sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Avatar

#Porco na cena 43: Porão do Rock - Brasília (30/08)

0 comentários

Chegando à sua 17ª edição, o festival brasiliense Porão do Rock segue, ano após ano, cada vez mais relevante. Amparado por um grande público, cerca de 55 mil pessoas divididos entre os dois dias, a produção do evento trouxe para o estacionamento do estádio Mané Garrincha uma infra-estrutura gigantesca e um line up de peso contendo o supra sumo do rock nacional, em suas mais variadas vertentes, agregada à algumas atrações internacionais.

Line up dos dois dias. Material de divulgação 
Intercalado por 3 palcos, os shows aconteceram de maneira pontual e primaram pela mistura atrações de peso e bandas regionais, oriundas de várias seletivas realizadas pré-festival. O Ignes Elevanium esteve lá e conta como foi o primeiro dia de apresentações:





Brothers of Brazil


Supla em ação. Foto: Marcelo Costa
A picaretagem correu solta durante a apresentação do duo (as vezes trio) Brothers of Brazil. Caricatural, a banda utilizou dos mais variados arquétipos do rock primal ao mesclar poses, gestos obscenos, covers (John Lennon e The Doors) e letras beirando a infantilidade. O carisma de Supla é inquestionável, mas a originalidade passou longe desta apresentação que de maneira geral agradou ao público, muito provavelmente acostumado ao formato fast food produzido hoje.  

Ratos de porão


João Gordo. Foto: Marcelo Costa
Parafraseando o título de um clássico álbum do grupo, o Ratos de Porão segue a sua sina de estar cada vez mais sujo e agressivo. Em apresentação histórica, a trupe liderada pelo carismático João Gordo fez como manda o figurino: o pesado setlist privilegiou o antigo repertório ("Beber até morrer", "Aids, pop, repressão", "Diet paranoia", "Agressão/repressão" entre tantos outros clássicos) provocando caos deliberado e moshes inúmeros, inclusive na área da imprensa/vip. Entre uma porrada e outra, Gordo disparou impropérios à racistas, políticos e alienados conquistando ainda mais o grande público presente, resultando no que seria a melhor apresentação da noite.    


Nação Zumbi

Nação Zumbi - Foto: Equipe Porão do Rock
Amparado pelo ótimo disco novo, auto intitulado, os recifenses da Nação Zumbi optaram por intercalar canções novas ("Um sonho", "Cicatriz", "Foi de amor" que abriu o set) com canções de discos anteriores ("Inferno", "Hoje, amanhã ou depois", "Blunt of Judah"). Do clássico Da lama ao caos, disco que comemora 20 anos em 2014, vieram "Risoflora", pequena novidade do habitual setlist desta turnê, "Rios, pontes e overdrives" e faixa título deste clássico atemporal. O fechamento com "Quando maré encher", encerrou de forma apoteótica a apresentação que, mesmo sem grandes novidades, agradou.

The Baggios

The Baggios. Foto: Equipe Porão do Rock 

The Baggios soube muito bem administrar o peso de ser co-headliner da primeira noite. Em apresentação curta e enérgica, o duo (por vezes um quarteto)   trouxe para o Porão uma mescla de blues e rock hipnotizante. O repertório girou em torno dos dois discos de estúdio ("Sina" de 2013 e "The Baggios" de 2011), celebrando 10 anos de estrada. Uma das mais gratas surpresas deste festival.

Pitty

Pitty. Foto: Equipe Porão do Rock
A atração mais esperada da noite, Pitty reuniu grande público e agradou em cheio aos afortunados que resistiram até a madrugada de domingo. O set escolhido pela a cantora baiana dosou hits de todos os álbuns e trouxe também pérolas de seu mais novo rebento, "Sete vidas". As inevitáveis "Equalize" e "Na sua estante" vieram em sequência e diminuíram o ritmo acelerado da apresentação, mas que não reduzem a bela apresentação que terminou por volta das três da manhã.

Por fim, aos organizadores do evento se faz necessário efetuar largos elogios, pois tudo funcionou bem. Vale mencionar as estruturas de palco montadas, principalmente a disposição dos mesmos, que atenderam em sua plenitude, evitando inclusive problemas como o da edição passada no qual sons se misturavam e interferiam palcos distintos. Os preços praticados (R$ 6,00 por uma cerveja e R$ 8,00 por hambúrguer, por exemplo) foram, de certa forma, justos. A única, e grande, ressalva é a falta de um certo bom senso quanto ao horário dos shows. Numa cidade onde é impossível utilizar transporte público de madrugada e a frota de táxi não comporta o enorme contingente, além de ser cara. Andar cerca de 2 km para chegar a rodoviária local e aguardar até as 7 da manhã pelo metrô ou ônibus é injusto por demais. Se ainda não há políticas públicas ligadas a cultura, que privilegiem quem almeja fazer parte desta comunidade (tal como acontece em São Paulo durante o Lollapalooza, cujas apresentações terminaram as 23:00 e o metrô tem horário estendido por duas horas), é necessário que haja um diálogo entre as partes para que o público não seja penalizado por tamanho desprezo.        

Infelizmente, a cobertura do festival se encerra aqui, pois não pude acompanhar o segundo dia , mas fica o desejo de vida longa ao Porão do Rock, festival de enorme relevância para o cenário musical brasileiro, para o público de Brasília e, principalmente, para ala independente que carece de espaço para expor o seu trabalho para um grande público.

Leave a Reply

Link Off? Comente aqui mesmo ou na caixinha de bate papo ali do lado que a gente reposta rapidinho.

 
Ignes Elevanium © 2011 DheTemplate.com & Main Blogger. Supported by Makeityourring Diamond Engagement Rings

Poucos direitos reservados a nós e muitos para as bandas.