sexta-feira, 11 de julho de 2014
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Festival Conexão BH - Parque Municipal: 03 a 06 de julho

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Realizado há 13 anos na capital mineira o Conexão, festival grande relevância por estas bandas, é talvez o nosso maior exemplo de resistência cultural. Em tempos onde se discutem quais rumos devem ser seguidos neste oscilante mercado o mesmo segue de vento em popa trazendo o supra-sumo de artistas de todo o cenário nacional que por muitas vezes não alcançaram à merecida exposição.

Após a reduzida edição de transição do ano passado, realizada basicamente sem patrocínio, para 2014 os produtores conseguiram apoio via lei de incentivo e expandiram o festival para diversos da cidade: o Mercado das Borboletas, Sesc Palladium, Mercado do Cruzeiro, Casa do Jornalista e a estação São Gabriel do BRT Move.

Mantendo a tradição das edições anteriores, a Cria Cultura, produtora do evento, destinou ao Parque Municipal grande parte do line up que fora dividido inicialmente em três dias (3, 4, 5 de julho) e três palcos. Mas, devido ao luto oficial decretado pela Prefeitura relacionado ao acidente, a queda do viaduto resultando em duas mortes no último dia 3, as apresentações agendadas para o dia 4 foram transferidas para o dia 6.


Dia 03 de julho

Fonte: divulgação do evento
Iniciando os trabalhos do primeiro dia Otto, figura onipresente do festival, protagonizou uma das melhores apresentações do Conexão. Visivelmente embriagado, alcoolicamente e energicamente, o cantor pernambucano agiu como o figurino de suas apresentações pedem: dançou freneticamente no palco, interagiu com o público, foi de encontro a ele, entregando o seu corpo à multidão feminina sedenta. O repertório girou em torno de seus dois últimos discos (“Certa manhã acordei de sonhos intraquilos” e “The moon”), mas também resgatou a pérola “Ciranda de maluco”, um dos pontos altos da noite. O final apoteótico com “Seis minutos” corou a apresentação. Na seqüência a paraense Juiliana Sinimbú, aposta do selo Natura Musical, trouxe à tona toda a herança da nova e efervescente cena local. Se apresentando para um público reduzido, a cantora privilegiou o repertório de disco de estréia, “Una", obra onde promove o encontro de ritmos latinos diversos. Apresentação correta, mas que não funcionou para o evento.

Fonte: divulgação do evento
Para fechar a primeira noite Renato Godá debutou em palcos mineiros. Apostando no repertório construído em seus dois discos, o EP “Renato Godá” e “Canções para embalar marujos”, o cantor acabou encontrando de forma surpreendente um público conhecedor de seu trabalho que cantava à plenos pulmões suas canções românticas, canastras, em ode à amores vãos. A participação discreta de Javier Maldonado, cantor argentino, colocou ponto final na enérgica e sedutora apresentação do cantor paulistano.

Dia 05 de julho

Para o dia de sábado coube aos iniciantes mineiros do Cabezas Flutuantes iniciar o segundo dia de festival. O estranhamento ante a disparidade de instrumentos mal equalizados em sonoridades múltiplas perdurou atestando que a banda tem grandes idéias, mesclando influências diversas, do indie rock à MPB, mas que ainda precisam ser lapidadas no formato ao vivo. Na seqüência os paulistanos da Trupe Chá de Boldo deram o ar da graça numa apresentação divertidíssima. O combo formado por 11 músicos trouxe toda a bagagem sonora de seus ótimos discos, “Nave manhã” e “Bárbaro”, e aproveitaram o ensejo para tocar duas canções novas, a hilária “Diacho” e “Amores vão”, que farão parte do novo rebento à ser lançado ainda esse ano.

Fonte: divulgação do evento
Quase que ao mesmo tempo em que a Trupe atraia grande parte do público presente, Pélico iniciou a sua apresentação para um pequeno público no Palco Coreto. Optando pelo caminho esperado, o cantor e sua afiada banda de apoio privilegiou o repertório de seu mais famoso disco, o tristonho “Que isso fique entre nós” (2011), mesclando faixas de seu debut, “O último dia de um homem sem juízo”. Para o fim, a inusitada cover de “Você não entende nada”, hit de Caetano Veloso, fechou a apresentação em alta.

Enquanto isso, no Palco Conexão os paraenses do Strobo realizavam seu espetáculo. Misturando influências dispares, unindo a música regional ao groove funk setentista e batidas eletrônicas, o duo instrumental surpreendeu positivamente. Fechando a noite no Palco Coreto a banda Escola Pública ganhou o público presente graças à sua sonoridade. Eletrificando o samba, os baianos e suas canções de cunho social, que abordam temas do quotidiano, mostraram que a influência do conterrâneo Tom Zé ainda reverbera por aquelas bandas.

Dia 06 de julho


Fonte: divulgação do evento
Para o derradeiro dia Jennifer Souza, integrante do Transmissor, trouxe todo o caráter intimista de seu “Impossível breve” para o festival. Contando com uma exímia banda de apoio, Jennifer apresentou quase que na íntegra seu elogiado disco solo e a inédita “Ensemble Malgré La Distance”, faixa que deverá estar presente em seu próximo álbum solo. Sua voz, que ganha beleza ainda maior ao vivo, consegue transmitir de forma fidedigna toda a atmosfera criada em estúdio resultando numa das melhores apresentações do evento.

Fonte: divulgação do evento
Na sequencia, os mato grossenses doVanguart voltaram à BH realizando mais uma apresentação de qualidade. Pela segunda vez, a cidade recebe à turnê “Muito mais que o amor” e é visível como a banda cresceu artisticamente. Cada vez mais entrosada com o novo repertório, a banda tocou basicamente todo o recente trabalho mesclando hits como “Cachaça” e “Mi vida eres tu” e canções inesperadas como “Das lágrimas”, presente no segundo álbum “Boa parte de mim vai embora”. Percebesse também uma maior presença Fernanda Kostchak, violinista, que agora interage ainda mais com seus colegas de banda e se arrisca em outros instrumentos como o teclado. A banda, em performance elétrica, correspondeu em cheio o anseio do público ensandecido que foi agraciado com umas das melhores performances do festival.

Por fim, há de se vangloriar a iniciativa dos produtores do Conexão, pois graças a eles temos acesso à uma infinidade de trabalhos relevantes produzidos nacionalmente. O desejo de vida longa ao festival se renova a cada edição e esta, em especial, ficará na memória de todo público presente graças à tamanha qualidade impressa.

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