sábado, 14 de junho de 2014
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Porco na Cena # 40 - Autumn Darkness Fest

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Doom em São Paulo num domingo à noite? É óbvio que iria chover, ficar enevoado, e os carros iriam liberar suas baforadas tóxicas no trânsito deixando o ar o mais sufocante possível - e aproveitar pra deixar uma neblina negra e densa nas avenidas e becos. O domingo do dia 18 foi um domingo bastante (in)feliz; opções de show não faltavam. Este post bem que poderia ser sobre o Therion, o Rotting Christ ou até mesmo do Roça n Roll que estavam rolando naquele mesmíssimo dia (o que justifica o ''in'' pequenininho que eu coloquei lá atrás). Apesar disso, o público doom foi em peso prestigiar mais um evento, enfrentando as chuvas que parecem nos fazer visita em dias assim.

Afinal, se em São Paulo até pra samba cai garoa, então pra Doom precisa ser daquelas tempestades dignas de uma caçada a Moby Dick em alto mar.

Créditos a Fernando Nokturnal Mortum por ceder gentilmente as fotos e vídeos desta resenha.


DEAD REWARD


Apesar de ser pertinho do metrô Barra Funda, a Livraria da Esquina me rendeu uma boa caminhada. O labirinto que a rodoviária, o metrô e as ruas criavam piorava com o querido trânsito paulista. Por sorte, me encontrei com gente - também perdida - rumando pra lá, e aí pudemos nos perder em conjunto.

A livraria é um baita espaço legal que tem aquele climão típico do underground musical (que mantém os padrões, quer sejam bandecas acústicas de camisas-xadrezes barbados, quer seja um sludge doom straight edge): cadeiras espalhadas de forma a deixar alguém com TOC bastante entretido; um palco que relativamente consegue abrigar mais do que um trio de músicos; e livros espalhados pelas prateleiras dando aquele ar de um sebo recém inaugurado.

O Dead Reward chega de mansinho ao palco  mandando ver seu Death/ Doom como qualquer tradicionalista gosta, já que o som da banda não traz lá inovações - e teimo em dizer, não muita originalidade na verdade... mas com alguns bons pontos altos nas músicas, melodias razoavelmente bem construídas. Os vocais guturais são brutos e os vocais limpos, que de vez em quando dão as caras, são bem retraídos, quase como se estivessem entoando um poema. A música, quando aparece junto desses vocais, é guiada por eles e não o contrário.

Ademais, o ritmo da banda vaga no meio termo do cadenciado e do ligeiro; alguns riffs são realmente ótimos e dão às músicas uma cara bastante empolgante.

Setlist

1 - Failure
2 - Loneliness and Sadness 
3 - Choices 
4 - Insomnia 
5 - Your Weakness
6 - Crossing Over



BULLET COURSE


O festival estava realmente muito bem organizado, pois mal saiu o Dead Reward de cena e já subiu o Bullet Course, velha conhecida do povo doomster do panorama Paraná - São Paulo. Sinceramente, não vejo o post rock que a banda diz abraçar em seu som (aliás, existe um pouco de post rock, mas bem pouquinho). É um Doom/ Death, na linha do Dead Reward, trazendo os grandes chavões do estilo, mas com algum abrandamento em melodias mais enebriantes, cadência marcada e bons dedilhados. Os vocais são medianos e, principalmente os limpos, acabam não soando tão bons como deveriam, destoam da melodia. Esse é o perigo de se fazer vocais graves quando vocais médios podiam fazer um trabalho bem melhor.

Já havia visto a banda em um doomfest anterior, com o som prejudicado a ponto de eu não ouvir os riffs. Desta vez o som estava muito mais audível. A banda tem muitos bons momentos de inspiração nos riffs e ''refrãos'' (e por refrão, entenda aquela melodia que repete ao longo das músicas), com destaque na Desolate Room.

Setlist

1 - November 
2 - Desolate Room 
3 - Magra Existência 
4 - Wild 5 - Rusty Leaves Fall 
6 - River of Needles



KRONI


Eu já sacava o Kroni daquele festival em BH, o tal do Exhale the Sound. Pois o show dos gajos aqui foi tão cabrunco como o do ETS. Aliás, foi exatamente tão cabrunco como fora antes. Aquela BAITA pegada Burning Witch, mais raivosa, mais ligeira, mais nervosa.Vocais que trabalham pra invocar o satanás dentro de você. 

O estranho foi ver o povo doomster totalmente estático na hora do show. Pô gente, isso aqui não é show cvlt de Black Metal pra ver de braço cruzado!! É o tipo de som que deveria tocar na abertura da Copa. E ainda digo que esse show foi mais daora que o show do Exhale the Sound.

Setlist

1 - Death of Your Light 
2 - Born to Die 
3 - Weight of the Sky 
4 - Dope War



SATURNDUST


Bicho, eu tava ficando preocupado porque já era finzão do domingo à noite e pra quem mora nos subúrbios da região metropolitana de São Paulo fica meio tenso chegar em casa antes de o metrô fechar. E como o Saturndust tinha sido apontado como o ''Electric Wizard brasileiro'' (com a ressalva de que essa afirmação era um pouquinho exagerada), eu precisava ver pelo menos umas duas músicas dessa banda/ dupla. Acabei arriscando e fiquei até o fim mesmo, não seria a primeira vez que eu iria precisar dormir naqueles hotéis baratos em frente ao metrô.

Que a banda é o Electric Wizard brasileiro eu não digo, mas que é um daqueles stoner empolgante bem loco, isso é; outro som que, cara, não dá pra ficar estático ouvindo. Tem que ter um copão de absinto pra te acompanhar ali na hora. Como antes dito, o Saturndust estava em dupla porque seu baixista havia largado a banda poucos dias antes (fato que o vocal e guitarra Phil Dalam apontou com apatia). E na moral, não é pelo fato de o baixista ter largado mão da banda no último momento (se esse foi o fato realmente), mas o baixo ali não fez tanta falta não. Os ecos do vocal e a guitarra faziam um baita trampo, a bateria segurava o tranco num ritmo lerdão. Climaço que fechou a noite de Doom grandiosamente mais uma vez em São Paulo.




Setlist

1 - Mardi Gras 
2 - The Black Mirage 
3 - Hyperion 
4 - Sons of Water

BASTIDORES

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