terça-feira, 24 de junho de 2014
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Ludov - Miragem

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Gênero: Alternative rock
País: Brasil
Ano: 2014

Comentário: Na estrada desde 2002, época em que o hit singelo "Princesa" era bastante veiculado na MTV Brasil, o Ludov era exemplo de que a nova cena de bandas brasileira safra 00's estava em alta graças aos trabalhos de bandas Brasil afora como o Bidê ou Balde, Pitty, Cachorro Grande, Vídeo Hits e CSS que despertaram o interesse do grupo público e do mercado fonográfico, que mudaria bastante até os dias de hoje.

Passados 12 anos, entre mortos e feridos e mudanças substanciais na maneira em como as pessoas lidam com a música, a banda paulistana formada por Vanessa Krongold, Mauro Motoki, Habacuque Lima e Paulo Chapolin  segue viva como pode ser comprovado em Miragem (Tratore), disco que representa um novo caminho para banda neste mercado musical totalmente modificado.  

Rompendo a sequência de EPs, a trilogia iniciada em 2011 com Minha economia, seguido de Paraíso (2012) e encerrada em Eras glaciais de 2013 (todos lançados via campanha de crowdfunding pelo catarse.me), o Ludov volta ao formato álbum. Produzido por Arthur Joly, dono da extinta gravadora Reco-Head, celeiro de bandas como Stop Play Moon, Fábio Góes, Cérebro Eletrônico entre outras, o álbum sucessor de Caligrafia (2009) segue inicialmente tradicional proposta sonora da banda: transformar casar a tristeza latente ante as relações humanas com doses de esperança, em canções muito bem trabalhadas e grudentas, mas com grandes surpresas para os antigos fãs.

Composto basicamente de forma coletiva, Miragem esbanja maturidade e tem em suas 10 faixas, predominantemente acinzentadas e com orientação cada vez mais próxima ao rock alternativo, uma nova proposta sonora. O disco tem canção de abertura a atmosférica "Copo de mar", primeiro single com autoria de Habacuque Lima e Tainá Azeredo, cuja letra é ode as relações desgastadas como expressam os versos iniciais “o mar que você me deu, não servem para navegar”. “Na fila do B52's" mantém o clima lúgubre com bela atuação vocal de Vanessa Krongold e tem como contraponto um coro de vozes que atenuam o tom dramático da letra. Há de vangloriar aqui o trabalho cometido por Piero Damiani que além compor a ótima “Sétima arte” orientou os arranjos vocais que permeiam todo o álbum. "Cidade Natal", segundo single e que ganhou vídeo clipe de rara beleza com direção de Habacuque, promove em letra o retorno ao passado de tempos remotos que não voltam mais. A ligeiramente ensolarada e pop "Quem cuida da casa" é talvez umas das melhores canções criada pelo grupo, graças a sua simplicidade de três versos, o lado adocicado da letra, as harmonias vocais que novamente se fazem presentes e o melodioso baixo de Hurso Ambrifi baixo se destacam. A entrada de Hurso, velho conhecido da cena paulista com atuações ao lado de Thiago Pethit e Bruno Morais, deve ser mencionada, pois além colaborar nas composições, ele faz de seu instrumento de ofício algo muito mais presente na musicalidade da banda agregando suingue a azeitada cozinha. A acelerada "De cima do muro" lamenta, poeticamente, a urgência dos tempos modernos como entregam os versos “sinto o tempo na ponta dos dedos, o futuro que não posso tocar”. "Reparação", canção de Mauro Motoki, é puro Beatles em balada dominada por sintetizadores que remetem ao trabalho cometido pelo produtor que constrói o próprio instrumento (conheça mais este trabalho aqui http://www.recosynth.com/?p=577) e cresce absurdamente em sua segunda metade resultando em algo belíssimo. A basicamente acústica "Perspectiva" aborda o receio de medo de encarar o mundo como somos. A já citada "Sétima arte" fala de coragem ante o medo de ser protagonista de sua vida. Novamente uso dos sintetizadores dão o tom na derradeira "O fim da paisagem", faixa que expõe de forma simples o grande espetáculo e surpresa reservam a simples contemplação da natureza.

Com arte de capa feita por Gabriel Bá (premiado quadrinista brasileiro, autor da versão graphic novel de "O alienista" clássico da literatura escrito por Machado de Assis) e design gráfico de Edu Filomeno (ex-integrante da banda) inicialmente, Miragem será lançado somente em vinil (projeto já viabilizado também via catarse.me) fatores estes também que agregam valor ao bolachão.

De fato, os tempos áureos onde bandas independentes atingiam o mainstream parecem não retornar mais, mas em contrapartida o trabalho realizado pelo Ludov comprova que a cena independente sobrevive, mesmo que à duras penas, por conta própria. Miragem, é mais um belo exemplo desta seara e faz parte do seleto grupo de grandes discos deste ano tal como De lá não ando só, do Transmissor,  Encarnado, de Juçara Marçal, só para citar dois exemplos, tamanha qualidade impressa em seus 38 minutos de duração, provando que nem só de ilusões vive o rock tupiniquim.

[Site / iTunes]

Tracklist:

A1. Copo de Mar
A2. Na Fila do B52′s
A3. Cidade Natal
A4. Congelar
A5. Quem Cuida da Casa
B1. De Cima do Muro
B2. Reparação
B3. Perspectiva
B4. Sétima Arte
B5. O Fim da Paisagem

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