domingo, 29 de junho de 2014
Avatar

Porco na cena #41 - Nação Zumbi em BH

0 comentários

Em estúdio ou ao vivo? Esta é uma das questões mais pertinentes dos adoradores da música. Afinal, quantas e quantas vezes nos deparamos com artistas que funcionam muito bem em formato gravado e pecam ao vivo? Ou ao revés, cometem versões magistrais ao vivo de canções que não funcionaram em certo álbum? Esta transição encontra dificuldade pelo fato de que são raros de artistas que não se rendem à mera reprodução de um registro fonográfico, mas os executa indo além do que já nos é conhecido. Partindo deste princípio, a apresentação da Nação Zumbi realizada ontem (28 de junho) em BH atinge brilhantemente tal propósito.    

Com mais de 20 anos de estrada à fora é incrível perceber o quão espetacular é a Nação Zumbi ao vivo. Esta foi, pelas minhas contas, a sexta vez em que os assisti em solo mineiro e o nível de energia destinada ao público, marca registrada da banda, é tamanho que impossível torna-se impassível ante ao espetáculo promovido.

Partindo da miscelânea de toda a carreira, dividida em oito geniais álbum de estúdio, a banda iniciou a apresentação com a pulsante "Foi de amor", pesada faixa presente no mais recente álbum do grupo, que incitou as primeiras rodas de pogo, dando o tom de tudo o que se veria noite adentro. Peso, aliás, é o melhor adjetivo para descrever o diferencial das apresentações ao vivo dos recifenses. Se em estúdio as faixas, por vezes, soam mal condensadas devido à elevada gama de instrumentos, tal "erro" é corrigido ao vivo já que tudo soa bem equalizado e grandioso. A ala percussiva, liderada por Gilmar Bola 8 e Toca Ogan, ganha em presença, deixando ainda mais densa as inumeradas camadas sonoras criadas pelos seus parceiros de banda. Lucio Maia, um autêntico guitar hero tupiniquim, leva ao extremos suas inúmeras notas, riffs e solos, entregando uma performance provocativa e eletrizante. À Dengue, baixista, e a Pupilo, responsável pela bateria, cabem os cuidados da cozinha que soa ainda mais azeitada frente à frente. Se Jorge du Peixe peca como frontman no quesito carisma, o mesmo emprega a sua linear voz numa performance segura em caráter de compensação.

Voltando ao setlist, faixas do mais recente rebento (a já citada de "Foi de amor", mais "Defeito Perfeito", "Bala perdida", "Cicatriz", "Um sonho" e "Pegando fogo") conviveram em perfeita harmonia com o repertório antigo. Celebrando os 20 anos do álbum de estreia, o atemporal Da lama ao caos, a banda executou "Rios, pontes e overdrives", canção esta que deu vazão a nostalgia ao público presente que bradou a plenos pulmões canções como "A cidade" e a faixa título. Para o bis, "Etnia", de Afrociberdelia, e o hino "Quando à maré encher", momento onde novamente o caos frenético se instaurou, retirando os resquícios de vitalidade do esgotado e feliz público presente.

Por fim, após esta fatídica noite, é possível talvez traçar o grande segredo para se atingir tamanha grandiosidade em apresentações ao vivo: ter um repertório à altura e com músicos capazes de se superarem de forma criativa. Parece simples, mas este difícil exercício, para alguns, segue aparentemente fácil sob os olhos da Nação Zumbi que segue, ano após ano, avassaladora em palcos mundo afora.                         
    
Setlist:

Foi de amor
Defeito perfeito
Bossa nostra
Fome de tudo
Bala perdida
Hoje, amanhã ou depois
Inferno
Meu maracatu pesa uma tonelada
Cicatriz
Cidadão do mundo
Manguetown
Um sonho
Blunt of Judah
Pegando fogo
Rios, pontes e overdrives
A cidade
Da lama ao caos
Etnia
Quando a maré encher

Leave a Reply

Link Off? Comente aqui mesmo ou na caixinha de bate papo ali do lado que a gente reposta rapidinho.

 
Ignes Elevanium © 2011 DheTemplate.com & Main Blogger. Supported by Makeityourring Diamond Engagement Rings

Poucos direitos reservados a nós e muitos para as bandas.