sexta-feira, 23 de maio de 2014
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The Roots - ... And then you shoot your cousin

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Gênero: Hip-hop
País: Estados Unidos
Ano: 2014

Comentário: Os Roots mudaram bastante desde seus primeiros discos. Ao longo de quase duas décadas, o grupo manteve seu som - incontestavelmente hip hop - mas, naturalmente, transformou-se, arriscando novas sonoridades em diversos affairs com outros estilos. Ainda assim, desde as claras influências do Jazz, Soul e Funk - todas habilmente coordenadas pelos membros da banda, connoisseurs e fãs dos gêneros - até outras que vão e voltam de acordo com o release, como alguns gêneros da música eletrônica e a música pop, o conjunto americano conseguiu se manter relativamente fiel a sonoridade que lhes consagrou em primeiro lugar.

Por isso, &TYSYC é um disco previsível. Há alguns anos, Questlove, Black Thought e sua turma fazem pequenas incursões em uma sonoridade mais contida e eletrônica, até atmosférica, do que de seu som 'clássico', mais agressivo. E essa previsibilidade é, ao mesmo tempo, a fraqueza e o ponto forte do disco. Temos músicos inspirados fazendo o que sabem bem. Mas também temos músicos de altíssimo nível com receio de ir mais além.

Tomemos os dois únicos membros originais do grupo: Questlove e Black Tought. O primeiro, talvez o baterista mais importante do hip-hop, ótimo produtor, grandíssimo conhecedor de música e de suas experimentações, faz um disco medíocre para o seu próprio padrão. A bateria é competente, suas batidas presentes sempre no momento certo. Transita entre diversas levadas, desde algumas mais jazzísticas, à outras minimalistas, tendo inclusive momentos de break. Para muitos outros, seria mais do que uma ótima exibição. Mas para alguém que já lançou clássicos como Things Fall Apart e participou de discos do auge de artistas do naipe de Common e D'Angelo, é quase impossível não sentir que &TYSYC foi feito no piloto automático.

O mesmo pode ser dito do segundo. Na minha opinião, um dos maiores mcs de todos os tempos, com uma produção assombrosa e um nível de qualidade altíssimo, ao longo de pelo menos 20 anos - contaria nos dedos outros rappers de tamanha consistência - Black Thought faz um disco sem o brilhantismo de seus pontos altos. Temos, é claro, versos impactantes, como na primeira música, Never. Mas nada que justifique o álbum. É possível argumentar, inclusive, que os freestyles recentes do dito cujo estão melhores que o seu som de estúdio.

O álbum inteiro, vê-se, tenta tirar o habitual protagonismo da dupla, um esforço louvável, ainda que tenha se provado não muito benéfico. A bateria, normalmente força motriz do som da banda, fica em importância menor, cedendo lugar ao piano. Sua habitual intensidade dá lugar a pronunciados silêncios de batida e a uma atmosfera eletrônica. O rap dá lugar a diversos refrões e sessões cantadas que, apesar de bem trabalhadas e inseridas, parecem destoar do compacto som. Músicas como Tomorrow, que fecha o disco, são os destaques, justamente por ir em direção ao som mais encorpado e repleto de camadas que o hip-hop do The Roots sempre prezou.

Conceitual, o disco não passa a mensagem de maneira muito pungente. Visando tratar da violência na América, a sonoridade reflete, de fato, uma atmosfera triste e, até certo ponto, desolada. Mas os refrões, com frequência, acabam por animar e subir o tom das canções, matando um pouco com um contraponto não muito bem estruturado. O que não quer dizer que as participações especiais sejam ruins; são refrões e vozes competentes, mas que não caem bem no conjunto atmosférico do disco. As letras, de bom gosto e bem escritas, não salvam a tentativa. Menos sentido estético fazem as inserções de músicas de outros artistas, como Nina Simone, que interpolam o disco em certos momentos, sem mais nem menos.

Mas não me leve a mal: ... And then you shoot your cousin é um bom disco. Para fãs da banda, para fãs de hip-hop, soul, enfim, de black music como um todo. Mas é inevitável se decepcionar ao tomar-se conta de que esse é um álbum feito por uma das maiores bandas de hip-hop de todos os tempos. É, ouso dizer, insosso. Para um grupo com mais de 20 anos de carreira e experimentações bem sucedidas, tendo tido 3 anos para trabalhar em um novo álbum, é normal que o ouvinte se sinta com um placeholder em mãos; uma coletânea de 30 minutos feita no entre-tempo de turnês extensivas e o trabalho diário no Tonight Show.





Tracklist:
01. Theme from the middle of the night (cantado por Nina Simone)
02. Never
03. When the people cheer
04. The Devil (cantado por Mary Lou Williams)
05. Black Rock
06. Understand
07. Dies Irae (cantado por Michael Chion)
08. The Coming
09. The Dark (Trinity)
10. The Unraveling
11. Tomorrow

Download: MEGA


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