domingo, 24 de agosto de 2014
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Juçara Marçal e Kiko Dinucci - Padê

1 comentários

Gênero: MPB / Macumba
País: Brasil
Ano: 2008

Comentário:  Ultimamente, aqui no blog, tenho tentado postar algo que vá de encontro com músicas mais tradicionais, de raiz, que tenham uma ligação com uma certa resistência dentro de determinada cultura. Pois bem, creio que dentro dessa minha visão, “Padê”, se insere como um registro nacional que vai de encontro a esse pensamento.

“Padê”, álbum da Juçara Marçal e do Kiko Dinucci, ambos integrantes do Metá Metá, tem seu significado em uma comida ou oferenda oferecida nos rituais de candomblé para os exus e pombogiras, ou seja, desde o seu título o álbum se oferece como um registro espiritual nas bases das religiões africanas em solo brasileiro – sendo a umbanda uma religião desenvolvida aqui no Brasil e surgida até muito próxima de um local onde eu estudara.


Não sei se preciso me fiar a apresentar faixa por faixa do álbum, mas creio que uma visão geral também funcione. O álbum tem suas raízes no candomblé, logo, no samba de raiz, bem marcado, desses feitos ainda no tempo da escravidão. Nota-se nas letras e nas batidas toda uma preocupação em trazer esse contexto, de fato. Com a maioria de suas faixas sendo originais, o álbum percorre um caminho muito bem elaborado, flertando com o samba e tradições negras advindos de diversas regiões do Brasil, logicamente com o fundo lindamente explorado da macumba brasileira, e sim, para mim macumba é um gênero musical que o Brasil deveria aprender a respeitar deveras, já que dele desdobra-se um solo gigantesco para o cenário musical contemporâneo, até.


Falando um pouco das faixas, vemos diferenças nas sonoridades, nuances, ritmos mais agressivos, presente em “Engasga Gato / Casa Barata” e outrora sonoridades bem mais ritmadas, como a segunda faixa do álbum “São Jorge”, com um tambor tipicamente de macumba – aliás esses tambores são recorrentes no álbum inteiro e “Machado de Xangô”, música em referência ao Senhor das Pedreiras, Deus da Justiça. Aliás, podemos ver no álbum também, uma espécie de referência a uma Cosmologia tão bela e tão rica, que eu pelo menos, não consigo não me espantar com os mitos e ritos advindos da África.


Aliás, como já dito, também vemos no álbum inúmeras referências ao sincretismo religioso umbandista, na própria faixa em reverência a Xangô vimos claramente essa tendência religiosa criada no tempo da escravidão e que perdura até hoje. A interseção do catolicismo com a umbanda é algo que perpassa gerações e ensinada até hoje na religião. No caso aqui, Xangô é São João Batista. (aliás os minutos finais dessa faixa são incríveis, ela vai de uma batida ritmada a um tambor pesado e rápido, ritmado e catártico, incrível, incrível e incrível!)


Bem, com tudo já exposto só quero deixar registrado a linda e suave voz da Juçara, que nos momentos em que precisa cresce e se sobressai. Outra questão para ser anunciada aqui, as cordas, quando aparecem em primeiro plano como em “Batuque para Ney”, se fazem muito boas, perfeitamente unidas a estética do álbum. Pois bem, pois bem, não tenho muito mais do que discorrer sobre esse incrível registro, só que por toda essa energia e vitalidade que o álbum carrega, só por isso, já deveria ser ouvido, sem entrar em méritos culturais aqui, o álbum pelo álbum, até quem não se interessa pela estética/sonoridade da macumba deveria tentar apreciar “Padê”, é uma verdadeira ode ao Brasil, de fato.




Tracklist:
01. Padê
02. São Jorge
03. Machado de Xangô
04. Atotô
05. Jatobá
06. Cabocla Jurema
07. Mar de Lágrimas
08. Engasga Gato / Casa Barata
09. Samba Estranho
10. Velha Morena
11. Imitação
12. Batuque Para Ney
13. Bate Baú / Corujá Batuqueira
14. Roda De Samba

Download: MEGA

One Response so far.

  1. Anônimo says:

    Que coincidência! Acabara de redescobrir o álbum de José Prates "Tam… Tam… Tam…!" nesse moldes, quando me deparo com este post.

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