domingo, 1 de junho de 2014
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Anathema - Distant Satellites

2 comentários

Gênero
: Progressive/Atmospehric Rock
País: Inglaterra
Ano: 2014

Comentário: Pouparei-me de comentários acerca da biografia do Anathema, uma banda tão importante pra esse blog que se você está aqui muito provavelmente ou você já a conhece e é fã ou em breve tornar-se-á. Distant Satellites é o mais recente de uma vasta discografia de álbuns de estúdio e uma série de outros releases da banda inglesa que ajudou a consolidar o Death/Doom Metal no início dos anos 90 e posteriormente gradativamente migrou para uma sonoridade caracteristicamente melódica e melancólica, tocando as raias do Atmospheric Rock, Prog Rock, Post Rock e similares, porém com um toque completamente original e intenso especialmente criado pelo guitarrista e principal compositor da banda, Daniel Cavanagh. Nos últimos anos a sonoridade do Anathema recebeu uma série de inovações, como a inclusão definitiva de Lee Douglas, fazendo vocais femininos em par com os já característicos vocais apaixonados de Vincent Cavanagh, e um toque mais progressivo à sonoridade - que não é algo exatamente novo, desde de pelo menos A Natural Disaster em 2003 a sonoridade do Anathema é profundamente progressiva, pra não dizer antes.

E não por acaso, A Natural Disaster é, particularmente, meu álbum favorito do Anathema. Especialmente pela mescla harmoniosa de melancolia e abstração atmosférica, inclusive com elementos mais exóticos como leves toques eletrônicos. No entanto, desde 2010, com o lançamento de We're Here Because We're Here, o Anathema recebe a colaboração na produção de Steven Wilson, produtor e músico inglês conhecido pelos seus trabalhos solo, inúmeras colaborações, outras produções de bandas como Katatonia e Opeth e especialmente pelo Porcupine Tree. Mas a presença de Steven Wilson na produção de qualquer disco sempre deixa marcas mais fortes que o normal. Se em We're Here Because We're Here as coisas soaram meio estranhas de começo, em Weather Systems, de 2012, já estávamos bem mais acostumados e tudo soou bem mais "anathema" e menos "steven wilson". Mas em Distant Satellites temos um gosto de estar ouvindo algo que não é o Anathema em alguns momentos. E, muito embora as bandas experimentarem novas sonoridades seja algo que eu fortemente apoio, essa "experimentalidade" influenciada pelo progressivo característico de Steven Wilson já está realmente me frustrando.

Distant Satellites começa com uma dupla de faixas perfeitamente similares ao disco anterior da banda, The Lost Song Part 1 e 2. Com destaque total a parte 2, com lindos vocais de Lee Douglas. Dusk (Dark Is Descending) animava fãs quando da divulgação da tracklist do álbum, pelo nome sugestivo e a capa do disco remetendo aos lançamentos primordiais da banda. Embora não tenha nada de old school na sonoridade, Dusk é uma boa faixa, talvez uma das melhores do disco. Ariel tem um clima nada surpreendente, porém perfeitamente agradável à fanbase da banda, e não decepciona - embora não cative. The Lost Song Part 3 tem uma pegada já bem mais progressiva, mas ainda mantendo a harmonia - especialmente com os vocais de Vincent e Lee aparecendo juntos e uma ótima percussão. Um pedaço da faixa já era conhecido pelos fãs previamente ao lançamento do disco, e em geral com boa recepção, e não frustra.

Porém, da metade pra frente o disco se transforma em algo que mais parece um experimento de Steven Wilson que um disco do Anathema. Anathema, em si, é uma faixa onde o clima como um todo começa a perder o feeling e se tornar mais focado no instrumental que nos vocais. O que só seguraria o feeling do começo do disco se esse instrumental fosse realmente intenso e profundo, o que não é. Daniel Cavanagh ainda tenta manter o clima caraterístico com boas guitarras e solos, mas a avalanche de outros elementos, como os sinfônicos, eletrônicos e atmosféricos, tornam as coisas bem menos orgânicas e mais megalomaníacas do que deveriam ser. E isso, amigos, é a marca registrada do Steven Wilson. Em You're Not Alone essa experimentação extrapola todos os limites. Se no início da faixa a estranheza nos vocais ainda era plausível e até mesmo agradável, do meio pra frente a faixa é estragada com uma dose cavalar de progressividades nonsense que nada, absolutamente nada tem a ver com a sonoridade do Anathema. Fireflight, a próxima faixa, então é apenas um longo instrumental atmosférico baseado num orgão, servindo de meio que introdução para a faixa título, que vem a seguir.

Distant Satellites, a faixa, apesar de começar com batidas eletrônicas cheias de glitch, ainda fica bem interessante quando os vocais de Vincent começam a participar do experimento. Mas infelizmente o feeling não dura muito tempo nos 8 minutos da música, começando a ficar enjoativa logo cedo. Mas não me entendam mal, a batida eletrônica e os elementos em geral que compõem a música não me desagradam, apenas estão completamente mal organizados a ponto de desfigurar completamente a musicalidade do Anathema. Mesmo assim, Distant Satellites ainda é um máximo local no domínio das experimentações progressivas do disco, que fecha com Take Shelter, que como previsto para uma conclusão de um disco que da metade pra frente apostou em "progressividade", é uma viagem atmosférica sem muito a adicionar à experiência do álbum.

A influência de Steven Wilson em bandas como Katatonia, Opeth e agora Anathema é visível e inquestionável nos trabalhos que essas bandas criaram nos últimos anos. E isso, francamente, já está completamente saturado aos meus ouvidos particularmente. Incluir elementos experimentais e progressivos não é nada que me desagrade, porém sempre a mesma fórmula pra fazer isso torna tudo repetitivo e cansativo, algo que definitivamente a música progressiva não deveria ser. Distant Satellites, o disco, é uma experiência bipolar divida exatamente na metade do disco, com 5 músicas do Anathema que nós conhecemos e 5 músicas de um Anathema ainda muito estranho, que pode ser que eu me arrependa de dizer isso daqui alguns anos, mas que eu espero realmente que pare por aí. O disco termina sem nos dar vontade de ouvir novamente, embora eu recomende. Na segunda ouvida tudo pareceu menos trágico e as faixas iniciais mostraram-se não tão ruins quanto eu pensava. Mas nunca, jamais, escute o álbum fora de ordem.




Tracklist:

1. The Lost Song Part 1 (5:53)
2. The Lost Song Part 2 (5:48)
3. Dusk (Dark Is Descending) (6:00)
4. Ariel (6:28)
5. The Lost Song Part 3 (5:22)
6. Anathema (6:40)
7. You’re Not Alone (3:26)
8. Firelight (2:43)
9. Distant Satellites (8:17)
10. Take Shelter (6:07)

Download:

MEGA

2 Responses so far.

  1. mauricio says:

    A melhor sonoridade e que mais encaixou com essa nova fase do Anathema, está no Weather Systems acompanhado do we're here because... a mescla desses 2 álbuns, daria um álbum maravilhoso!

  2. mauricio says:

    O que não aconteceu […]

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