja uma prática vigente. Cabe aos nossos governantes e aos nossos produtores culturais fazerem com que a redoma de vidro seja destroçada e que cada vez mais possamos ver gente de todo tipo em eventos como este.

2 Responses so far.

  1. Kra não sei se tu es da mesma opnião mas aqui nessa roça asfaltada capital de Minas, o grande problema é a falta de comunicação nem mesmo os projetos urbanísticos para a cidade são divulgados, veja a implementação do MOVE quem o utiliza ainda tem duvidas sobre como ele vai funcionar, o que dirá a divulgação de eventos culturais o normal éh sabermos depois do mesmo já ter ocorrido.
    Agora qual publico se esperar de em um evento patrocinado por uma empresa de telefonia com o subsidio do estado e pouca ou nenhuma divulgação sobre o evento? Ao meu ver um publico pequeno já pre-estabelecido cujo os interesses são outros que não a diversidade e evento cultural.

  2. Vivenciamos um grande problema nesta cidade e enquanto não houver o exercício de uma política de ideal comum não iremos à lugar nenhum. Andamos à passos cada vez mais lentos do que podemos chamar de noção de democracia. Quando iremos chegar à otimização disso só Deus sabe.

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